Suporte de Vida no Trauma (Visão Geral)

CID-10: T07
Outros temas:

Triagem

Múltiplas vítimas ou vítima única:
  • Os recursos são suficientes para prestar os cuidados individuais completos.
  • A equipe deve oferecer o melhor possível para cada indivíduo.
Vítimas em massa:
  • Os recursos são insuficientes para prestar os cuidados individuais completos.
  • A equipe deve oferecer o melhor possível para o maior número de vítimas.
  • Triagem SALT:
    • Imediato: lesões potencialmente fatais que requerem tratamento imediato.
    • Urgente: lesões que requerem tratamento em até 6h.
    • Não urgente: vítimas que conseguem deambular ou doentes psiquiátricos.
    • Expectante: possui lesões graves, incompatíveis com a vida ou sem recursos para tratar no momento.
    • Morto.
Passagem de caso:
  • M - mecanismo e tempo do trauma
  • I - lesões encontradas e suspeitas
  • S - sinais e sintomas
  • T - tratamento iniciado
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Preparação

  • Equipamentos organizados e testados, EPIs, cristaloide aquecido, sala em temperatura ambiente (desligar ar condicionado).

Avaliação primária

A - Via aérea com restrição do movimento da coluna

  • O que avaliar?
    • Estridor, secreção, corpo estranho, fratura de face, enfisema subcutâneo em pescoço.
  • O que posso fazer?
    • Colar cervical, aspiração, manobra Jaw-thrust, cânula orofaringea (guedel) se inconsciente, O2 suplementar.
  • Ameaças?
    • Fratura coluna cervical.
    • Obstrução via aérea superior (secreção, corpo estranho, edema, fratura de laringe).

B - Ventilação e respiração

  • O que avaliar?
    • Expansibilidade e simetria torácica, uso de musculatura acessória, frequência respiratória, ausculta e percussão pulmonar, oximetria.
  • O que posso fazer?
    • O2 suplementar, IOT, dispositivos supraglóticos, cricotireoidostomia por punção ou cirúrgica, punção torácica de alivio e drenagem torácica, curativo de 3 pontas.
    • Ir para Intubação.
  • Ameaças?
    • Pneumotórax hipertensivo, hemotórax maciço, pneumotórax aberto, lesão traqueobrônquica, tórax instável.

C - Circulação com controle da hemorragia

  • O que avaliar?
    • Cor e temperatura da pele (cianose), turgência jugular, TEC, pulsos, FC e ritmo no monitor, ausculta cardíaca, nível de consciência, sangramento ativo.
  • O que posso fazer?
    • 2 acessos venosos antecubitais (16-18 Fr), coletar exames (B-HCG, tipagem, gasometria, lactato), monitor cardíaco.
    • Cristaloide aquecido 1L, transfusão, vasopressor, ácido tranexâmico, parar sangramento com compressão (torniquete se necessário), estabilização da pelve, alinhamento de fratura de osso longo, US e-Fast.
    • Ir para Choque hipovolêmico.
    • Ir para Calculadora de Drogas Vasoativas.
  • Ameaças?
    • Hemorragia externa, Hemorragia interna (tórax, abdome, pelve, ossos longos)

D – Disfunção e avaliação do estado neurológico

  • O que avaliar?
    • Escala de Coma de Glasgow (ECG), pupilas, nível lesão medular, glicemia.
  • O que posso fazer?
  • Ameaças?
    • Hipertensão intracraniana, hematoma sub ou epidural, hemorragia subaracnóide, hemorragia intraparenquimatosa, trauma raquimedular.


E - Exposição e controle do ambiente

  • O que avaliar?
    • Despir completamente, temperatura, extremidades (alinhamento, pulso, sensibilidade), avaliar dorso (rolamento em bloco), toque retal, outras hemorragias não vistas anteriormente.
  • O que posso fazer?
    • Manta térmica, alinhamento e imobilização de fraturas, tração de fraturas, compressão de hematoma
    • Se rabdomiólise: cristaloide + bic. de sódio (alcalinizar urina).
  • Ameaças?
    • Fraturas, hematoma em expansão, síndrome do esmagamento (rabdomiólise).

Medidas auxiliares a avaliação primária

  • Sonda vesical
    • Contraindicada se sangue no meato uretral ou equimose perineal.
  • Sondagem naso/orogástrica para descompressão
    • Contraindicada se fratura base de crânio (nasogástrica) ou ferimento penetrante em pescoço (ambas).
  • Raio-X tórax e bacia.
  • e-FAST.
  • Parâmetros que refletem a adequação da reanimação
    • Débito urinário > 0,5 ml/kg/h (> 1 ml/kg/h se criança).
    • FC, FR, PA, temperatura, gasometria arterial.
  • Considerar transferência.

Avaliação secundária

História

  • A - alergia.
  • M - medicamentos de uso habitual.
  • P - passado médico / prenhez.
  • L - líquidos e alimentos ingeridos recentemente.
  • A - ambiente e eventos relacionados ao trauma.

Exame físico

  • Cabeça e estruturas maxilo-faciais.
  • Pescoço e coluna cervical.
    • Avaliar NEXUS e CCR.
  • Tórax e Abdome.
  • Pelve (discrepância de comprimento de membros; deformidade rotacional da perna).
  • Períneo / reto / vagina.
  • Sistema musculoesquelético
    • Evitar tempo prolongado em prancha rígida (2 horas).
    • Fraturas expostas e Articulações:
      • Curativo estéril + vacina tétano + antibiótico + avaliação da ortopedia.
    • Síndrome compartimental:
      • Desfazer tala ou gesso + fasciotomia + avaliação da vascular.
    • Lesões Vasculares e Amputações:
      • Alinhar membro + checar pulso + avaliação da vascular em até 6h.
    • Fratura: risco de embolia gordurosa.
  • Sistema neurológico.

Medidas auxiliares a avaliação secundária

  • Raio X: coluna / extremidades
    • Raio X da articulação acima e abaixo da lesão (duas incidências).
  • Tomografia: crânio / tórax / abdome / coluna.
  • Urografia excretora / Arteriografia / US transesofágico / Broncoscopia / Esofagoscopia.
  • Considerar transferência.

Situações especiais - gestante

Riscos:

  • Primeiro Trimestre: abortamento e isoimunização.
  • Segundo Trimestre: Descolamento Prematura de Placenta (DPP), embolia amniótica, isoimunização.
  • Terceiro Trimestre: lesão direta do feto, DPP, embolia amniótica, isoimunização.

Particularidades:

  • No ABCDE:
    • Cuidado na drenagem torácica.
    • Deslocar útero para esquerda e repor volume (cuidado: choque fetal).
    • Diferenciar eclâmpsia de lesão cerebral se déficit neurológico.
  • Outras particularidades:
    • Risco de aspiração / dificuldade de ventilar / demora na manifestação de sinais (compressão veia cava inferior) / eclâmpsia / sofrimento fetal antes da alteração dos sinais maternos.
  • Mães Rh negativas:
    • Aplicar imunoglobulina (exceto se lesão longe do útero).

Situações especiais - idoso

Particularidades:

  • No ABCDE:
    • Provável IOT precoce devido baixa reserva.
    • Cautela no volume de cristaloide.
    • Via aérea: dentaduras / fragilidade da mucosa / artrite cervical.
  • Avaliar medicamentos:
    • Betabloqueadores, anticoagulantes, anti-hipertensivo, AINE, corticoide, hipoglicemiante, psicotrópico.
  • Avaliar comorbidades.

Situações especiais - criança

Particularidades:

  • No ABCDE:
    • Sinais vitais variáveis.
    • Baixa capacidade funcional residual.
    • Resposta compensatória vigorosa, seguida de piora abrupta.
  • Volemia:
    • Volemia da criança = 70 a 80 ml/kg.
  • Reposição da volemia:
    • Sequência: Cristaloide 20 ml/kg > Cristaloide 20 ml/kg > Transfusão.
    • Se perdeu metade da volemia em < 4h: fazer Concentrado de Hemácias, com utilização precoce de Plasma e Plaquetas

Referências

  • American College of Surgeons Committee on Trauma. Advanced Trauma Life Support (ATLS), 10th ed, American College of Surgeons.

Autoria e Curadoria

As informações contidas nesta página são de autoria da Equipe Editorial Médica do GPMED, composta por médicos especialistas de diversas áreas. Todo o conteúdo é estruturado rigorosamente com base em fontes bibliográficas de alto impacto e nas diretrizes oficiais vigentes, seguindo os preceitos da Medicina Baseada em Evidências. Nosso compromisso é oferecer ao médico uma base de consulta técnica, confiável e chancelada por profissionais experientes, garantindo máxima segurança no suporte à decisão clínica.