Abscesso Cutâneo (Furúnculo)
Drenagem
Intervenção padrão: A recomendação para abscessos flutuantes é a realização de incisão e drenagem para a evacuação de pus e tecidos necrosados.
Pequenos abscessos: Em lesões menores que 2 cm que já apresentam drenagem espontânea, a observação clínica é uma alternativa aceitável ao procedimento cirúrgico.
Aspiração por agulha: Este método não é indicado, pois apresenta taxas de falha clínica significativamente superiores (cerca de 74%) em comparação à drenagem convencional.
Análise laboratorial: É recomendado que amostras do material drenado sejam enviadas para coloração de Gram e cultura para identificação do patógeno.
Terapia Antibiótica
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Recomendação de uso: Sugere-se a prescrição de antibióticos para todos os pacientes submetidos à drenagem, visando diminuir as chances de falha no tratamento e recorrência da infecção.
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Benefícios clínicos: O uso de antimicrobianos reduz a taxa de falha terapêutica de 16% para 8% e diminui a probabilidade de novas lesões em 30 dias.
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Critérios para dispensa: Pode-se considerar não utilizar antibióticos em pacientes saudáveis com abscesso único, <2 cm, sem celulite extensa e sem sinais de infecção sistêmica.
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Seleção do agente: A terapia empírica deve obrigatoriamente cobrir o Staphylococcus aureus, incluindo o resistente à meticilina (MRSA), que causa a maioria das infecções purulentas.
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Antibioticoterapia via oral:
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Esquema: Cefalexina OU Clindamicina
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Cefalexina 500mg
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Tomar 1 cp (500mg) de 6/6h, por 7 dias
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Clindamicina 300mg
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Tomar 1 cp (300mg) de 6/6h, por 7 dias
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Se toxicidade sistêmica (ou rápida progressão da infecção):
prático e seguro!
Monitorar Resposta
Evolução esperada: Pacientes com drenagem adequada devem sentir melhora na dor e redução no tamanho do abscesso logo após o procedimento.
Regressão da celulite: A vermelhidão ao redor da lesão costuma responder de forma gradual, com melhora visível em 24 a 48 horas.
Acompanhamento: Recomenda-se registrar o aspecto inicial da lesão, por fotografia ou marcação na pele, para monitorar objetivamente a resposta ao tratamento.
Infecção Refratária
Avaliação de falha: A ausência de melhora após 24 a 48 horas de tratamento adequado exige a investigação das causas de não resposta.
Causas comuns: A drenagem inadequada é o motivo mais frequente, podendo ser necessária a realização de ultrassom ou nova exploração cirúrgica.
Outros fatores: Deve-se considerar a presença de microrganismos resistentes, doses insuficientes de antibióticos (especialmente em pacientes obesos) ou erro no diagnóstico inicial.
Infecção Recorrente
Frequência: Novos episódios ocorrem em 7% a 14% dos pacientes nos primeiros dois meses após a cura.
Prevenção: O foco preventivo baseia-se na higiene pessoal rigorosa e na avaliação de transmissão interpessoal entre contatos próximos.
Descolonização: Em casos de recorrências frequentes por MRSA, recomenda-se estratégias de descolonização bacteriana do paciente.
Referências
[1] Liu C, Bayer A, Cosgrove SE, et al. Clinical practice guidelines by the infectious diseases society of america for the treatment of methicillin-resistant Staphylococcus aureus infections in adults and children. Clin Infect Dis 2011.
[2] Stevens DL, Bisno AL, Chambers HF, et al. Practice guidelines for the diagnosis and management of skin and soft tissue infections: 2014 update by the infectious diseases society of America. Clin Infect Dis 2014.
[3] Gaspari RJ, Resop D, Mendoza M, et al. A randomized controlled trial of incision and drainage versus ultrasonographically guided needle aspiration for skin abscesses and the effect of methicillin-resistant Staphylococcus aureus. Ann Emerg Med 2011.
[4] Talan DA, Mower WR, Krishnadasan A, et al. Trimethoprim-Sulfamethoxazole versus Placebo for Uncomplicated Skin Abscess. N Engl J Med 2016.
[5] Daum RS, Miller LG, Immergluck L, et al. A Placebo-Controlled Trial of Antibiotics for Smaller Skin Abscesses. N Engl J Med 2017.
[6] Gottlieb M, DeMott JM, Hallock M, Peksa GD. Systemic Antibiotics for the Treatment of Skin and Soft Tissue Abscesses: A Systematic Review and Meta-Analysis. Ann Emerg Med 2019.
[7] Medicina de emergência: abordagem prática / professor titular e coordenador Irineu Tadeu Velasco. - 13. ed., rev., atual. e ampl. - Barueri [SP]: Manole, 2019.


