Crise hipertensiva no adulto

CID-10: R03
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Definições

  • A crise hipertensiva caracteriza-se por elevação aguda e importante da PA, acompanhada ou não por lesão de órgão-alvo (LOA).
  • Pode ser dividida em:
    • Elevação importante da PA (previamente denominada "urgência hipertensiva"): o paciente apresenta elevação da pressão arterial (normalmente ≥ 180/110 mmHg), mas não há sinais de LOA.
    • Emergência hipertensiva: o paciente apresenta elevação da pressão arterial (normalmente ≥ 180/110 mmHg), associado a sinais de LOA.
  • Os principais exemplos de Lesões de órgão-alvo (LOA) são:
    • Encefalopatia hipertensiva
    • Edema agudo de pulmão
    • Síndrome coronariana aguda
    • Síndrome aórtica aguda
    • Retinopatia avançada
    • AVCh e AVCi
 

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Emergência hipertensiva

Na emergência hipertensiva, o paciente apresenta elevação da pressão arterial, associado a sinais de Lesão de órgão-alvo.


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Nitroprussiato de sódio inj. 50mg/2ml

  • Diluir 1 amp + 250ml SG 5%, IV em BIC.
  • Dose: 0,3 a 10 mcg/kg/min (> 3 mcg/kg/min: risco intoxicação tiocianato).
  • Exemplo:
    • 50kg: vazão 4,5 a 151 ml/h
    • 70kg: vazão 6,4 a 211 ml/h
    • 90kg: vazão 8,2 a 272 ml/h

Nitroglicerina inj. 25mg/5ml

  • Diluir 2 amp + 240ml SG 5%, IV em BIC.
  • Dose: 5 a 200mcg/min.
  • Infundir a 1,5 ml/h (5 mcg/min) e aumentar a cada 5 min (max 60 ml/h).

Elevação importante da PA

Na elevação importante da PA (antiga "urgência hipertensiva"), o paciente apresenta elevação da pressão arterial, mas não há sinais de Lesão de órgão-alvo.

 

Orientações gerais conforme a diretriz da SBC de 2025:

  • A primeira medida a ser tomada em um paciente com elevação importante da PA (sem sinais de LOA aguda) é a observação clínica por 30 minutos em ambiente calmo, avaliando a resolução dos sintomas e a redução da PA.

  • Não se recomenda a redução aguda e abrupta da PA > 25 a 30% nas primeiras 2 a 4 horas devido ao risco de isquemia tecidual, o que pode acontecer com o uso de nifedipina de liberação rápida, o que é proscrito.

  • Se não houver redução da PA ou resolução dos sintomas após a observação clínica, recomenda-se o uso de anti-hipertensivos orais de rápido início de ação e curta duração (geralmente clonidina ou captopril), ajuste dos anti-hipertensivos de uso crônico ou início de tratamento anti-hipertensivo.

Introduzir/ readequar tratamento anti-hipertensivo crônico


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Anti-hipertensivos de curto início de ação:

  • Passo 1: Captopril comp. 25mg ou 50mg

    • Tomar 1 a 2 cp de 25mg (dose: 25-50mg) VO e reavaliar pressão arterial após 60-90 min.

    • Pico máximo de ação: 60 a 90 minutos.

    • Se manter PA ≥ 160 e/ou 110 mmHg, ir para passo 2.

  • Passo 2: Clonidina comp. 0,10mg ou 0,15mg ou 0,20mg

    • Tomar 1 cápsula  de 0,10 a 0,20mg VO e reavaliar pressão arterial após 30-60-min. 

    • Pico máximo de ação: 30 a 60 minutos.

    • Se manter PA ≥ 160 e/ou 110 mmHg, ir para passo 3.

  • Passo 3: Hidralazina inj. 20mg/1ml

    • Diluir 1 amp (20mg) + 19ml de AD.

    • Aplicar 5 ml dessa solução IV bolus e reavaliar PA após 20-30 min, repetindo a dose a cada 20 min se necessário (max 45mg/dia).

    • Se manter PA ≥ 160 e/ou 110 mmHg, considerar hipótese de emergência hipertensiva (tópico acima).

  • O uso de Nifedipina de liberação rápida na crise hipertensiva é proscrito, segundo a Sociedade Brasileira de Cardiologia, devido ao risco de isquemia tecidual com reduções abruptas da PA.

 

Dor aguda:

  • Dipirona inj. 500mg/2ml

    • Aplicar 1 amp (1g) de 6/6h, IV bolus lento, se dor (max 4g por dia).

  • Tramadol inj. 50mg/1ml ou 100mg/2ml

    • Aplicar 1 amp + 100mL SF 0,9% IV de 8/8h (max 30mg/dia).

    • Aplicar 1 ml (50mg) + 100 ml SF0,9%, IV correr lento (max 400mg/dia)

    • Normalmente associado a Bromoprida inj. 10mg/2ml

 

Crise de ansiedade / agitação:

  • Diazepam 5mg ou 10mg

    • Tomar 1 cp (5 ou 10 mg), via oral.

  • Diazepam inj. 10mg/2ml

    • Aplicar meia a 1 amp (5 a 10mg), IV lento (não fazer IM).

Meta terapêutica na emergência hipertensiva

  • Meta geral: 
    • Reduzir PA em 25% na 1ª hora
    • Reduzir PA para < 160/100-110 mmHg em 2-6 h
    • Atingir valores normais em 24-48 h

 

  • Metas em casos específicos: 
    • Crises catecolaminérgicas ou Edema agudo de pulmão:
      • PAS < 140 mmHg na 1ª h. 
    • Dissecção aguda da aorta:
      • PAS < 120 mmHg na 1ª h.

Referências

  • Sociedade Brasileira de Cardiologia (SBC), Sociedade Brasileira de Hipertensão (SBH), Brasileira de Nefrologia (SBN). Diretriz Brasileira de Hipertensão Arterial – 2025. Arq Bras Cardiol. 2025; 122(9):e20250624.
  • Medicina de emergência: abordagem prática / professor titular e coordenador Irineu Tadeu Velasco. - 13. ed., rev., atual. e ampl. - Barueri [SP]: Manole, 2019.
  • Hipertensão Arterial e Emergências Hipertensivas. Revista Brasileira de Hipertensão, 2019;Vol.26(1):17-24.
  • Emergências hipertensivas: bases fisiopatológicas para o tratamento. Rev Bras Hipertens 9: 346-352, 2002.
  • Barroso WKS, Rodrigues CIS, Bortolotto LA, Mota-Gomes MA, Brandão AA, Feitosa ADM, et al. Diretrizes Brasileiras de Hipertensão Arterial – 2020. Arq Bras Cardiol. 2021; 116(3):516-658.

Autoria e Curadoria

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