Profilaxia do Tétano

CID-10: Z23.5
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Considerações

Definição e agente etiológico:

  • Doença infecciosa aguda não contagiosa, prevenível por vacina, causada pela ação de exotoxinas produzidas pelo Clostridium tetani (C. tetani), que provocam um estado de hiperexcitabilidade do sistema nervoso central.

Reservatório:

  • O C. tetani é normalmente encontrado na natureza, sob a forma de esporo, podendo ser identicado em pele, fezes, terra, galhos, arbustos, águas putrefatas, poeira das ruas, trato intestinal dos animais (especialmente do cavalo e do ser humano, sem causar doença).
Transmissão:
  • A infecção ocorre pela introdução de esporos em solução de continuidade da pele e de mucosas (ferimentos superficiais ou profundos de qualquer natureza). 
  • A presença de tecidos desvitalizados, corpos estranhos, isquemia e infecção contribui para o desenvolvimento do bacilo.
Período de incubação:
  • É curto: em média, de 5 a 15 dias, podendo variar de 3 a 21 dias. Quanto menor for o tempo de incubação, maior a gravidade e pior o prognóstico.
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Classificar ferimento

Risco mínimo:

  • Ferimento superficial, sem corpos estranhos ou tecidos desvitalizados.

Alto risco:

  • Profundos ou superficiais sujos; com corpos estranhos ou tecidos desvitalizados; queimaduras; feridas puntiformes ou por armas brancas e de fogo; mordeduras; politraumatismos e fraturas expostas.

Limpeza da ferida

  • Limpar com soro fisiológico ou água e sabão.
  • Realizar o desbridamento do foco de infecção.
  • Após a remoção das condições suspeitas, fazer limpeza com água oxigenada ou solução antisséptica.

Profilaxia no ferimento de risco mínimo

Vacinação Incerta ou < 3 doses

  • Vacina anti-tetânica: sim
  • Soro anti-tetânico: não

Vacinado com ≥ 3 doses, sendo a última dose < 5 anos

  • Vacina anti-tetânica: não
  • Soro anti-tetânico: não

Vacinado com ≥ 3 doses, sendo a última dose > 5 anos e < 10 anos

  • Vacina anti-tetânica: não
  • Soro anti-tetânico: não

Vacinado com ≥ 3 doses, sendo a última dose > 10 anos

  • Vacina anti-tetânica: sim
  • Soro anti-tetânico: não

Profilaxia no ferimento de alto risco

Vacinação Incerta ou < 3 doses

  • Vacina anti-tetânica: sim
  • Soro anti-tetânico: sim

Vacinado com ≥ 3 doses, sendo a última dose < 5 anos

  • Vacina anti-tetânica: não
  • Soro anti-tetânico: não

Vacinado com ≥ 3 doses, sendo a última dose > 5 anos e < 10 anos

  • Vacina anti-tetânica: sim (1 reforço)
  • Soro anti-tetânico: não
    • Exceção: no imunodeprimido, desnutrido grave ou idoso, além do reforço com a vacina, está também indicada o a IGHAT ou SAT.
    • Os imunodeprimidos deverão receber sempre a IGHAT no lugar do SAT.
Vacinado com ≥ 3 doses, sendo a última dose > 10 anos
  • Vacina anti-tetânica: sim (1 reforço)
  • Soro anti-tetânico: não
    • Exceção: no imunodeprimido, desnutrido grave ou idoso, além do reforço com a vacina, está também indicada a IGHAT ou SAT.
    • Os imunodeprimidos deverão receber sempre a IGHAT no lugar do SAT.
Vacinado com ≥ 3 doses, sendo a última dose > 10 anos, em situações especiais
  • Situações especiais são aquelas em que o profissional que presta o atendimento suspeita que os cuidados posteriores com o ferimento não serão adequados.
  • Vacina anti-tetânica: sim (1 reforço)
  • Soro anti-tetânico: sim

Como usar o SAT / IGHAT?

Imunoglobulina humana antitetânica (IGHAT)

  • Dose: 250 UI.
  • Via Intramuscular.
  • Aplicar em grupo muscular diferente daquele no qual foi aplicada a vacina que contém o toxóide tetânico.

Soro antitetânico (SAT)

  • Dose: 5.000 UI.
  • Via Intramuscular ou endovenosa.
  • Se intramuscular, administrar em duas massas musculares diferentes.
  • Diluir em soro fisiológico ou glicosado a 5%.

Cuidados em relação ao SAT / IGHAT

Antes da indicação do Soro Antitetânico (SAT), deve-se buscar as seguintes informações:

  • Informações a serem avaliadas:
    • Se a pessoa, anteriormente, apresentou quadros de hipersensibilidade;
    • Se a pessoa, em outra oportunidade, já fez uso de soros de origem equina;
    • Se a pessoa mantém contato frequente com animais, principalmente com equinos, seja por necessidade profissional (a exemplo de veterinários) ou por lazer.
  • Na presença de qualquer uma dessas informações, o profissional deve adotar o procedimento indicado para a prevenção da ocorrência de reações anafiláticas, conforme orientação do Guia de Vigilância em Saúde.


A Imunoglobulina Humana Antitetânica (IGHAT) é indicada para:

  • Indivíduos que apresentaram algum tipo de hipersensibilidade quando da utilização de qualquer soro heterólogo (antitetânico, antirrábico, antidiftérico, antiofídico, entre outros);
  • Indivíduos imunodeprimidos, nas indicações de imunoprofilaxia contra o tétano, mesmo que vacinados (os imunodeprimidos deverão receber sempre a IGHAT no lugar do SAT, devido à meia-vida maior dos anticorpos);
  • Recém-nascidos em situações de risco para tétano cujas mães sejam desconhecidas ou não tenham sido adequadamente vacinadas;
  • Recém-nascidos prematuros com lesões potencialmente tetanogênicas, independentemente da história vacinal da mãe.

Referências

  • Guia de vigilância em saúde : volume 1 [recurso eletrônico] / Ministério da Saúde, Secretaria de Vigilância em Saúde e Ambiente, Departamento de Ações Estratégicas de Epidemiologia e Vigilância em Saúde e Ambiente. – 6. ed. rev. – Brasília : Ministério da Saúde, 2024.
  • Universidade Federal do Rio Grande do Sul, Programa de Pós-Graduação em Epidemiologia, TelessaúdeRS. Rio Grande do Sul, Secretaria Estadual da Saúde. Quando e como realizar profilaxia de tétano após ferimentos? Porto Alegre: TelessaúdeRS-UFRGS; 13 abr. 2023.
  • Secretaria de Estado de Saúde de Minas Gerais. Diretrizes para o Tratamento do Tétano. Nota Técnica nº 3/SES/SUBVS-SVE-DVAT-CDAT/2019.
  • Ministério da Saúde | Guia de Vigilância em Saúde. Tétano acidental. Disponível em: https://www.ribeiraopreto.sp.gov.br/portal/pdf/saude1492202312.pdf

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