Ácido acetilsalicílico (AAS)

Nomes comerciais:

  • AAS Protect®, AAS Infantil®, Acetildor®, Sedalive®, Aspirina®, Apirina Buffered®, Aspirina Prevent®, Bufferin Cardio®, Somalgin Cardio®.


Apresentações:

  • Comprimidos: 100 mg, 300 mg.

  • Comprimidos efervescentes: 500 mg.

  • Comprimidos tamponados: 81 mg, 100 mg, 200 mg, 325 mg.


Posologia:

  • Adultos:

    • Síndrome Coronariana Aguda:

      • Ataque: mastigar 3 cp de 100 mg (162 a 325 mg).

      • Manutenção: 75 a 100 mg/dia.

    • Doença cardiovascular aterosclerótica (prevenção secundária):

      • 75 a 100 mg uma vez ao dia.

    • Prevenção de pré-eclâmpsia:

      • 75 a 100 mg via oral, uma vez ao dia.

      • Iniciar uso a partir de 12 semanas de idade gestacional e mantido até 36 semanas.

    • Analgésico e antipirético:

      • 325 mg a 1 g por via oral, a cada 4 a 8 horas, conforme necessário, com dose máxima de 4 g por dia .

    • Tratamento da artrite reumatoide e febre reumática:

      • 3 a 6 g por dia (algumas referências citam até 8 g/dia), divididos em 4 a 5 doses, por 1 a 8 semanas.

      • O uso de altas doses pode ser limitado por efeitos adversos, tornando outros AINEs alternativas preferíveis.

  • Crianças:

    • O uso de AAS é geralmente contraindicado em crianças menores de 16 anos devido ao risco de síndrome de Reye, exceto em condições específicas como a doença de Kawasaki.

    • Doença de Kawasaki:

      • Dose moderada: 30 a 50 mg/kg/dia, divididos em 4x/dia, até a febre desaparecer (pelo menos 48 a 72 horas).

      • Dose alta: 80 a 100 mg/kg/dia, divididos em 4x/dia, até a febre desaparecer (pelo menos 48 a 72 horas).

      • Manutenção: 3 a 5 mg/kg/dia uma vez ao dia, iniciando após a resolução da febre, por 6 a 8 semanas em pacientes sem anormalidades das artérias coronárias.

      • Pacientes com doença de Kawasaki e que apresentem gripe ou doença viral não devem receber aspirina. O paracetamol pode ser um antipirético alternativo e um agente antiplaquetário alternativo deve ser considerado, por pelo menos 2 semanas.

  • Ajustes para insuficiência renal:

    • Uso como anti-plaquetário: Os benefícios do uso de aspirina em baixa dose geralmente superam os possíveis riscos, incluindo complicações renais, mesmo em pacientes com insuficiência renal grave. Portanto, não é recomendada a redução da dose em indivíduos com doença cardiovascular diagnosticada ou suspeita, ou em outras situações que necessitem de tratamento antitrombótico.

    • Uso como anti-inflamatório: Em caso de insuficiência renal leve a moderada, deve-se utilizar a menor dose efetiva. O uso é contraindicado se TFG < 10 mL/min.

  • Ajustes para insuficiência hepática:

    • Não há diretrizes específicas para ajuste de dose em insuficiência hepática, mas deve-se ter cautela devido ao risco aumentado de sangramento. Evitar em casos de insuficiência hepática grave.


Classe:

  • Anti-inflamatório não esteroidal (AINE), antipirético, analgésico e antiagregante plaquetário.


Indicações:

  • Alívio da dor leve a moderada.

  • Redução da febre.

  • Prevenção de eventos tromboembólicos, como infarto do miocárdio e acidente vascular cerebral (AVC).

  • Tratamento de condições inflamatórias, como febre reumática.


Contraindicações:

  • Hipersensibilidade ao ácido acetilsalicílico ou a outros salicilatos.

  • Úlceras gástricas ou duodenais ativas.

  • Insuficiência renal ou hepática grave​.


Efeitos adversos:

  • Comuns: Dor abdominal, náusea, vômito, azia .

  • Raros: Sangramento gastrointestinal, síndrome de Reye em uso pediátrico, hepatotoxicidade.


Gestação:

  • O uso em doses baixas (81-100 mg/dia) pode ser considerado para prevenir pré-eclâmpsia em gestantes de alto risco. O uso de doses mais altas é geralmente evitado devido ao risco de complicações.

  • O uso de perto do parto pode causar fechamento prematuro do canal arterial.


Amamentação / Aleitamento:

  • Doses baixas (até 100 mg/dia) são consideradas compatíveis com a amamentação, mas doses mais altas devem ser evitadas devido ao risco potencial de efeitos adversos no lactente.


Uso por Sonda Nasogástrica/Nasoenteral:

  • Comprimido simples: Permitido. Triturar o comprimido, diluir em 10 mL de água filtrada, pausar a dieta, realizar a lavagem da sonda, administrar o medicamento e lavar a sonda novamente antes de religar a dieta;

  • Comprimido revestido: Não permitido. A perda do revestimento entérico pela trituração pode propiciar a inativação do princípio ativo e favorecer a irritação da mucosa gástrica.


Fontes:

  • Bula do profissional de Saúde. Ácido acetilsalicílico. Sanofi.

  • U.S. Food & Drug Administration (FDA). Medication Guides: Aspirin. Available at https://dps.fda.gov/medguide.

  • U.S. Food & Drug Administration (FDA). FDA Label: Aspirin. Available at https://nctr-crs.fda.gov/fdalabel/ui/search.

  • Peraçoli JC, Borges VT, Ramos JG, Cavalli RC, Costa SH, Oliveira LG, et al. Pré-eclâmpsia/ eclâmpsia. São Paulo: Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia (Febrasgo); 2018. (Protocolo Febrasgo – Obstetrícia, nº 8/Comissão Nacional Especializada em Hipertensão na Gestação).

  • Universidade Federal do Rio Grande do Sul. Faculdade de Medicina. Programa de Pós-Graduação em Epidemiologia. TelessaúdeRS (TelessaúdeRS-UFRGS). TeleCondutas: Doenças Hipertensivas na Gestação: versão digital 2023. Porto Alegre: TelessaúdeRS-UFRGS, 09 jan. 2023.

  • V Diretriz da Sociedade Brasileira de Cardiologia sobre Tratamento do Infarto Agudo do Miocárdio com Supradesnível do Segmento ST, Volume 105, Nº 2, Suplemento 1, Agosto 2015

  • Nicolau et al. Diretrizes da Sociedade Brasileira de Cardiologia sobre Angina Instável e Infarto Agudo do Miocárdio sem Supradesnível do Segmento ST – 2021.

  • Loew D, Belz GG. Acetylsalicylic acid (ASA) - how much, how often, and when? A clinical-pharmacological perspective. Int J Clin Pharmacol Ther. 2016;54(8):634-9.

  • Zeymer U, Hohlfeld T, Vom Dahl J, et al. Prospective, randomised trial of the time dependent antiplatelet effects of 500 mg and 250 mg acetylsalicylic acid i.v. and 300 mg p.o. in ACS (ACUTE). Thromb Haemost. 2017;117(3):625-35.

  • McCrindle BW, Rowley AH, Newburger JW, et al. Diagnosis, treatment, and long-term management of Kawasaki disease: a scientific statement for health professionals from the American Heart Association. Circulation. 2017;135(17)