Ácido valproico / valproato

Nomes comerciais:

  • Depakene®, Depakote®, Epilim®, Valpakine®, Valpro®, Depacon®.


Apresentações:

  • Comprimidos revestidos: 300 mg ou 500 mg.

  • Cápsula: 250 mg.

  • Solução oral: 50 mg/mL ou 200 mg/mL.

  • Ampolas para uso intravenoso: 100 mg/mL.


Posologia:

  • Epilepsia:

    • Adultos e crianças com 10 anos ou mais: A terapia inicial geralmente começa com 10-15 mg/kg/dia, dividido em 1 a 4 doses, aumentando 5-10 mg/kg/semana até atingir a resposta clínica ideal. A dose diária máxima recomendada é de 60 mg/kg/dia.

    • Crianças abaixo de 10 anos: A dose inicial recomendada é de 10-15 mg/kg/dia, dividido em 1 a 4 doses, com aumentos graduais. A dose de manutenção varia entre 15-40 mg/kg/dia.

  • Profilaxia de enxaqueca (adultos)

    • A dose inicial recomendada é de 250 mg duas vezes ao dia, podendo ser aumentada até 1.000 mg/dia, conforme necessário para o controle dos sintomas.

  • Transtorno bipolar:

    • Dose inicial: 500 a 750 mg/dia em 1 a 4 doses divididas. Aumentar em 250 a 500 mg/dia a cada 1 a 3 dias para atingir o efeito clínico desejado.

    • Dosagem máxima recomendada: 60 mg/kg/dia.

  • Uso intravenoso:

    • O ácido valproico intravenoso é utilizado quando a administração oral não é viável. Uma dose de carga intravenosa de 20-30 mg/kg pode ser administrada com segurança a uma taxa de 6-10 mg/kg/min.

    • Para manutenção, recomenda-se 7,5 mg/kg a cada 6 horas em crianças e 3,5 mg/kg a cada 6 horas em adultos, com o objetivo de manter as concentrações plasmáticas terapêuticas.

    • Diluição: Deve ser diluído em soro fisiológico 0,9% ou glicose 5% e administrado por infusão intravenosa lenta, durante 60 minutos, sem exceder 20-30 mg/min em adultos.

  • Ajuste em insuficiência renal:

    • Monitorar os níveis plasmáticos de valproato. Sem necessidade de ajuste de dose imediato.

    • Não é necessário ajuste de dose significativo, pois a depuração do valproato livre é apenas ligeiramente reduzida (27%) em pacientes com insuficiência renal grave (clearance de creatinina < 10 mL/min). No entanto, a ligação proteica é substancialmente reduzida, o que pode tornar as concentrações totais enganosas.

    • A hemodiálise pode reduzir as concentrações de valproato em cerca de 20%.

  • Ajuste em insuficiência hepática:

    • Contraindicado em pacientes com insuficiência hepática significativa.

    • Para pacientes com insuficiência hepática, o ajuste da dosagem de ácido valproico é crítico devido à redução da capacidade de eliminação do fármaco. 

    • A depuração do valproato livre pode ser reduzida em até 50% em pacientes com cirrose e 16% em pacientes com hepatite aguda. Portanto, é essencial monitorar as concentrações livres de valproato em vez das totais em pacientes com doença hepática.


Classe:

  • Anticonvulsivante / Estabilizador de humor.


Indicações:

  • Tratamento de crises epilépticas parciais complexas.

  • Crises de ausência simples e complexa.

  • Profilaxia de enxaqueca.

  • Episódios de mania no transtorno bipolar.


Contraindicações:

  • Hipersensibilidade ao valproato de sódio ou aos demais componentes da fórmula do produto.

  • Doença hepática ou disfunção hepática significativa.

  • Desordem na mitocôndria causada por mutação na DNA polimerase mitocondrial γ (POLG; ou seja, Síndrome de Alpers-Huttenlocher) e crianças com menos de 2 anos com suspeita de possuir desordem relacionada à POLG.

  • Distúrbio do ciclo da ureia (DCU).

  • Pacientes com porfiria.

  • Gravidez.

  • Algumas referências contraindicam o uso em menores de 10 anos de idade.


Efeitos adversos:

  • Comuns: Náuseas, vômitos, sonolência, tremores.

  • Incomuns: Trombocitopenia, elevação das enzimas hepáticas, ganho de peso.

  • Raros: Hepatotoxicidade, pancreatite, encefalopatia hiperamonêmica.

  • Observação: recomenda-se fazer contagem de plaquetas e realização de testes de coagulação antes de iniciar o tratamento, periodicamente e depois, pois pode haver alteração nas plaquetas e coagulação sanguínea. O aparecimento de hemorragia e equimoses, ou sinais de desordem na capacidade natural de coagulação do paciente são indicativos para a redução da dose ou interrupção da terapia.


Gestação:

  • Categoria D: Não recomendado durante a gravidez devido ao risco elevado de malformações fetais.


Aleitamento:

  • Excretado no leite materno em pequenas quantidades (1-10% dos níveis séricos maternos). Utilização não recomendada.


Uso por Sonda Nasogástrica/Nasoenteral:

  • Comprimido: Permitido: triturar o comprimido, diluir em 10 mL de água filtrada, pausar a dieta, realizar a lavagem da sonda, administrar o medicamento e lavar a sonda novamente antes de religar a dieta;

  • Cápsula: Permitido: Abrir a cápsula, diluir em 10 mL de água filtrada, pausar a dieta, realizar a lavagem da sonda, administrar o medicamento e lavar a sonda novamente antes de religar a dieta;

  • Xarope: Permitido: Pausar a dieta, realizar a lavagem da sonda, administrar o medicamento e lavar a sonda novamente antes de religar a dieta.


Fontes: