Profilaxia da Raiva / Mordedura e Arranhadura
Tipos de exposição
Contato indireto
- Tocar ou dar de comer para animais;
- Lambedura em pele íntegra;
- Contato em pele íntegra com secreções ou excreções de animais, ainda que raivoso ou de caso humano;
Contato leve
- Mordedura ou arranhadura superficial no tronco ou nos membros, exceto mãos e pés;
- Lambedura de lesões superficiais;
Contato grave
- Mordedura ou arranhadura nas mucosas, no segmento cefálico, nas mãos ou nos pés;
- Mordedura ou arranhadura múltiplas ou extensas, em qualquer região do corpo;
- Mordedura ou arranhadura profunda, mesmo que puntiforme;
- Lambedura de lesões profundas ou de mucosas, mesmo que intactas;
- Mordedura ou arranhadura causado por mamífero silvestre;
prático e seguro!
Cão ou gato
Contato indireto:
- Lavar com água/sabão e não indicar profilaxia.
Contato leve ou grave:
- Passível de observação por 10 dias?
- Sim: lavar e observar animal por 10 dias (independente do tipo de exposição).
- Se permanecer saudável:
- Suspender observação no 10º dia.
- Se morrer, desaparecer ou apresentar sinais de raiva:
- Indicar Vacina antirrábica (dias 0, 3, 7 e 14).
- Não: avaliar tipo de exposição (leve ou grave)
- Leve:
- Lavar + Vacina antirrábica (dias 0, 3, 7 e 14).
- Grave:
- Lavar + Vacina antirrábica (dias 0, 3, 7 e 14) + Soro antirrábico.
Mamífero doméstico de interesse econômico
Exemplos: bovídeos, equídeos, caprinos, suínos e ovinos.
Contato indireto:
- Lavar com água/sabão e não indicar profilaxia.
Contato leve:
- Lavar + Vacina antirrábica (dias 0, 3, 7 e 14)
Contato grave:
- Lavar + Vacina antirrábica (dias 0, 3, 7 e 14) + Soro antirrábico
Mamíferos silvestres
Exemplos: raposa, macaco e sagui.
Contato indireto:
- Lavar com água/sabão e não indicar profilaxia.
Contato leve:
- Lavar + Vacina antirrábica (dias 0, 3, 7 e 14) + Soro antirrábico
Contato grave:
- Lavar + Vacina antirrábica (dias 0, 3, 7 e 14) + Soro antirrábico
Morcegos
Contato indireto:
- Lavar + Vacina antirrábica (dias 0, 3, 7 e 14) + Soro antirrábico
Contato leve:
- Lavar + Vacina antirrábica (dias 0, 3, 7 e 14) + Soro antirrábico
Contato grave:
- Lavar + Vacina antirrábica (dias 0, 3, 7 e 14) + Soro antirrábico
Como administrar a vacina?
Esquema de 4 doses: dias 0, 3, 7 e 14.
A vacina antirrábica deverá ser administrada por via intradérmica ou via intramuscular.
- Via intradérmica: volume da dose 0,2 ml. O volume da dose deve ser dividido em duas aplicações de 0,1 ml cada e administradas em dois sítios distintos, independente da apresentação da vacina, seja 0,5 ml ou 1,0 ml (dependendo do laboratório produtor).
- Local de aplicação: inserção do músculo deltoide ou no antebraço.
- Via intramuscular: dose total 0,5 ml ou 1,0 ml (dependendo do laboratório produtor). Administrar todo o volume do frasco.
- Local de aplicação: no músculo deltoide ou vasto lateral da coxa em crianças menores de 2 (dois) anos. Não aplicar no glúteo.
Como administrar o soro?
Existem duas opções:
- Soro antirrábico (SAR)
- 40 UI/kg de peso.
- Imunoglobulina humana antirrábica (IGHAR)
- 20 UI/kg de peso.
O SAR, ou a IGHAR, deve ser administrado no dia 0. Caso não esteja disponível, aplicar o mais rápido possível até o 7° dia após a aplicação da 1° dose de vacina. Após esse prazo é contraindicado.
Existindo clara identificação da localização da(s) lesão(ões), recentes ou cicatrizadas, deve-se infiltrar o volume total indicado, ou o máximo possível, dentro ou ao redor da(s) lesão(ões). Se não for possível, aplicar o restante por via IM, respeitando o volume máximo de cada grupo muscular mais próximo da lesão.
Outros medicamentos
Analgesia
- Dipirona 500mg ou 1g
- Tomar 1 cp de 6/6h, se dor (max 4g por dia).
- Paracetamol 500mg ou 750mg
- Tomar 1 cp de 6/6h, se dor (max 4g por dia).
- Ir para Manejo da dor.
- Amoxicilina + clavulanato comp. 500mg+125mg ou 875mg+125mg
- Tomar 1 cp de 8/8h (500mg) ou 12/12h (850mg), por 7 a 10 dias.
- Comumente indicado em casos de mordedura de cão.
Referências
- Manual de vigilância, prevenção e controle de zoonoses : normas técnicas e operacionais [recurso eletrônico] / Ministério
da Saúde, Secretaria de Vigilância em Saúde, Departamento de Vigilância das Doenças Transmissíveis. – Brasília : Ministério
da Saúde, 2016.
- Secretaria de Vigilância em Saúde. Profilaxia da Raiva (cartaz), Ministério da Saúde, 2022.


