Dissecção aguda de aorta
Quando suspeitar?
Dor (torácica, lombar ou abdominal) de início súbito e com sua máxima intensidade desde o início.
Irradiação cervical, interescapular, lombar ou membros inferiores.
Assimetria de pulsos e PA.
Déficit neurológico súbito em um paciente com dor.
Raio-X de tórax com alargamento de mediastino.
Considerações
A dissecção aguda de aorta é uma emergência médica que apresenta uma incidência anual na população geral estimada em torno de 3 a 4 casos para cada 100.000 pessoas.
Além disso, é mais comum em homens, sendo que a média de idade é de aproximadamente 65 anos.
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Manejo inicial
- MOV (monitorização + oxigênio/oxímetro + acesso venoso).
- Anamnese e exame físico dirigidos.
- Eletrocardiograma (ECG).
- Suporte respiratório, se necessário:
- Cateter nasal até 6 L/min, ou
- Máscara com reservatório até 15 L/min
- Ir para Insuficiência Respiratória Aguda.
- Ir para Intubação de Sequência Rápida.
Controle da frequência cardíaca
Esquema:
- Metoprolol OU Verapamil OU Diltiazem.
Tartarato de metoprolol 5mg/5ml
- Aplicar 5 ml IV bolus lento, a cada 15 min (máx 15 a 20mg).
Verapamil 5mg/2ml
- Aplicar 0,075 a 0,15mg/kg, IV bolus em 2min.
- Se ausência se resposta após 30 min: 2 amp (10mg) IV, seguido de infusão de 0,005mg/kg/min.
- Na prática:
- 70kg: Aplicar 2 a 4ml, IV em 2 min. Sem resposta após 30min: 2 amp IV, seguido de 8ml/h
- Aplicar 0,25mg/kg IV bolus, em 2min. Após 15 min, aplicar 0,35mg/kg IV bolus.
- Na prática (usando 25mg/5ml):
- 70kg: Aplicar 3,5 ml IV bolus. Após, aplicar 4,9 ml IV bolus
Controle da PA
Indicado apenas se PAS > 120 mmHg após controle da FC.
Nitroprussiato de sódio 50mg/2ml
- Aplicar 1 amp + 250ml SG 5%, IV em BIC
- Dose: 0,3 a 10 mcg/kg/min (> 3 mcg/kg/min: risco intoxicação tiocianato)
- Na pratica:
- 50kg: vazão 4,5 a 151 ml/h
- 70kg: vazão 6,4 a 211 ml/h
- 90kg: vazão 8,2 a 272 ml/h
Analgesia
Morfina sol. inj. 2mg/2ml ou 10mg/1ml
- Aplicar 1 amp (de 2mg/2ml), IV em bolus (repetir em 5-30min se necessário).
- Obs: Cuidado com hipotensão e dessaturação.
Metas terapêuticas
- FC < 80 bpm (se tolerável manter próximo de 60).
- Pressão arterial sistólica (PAS) entre 100 e 120 mmHg.
Exames na emergência
- ECG
- Raio-X tórax
- ECOTT (se disponível)
- Confirmação diagnóstica com:
- AngioTC ou ecocardiograma transesofágico
Tratamento definitivo
- Transferir / internar o paciente.
- Stanford A (67% dos casos): acomete aorta ascendente
- Tratamento cirúrgico.
- Stanford B (33% dos casos): não acomete aorta ascendente
- Cirúrgico apenas se houver complicações (ruptura, má perfusão).
Referências
- Medicina de emergência: abordagem prática / professor titular e coordenador Irineu Tadeu Velasco. - 13. ed., rev., atual. e ampl. - Barueri [SP]: Manole, 2019.


