Exacerbação da asma em adultos, adolescentes e crianças de 6-11 anos

CID 10: J45 

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Oxigenioterapia

A oxigenoterapia deve ser titulada com base na oximetria de pulso, com o objetivo de manter a SpO2 em: 

  • 93–95% em adultos e adolescentes. 
  • 94–98% em crianças de 6 a 11 anos. 


Considerações: 

  • Há risco de superestimação da saturação de oxigênio com oximetria de pulso em pessoas de pele negra, predispondo um possível quadro de “hipoxemia oculta”. 
  • A oxigenoterapia titulada nos níveis acima está associada a menor mortalidade e melhores desfechos em comparação a oxigenoterapia com alta concentração (SpO2 100%). Portanto, é recomendado que, se o oxigênio for administrado, a saturação não deve ultrapassar 96% em adultos. 


Dispositivos: 

  • Cateter nasal até 6 L/min.
  • Ventilação não-invasiva (VNI) 
    • A evidência sobre o benefício da VNI no manejo da exacerbação da asma é fraca. Se a VNI for administrada, o paciente deve ser monitorado de perto e não deve ser sedado. Não deve ser utilizada em pacientes agitados. 
    • Ir para "Ventilação não-invasiva"

SABA

Considerações:

  • SABA: B2 agonista de curta duração
  • A administração de SABA por meio de um inalador dosimetrado pressurizado (pMDI) ou inalador de pó seco (DPI) leva a uma melhora semelhante da função pulmonar quando comparada à administração por nebulizador.
  • O SABA de primeira escolha é o salbutamol, tendo como alternativa o fenoterol em caso de indisponibilidade do salbutamol.


DPI ou pMDI ("puff")

  • Salbutamol 100mcg/puff
    • Aplicar 4 a 10 jatos, a cada 20 min na primeira hora.
    • Após, 4 a 10 jatos a cada 3-4 horas, podendo chegar a 6 a 10 jatos a cada 1-2 horas, ou mais frequentemente em casos graves.
  • Fenoterol 100mcg/puff (alternativa na ausência de salbutamol)
    • Aplicar 4 a 10 jatos, a cada 20 min na primeira hora.
    • Após, 4 a 10 jatos a cada 3-4 horas, podendo chegar a 6 a 10 jatos a cada 1-2 horas, ou mais frequentemente em casos graves.


Nebulização

  • Salbutamol solução 1mg/mL ou 5mg/mL
    • Nebulização com 2,5 a 5 mg (0,5 a 1 mL da solução 5 mg/mL), a cada 20 min na primeira hora. Avaliar a necessidade de doses adicionais conforme a resposta do paciente.
    • Diluir em 3-4 mL de SF0,9% estéril com fluxo de O2 de 6 a 8L/min (preferir nebulizar com fluxo de O2, ao invés de ar comprimido).
  • Fenoterol solução 5mg/mL (alternativa na ausência de salbutamol)
    • Nebulização com 2,5 a 5 mg (10 a 20 gotas), a cada 20 min na primeira hora. Avaliar a necessidade de doses adicionais conforme a resposta do paciente.
    • Diluir em 3-4 mL de SF0,9% estéril com fluxo de O2 de 6 a 8L/min (preferir nebulizar com fluxo de O2, ao invés de ar comprimido).

Ipratrópio

Considerações:

  • O ipratrópio, um anticolinérgico de curta duração, é indicado para tratamento de exacerbações moderadas a graves, em associação ao tratamento com SABA.
  • Sua utilização foi associada a um menor número de hospitalizações para adultos e adolescentes, e melhora mais expressiva no PFE e no VEF₁ em comparação ao uso isolado de SABA.


DPI ou pMDI ("puff")

  • Ipratrópio 20mcg/puff
    • Aplicar 4 a 8 jatos, a cada 20 min, na primeira hora.

Nebulização

  • Ipratrópio Solução 0,25mg/ml
    • Nebulização com 20 a 40 gotas, a cada 20 min, na primeira hora.

Corticoide sistêmico

O uso de corticosteroides sistêmicos na exacerbação de asma é recomendado idealmente dentro da 1ª hora após chegada ao serviço, e deve ser indicado em todas as exacerbações, exceto nas exacerbações muito leves.

  • Indicações na emergência:
    • Falha na resposta ao SABA inicial.
    • Exacerbação enquanto já fazia uso de corticoide oral.
    • Histórico de exacerbações anteriores com necessidade de corticoides orais.
  • Via de administração:
    • A via oral é considerada preferível (mais rápida, menos invasiva e menos onerosa). Os corticoides orais geralmente levam pelo menos 4 horas para induzir melhora clínica.
    • Em crianças, o uso de solução oral é preferido em relação a comprimidos / cápsulas.
    • A via intravenosa deve ser reservada para pacientes que apresentam-se: muito dispneicos (não conseguem engolir), vomitando, em ventilação não invasiva ou intubados. Não há evidências de que corticoides intramusculares sejam superiores aos orais.
  • Doses e duração:
    • Adultos e adolescentes
      • Via oral: prednisona 50 mg/dia (dose única pela manhã), por 5-7 dias.
      • Intravenoso: hidrocortisona 200 mg/dia (em doses divididas). Transicionar para via oral assim que possível.
      • Alternativa: dexametasona via oral 12 a 16 mg 1x/dia por 1–2 dias.
    • Crianças (6-11 anos):
      • Via oral: prednisolona 1–2 mg/kg/dia (máx. 40 mg/dia), por 3-5 dias.
      • Alternativa: dexametasona via oral 0,3 a 0,6 mg/kg 1x/dia por 1–2 dias.
  • Observação
    • As evidências sugerem que não há benefício no desmame gradual da dose.
    • Se não houver melhora ou houver recaída com o uso de dexametasona, considerar troca para prednisolona.
    • Consultar a calculadora de Conversor de Corticoides para conversão de doses de corticoides.


Via oral

  • Esquema:
    • Primeira linha: Prednisona OU Prednisolona
    • Alternativa: Dexametasona
  • Prednisona comp. 5mg ou 20mg
    • Adultos / adolescentes: 50 mg/dia (dose única pela manhã), por 5-7 dias.
    • 6-11 anos: 1–2 mg/kg/dia (máx. 40 mg/dia), por 3-5 dias.
  • Prednisolona sol. oral 3mg/mL
    • Adultos / adolescentes: 50 mg/dia (dose única pela manhã), por 5-7 dias.
    • 6-11 anos: 1–2 mg/kg/dia (máx. 40 mg/dia), por 3-5 dias.
  • Dexametasona comp. 0,5mg, 0,75 mg, 4 mg OU elixir 0,1 mg/mL (0,5 mg/5mL)
    • Adultos / adolescentes: 12 a 16 mg 1x/dia por 1–2 dias.
    • 6-11 anos: 0,3 a 0,6 mg/kg (máx. 12 mg/dia) 1x/dia por 1–2 dias.

Parenteral (IV / IM)

  • Esquema
    • Primeira linha: Hidrocortisona
    • Alternativas: Dexametasona OU Metilprednisolona
  • Hidrocortisona pó inj. 100mg
    • Adultos / adolescentes: 100mg IV bolus (preferível) ou IM, podendo repetir mais uma dose se necessário (máx. 200 mg/dia).
    • 6-11 anos: 2,5-5 mg/kg (máx. 100mg/dose) IV bolus (preferível) ou IM, podendo repetir mais uma dose se necessário (máx. 200 mg/dia).
    • Obs:
      • A dose IV pode ser administrada em bolus ou diluída em SF0,9% ou SG5% para infusão.
  • Metilprednisolona pó inj. 125mg ou 500mg
    • Adultos / adolescentes: 20 mg IV (preferível) ou IM, podendo repetir mais uma dose se necessário (máx. 40 mg/dia). 
    • 6-11 anos: 0,5-1 mg/kg (máx. 20 mg/dose) IV (preferível) ou IM, podendo repetir mais uma dose se necessário (máx. 40 mg/dia).
    • Obs:
      • Dose equivalente à dose de hidrocortisona recomendada pelo GINA 2024.
      • Doses de até 250mg podem ser administradas IV em bolus lento (5 min), e doses maiores de 250mg devem ser diluídas em SF0,9% ou SG5% para infusão.
  • Dexametasona sol. inj. 10 mg/2,5 mL
    • Adultos / adolescentes: 3,8 mg IV bolus (preferível) ou IM, podendo repetir mais uma dose se necessário (7,5 mg/dia). 
    • 6-11 anos: 0,09-0,19 mg/kg (máx. 3,8 mg/dose) IV bolus, podendo repetir mais uma dose se necessário (7,5 mg/dia).
    • Obs: 
      • Dose equivalente à dose de hidrocortisona recomendada pelo GINA 2024.
      • A dose IV pode ser administrada em bolus ou diluída em SF0,9% ou SG5% para infusão

Sulfato de magnésio

  • O sulfato de magnésio intravenoso não é recomendado para uso rotineiro, porém é capaz de reduzir internações hospitalares em alguns quadros específicos, como: 
    • Adultos e crianças que não respondem ao tratamento inicial e apresentam hipoxemia persistente
    • Adultos com VEF₁ <25–30% do previsto na apresentação
    • Crianças cujo VEF₁ não atinge 60% do previsto após 1 hora de tratamento


  • Sulfato de Magnésio 10% (1g/10ml) ou 50% (5g/10ml)
    • Diluir 4 mL da solução 50% (2g) + 100ml SF0,9%, e infundir IV em 20-30 min.
    • Dose: infusão única de 2 g por 20 minutos.

Terbutalina

  • Normalmente é reservada para casos onde a terapia inalatória com SABA não é possível.

  • Intravenoso:
    • Terbutalina sol. inj. 0,5mg/1mL
      • Diluir 5 mg (10 ampolas) + 1.000 mL de SG5% (concentração: 5 mcg/mL).
      • Dose inicial em IV bolus de 2 mcg/kg durante 5 minutos.
      • Seguida de infusão contínua 5 mcg/kg/h.
  • Subcutâneo:
    • Terbutalina sol. inj. 0,5mg/1mL
      • Adultos: 0,5 mL a 1 mL por via subcutânea, até o máximo de quatro vezes ao dia.
      • Crianças: ¼ a ½ da dose do adulto, por via subcutânea, até o máximo de quatro vezes ao dia
      • Obs: a dose de 0,5 mg não deverá ser excedida em um período de 4 horas.

Xantinas

  • Segundo o GINA 2024, a aminofilina e a teofilina intravenosas não devem ser utilizadas no manejo das exacerbações da asma, devido à sua baixa eficácia, perfil de segurança desfavorável. O uso de aminofilina intravenosa está associado a efeitos adversos graves e potencialmente fatais.
  • Em adultos com exacerbações graves de asma, o uso adicional de aminofilina não melhora os desfechos em comparação com o uso isolado de SABA.

Epinefrina

  • A epinefrina intramuscular (adrenalina) pode ser indicada nos casos de asma aguda associada à anafilaxia e angioedema. Não é indicada rotineiramente para exacerbações asmáticas sem anafilaxia e angioedema associados. 

  • Epinefrina sol. inj.1mg/1mL 
    • Adultos / adolescentes: meia amp (0,5mg) IM na face ântero-lateral da coxa. 
    • Crianças: 0,01 mL/kg (max 0,3 mL) IM na face ântero-lateral da coxa (0,01 mg/kg, sendo um máximo de 0,3 mg/dose). 
    • Repetir dose em até 2 vezes, em intervalos de 5 a 15 min (monitorar toxicidade pela frequência cardíaca).

Solicitar exames (se necessário)

  • Gasometria arterial, Raio-X tórax (PA e perfil), ECG
  • Hemograma, eletrólitos, função renal

Alta ou internação?

Fatores associados a maior chance de internação:

  • Sexo feminino, idade avançada e raça não branca
  • Uso de mais de 8 inalações de beta₂-agonista nas últimas 24 horas
  • Exacerbação grave: necessidade de reanimação/intervenção imediata, FR >22 irpm, saturação <95%, PFE final <50% previsto
  • Histórico prévio de exacerbações graves: intubações, internações por asma
  • Visitas anteriores não programadas ao consultório ou PS com uso de corticoide oral (OCS)


Critérios espirométricos:

  • Considerar internação se: 
    • VEF₁ ou PFE pré-tratamento <25% do previsto ou do melhor valor pessoal, ou pós-tratamento <40%.
  • Considerar alta se:
    • Função pulmonar pós-tratamento estiver entre 40–60% (considerar ainda fatores de risco do paciente e disponibilidade de acompanhamento).
    • Função pulmonar pós-tratamento >60% do previsto ou do melhor valor pessoal (considerar ainda fatores de risco do paciente e disponibilidade de acompanhamento).

Observação:

  • Considerar circunstâncias sociais do paciente ao decidir por alta ou internação no manejo agudo da asma.

Condutas na alta da emergência

  • Orientar seguimento ambulatorial:
    • Agendar consulta ambulatorial em 2–7 dias (ou 1–2 dias para crianças).

  • Garantir aderência ao tratamento e revisar técnica inalatória.

  • Corticoide inalatório:
    • Segundo o GINA 2024, todos os pacientes devem receber prescrição de tratamento contínuo com corticoide inalatório (CI) para reduzir o risco de novas exacerbações.
    • Opção 1 (preferível): CI + formoterol
      • Em adultos e adolescentes, o regime preferencial após a alta é a terapia de manutenção e alívio com CI+formoterol.
      • A dose de manutenção pode ser reduzida posteriormente, quando a asma permanecer estável por 2–3 meses.
      • Formoterol + Budesonida cápsula (Alenia®) 6/200mcg ou 12/400mcg
        • Inalar 1 a 2 cápsulas de 12/12 horas (dose de manutenção máxima: 24/800mcg por dia - adultos).
        • Adicionar uma inalação por dia sob demanda, se necessário.
    • Opção 2: CI + SABA sob demanda
      • Budesonida DPI cápsulas (Busonid caps®) 200mcg ou 400mcg 
        • Dose média: > 400-800 mcg/dia
      • Salbutamol 100mcg/puff OU Fenoterol 100mcg/puff
        • Aplicar 2 a 4 jatos, de 4/4h, sob demanda, se necessário.

  • Corticoide sistêmico:
    • Adultos e adolescentes: 
      • Prednisona VO 50 mg/dia (dose única pela manhã), por 5-7 dias. 
      • Alternativa: Dexametasona VO 12 a 16 mg 1x/dia por 1–2 dias. 
    • Crianças (6-11 anos): 
      • Prednisolona VO 1–2 mg/kg/dia (máx. 40 mg/dia), por 3-5 dias. 
      • Alternativa: dexametasona VO 0,3 a 0,6 mg/kg 1x/dia por 1–2 dias.

Referências

  • Global Initiative for Asthma. Global Strategy for Asthma Management and Prevention (2024 update), 2024.
  • Global Initiative for Asthma. Global Strategy for Asthma Management and Prevention, 2023.
  • Singh Tomar RP, Shurpali AR, Biswal BN. Delivering Oxygen during Nebulization to Infants and Toddlers. Med J Armed Forces India. 2004 Apr;60(2):179-80.
  • Recomendações para o manejo da asma grave da Sociedade Brasileira de Pneumologia e Tisiologia – 2021. J Bras Pneumol. 2021;47(6):e20210273
  • Medicina de emergência: abordagem prática / professor titular e coordenador Irineu Tadeu Velasco. - 13. ed., rev., atual. e ampl. - Barueri [SP]: Manole, 201

Autoria e Curadoria

As informações contidas nesta página são de autoria da Equipe Editorial Médica do GPMED, composta por médicos especialistas de diversas áreas. Todo o conteúdo é estruturado rigorosamente com base em fontes bibliográficas de alto impacto e nas diretrizes oficiais vigentes, seguindo os preceitos da Medicina Baseada em Evidências. Nosso compromisso é oferecer ao médico uma base de consulta técnica, confiável e chancelada por profissionais experientes, garantindo máxima segurança no suporte à decisão clínica.