Diverticulite Aguda
CID-10: K57
Outros temas:
Introdução
- A diverticulite é definida como a inflamação de um ou vários divertículos adjacentes, e deve ser considerada em pacientes com dor no abdome inferior, sensibilidade localizada com defesa muscular, predominantemente no quadrante inferior esquerdo, associada a leucocitose nos exames laboratoriais.
- A diverticulite pode ser “não complicada” ou “complicada” (abscesso diverticular, fístula, obstrução intestinal ou perfuração).
- Aproximadamente 4% dos pacientes com diverticulose desenvolvem diverticulite, sendo o risco maior com o avançar da idade (idade média de acometimento de 63 anos).
- A confirmação diagnóstica é, na maioria dos casos, obtida por tomografia computadorizada abdominopélvica.
- Também auxilia na exclusão de outras condições, como câncer de cólon perfurado, colite infecciosa ou isquêmica, além de permitir a diferenciação entre doença complicada e não complicada.
Seja plus e torne seu dia mais
prático e seguro!
Acesse ao conteudo completoprático e seguro!
Classificação
- Classificação de Hinchey:
- Estágio 0: Diverticulite não complicada
- Estágio 1: Abscesso pericólico
- Estágio 2: Abscesso pélvico, intra-abdominal ou retroperitoneal
- Estágio 3: Peritonite purulenta generalizada
- Estágio 4: Peritonite fecal generalizada
- Classificação de Hinchey modificada por Kaiser et al. (2005):
- Estágio 0: Diverticulite clínica leve
- Estágio 1a: Inflamação pericólica confinada
- Estágio 1b: Abscesso pericólico confinado
- Estágio 2: Abscesso pélvico ou intra-abdominal distante
- Estágio 3: Peritonite purulenta generalizada
- Estágio 4: Peritonite fecal na apresentação
Não-complicada (Hinchey 0)
- Em pacientes imunocompetentes com diverticulite não complicada, sem sinais de inflamação sistêmica, a antibioticoterapia não é recomendada de rotina.
- Por outro lado, o uso de antibióticos deve ser considerado para pacientes com múltiplas comorbidades, imunocomprometimento, que usam medicamentos imunossupressores ou que apresentem sinais de comprometimento sistêmico.
- O tratamento pode ser realizado a nível ambulatorial em pacientes com diverticulite não complicada e sem comorbidades.
- É recomendado reavaliação em até 7 dias, ou antes, se houver piroa do quadro clínico.
-
- Dieta líquida e leve sem resíduos.
-
- Se indicado, antibioticoterapia VO por 7 a 10 dias.
- Esquema:
- Metronidazol + (Ciprofloxacino OU Sulfametoxazol) OU Monoterapia com Amoxicilina-clavulanato.
- É recomendado a administração via oral sempre que possível.
- Esquema:
- Se indicado, antibioticoterapia VO por 7 a 10 dias.
-
-
- Metronidazol comp. 250mg ou 400mg
- Tomar 2 cp (de 250mg) de 8/8h.
- Metronidazol comp. 250mg ou 400mg
-
-
-
- Ciprofloxacino comp. 500mg
- Tomar 1 cp de 12/12h.
- Ciprofloxacino comp. 500mg
-
-
-
- Sulfametoxazol-trimetoprima comp. 400+80mg ou 800+160mg
- Tomar 2 cp (400+80) ou 1 cp (800+160) de 12/12h.
- Sulfametoxazol-trimetoprima comp. 400+80mg ou 800+160mg
-
-
-
- Amoxicilina-clavulanato comp. 500mg+125mg ou 875mg+125mg
- Tomar 1 cp de 8/8h (500mg) ou 12/12h (850mg).
- Amoxicilina-clavulanato comp. 500mg+125mg ou 875mg+125mg
-
Complicada (Hinchey 1 a 4)
Manejo hospitalar (Antibioticoterapia IV):
- Quadros leves a moderados:
- Esquema:
- Opção 1: Piperacilina-tazobactam em monoterapia
- Opção 2: Metronidazol + (Ceftriaxona OU Cefuroxima OU Ciprofloxacino)
- Esquema:
-
- Piperacilina-tazobactam 4g-0,5g/20ml
- Aplicar 1 amp (4g) + 250 ml SF0,9%, IV, de 6/6h.
- Piperacilina-tazobactam 4g-0,5g/20ml
-
- Metronidazol 500mg/100ml
- Aplicar 1 bolsa (500mg), IV, de 8/8h.
- Metronidazol 500mg/100ml
-
- Ceftriaxona pó inj. 500mg ou 1g
- Aplicar 2 amp (2g) + 40ml SF0,9%, IV em 30 min de 24/24h (não usar Ringer).
- Ceftriaxona pó inj. 500mg ou 1g
-
- Cefuroxima pó inj. 750mg
- Diluir 2 amp (1,5 g) + 100 mL SF0,9%, IV a cada 8h.
- Cefuroxima pó inj. 750mg
-
- Ciprofloxacino bolsa 200mg/100ml ou 400mg/200ml
- Aplicar 1 bolsa (400mg) IV, de 12/12h.
- Ciprofloxacino bolsa 200mg/100ml ou 400mg/200ml
- Quadros graves:
- Esquema:
- Opção 1: Meropenem OU Imipenem OU Piperacilina-tazobactam
- Opção 2: Cefepime + Metronidazol
- Esquema:
-
- Meropenem pó inj 500mg ou 1g
- Aplicar 1 amp de 1g + 100ml SF0,9% IV, de 8/8h.
- Meropenem pó inj 500mg ou 1g
-
- Imipenem pó inj. 500mg
- Aplicar 1 amp (500mg) + 100ml SF0,9% IV 6/6h.
- Imipenem pó inj. 500mg
-
- Piperacilina-tazobactam 4g-0,5g/20ml
- Aplicar 1 amp (4+0,5g) + 250 ml SF0,9%, IV, de 6/6h.
- Piperacilina-tazobactam 4g-0,5g/20ml
-
- Cefepime pó inj. 1g ou 2g
- Aplicar 1 amp de 2g + 100ml SF0,9% IV, de 8/8h.
- Cefepime pó inj. 1g ou 2g
-
- Metronidazol 500mg/100ml
- Aplicar 1 bolsa (500mg), IV, de 8/8h.
- Metronidazol 500mg/100ml
- Solicitar avaliação da equipe da cirurgia.
- Considerar drenagem se Abscesso > 4 cm.
Quando fazer colonoscopia?
- A colonoscopia não deve ser solicitada na fase aguda da diverticulite.
- A realização de colonoscopia é recomendada de 6 a 8 semanas após a resolução completa do quadro de diverticulite, para excluir neoplasia colorretal, especialmente nos pacientes que apresentem quadro de diverticulite complicada, presença de achados radiológicos atípicos e evolução clínica atípica para diverticulite aguda.
Referências
- Sartelli, M., Weber, DG, Kluger, Y. et al. Atualização de 2020 das diretrizes da WSES para o manejo da diverticulite colônica aguda em ambiente de emergência. World J Emerg Surg 15 , 32 (2020).
- The American Society of Colon and Rectal Surgeons Clinical Practice Guidelines for the Treatment of Left-Sided Colonic Diverticulitis. Dis Colon Rectum 2020; 63:728.
- Medicina de emergência: abordagem prática / professor titular e coordenador Irineu Tadeu Velasco. - 13. ed., rev., atual. e ampl. - Barueri [SP]: Manole, 2019.


