Pancreatite Aguda

CID-10: K85
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Diagnóstico

Deve apresentar pelo menos 2 dos 3 critérios:

  • Dor abdominal típica.
  • Elevação de lipase e/ou amilase (≥ 3x o limite).
  • Exame de imagem (TC) compatível.
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Dieta

  • Em casos de pancreatite leve, sem náuseas, sem vômitos e sem íleo paralítico:
    • A oferta de dieta oral pode ocorrer de forma precoce (dentro das primeiras 24 horas), se houver queixa de fome pelo paciente.
    • Considere iniciar com dieta de baixo resíduo, reduzido teor de gordura e consistência pastosa, avançando de forma cautelosa à medida que o paciente tolera.
    • Essa estratégia contrasta com abordagens antigas que recomendam longos períodos de jejum, até o desaparecimento da dor abdominal e o retorno dos níveis de enzimas pancreáticas à normalidade.

 

  • Considerações:
    • Coleções líquidas ou elevação das enzimas pancreáticas não constituem, por si só, contraindicação para o início da dieta oral ou enteral. Contudo, em alguns casos que apresentam coleções líquidas, a introdução da dieta pode estar relacionada ao surgimento de dor, à recidiva da pancreatite ou à progressão dessas coleções.

Hidratação

Paciente estável hemodinamicamente:

  • Ringer Lactato ou Soro Fisiológico 0,9%
    • Bolus inicial de 10 mL/kg se houver sinais de hipovolemia.
    • Manutenção: 1,5 mL/kg/h, monitorando o status volêmico frequentemente e ajustando a infusão se necessário.
    • Considerações:
      • Ringer Lactato é preferível, exceto em casos de hipercalcemia.
      • Atenção especial em indivíduos idosos, cardiopatas e/ou nefropatas.
 

Paciente instável hemodinamicamente:

  • Ringer Lactato ou Soro Fisiológico 0,9%
    • Aplicar 20 ml/kg IV em 30 min.
    • Após ressuscitação volêmica e estabilização hemodinâmica, seguir conforme as orientações descritas acima.
    • Considerações:
      • Ringer Lactato é preferível, exceto em casos de hipercalcemia.
      • Atenção especial em indivíduos idosos, cardiopatas e/ou nefropatas.
 

Metas:

  • Frequência cardíaca: < 120 bpm
  • Pressão arterial média: entre 65 e 85 mmHg
  • Hematócrito: entre 35 e 44%
  • Débito urinário: > 0,5 ml/kg/h
  • Níveis decrescentes de ureia.

Analgesia

Ir para Manejo da dor.

 

Analgésicos simples

  • Dipirona 1g/2ml
    • Aplicar 1 amp (1g) de 6/6h, IV bolus lento, se dor (max 4g por dia)

AINEs

  • Cetoprofeno 100mg pó inj.
    • Aplicar 1 amp + 100 ml de SF0,9%, IV (max 300mg por dia)
  • Cetorolaco 30mg/1ml
    • < 65 anos: Aplicar 1 ampola (30mg) IV bolus lento (max 90mg por dia)
    • > 65 anos: Aplicar 1/2 amp (15mg) IV bolus lento (max 60mg por dia)
  • Tenoxicam 20mg/2ml ou 40mg/2ml
    • Aplicar 1 amp (20mg), IV bolus (max 40mg por dia)

Opioides

  • Considerações sobre os opioides:
    • Historicamente, a morfina normalmente é evitada para o controle da dor na pancreatite, por receio de que provocasse aumento da pressão no esfíncter de Oddi e possível intensificação da dor. Ademais, algumas referências apontam que todos os opioides promovem elevação da pressão esfincteriana.
    • Por outro lado, essa classe pode ser utilizada no manejo da dor na pancreatite, embora na prática não é considerada a primeira linha de tratamento devido ao aumento da pressão no esfíncter de Oddi.
  • Tramadol 50mg/1ml ou 100mg/2ml
    • Aplicar 1 ml (50mg) + 100 ml SF0,9%, IV correr lento (max 400mg/dia)
  • Morfina 2mg/2ml ou 10mg/1ml
    • Cuidado com hipotensão e dessaturação.
    • Aplicar 1 amp de 2mg + 100ml SF0,9%, IV lento (max 60mg/dia), OU
    • Diluir 1 amp de 10mg + 9 mL SF0,9%, e aplicar IV alíquotas de 2 mL conforme necessidade.
    • Observação:

Antieméticos

  • Bromoprida (Plamet®) inj. 10mg/2ml
    • Aplicar 1 amp (10mg) + 100ml SF0,9% IV de 8/8h, S/N (max 30mg/dia).
    • Pode causar ansiedade e acatisia (causa menos do que metoclopramida).
  • Metoclopramida (Plasil®) inj. 10mg/2ml
    • Aplicar 1 amp (10mg) + 100ml SF0,9% IV de 8/8h, S/N (max 30mg/dia).
    • Pode causar ansiedade e acatisia.
  • Ondansetrona (Nausedron®) inj. 4mg/2ml ou 8mg/4ml
    • Aplicar 1 amp + 100ml SF0,9% IV de 8/8h ou 12/12h (max 24mg/dia).
  • Dimenidrinato + Piridoxina inj. (Dramin® B6 DL) 30+50mg/10mL
    • Aplicar 1 amp + 10ml SF0,9% IV bolus lento (5 min) ou diluído em 100 mL SF0,9%, de até 6/6h (max 300 mg/dia).

Antibiótico

O uso profilático de antibióticos em casos de pancreatite aguda sem infecção, independentemente da gravidade clínica ou do padrão (intersticial ou necrosante), não é recomendado.

 

Quando o uso de antibióticos pode ser considerado?

  • Quando houver suspeita clínica de infecção extrapancreática (febre, piora da leucocitose ou novos sintomas localizados).
    • Nesses casos, deve-se iniciar antibioticoterapia empírica com cobertura para gram-positivos e gram-negativos (vancomicina e cefepime), enquanto a fonte da infecção é investigada. 
    • Cefepime pó inj. 1g ou 2g
      • Aplicar 1 amp (2g) + 100ml SF0,9% IV, de 8/8h.
    • Vancomicina pó inj. 500mg ou 1g
      • Dose: 30mg/kg/dia, de 12/12h (max 60mg/kg/dia e max 2g/dose).
      • 70kg: Aplicar 2 amp (de 500mg) + 250ml SF0,9%, IV, de 12/12h.
  • Infecção associada confirmada por hemocultura (p. ex. pneumonia, infecção urinária, etc).
    • Até 20% dos indivíduos com pancreatite aguda desenvolvem infecção extrapancreática durante a internação.
  • Necrose pancreática infectada (presença de gás na tomografia).
    • A presença de sinais clínicos de infecção, associada à detecção de gás intranecrose em exames de imagem abdominal, constitui forte indício de infecção, possibilitando o início imediato da antibioticoterapia (meropenem OU imipenem).
    • Meropenem pó inj 500mg ou 1g
        • Aplicar 1 amp (1g) + 100ml SF0,9% IV, de 8/8h, OU
    • Imipenem pó inj. 500mg
      • Aplicar 1 amp (500mg) + 100ml SF0,9% IV 6/6h.

Exames

  • Solicitar tomografia (TC) de abdome no 2º ou 3º dia (não solicitar logo no início).
  • Amilase e lipase, hemograma, bilirrubinas, ureia, fosfatase e GGT, coagulograma, cálcio, PCR, proteinúria e triglicerídeos.
  • Solicitar US de via biliares.

Enzimas pancreáticas

Amilase:

  • Aumenta em 2 a 12h do inicio dos sintomas.
  • Pico em 10h.
  • Normaliza em 4 dias.

Lipase:

  • Aumenta em 2 a 12 horas do inicio dos sintomas.
  • Pico em 24h.
  • Pode persistir até 14 dias.

Prognóstico

Avaliação prognostica através de:

  • Critérios de Baltazar (TC abdome).
  • Critérios de Ranson (clinica + laboratorial).
  • Critérios de APACHE II (para UTI).

Referências

  • American Gastroenterological Association Institute Guideline on Initial Management of Acute Pancreatitis. Gastroenterology. 2018.
  • American College of Gastroenterology Guidelines: Management of Acute Pancreatitis. Am J Gastroenterol. 2024.
  • American College of Gastroenterology guideline: management of acute pancreatitis. Am J Gastroenterol 2013.
  • Medicina de emergência: abordagem prática / professor titular e coordenador Irineu Tadeu Velasco. - 13. ed., rev., atual. e ampl. - Barueri [SP]: Manole, 2019.

Autoria e Curadoria

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