Epistaxe (sangramento nasal)
Diferenciar tipo de sangramento
Definição: sangramento ativo pelas fossas nasais, classificado em anterior e posterior, baseado tanto na anatomia da vascularização nasal como nos sintomas.
Epistaxe anterior:
Sangramento brando, na porção anterior do septo nasal, ocorrendo devido ressecamento da mucosa ou trauma digitais, são geralmente autolimitados, no entanto pode necessitar de medidas simples de controle.
Epistaxe posterior:
Sangramento em maior volume e de difícil localização e controle, geralmente localizado na parede nasal lateral ou na região posterior do septo nasal. Várias são as causas: traumas nasais e de face, as rinossinusites agudas e os tumores nasais.
A hemorragia posterior tem volume maior, com necessidade de avaliação do especialista ou até de internação hospitalar.
Avaliação clínica
Causas:
Locais: Trauma nasal, rinossinusites, ressecamento da mucosa, uso de descongestionantes tópicos, tumores nasais.
Sistêmicas: Hipertensão arterial, coagulopatias, uso de anticoagulantes, insuficiência hepática
Diagnóstico
Avaliação inicial: Verificar permeabilidade da via aérea e estabilidade hemodinâmica.
Exames físicos:
Rinoscopia anterior: Identificação do ponto de sangramento.
Oroscopia: Identificação de sangue drenando para a faringe (sugestivo de epistaxe posterior).
Exames laboratoriais:
Hemograma (avaliação de anemia ou distúrbios de coagulação).
Tempo de protrombina e TTPA (coagulopatias ou uso de anticoagulantes).
Angiografia (para epistaxe grave refratária).
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Manejo
Deve-se ver permeabilidade da via aérea, estabilidade hemodinâmica; histórico de sangramento nasal prévio e recente, se houve trauma local e outras possíveis etiologias.
Medidas iniciais:
Avaliar a gravidade da epistaxe, verificando a quantidade de sangramento e se é unilateral ou bilateral;
Posicionar o paciente sentado em maca e inclinado ligeiramente para frente e boca aberta para evitar aspiração do sangue.
Compressão externa das narinas (pinçamento nasal), pressionando-as por alguns minutos 10-15 minutos, para tentar controlar o sangramento.
Aplicação de vasoconstritor tópico (descrito abaixo).
Sangramento brando, na porção anterior do septo nasal, são geralmente autolimitados, no entanto pode necessitar de medidas simples de controle:
Gelo no dorso nasal.
Tamponamento nasal com algodão (preferível) ou gases:
Embebido em Lidocaína + Adrenalina (diluída a 1:2000)
Como diluir a adrenalina (1:2000): Diluir 1 amp de adrenalina (1mg/1ml) + 1ml AD.
Sangramentos mais intensos:
Antifibrinolíticos por via endovenosa (um dos seguintes):
Ácido tranexâmico inj. 250mg
Crianças: 15mg/kg/dose, IV, 3x/dia, injeção lenta de 50mg/min.
Adultos 1000mg dose, IV, 3x/dia, injeção lenta de 50mg/min.
Ácido epsilon-aminocaproico inj. 1g
Crianças: 100-200mg/kg/dia, divididos em 3-4 doses/dia.
Adultos: 1-2g dose a cada 6 horas, dose de ataque de 4g,
Considerar avaliação do especialista (otorrinolaringologista).
Cauterização: seja químicamente (nitrato de prata ou ácido tricloroacético, concentrações 50-80% ou lidocaína a 2%) ou eletricamente.
Casos refratários:
Avaliação do especialista (otorrinolaringologista).
Tamponamento nasal (seja anterior apenas ou ântero-posterior):
Tampões nasais: rayon ou gaze (embebidos em vaselina, nitrofurazona ou pomada de antibiótico).
A gaze é disposta em tiras ao longo da fossa nasal, em “pilha” ou “sanfona”, até preencher por completo a fossa.
O tampão nasal anterior em geral deve ser mantido por um período de 2 a 3 dias.
Intervenção cirúrgica, com ligadura das artérias nasais: indicado para sangramentos de origem posterior ou sem controle na epistaxe anterior após tamponamento ou cauterização.
Buscar causas
- Deve-se investigar e tratar possíveis causas para o sangramento nasal, como:
- Coagulopatia, trauma, SIRS, medicamento, etc.
- Solicitar exames:
- Hemograma completo, INR, TTPa, PCR, Ur, Cr, Urina 1
- Angiografia (para epistaxe grave refratária).
Indicação cirúrgica
A intervenção cirúrgica pode ser indicada em casos refratários ao tratamento clínico:
Ligadura da artéria esfenopalatina (cirurgia de escolha).
Embolização arterial (para casos graves).
Septoplastia (se houver desvio septal significativo associado).
Referências
- Management of epistaxis. Am Fam Physician. 2005;71(2):305-11.2. Pope LE, Hobbs CG.
- Epistaxis: an update on current management. Postgrad Med J. 2005;81(955):309-14.
- Epistaxe. Tratado de otorrinolaringologia. 4ª ed. São Paulo: Roca; 2011.p. 275-83
- Valera FCP, Tamashiro E, Hyppolito MA, Lima WTA. Protocolo Clínico e de Regulação para Epistaxe.
- Hospital Albert Einstein, Sociedade Beneficente Israelita Brasileira. Guia do Episódio de Cuidado Protocolo Epistaxe em Adultos.
- Lucas H. Vieira, Fabiana C. P. Valera, Marcelo G. J. Leite, Ricardo C. Demarco, Ricardo M.Lessa, Wilma T. Anselmo-Lima, Edwin Tamashiro. Otorrinolaringologia - Epistaxe. FMRP-USP 2022.
- Luíse Sgarabotto Pezzin, Felipe Jaeger de Belli, Nédio Steffen, Gerson Schulz Maahs. EPISTAXE: DA ETIOLOGIA AO MANEJO.


