Fenoterol

Nomes comerciais

  • Berotec®, Bromifen®, Brofentec®, Bromotec®, Fenozan®, Febiotec® e Formare®

Apresentações

  • Berotec® solução aerossol HFA (Boehringer Ingelheim): [1]
    • Solução pressurizada para inalação oral (MDI); propelente HFA 134a (norflurano)
    • 100 mcg de bromidrato de fenoterol por dose (puff), equivalentes a 78,94 mcg de fenoterol base
    • Frasco de aço inox de 10 mL com 200 doses, acompanhado de bocal plástico dedicado
    • Excipientes: ácido cítrico, álcool etílico, água purificada; teor alcoólico de 36% (v/v)
  • Bromidrato de fenoterol solução 5 mg/mL (Hipolabor): [2]
    • Solução de uso oral e inalatório (gotas); 1 mL = 20 gotas = 5 mg; 1 gota = 0,25 mg = 0,05 mL
    • Caixa com 200 frascos plásticos gotejadores de 20 mL; líquido incolor, odor característico
    • Excipientes: edetato dissódico, cloreto de benzalcônio, cloreto de sódio, ácido clorídrico, hidróxido de sódio, água purificada
  • Bromidrato de fenoterol solução 5 mg/mL (Teuto):
    • Solução oral/inalatória 5 mg/mL; embalagens individuais (1 frasco 20 mL) ou caixa hospitalar (100 frascos 20 mL)
    • Excipientes: ácido cítrico, água de osmose reversa, metilparabeno, propilenoglicol, sacarina sódica, sorbitol
  • Demais genéricos disponíveis no mercado (Prati-Donaduzzi, Brofentec, Fenozan e outros): apresentação análoga de 5 mg/mL em frascos gotejadores de 20 mL

Posologia

  • Formulação: Aerossol HFA 100 mcg/dose (Berotec®) [1]
    • Adulto:
      • Episódios de asma aguda e constrição reversível das vias aéreas:
        • 1 dose (100 mcg) por inalação oral; se sem melhora após aproximadamente 5 minutos, pode-se inalar uma segunda dose
        • Dose máxima: 8 doses/dia (800 mcg/dia)
      • Profilaxia da asma induzida por exercício:
        • 1 a 2 doses (100 a 200 mcg) por inalação oral, antes do exercício
        • Dose máxima: 8 doses/dia (800 mcg/dia)
    • Pediátrico:
      • A bula não estabelece faixa etária mínima para o aerossol HFA
      • As doses seguem o mesmo esquema do adulto, sob supervisão médica
    • Idosos: incluídos na categoria de adultos; sem ajuste posológico específico descrito [1]
  • Formulação: Solução oral/inalatória 5 mg/mL (gotas) [2]
    • Adulto (incluindo idosos) e adolescente acima de 12 anos:
      • Uso inalatório (nebulização), crises agudas de asma e constrição reversível:
        • Dose usual: 0,1 mL (2 gotas = 0,5 mg) em dose única
        • Em casos graves (tratamento hospitalar): até 0,25 mL (5 gotas = 1,25 mg)
        • Doses totais diárias de até 0,4 mL (8 gotas = 2 mg) sob supervisão médica
      • Uso inalatório (nebulização), profilaxia da asma induzida por exercício:
        • 0,1 mL (2 gotas = 0,5 mg) antes do exercício
      • Uso oral (ingerido):
        • 10 a 20 gotas (2,5 a 5 mg), 3 vezes ao dia
        • Via oral reservada para quando a inalação não puder ser utilizada
    • Pediátrico (6 a 12 anos):
      • Uso inalatório (nebulização), crises agudas:
        • Dose usual: 0,05 a 0,1 mL (1 a 2 gotas = 0,25 a 0,5 mg)
        • Em casos graves: até 0,2 mL/dose (4 gotas = 1 mg)
        • Em casos particularmente graves: até 0,3 mL/dose (6 gotas = 1,5 mg), até 3 vezes ao dia, sob supervisão médica
      • Uso inalatório (nebulização), profilaxia da asma induzida por exercício:
        • 0,1 mL (2 gotas = 0,5 mg) antes do exercício
      • Uso oral (ingerido):
        • 10 gotas (2,5 mg), 3 vezes ao dia
    • Pediátrico (1 a 6 anos):
      • Uso oral (ingerido):
        • 5 a 10 gotas (1,25 a 2,5 mg), 3 vezes ao dia
    • Pediátrico (até 1 ano):
      • Uso oral (ingerido):
        • 3 a 7 gotas (0,75 a 1,75 mg), 2 a 3 vezes ao dia
    • Pediátrico (menores de 6 anos, pesando até 22 kg), uso inalatório:
      • Informações limitadas para este grupo etário [2]
      • Recomenda-se 0,05 mg/kg/dose, não mais que 0,2 mL (4 gotas = 1 mg)/dose, até 3 vezes ao dia
      • Administrar exclusivamente sob supervisão médica
      • Dose diária de 0,15 mg/kg não deve ser excedida (equivalente a 3 administrações × 0,05 mg/kg)
      • Intervalo mínimo entre doses (nebulização): 4 horas
  • Administração [1][2]
    • Aerossol HFA (MDI):
      • Pressionar a válvula 2 vezes antes do primeiro uso; se não utilizado nos últimos 3 dias, pressionar a válvula 1 vez antes do uso
      • Sequência de uso: retirar a tampa protetora; expirar profundamente; posicionar o bocal com a seta e a base do frasco apontando para cima; colocar os lábios sobre o bocal; inspirar profundamente enquanto pressiona firmemente a base do frasco; segurar a respiração por alguns segundos; remover o bocal e expirar; para segunda inalação, repetir os passos
      • Limpar o bocal com água morna ao menos uma vez por semana; agitar e secar ao ar antes de remontar
      • O bocal é exclusivo para Berotec® HFA 100 mcg: não deve ser substituído por outro bocal nem usado com outro aerossol dosificador
      • Para estimar a quantidade remanescente, a bula orienta o teste de flutuação em água: remover o frasco do bocal e colocá-lo em recipiente com água; a posição indica o conteúdo (A=vazio, B=¼ do volume, C=metade, D=¾ ou mais) [1]
      • Nota editorial: a confiabilidade do teste de flutuação é reconhecidamente menor para dispositivos MDI com propelente HFA em comparação com os antigos CFC; a contagem manual das doses utilizadas é o método mais confiável para evitar uso inadvertido de frasco vazio em situação de crise aguda
      • Armazenar entre 15°C e 30°C; não expor a temperaturas acima de 50°C; não abrir à força nem perfurar o frasco
      • Validade: 24 meses a partir da fabricação; odor de álcool é característico e esperado
    • Solução gotas (nebulização): [2]
      • Diluir a dose em volume final de 3 a 4 mL de SF 0,9%; não diluir em água destilada
      • Preparar imediatamente antes do uso; descartar sobras após o uso
      • Onde houver oxigênio instalado: fluxo ideal de 6 a 8 L/min
      • Pode ser inalada com anticolinérgicos e secretomucolíticos compatíveis: brometo de ipratrópio, cloridrato de ambroxol, cloridrato de bromexina
      • A exposição sistêmica e pulmonar dependem do nebulizador utilizado e podem ser maiores do que com o aerossol HFA
    • Solução gotas (via oral): [2]
      • Administrar preferencialmente antes das refeições
      • Retirar a tampa, virar o frasco e mantê-lo na posição vertical; aplicar leve pressão na parede do frasco para gotejar a quantidade desejada
      • Conteúdo de sódio: 24 mg por dose máxima recomendada; considerar em pacientes com restrição sódica
    • Uso sob demanda versus uso regular: [1][2]
      • O uso sob demanda é preferível ao uso regular
      • Não aumentar a frequência ou a dose além do recomendado; o uso crescente de beta-2-agonistas indica controle inadequado da doença e deve motivar reavaliação e intensificação do tratamento anti-inflamatório

Ajuste para Insuficiência Renal

  • Adulto:
    • As fontes consultadas não dispõem de orientações específicas sobre ajuste posológico em insuficiência renal [1][2]
    • Contexto farmacocinético disponível nas bulas:
      • Clearance renal de fenoterol: 0,27 L/min, correspondendo a aproximadamente 15% da depuração total de uma dose sistemicamente disponível [1][2]
      • Evidência de secreção tubular em adição à filtração glomerular [1][2]
      • Após inalação do aerossol HFA: apenas 2% da dose é excretada inalterada pelos rins em 24 horas [1]
      • O impacto clínico da insuficiência renal sobre a farmacocinética do fenoterol não foi estudado nas fontes fornecidas [1][2]
  • Pediátrico:
    • As fontes consultadas não dispõem de orientações específicas sobre ajuste posológico em insuficiência renal pediátrica [1][2]

Ajuste para Insuficiência Hepática

  • Adulto:
    • As fontes consultadas não dispõem de orientações específicas sobre ajuste posológico em insuficiência hepática [1][2]
    • Contexto farmacocinético disponível nas bulas:
      • Biotransformação extensa por conjugação de glucuronidas e sulfatos; após administração oral, o metabolismo por sulfonação inicia já na parede intestinal, antes da absorção sistêmica [1][2]
      • Excreção biliar responsável pela maior parte (~85%) do clearance total (1,1 a 1,8 L/min, IV) [1][2]
      • O impacto clínico da disfunção hepática sobre a farmacocinética do fenoterol não foi descrito nas fontes fornecidas [1][2]
  • Pediátrico:
    • As fontes consultadas não dispõem de orientações específicas sobre ajuste posológico em insuficiência hepática pediátrica [1][2]

Classe

  • Agonista beta-2-adrenérgico de curta duração de ação (SABA; do inglês Short-Acting Beta-2 Agonist)
  • Subclasse: broncodilatador simpaticomimético de ação direta, agonista seletivo dos receptores beta-2 em doses terapêuticas

Farmacologia

  • Mecanismo de ação: [1][2]
    • O bromidrato de fenoterol é um agente simpaticomimético de ação direta que estimula seletivamente os receptores beta-2-adrenérgicos em doses terapêuticas; a estimulação dos receptores beta-1 ocorre em doses mais altas (ex.: doses utilizadas em tocólise)
    • A ativação do receptor beta-2 ativa a adenilciclase por meio de uma proteína estimulante Gs, elevando os níveis intracelulares de AMP cíclico (AMPc)
    • O AMPc ativa a proteína quinase A, que fosforila proteínas-alvo nas células da musculatura lisa, resultando em:
      • Fosforilação da quinase da cadeia leve da miosina, com consequente relaxamento muscular
      • Inibição da hidrólise da fosfoinositida
      • Abertura dos canais largos de condutância de potássio-cálcio ativados
    • Existem evidências de que o canal máximo de K+ possa ser ativado diretamente via proteína Gs [1][2]
    • Farmacodinâmica relevante: [1][2]
      • Relaxa a musculatura lisa brônquica e vascular; previne broncoconstrição induzida por histamina, metacolina, ar frio e alérgenos (fase precoce)
      • Inibe a liberação de mediadores broncoconstritores e pró-inflamatórios dos mastócitos após administração aguda
      • Aumenta o clearance mucociliar em doses de 0,6 mg
      • Em concentrações plasmáticas elevadas (uso oral ou IV): inibe a motilidade uterina
      • Em doses elevadas: efeitos metabólicos sistêmicos incluem lipólise, glicogenólise, hiperglicemia e hipocalemia (captação de K+ pelo músculo esquelético)
      • Efeitos cardiovasculares (aumento do ritmo cardíaco e da contratilidade): mediados por efeitos vasculares, estimulação do receptor beta-2 cardíaco e, em doses supraterapêuticas, estímulo do receptor beta-1
      • Prolongamento do intervalo QTc relatado; para o aerossol HFA os eventos foram discretos e em doses superiores às recomendadas; a exposição sistêmica após nebulização pode ser maior, com significado clínico ainda não estabelecido
      • Tremor é o efeito dos beta-agonistas mais frequentemente observado
  • Farmacocinética: [1][2]
    • Absorção:
      • Aerossol HFA: biodisponibilidade absoluta após inalação de 18,7%; absorção bifásica a partir do pulmão: 30% absorvida rapidamente (meia-vida 11 min) e 70% vagarosamente (meia-vida 120 min); Cmax geométrica de 66,9 pg/mL após dose única de 200 mcg, com tmax de 15 minutos [1]
      • Após inalação, 10 a 30% do fármaco alcança o trato respiratório inferior; o restante é depositado no trato respiratório superior e boca, sendo posteriormente engolido [1]
      • Via oral: aproximadamente 60% da dose é absorvida; extenso metabolismo de primeira passagem resulta em biodisponibilidade oral de aproximadamente 1,5%; Cmax plasmática em 1 a 2 horas [1][2]
    • Distribuição:
      • Volume de distribuição no estado de equilíbrio (Vss, IV): 1,9 a 2,7 L/kg [1][2]
      • Modelo farmacocinético compartimentado: meias-vidas tα = 0,42 min, tβ = 14,3 min, tγ = 3,2 horas [1][2]
      • Ligação às proteínas plasmáticas: 40 a 55% [1][2]
      • No estado não metabolizado, pode atravessar a placenta e passar para o leite materno [1][2]
    • Metabolismo:
      • Extenso metabolismo por conjugação de glucuronidas e sulfatos em humanos [1][2]
      • Após administração oral: metabolismo predominantemente por sulfonação; a inativação metabólica começa já na parede intestinal [1][2]
      • As bulas fornecidas não descrevem envolvimento específico de enzimas do sistema CYP450 no metabolismo do fenoterol [1][2]
    • Eliminação:
      • Biotransformação mais excreção biliar: responsáveis por aproximadamente 85% do clearance total (1,1 a 1,8 L/min, IV) [1][2]
      • Clearance renal: 0,27 L/min (~15% da depuração total); inclui secreção tubular além da filtração glomerular [1][2]
      • Via oral: 39% da radioatividade excretada na urina e 40,2% nas fezes em 48 horas; 0,38% da dose excretada inalterada na urina [1][2]
      • IV: 65% excretada na urina e 14,8% nas fezes em 48 horas; 15% excretada inalterada [1][2]
      • Após inalação do aerossol: 2% da dose excretada inalterada pelos rins em 24 horas [1]

Tipo de Receita

  • Receita simples (branca), sem retenção.

Indicações

  • Aerossol HFA 100 mcg/dose e Solução gotas 5 mg/mL (adultos e pediátrico): [1][2]
    • Tratamento sintomático da crise aguda de asma e outras enfermidades com constrição reversível das vias aéreas (ex.: bronquite obstrutiva crônica)
      • Recomenda-se considerar tratamento anti-inflamatório concomitante para pacientes com crise de asma e para pacientes com Doença Pulmonar Obstrutiva Crônica (DPOC) que respondam ao tratamento com esteroides [1][2]
    • Profilaxia da asma induzida por exercício [1][2]
  • Nota sobre fontes: nenhum label FDA foi fornecido entre as fontes; o bromidrato de fenoterol não possui aprovação da FDA como produto farmacêutico para uso humano nos Estados Unidos; não é possível comparar indicações ANVISA vs. FDA com base nas fontes fornecidas

Contraindicações

  • Contraindicações absolutas: [1][2]
    • Cardiomiopatia obstrutiva hipertrófica
    • Taquiarritmia
    • Hipersensibilidade ao bromidrato de fenoterol e/ou a quaisquer outros componentes da fórmula
  • Precauções especiais (uso somente após análise minuciosa de risco/benefício, sobretudo nas maiores doses recomendadas): [1][2]
    • Diabetes mellitus descompensado
    • Infarto do miocárdio recente
    • Graves alterações vasculares ou cardíacas de origem orgânica
    • Hipertireoidismo
    • Feocromocitoma
  • Alertas de segurança relevantes: [1][2]
    • Broncoespasmo paradoxal (potencialmente fatal): descontinuar imediatamente se ocorrer e substituir por terapia alternativa
    • Prolongamento do intervalo QT e risco de torsades de pointes: este medicamento pode potencializar o prolongamento do intervalo QT, aumentando o risco de arritmias ventriculares graves do tipo torsades de pointes, potencialmente fatal (morte súbita) [1]
    • Hipocalemia potencialmente grave: monitorar K+ sérico, especialmente em asma grave e uso concomitante de xantinas, corticosteroides ou diuréticos; hipocalemia aumenta susceptibilidade a arritmias em pacientes usando digoxina [1][2]
    • Pacientes com doença cardíaca grave subjacente (doença isquêmica cardíaca, arritmia, insuficiência cardíaca grave): orientar a buscar assistência médica imediata se surgirem dor torácica ou sintomas de agravamento cardíaco [1][2]
    • Interferência com testes antidoping: o uso pode levar a resultados positivos para fenoterol em testes de rastreamento de substâncias ilícitas; este medicamento pode causar doping [1][2]
    • Cloreto de benzalcônio e edetato dissódico (formulação gotas): quando inalados, podem causar broncoconstrição em pacientes com vias aéreas hiper-reativas [2]
    • Conteúdo de etanol: o aerossol HFA contém aproximadamente 16 mg de álcool (etanol) por aplicação [1]
    • Conteúdo de sódio (gotas, uso oral): 24 mg de sódio por dose máxima recomendada; relevante para pacientes com dieta restrita em sódio [2]

Efeitos Adversos

  • Reações comuns (1/100 a <1/10): [1][2]
    • Tremor
    • Tosse
  • Reações incomuns (1/1.000 a <1/100): [1][2]
    • Hipocalemia
    • Agitação
    • Arritmia
    • Broncoespasmo paradoxal
    • Náuseas
    • Vômitos
    • Prurido
  • Reações com frequência desconhecida (dados pós-comercialização): [1][2]
    • Hipersensibilidade
    • Nervosismo
    • Cefaleia
    • Tonturas
    • Isquemia miocárdica (raras ocorrências relatadas em dados pós-comercialização associadas a beta-agonistas)
    • Taquicardia
    • Palpitações
    • Irritação da garganta
    • Hiperidrose
    • Reações cutâneas, rash e urticária
    • Cãibra muscular
    • Mialgia
    • Fraqueza muscular
    • Aumento da pressão arterial sistólica
    • Diminuição da pressão arterial diastólica

Interações Medicamentosas

  • Interações farmacodinâmicas: [1][2]
    • Outros beta-adrenérgicos (formoterol, salbutamol):
      • Mecanismo: efeito aditivo sobre receptores beta-2
      • Resultado: potencializam o efeito broncodilatador e os efeitos colaterais
      • Conduta: uso concomitante somente sob rigorosa supervisão médica
    • Anticolinérgicos inalatórios (tiotrópio, ipratrópio):
      • Mecanismo: bloqueio colinérgico complementa a broncodilatação adrenérgica
      • Resultado: potencializam o efeito broncodilatador
      • Conduta: broncodilatadores anticolinérgicos podem ser inalados simultaneamente; anticolinérgicos de absorção sistêmica aumentam efeitos colaterais adrenérgicos
    • Derivados da xantina (teofilina):
      • Mecanismo: inibição da fosfodiesterase; efeitos aditivos sobre AMPc e hipocalemia
      • Resultado: potencialização do efeito broncodilatador e dos efeitos colaterais; hipocalemia aumentada
      • Conduta: monitorar K+ sérico, especialmente em obstrução grave das vias aéreas
    • Corticosteroides e diuréticos:
      • Mecanismo: potencializam a hipocalemia induzida por beta-2-agonistas
      • Conduta: monitorar K+ sérico, especialmente em asma grave
    • Digoxina:
      • Mecanismo: hipocalemia induzida pelo fenoterol aumenta a susceptibilidade a arritmias
      • Conduta: monitorar K+ sérico
    • Betabloqueadores (não seletivos e seletivos):
      • Mecanismo: antagonismo competitivo nos receptores beta
      • Resultado: redução potencialmente grave na broncodilatação
      • Conduta: evitar uso simultâneo sempre que possível; se necessário, preferir betabloqueador seletivo beta-1 e ajustar dose cuidadosamente
  • Interações farmacocinéticas: [1][2]
    • Inibidores da MAO (moclobemida, tranilcipromina):
      • Mecanismo: inibição da degradação de catecolaminas endógenas e exógenas, potencializando a ação dos agonistas beta-adrenérgicos
      • Conduta: administrar com cautela e monitorar efeitos cardiovasculares
    • Antidepressivos tricíclicos (amitriptilina, imipramina):
      • Mecanismo: bloqueio da recaptação de catecolaminas; potencialização similar à dos IMAO
      • Conduta: mesma precaução dos IMAO
    • Anestésicos halogenados (halotano, tricloroetileno, enflurano):
      • Mecanismo: sensibilização miocárdica às catecolaminas
      • Resultado: aumento da susceptibilidade aos efeitos cardiovasculares dos beta-agonistas
      • Conduta: alertar o anestesiologista quanto ao uso de beta-agonistas antes de procedimentos com anestesia geral inalatória

Gestação

  • ANVISA: [1][2]
    • Categoria de risco gestacional: B
    • Dados pré-clínicos combinados com experiências disponíveis em humanos não mostraram evidência de efeitos adversos durante a gravidez [1][2]
    • Observar as precauções usuais referentes à administração de medicamentos durante a gravidez, principalmente nos três primeiros meses [1][2]
    • Período pré-parto: considerar o efeito inibidor sobre as contrações uterinas, pois concentrações plasmáticas mais elevadas inibem a motilidade uterina [1][2]
    • No estado não metabolizado, o bromidrato de fenoterol pode atravessar a placenta [1][2]
    • Este medicamento não deve ser utilizado por mulheres grávidas sem orientação médica ou do cirurgião-dentista [1][2]
    • As bulas não fornecem dados quantitativos de estudos formais em gestantes humanas; a classificação B baseia-se em dados pré-clínicos e na experiência clínica acumulada [1][2]
  • FDA:
    • Nenhum label FDA foi fornecido entre as fontes; o bromidrato de fenoterol não possui aprovação FDA nos Estados Unidos; não é possível informar a categorização gestacional FDA para este produto
    • Nota: o FDA não utiliza as categorias de risco gestacional A, B, C, D, X desde a implementação do Pregnancy and Lactation Labeling Rule (PLLR) em 2015

Lactação

  • ANVISA: [1][2]
    • Estudos pré-clínicos demonstraram que o fenoterol é excretado pelo leite materno no estado não metabolizado [1][2]
    • A segurança durante a lactação não está comprovada [1][2]
    • Deve-se ter cautela quando o bromidrato de fenoterol for administrado durante a amamentação [1][2]
    • O uso durante a lactação depende da avaliação e acompanhamento do médico ou cirurgião-dentista [1][2]
    • Uso criterioso no aleitamento ou na doação de leite humano [1]
    • As bulas não fornecem dados quantitativos de excreção no leite (dose relativa infantil, razão leite/plasma) nem relatos de efeitos adversos em lactentes [1][2]
  • FDA:
    • Nenhum label FDA foi fornecido entre as fontes; comentários análogos ao item Gestação aplicam-se

Uso por Sonda Nasogástrica/Nasoenteral

  • As bulas fornecidas não abordam a administração de bromidrato de fenoterol por sonda nasogástrica (SNG) ou nasoenteral (SNE); as orientações a seguir baseiam-se em fontes técnicas externas e em princípios farmacológicos aplicáveis [3]
  • Aerossol HFA (Berotec® MDI): [1]
    • Não aplicável por sonda; a via inalatória por MDI requer coordenação inspiratória e dispositivo pressurizado, sendo incompatível com administração enteral
  • Solução oral/inalatória 5 mg/mL (gotas): [2][3]
    • A solução é aquosa e de baixa viscosidade, características compatíveis com administração por SNG ou SNE como uso off-label não descrito nas bulas
    • Procedimento sugerido com base em princípios de farmácia clínica enteral: aspirar a dose calculada em seringa enteral; diluir em pequeno volume de água; administrar pela sonda seguida de flush adequado ao calibre do tubo; para sondas terminando no jejuno, utilizar água estéril [3]
    • Limitar a via oral/enteral para situações em que a inalação não possa ser realizada, considerando que a biodisponibilidade oral é muito baixa (~1,5% após extenso metabolismo de primeira passagem) [1][2]
    • Para pacientes mecanicamente ventilados: a nebulização in-line acoplada ao circuito do ventilador é o método preferencial, pois permite entrega direta às vias aéreas sem o metabolismo de primeira passagem, com efeito broncodilatador eficaz
    • Para nebulização in-line: diluir a dose em 3 a 4 mL de SF 0,9% conforme orientação das bulas; descartar sobras imediatamente após o uso [2]
    • Atenção: a formulação em gotas (Hipolabor) contém cloreto de benzalcônio como conservante, que pode causar broncoconstrição em vias aéreas hiper-reativas quando inalado [2]
    • Nota: fenoterol não está especificamente listado no Handbook of Drug Administration via Enteral Feeding Tubes (White & Bradnam); as orientações acima baseiam-se em princípios gerais de administração enteral de soluções aquosas [3]

Fontes

[1] Bula do Profissional de Saúde. Berotec® (bromidrato de fenoterol). Boehringer Ingelheim do Brasil Química e Farmacêutica Ltda. Aprovada em 16/12/2025. Disponível em: https://consultas.anvisa.gov.br/#/bulario/ 

[2] Bula do Profissional de Saúde. Bromidrato de fenoterol (bromidrato de fenoterol). Hipolabor Farmacêutica Ltda. Aprovada em 28/01/2019. Disponível em: https://consultas.anvisa.gov.br/#/bulario/ 

[3] White R, Bradnam V. Handbook of Drug Administration via Enteral Feeding Tubes. 3ª ed. London: Pharmaceutical Press; 2015. Disponível em: https://www.pharmpress.com/product/9780857110305/handbook-of-drug-administration-via-enteral-feeding-tubes 

[4] InfoSUS-SC. Fenoterol. Secretaria de Estado da Saúde de Santa Catarina. Disponível em: http://infosus.saude.sc.gov.br/index.php?title=Fenoterol 

[5] Portal Afya. Berotec gotas é descontinuado de forma definitiva. Disponível em: https://portal.afya.com.br/saude/berotec-gotas-e-descontinuado-de-forma-definitiva