Ipratrópio

Nomes comerciais:

  • Atrovent N®, Atrovent®, Aerodivent®, Ares®, Asmaliv®, Ipraneo®, Ipravent®

Apresentações:

  • Solução pressurizada para inalação (aerossol), 20 mcg/dose: frasco com 10 mL (200 doses), acompanhado de bocal [1]
    • Atrovent N®; e genéricos de diversas marcas [1][4][5]
  • Solução para inalação (gotas), 0,25 mg/mL: frasco com 20 mL (1 mL = 20 gotas; 1 gota = 0,0125 mg de brometo de ipratrópio) [1]
    • Atrovent®, Aerodivent®, Ares®, Asmaliv®, Ipraneo®, Ipravent®; e genéricos de diversas marcas [1][4][5]

Posologia:

  • Adultos (incluindo idosos e adolescentes ≥ 12 anos):

    • Tratamento de manutenção (DPOC e asma):
      • Solução aerossol (IDPm): 2 doses (2 puffs = 40 mcg), 4 vezes ao dia; dose máxima diária: 12 doses (240 mcg); a necessidade de doses superiores pode indicar a necessidade de terapias adicionais [1]
      • Solução para nebulização (gotas): 0,5 mg (2,0 mL = 40 gotas), 3 a 4 vezes ao dia [1]
    • Tratamento da exacerbação aguda da DPOC:
      • Solução para nebulização: 0,5 mg (2,0 mL = 40 gotas); as doses podem ser repetidas até que o paciente se estabilize; o intervalo entre as doses deve ser determinado pelo médico [1]
      • Nota: o uso como agente único no alívio do broncoespasmo em exacerbação aguda da DPOC não foi adequadamente estudado; medicamentos com início de ação mais rápido podem ser preferíveis como terapia inicial neste contexto; a associação com beta-agonista não demonstrou superioridade sobre cada medicamento isolado na reversão do broncoespasmo associado à exacerbação aguda da DPOC [2]
    • Tratamento da exacerbação aguda da asma:
      • Indicado nas apresentações moderadas a graves ou na má resposta ao SABA (agonista beta-2 de curta ação) na primeira hora [3]
      • IDPm + espaçador: 4 jatos (80 mcg), concomitante a cada dose de salbutamol, com intervalos de 20-30 min, por até 3 doses [3]
      • Nebulização: 0,5 mg (2 mL = 40 gotas), concomitante a cada dose de salbutamol, da mesma forma [3]
        • Nota: a dose de ipratrópio citada no fluxograma de manejo da exacerbação em adultos do GINA 2026 é 0,25 mg (1mL - 20 gotas), no entanto, outra fontes, bem como as bulas do profissional de saúde citam a dose de 0,5 mg (2 mL - 40 gotas) como recomendada.
      • Apresentação com risco de vida: iniciar imediatamente as mesmas doses junto ao salbutamol; em caso de anafilaxia associada, a epinefrina IM deve preceder o broncodilatador inalatório [3]
      • Evidência A (adultos) para redução de hospitalizações quando associado ao SABA na exacerbação moderada a grave; sem benefício após as primeiras 1-2 horas de tratamento [3]
  • Pediátrico:

    • Crianças ≥ 6 anos e < 12 anos:
      • Solução aerossol (IDPm): 2 doses (2 puffs = 40 mcg), 4 vezes ao dia; administrar exclusivamente sob orientação médica e supervisão de adulto, em virtude da limitação de dados disponíveis nesta faixa etária [1]
      • Solução para nebulização: 0,25 mg (1,0 mL = 20 gotas), 3 a 4 vezes ao dia; tratamento da crise aguda: 0,25 mg (1,0 mL = 20 gotas), podendo ser repetido até estabilização [1]
      • Administrar sob supervisão médica [1]
    • Crianças < 6 anos:
      • Solução para nebulização: 0,1 a 0,25 mg (0,4 a 1,0 mL = 8 a 20 gotas), 3 a 4 vezes ao dia; tratamento da crise aguda: mesma dose, podendo ser repetida até estabilização [1]
      • Administrar exclusivamente sob supervisão médica, em função das informações limitadas nesta faixa etária [1]
      • Nota: o aerossol pressurizado (IDPm) não possui aprovação pela ANVISA para uso em menores de 6 anos por falta de dados [1]; o FDA não estabeleceu segurança e eficácia do produto em menores de 12 anos [2]
    • Tratamento da exacerbação aguda da asma (adultos, adolescentes e crianças ≥ 6 anos):
      • Apresentação moderada a grave: 4 jatos (80 mcg) via IDPm + espaçador (ou 0,25 mg = 1 mL por nebulização), junto a cada dose de salbutamol, a cada 20-30 min, por até 3 doses [3]
      • Apresentação com risco de vida: mesmas doses, iniciando imediatamente; em caso de anafilaxia associada, epinefrina IM antes do broncodilatador inalatório [3]
      • Evidência A (adultos) e B (adolescentes e crianças ≥ 6 anos) para redução de hospitalizações quando associado ao SABA [3]
      • Sem benefício observado em crianças já internadas por crise de asma aguda (sem benefício adicional ao SABA neste contexto) [3]
    • Tratamento da exacerbação aguda da asma em crianças < 6 anos:
      • Apresentação moderada a grave ou má resposta ao SABA na 1ª hora: 4 jatos de 20 mcg via IDPm + espaçador com máscara facial (ou 0,25 mg = 1 mL por nebulização), junto ao salbutamol, a cada 20-30 min, por até 3 doses [3]
      • Apresentação com risco de vida: nebulização contínua de ipratrópio + salbutamol por 60 minutos, com monitorização contínua de toxicidade; em anafilaxia associada, epinefrina IM precede o broncodilatador inalatório [3]
    • Doses acima de 2 mg/dia em adultos e crianças ≥ 12 anos, e acima de 1 mg/dia em menores de 12 anos, devem ser administradas sob supervisão médica [1]
  • Administração:

    • Solução aerossol (IDPm):
      • Antes do 1º uso, pressionar a válvula 2 vezes para preparar o inalador; após 3 dias sem uso, acionar a válvula 1 vez antes de utilizar [1]
      • Técnica de inalação: expirar profundamente, fechar os lábios ao redor do bocal (base do frasco voltada para cima), inspirar profundamente ao pressionar firmemente a base do frasco e segurar a respiração por alguns segundos após cada inalação [1]
      • Limpar o bocal com água morna pelo menos uma vez por semana; o bocal do Atrovent N® não deve ser utilizado com outros dispositivos inalatórios, nem o produto com outros bocais que não o fornecido [1]
    • Solução para nebulização (gotas):
      • Diluir a dose em solução fisiológica (SF 0,9%) até volume final de 3 a 4 mL antes de nebulizar; a solução deve ser nebulizada e inalada até ser totalmente consumida; qualquer resíduo deve ser descartado [1]
      • Compatível com qualquer aparelho de nebulização comercialmente disponível; quando disponível, utilizar fluxo de O₂ de 6-8 L/min [1]
      • Pode ser combinada com mucolíticos (ambroxol, bromexina) e com beta-2-agonistas (fenoterol) em solução para nebulização [1]; pode ser misturada com salbutamol (albuterol) ou metaproterenol no nebulizador se utilizada dentro de 1 hora [2]
      • Não deve ser misturada com cromoglicato dissódico no mesmo nebulizador, pois pode ocorrer precipitação [1]; a estabilidade e segurança quando misturada a outros medicamentos não foram estabelecidas [1][2]
    • Cuidados gerais:
      • Evitar o contato da solução nebulizada com os olhos: pode causar visão turva, midríase, piora ou precipitação de glaucoma de ângulo fechado e dor ocular; o uso do bocal é preferível à máscara facial; caso seja necessário o uso de máscara, assegurar vedação adequada [1][2]
      • Em caso de dose esquecida, as fontes consultadas não dispõem de orientação específica; recomenda-se consultar o médico ou farmacêutico responsável

Ajuste para Insuficiência Renal:

  • Adulto: o brometo de ipratrópio não foi estudado formalmente em pacientes com insuficiência renal; deve ser utilizado com cautela nessa população [1][2]
  • Pediátrico: as fontes consultadas não dispõem de orientações específicas sobre esse tópico

Ajuste para Insuficiência Hepática:

  • Adulto: o brometo de ipratrópio não foi estudado formalmente em pacientes com insuficiência hepática; deve ser utilizado com cautela nessa população [1][2]
  • Pediátrico: as fontes consultadas não dispõem de orientações específicas sobre esse tópico

Classe:

  • Broncodilatador anticolinérgico (antimuscarínico) de curta duração de ação; SAMA (Short-Acting Muscarinic Antagonist); composto de amônio quaternário derivado sintético da atropina [1][2]

Farmacologia:

  • Mecanismo de ação: [1][2]
    • Antagonismo competitivo dos receptores muscarínicos da acetilcolina no músculo liso brônquico; inibe os reflexos mediados pelo nervo vago e impede o aumento da concentração intracelular de cálcio, mediado pelo sistema de segundo mensageiro composto por IP₃ (inositol trifosfato) e DAG (diacilglicerol), resultando em broncodilatação
    • O efeito broncodilatador é primariamente local e específico sobre as vias aéreas, sem natureza sistêmica relevante; não produz efeitos prejudiciais sobre a ação secretora da mucosa brônquica, a depuração mucociliar ou a troca gasosa em doses terapêuticas [1]
  • Início, pico e duração de ação: [1]
    • Início: dentro de poucos minutos após a inalação; em pacientes asmáticos, ~50% do efeito broncodilatador ocorre em aproximadamente 3 minutos e ~80% em até 30 minutos
    • Pico: 1 a 2 horas
    • Duração: 4 a 6 horas; em estudos de 12 semanas em DPOC, 25-38% dos pacientes mantiveram melhora funcional (aumento ≥ 15% no VEF₁) por 7 a 8 horas [2]
  • Absorção e distribuição: [1]
    • Após inalação, 10-30% da dose deposita-se nos pulmões (dependendo da formulação e técnica); a maior parte é deglutida e passa ao trato gastrointestinal
    • Biodisponibilidade sistêmica da dose inalada: 7-28%; da dose oral: ~2%; a dose deglutida não contribui de forma relevante para a exposição sistêmica [1]; após nebulização de 2 mg, em média 7% é absorvido sistemicamente [2]
    • Volume de distribuição (Vdss): ~176 L (~2,4 L/kg); ligação proteica: inferior a 20% [1]; 0 a 9% in vitro [2]
    • Não atravessa a barreira hematoencefálica nem a barreira placentária [1]
  • Metabolismo e eliminação: [1]
    • Aproximadamente 60% da dose IV é metabolizada, predominantemente por oxidação hepática; os metabólitos conhecidos possuem pouca ou nenhuma afinidade para o receptor muscarínico, sendo considerados ineficazes terapeuticamente
    • Meia-vida de eliminação (fase terminal): ~1,6 horas; meia-vida do fármaco radioativo (substância ativa + metabólitos): 3,6 horas
    • Eliminação predominantemente renal após IV; predominantemente fecal após dose oral ou inalada

Tipo de Receita:

  • Tarja vermelha; venda sob prescrição médica (receituário simples) [1]

Indicações:

  • Atrovent N® (aerossol): [1]
    • Broncodilatador para tratamento de manutenção do broncoespasmo associado à DPOC (incluindo bronquite crônica, enfisema pulmonar e asma)
  • Atrovent® e similares/genéricos (gotas para nebulização): [1]
    • Broncodilatador para tratamento de manutenção do broncoespasmo associado à DPOC (bronquite crônica e enfisema)
    • Em combinação com beta-2-agonista, indicado também no tratamento do broncoespasmo agudoassociado à asma e à DPOC (incluindo bronquite crônica)
  • FDA (solução para nebulização 0,02%): [2]
    • Broncodilatador para tratamento de manutenção do broncoespasmo associado à DPOC (bronquite crônica e enfisema), isolado ou em combinação com outros broncodilatadores, especialmente beta-adrenérgicos

Contraindicações:

  • Hipersensibilidade conhecida ou suspeita ao brometo de ipratrópio, à atropina ou a seus derivados, e/ou a qualquer componente da fórmula [1][2]

Efeitos Adversos:

  • Comuns (≥ 1/100 e < 1/10): [1]
    • Cefaleia, tontura, irritação na garganta, tosse, boca seca, náusea e distúrbios da motilidade gastrintestinal
    • Em estudos de 12 semanas na DPOC (FDA), os eventos mais frequentes foram bronquite (14,6%), infecção de vias aéreas superiores (13,2%), dispneia (9,6%) e cefaleia (6,4%) [2]
  • Incomuns (≥ 1/1.000 e < 1/100): [1]
    • Hipersensibilidade e anafilaxia
    • Oculares: visão turva, midríase, aumento da pressão intraocular (PIO), glaucoma de ângulo fechado, dor ocular, visão de halos, hiperemia conjuntival e edema de córnea; complicações oculares podem ocorrer quando a névoa atinge inadvertidamente os olhos
    • Cardiovasculares: palpitações e taquicardia supraventricular
    • Respiratórios: broncoespasmo paradoxal (potencialmente fatal; descontinuar imediatamente e substituir por terapia alternativa), espasmo laríngeo e edema orofaríngeo
    • Gastrointestinais: garganta seca, diarreia, constipação, vômito, estomatite e edema da mucosa oral
    • Dermatológicos/sistêmicos: rash, prurido, angioedema e retenção urinária
  • Raros (≥ 1/10.000 e < 1/1.000): [1]
    • Distúrbios da acomodação visual, fibrilação atrial, taquicardia (aumento da frequência cardíaca) e urticária
  • Observações relevantes:
    • A solução para nebulização (gotas) contém cloreto de benzalcônio (conservante) e edetato dissódico di-hidratado (estabilizante), que podem causar broncoespasmo em pacientes sensíveis com hiper-reatividade das vias aéreas; o risco é maior em asmáticos [1]
    • O aerossol pressurizado (Atrovent N®) contém cerca de 8 mg de etanol por aplicação (teor alcoólico de 15%); a quantidade é considerada de baixo impacto clínico [1]
    • Doses diárias totais iguais ou superiores a 2.000 mcg associam-se a maior incidência de cefaleia, boca seca e agravamento de sintomas da DPOC [2]

Interações Medicamentosas:

  • Outros anticolinérgicos: a coadministração crônica não foi adequadamente estudada; não recomendada [1]
  • Agentes beta-adrenérgicos (fenoterol, salbutamol, isoxsuprina, piperidolato, terbutalina) e derivados de xantina (aminofilina, bamifilina): podem intensificar o efeito broncodilatador [1]
  • Betamiméticos nebulizados (fenoterol, salbutamol, salmeterol) em pacientes com histórico de glaucoma de ângulo fechado: risco aumentado de crise aguda de glaucoma quando utilizados simultaneamente ao ipratrópio nebulizado [1]
  • Metilxantinas e corticosteroides: utilizados concomitantemente sem evidência de interações adversas clinicamente relevantes [2]

Gestação:

  • Anvisa: [1]
    • Categoria de risco B
    • Estudos pré-clínicos não demonstraram efeitos embriotóxicos ou teratogênicos após inalação ou aplicação intranasal em doses consideravelmente superiores às recomendadas para humanos
    • A segurança do uso durante a gravidez não está estabelecida em humanos; os benefícios devem ser ponderados em relação ao possível risco ao feto
    • Não deve ser utilizado por gestantes sem orientação médica
  • FDA: [2]
    • Categoria de risco B
    • Estudos de reprodução oral e inalatório em camundongos, ratos e coelhos, com doses muito superiores à dose humana recomendada, não demonstraram evidência de efeitos teratogênicos
    • Não existem estudos adequados e bem-controlados em mulheres grávidas; como estudos animais nem sempre são preditivos da resposta humana, o uso na gestação só é recomendado quando claramente necessário

Lactação:

  • Anvisa: [1]
    • Não se sabe se o brometo de ipratrópio é excretado no leite materno
    • Não se espera que o fármaco alcance o lactente de forma clinicamente relevante, especialmente quando administrado por via inalatória
    • Deve ser administrado com cautela durante o período de amamentação; o uso neste período depende de avaliação médica individualizada
  • FDA: [2]
    • Não se sabe se o brometo de ipratrópio é excretado no leite humano
    • Embora bases de amônio quaternário de caráter lipídico-insolúvel possam passar ao leite materno, é improvável que o fármaco alcance o lactente em concentrações significativas, dado que não é bem absorvido sistemicamente após administração inalatória ou oral
    • Cautela recomendada ao administrar em mulheres em período de amamentação

Uso por Sonda Nasogástrica/Nasoenteral:

  • O brometo de ipratrópio é um medicamento de uso exclusivamente inalatório, disponível nas formulações de aerossol pressurizado para inalação oral e solução para nebulização. A via nasogástrica ou nasoenteral não é pertinente para formulações inalatórias broncodilatadoras, e as fontes consultadas não abordam essa forma de administração.

Fontes:

[1] Bula do Profissional de Saúde. Atrovent N® e Atrovent® (brometo de ipratrópio). Boehringer Ingelheim do Brasil Química e Farmacêutica Ltda. Aprovada em 07/01/2025. Disponível em: https://consultas.anvisa.gov.br/#/bulario/ 

[2] U.S. Food & Drug Administration (FDA). FDA Label. Ipratropium Bromide Inhalation Solution, 0.02%. Revised: 6/2026. Available at: https://nctr-crs.fda.gov/fdalabel/ui/search 

[3] Global Initiative for Asthma (GINA). Global Strategy for Asthma Management and Prevention. 2026. Disponível em: https://ginasthma.org 

[4] InfoSUS - Secretaria de Estado da Saúde de Santa Catarina. Brometo de ipratrópio. Disponível em: http://infosus.saude.sc.gov.br/index.php/Brometo_de_Ipratr%C3%B3pio 

[5] Consulta Remédios. Brometo de ipratrópio: apresentações e nomes comerciais disponíveis no Brasil. Disponível em: https://consultaremedios.com.br/brometo-de-ipratropio/pa