Hipotireoidismo subclínico
Diagnóstico
TSH elevado + T4 livre normal
- Adultos: variação normal do TSH situa-se em torno de 0,4 a 4,5 mU/L.
- Na gravidez: o limite superior da normalidade do TSH considerado é de 2,5 mU/L no 1º trimestre e de até 3,5 mU/L no 2º e 3º trimestres, na ausência de referências laboratoriais locais.
- Crianças e idosos: avaliar os valores de acordo com os intervalos de normalidade propostos para cada faixa etária.
Observação:
- Apesar de o termo subclínico associar-se com a ausência de sintomas óbvios da falência de produção hormonal pela glândula tireoide, o Hipotireoidismo Subclínico é definido pela elevação dos níveis do TSH na presença de concentrações normais do T4 livre.

Classificação
- Leve / moderado:
- TSH 4,5 - 9,9 mU/L.
- Grave:
- TSH ≥ 10 mU/L.
- Maior risco de progressão ao hipotireoidismo manifesto/franco, de doença arterial coronariana e de morte.
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Manejo inicial
- Repetir a função tireoidiana em 3-6 meses para avaliar presença de Hipotireoidismo Subclínico persistente.
- A determinação de anticorpos anti-TPO e o ultrassom da tireoide podem ser úteis na determinação da etiologia e na predição do risco de progressão ao hipotireoidismo manifesto/franco.
- O Hipotireoidismo Subclínico persistente deve ser diferenciado de causas transitórias de elevação do TSH (tabela acima), as quais podem regredir durante o seguimento.
Quando tratar?
O tratamento é recomendado para casos de Hipotireoidismo Subclínico persistente.
Nesses casos, deve-se considerar as seguintes situações:
- Indicar tratamento (tratar todos os casos).
- Idade > 65 anos:
- Tratamento não indicado.
- Idade ≤ 65 anos:
- E com risco de progressão ao hipotireoidismo franco
- Indicar tratamento.
- Entende-se por: pacientes do sexo feminino, com anti-TPO positivo e/ou com alterações ultrassonográficas sugestivas de tireoidite de Hashimoto e com elevação progressiva do TSH.
- E com doença cardiovascular / risco cardiovascular, associado a TSH ≥ 7,0 mU/L
- Indicar tratamento.
- Entende-se por: pacientes com doença cardiovascular preexistente ou
com risco cardiovascular elevado (ex.: síndrome metabólica, dislipidemia, diabetes, hipertensão arterial), e com níveis de TSH > 7 mU/L.
- E com sintomas de hipotireoidismo
- Indicar teste terapêutico.
- Entende-se por: na presença de sintomas compatíveis, e a depender do julgamento clínico, realizar teste terapêutico durante curto período de tempo. Se as manifestações permanecerem inalteradas após normalização do TSH, o tratamento deverá ser suspenso.

Tratamento medicamentoso
Levotiroxina (Puran T4®) comp. 12,5mcg ou 25mcg ou 37,5mcg ou 50mcg ou 75mcg ou 100mcg
- Tomar 1 cp pela manhã em jejum, pelo menos 30 minutos antes do café.
- Iniciar com doses baixas e aumentar conforme resposta (1,6-1,8 mcg/kg de peso corporal ideal)
Considerações:
- Em pacientes idosos (> 60 anos) ou com doença cardíaca isquêmica ou insuficiência cardíaca, sugere-se iniciar a terapia em doses mais baixas (12,5-25 mcg/dia).
- Se houver necessidade de aumento frequente de dose, avaliar presença de gastrite por H. pylori.
- Evitar mudanças na preparação da levotiroxina durante todo o tratamento. Em caso de mudança, os níveis de TSH e T4 livre devem ser verificados após 2 meses (diferenças de bioequivalência).
Seguimento
- Monitoramento do TSH 6-8 semanas após qualquer alteração da dose de levotiroxina e monitoramento ao longo da vida anualmente, quando o eutiroidismo é alcançado.
Referências
- Consenso brasileiro para a abordagem clínica e tratamento do hipotireoidismo subclínico em adultos: recomendações do Departamento de Tireoide da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia. Arq Bras Endocrinol Metab. 2013;57/3.
- Consenso em tireoide. Diretrizes clínicas práticas para o manejo do hipotiroidismo. Força Tarefa em Hipotiroidismo da Sociedade Latino-Americana de Tiroide (LATS). Arq Bras Endocrinol Metab. 2013;57/4.


