Trabalho de Parto
Considerações
Trata-se de trabalho de parto quando:
- ≥ 4 cm de dilatação cervical
- Contrações uterinas regulares
Duração esperada:
- Primíparas: em média 8h
- Multíparas: em média 5h
Primeiro período (dilatação)
O que é?
- Período entre o início do trabalho de parto e a dilatação total do colo (10cm)
1) Hidratação
- Soro Fisiológico 0,9% ou Ringer Lactato
- Iniciar com 500 a 1.000ml nas primeiras horas
- Repetir alíquotas adicionais de 250 ou 500 ml, se necessário
- Sempre reavaliar ausculta e ter cautela em cardiopatas e nefropatas
- É permitido ingerir até 250 mL de líquidos a cada 2h
- Evitar alimentos sólidos
3) Posição
- É permitido que a gestante deambule e se movimente
- Deve-se assumir a posição que se sentir confortável ou decúbito lateral
- Evitar decúbito dorsal, devido ao risco de síndrome de hipotensão supina
4) Analgesia
- Anestesia peridural, OU
- Meperidina 100mg/2ml
- Aplicar 1/2 amp (50mg) a cada 2h, IM, OU
- Tramadol 50mg/1ml ou 100mg/2ml (uso controverso)
- Aplicar 1 ml (50mg) + 100 ml SF0,9%, IV correr lento (max 400mg/dia)
- Associado a Bromoprida 10mg/2ml:
- Aplicar 1 amp IV + 100ml SF0,9% 8/8h (max 30mg/dia), OU
- Aplicar 1 amp junto a solução de tramadol
- Esvaziar a bexiga espontaneamente ou cateterismo vesical.
6) Avaliar de 30 em 30 minutos
- Frequência cardíaca fetal (Sonar Doppler ou Estetoscópio de Pinard)
- Auscultar antes, durante e após uma contração (pelo menos 1 minuto)
- Se dúvida, palpar pulso materno para diferenciar batimentos
- Contrações uterinas (frequência e duração)
- Frequência cardíaca materna
8) Avaliar de 4 em 4 horas
- PA e temperatura materna
- Toque vaginal
- Avaliar: dilatação, apresentação, altura da apresentação, estado da bolsa
- Neste período não é recomendado encorajar os puxos (esforço expulsivo)
10) Se distúrbio de contratilidade uterina:
- Ocitocina 5 UI/1ml
- Diluir 1 amp (5 UI) + 500ml SF0,9%, IV gota a gota
- Iniciar com 2 a 8 gotas por minuto (1 a 4 mU por minuto)
- Dobrar dose a cada 30 min até atingir perfil contrátil desejado (max 40 gotas/min)
- Interromper uso se suspeita de sofrimento fetal
11) Utilizar partograma
- com linha de ação de 4h (modelo OMS)
12) Solicitar assistência obstétrica
- Ou transferir se possível
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Segundo período (expulsivo)
O que é?
- Período entre a dilatação total do colo e o desprendimento do feto (nascimento)
- Considerado prolongado se > 1h
1) Avaliar FC fetal de 5 em 5 min
- Antes, durante e após contração uterina
2) Posição
- Ao final do período expulsivo, a paciente pode assumir a posição de cócoras ou litotomia
3) Assepsia e antissepsia
- Aplicar PVPI no períneo, e manter assepsia com campos estéreis
4) Anestesia
- Anestesia local do períneo com bloqueio do nervo pudendo
- Infiltração de lidocaína no nível das espinhas ciáticas
- Manobra de Ritgen modificada
- Episiotomia em casos selecionados (mais usada: médio-lateral direita)
6) Possíveis intercorrências
- Circular de cordão
- Reduzir manualmente
- Se falha, pinçar e seccionar antes da saída do feto
- Consulte o vídeo: vídeo
- Distócia de espáduas
- Manobra de McRoberts
- Associado a Pressão Suprapúbica (Rubin I)
- Manobra de Woods
- Manobra de Rubin II
- Manobra de Gaskin
Terceiro período (secundamento)
O que é?
- Período de nascimento até expulsão da placenta
- Considerado prolongado se > 30 min
1) Ocitocina 5 UI/1ml
- Aplicar 2 amp (10 UI), IM
2) Clampeamento e secção do cordão umbilical
3) Tração controlada do cordão
4) Monitoramento dos sinais vitais maternos
Quarto período (pós-parto)
O que é?
- Período após expulsão da placenta até 1h pós-parto
Avaliação frequente dos sinais vitais maternos
Assistência ao recém-nascido
Primeiros passos (30 seg)
- Aquecer: 36,5 a 37,5 °C (se < 34 sem: saco plástico + touca dupla)
- Posicionar: Leve extensão cabeça
- Aspirar S/N: Primeiro boca, depois narinas
- Secar: Retira campos úmidos
- Avaliar FC e Respiração
Se após os primeiros passos apresenta:
- FC < 100 bpm OU Apneia OU Respiração irregular
- Iniciar Ventilação com Pressão Positiva (VPP) por 30 seg (40-60/min)
- se ≥ 34 semanas: usar FiO2 21%
- se < 34 semanas: usar FiO2 30%
- Monitorização
- Oxímetro no MSD
- Monitor cardíaco
- Solicitar assistência da equipe pediátrica/neonatal.
Referências
- Diretrizes nacionais de assistência ao parto normal / Ministério da Saúde, Secretaria de Ciência, Tecnologia e Insumos Estratégicos, Departamento de Gestão e Incorporação de Tecnologias em Saúde. – Brasília : Ministério da Saúde, 2017.
- Assistência aos quatro períodos do parto de risco habitual. São Paulo: Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia (FEBRASGO); 2018.


