Ventilação Mecânica Invasiva (VMI) na emergência

Qual modelo de ventilação escolher?

De acordo com o “Modo”

  • Controlado: iniciado, controlado e finalizado pelo ventilador
  • Assistido: iniciado pelo paciente, controlado e finalizado pelo ventilador
  • Espontâneo: iniciado, controlado e finalizado pelo paciente
  • Observação:
    • Na emergência os modos mais indicados são: assistido e controlado (A/C)
De acordo com a “Modalidade”   (a variável que será controlada)
  • Volume controlada (VCV):
    • Ciclagem: de acordo com Volume Corrente
    • Limite: Volume Corrente
  • Pressão controlado (PCV):
    • Ciclagem: de acordo com Tempo Inspiratório
    • Limite: Pressão de Pico
  • Observação
    • Ciclagem é a mudança da fase inspiratória para fase expiratória, com abertura da válvula exalatória.

VCV A/C na prática

Você controla:

  • VC: 6 ml/kg peso predito (consultar tabela de Peso vs Volume Corrente)
  • Fluxo inspiratório: 0,7 a 1 L/min por Kg de Peso Predito
    • Ajustar para manter relação I:E = 1:2 a 1:3
  • FR: 12 a 16 por min
  • PEEP: 3 a 5 cmH2O inicialmente
  • FiO2: Iniciar 100% até primeira gasometria
    • Após, titular para manter SatO2 entre 93 e 97%
  • Pausa Inspiratória: 0,3 a 0,5 segundo (observar relação I:E)
  • Sensibilidade (disparo ou trigger): 3 a 5 L/min (fluxo) ou 1 a 3 cmH2O (pressão)
  • Alarmes: Ppico de 40 cmH2O inicialmente
    • Após, individualizar caso a caso (desvio padrão de 20 a 30%)

Você não controla (é variável):

  • Ppico: Manter < 40 cmH2O
  • Pplatô: manter < 30 cmH2O
  • Tempo inspiratório: manter relação I:E = 1:2 a 1:3
Seja plus e torne seu dia mais
prático e seguro!
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PCV A/C na prática

Você controla:

  • Ppico: 20 a 30 cmH2O inicialmente
    • Titular para atingir VC = 6 ml/kg peso predito
  • Tempo inspiratório: 1 a 1,6 segundo
    • Titular para manter relação I:E = 1:2 a 1:3
  • FR: 12 a 16 por min
  • PEEP: 3 a 5 cmH2O inicialmente
  • FiO2: Iniciar 100% até primeira gasometria
    • Após, titular para manter SatO2 entre 93 e 97%
  • Sensibilidade (disparo ou trigger): 3 a 5 L/min ou 1 a 3 cmH2O


Você não controla (é variável):

  • VC: 6 ml/kg peso predito (consultar tabela Peso vs Volume Corrente)
  • Fluxo inspiratório: 0,7 a 1 L/min por Kg de Peso Predito

Ciclo respiratório

1- Fase inspiratória

2- Mudança da fase inspiratória para fase expiratória (Ciclagem)

3- Fase expiratória

4- Mudança da fase expiratória para fase inspiratória (Disparo)


Observação:

  • O disparo irá depender do modo (controlado ou assistido).

Variáveis e conceitos

  • Volume Corrente (VC): quantidade de ar que entra e sai dos pulmões
  • Fluxo inspiratório: velocidade que o ar entra nos pulmões
    • Inversamente relacionado ao tempo inspiratório

  • Frequência respiratória (FR)
    • Janela de tempo = 60 / FR
      • Tempo (em segundos) entre duas aberturas da válvula inspiratória
      • É necessário que ocorra pelo menos uma inspiração e um expiração completas nesse tempo
  • Sensibilidade: esforço realizado pelo paciente para abertura da válvula inspiratória
    • Aferida por pressão (cmH2O) ou fluxo (L/min)
    • Quanto maior a sensibilidade, maior o esforço necessário (ou seja, menos sensível se torna a válvula)
  • PEEP: pressão positiva ao final da expiração
  • Pausa inspiratória (platô): intervalo de tempo entre o fechamento da válvula inspiratória e abertura da válvula exalatória (faz parte do tempo inspiratório)
  • FiO2: porcentagem de O2 na mistura de gás inspirado
  • Pressão de pico (Ppico): pressão maxima ao final da inspiração
    • Ppico = Pres + Pelast + PEEP
    • Regular inicialmente o alarme de pressão máxima em 40 cmH2O
  • Pressão de platô (Pplato): Pressão ao final da Pausa Inspiratória
    • Relaciona-se a pressão alveolar
    • Manter ≤ 30 cmH2O
  • Volume minuto (VM): produto do VC pela FR
    • Relaciona-se inversamente com PaCO2
  • Peso Predito: peso ideal baseado na altura e sexo (olhar tabela)
  • Pressão Resistiva (Pres):
    • Pres = Ppico – Pplato
    • Corresponde ao atrito da via aérea
  • Pressão Elástica (Pelast) ou Driving Pressure
    • Pelast = Pplato – PEEP
    • Manter ≤ 15 cmH2O
    • Corresponde a elasticidade do parênquima pulmonar
  • Resistência das vias aéreas (Rva)
  • Complacência estática (Cest): é a dureza pulmonar
  • Relação Inspiração:Expiração (I:E)
    • Manter entre 1:2 e 1:3

Equações úteis

  • Pva = Pres + Pelast + PEEP
  • Pres = Rva x Fluxo
  • Pelast = VC / Cest
  • Ppico = (Rva x Fluxo) + (VC / Cest) + PEEP

Observações

  • Coletar gasometria 30 min após inicio da ventilação para ajustes.
  • Observar repercussões: 
    • P. ex: pneumotórax e auto-PEEP.
  • Auto-PEEP: esvaziamento pulmonar incompleto (tempo expiratório insuficiente)

    • Apertar botão de “Pausa Expiratória” ou “Exp. Hold” (valores acima de 15 cmH2O indicam comprometimento hemodinâmico)
    • Deve-se prolongar tempo expiratório.

Referências

  • Medicina de emergência: abordagem prática / professor titular e coordenador Irineu Tadeu Velasco. - 13. ed., rev., atual. e ampl. - Barueri [SP]: Manole, 2019.
  • Medicina de emergência : revisão rápida / editores Herlon Martins...[et al.]. – Barueri, SP : Manole, 2017.

Autoria e Curadoria

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