Hipertireoidismo

Considerações

Diagnóstico:

  • Hipertireoidismo franco: TSH baixo + T4L elevado
  • Hipertireoidismo subclínico: TSH baixo + T4L normal
  • Doença de Graves: pode ser estabelecido com relativa segurança em pacientes com quadro moderado ou grave de tireotoxicose (T4L elevado), oftalmopatia de início recente e bócio difuso, não sendo necessários exames adicionais para investigação etiológica.

Investigação complementar:

  • Captação de iodo
    • A captação de iodo radioativo é útil no diagnóstico diferencial da causa da tireotoxicose (contraindicada na gestação e na lactação)
  • US de tireoide
  • TRAb
  • Tireoglobulina sérica: níveis séricos baixos ou indetectáveis podem favorecer o diagnóstico de tireotoxicose factícia (ingestão de hormônios tireoidianos).

Beta-bloqueadores

Quando?

  • Indicado em pacientes sintomáticos com suspeita ou diagnóstico de tireotoxicose.

Considerações:

  • O betabloqueador não seletivo Propranolol é o mais utilizado, com melhora dos movimentos hipercinéticos, tremores finos de extremidades e mãos úmidas, mas também podem ser prescritos betabloqueadores cardiosseletivos (Atenolol, Succinato de Metoprolol) ou com meia-vida mais curta (Esmolol).

Propranolol comp. 10mg ou 40mg ou 80mg

  • Tomar 20 a 80 mg a cada 6 a 12 horas
  • Ajustar conforme a resposta clínica

Atenolol comp. 25mg ou 50mg ou 100mg

  • Tomar 50 a 100 mg uma vez ao dia
  • Ajustar conforme a resposta clínica

Se contraindicação ao uso de betabloqueadores:

  • Verapamil comp. 80mg ou 120mg ou 240mg
    • Dose diária: 120 a 360 mg
    • Frequência: 1 a 2 vezes ao dia.
  • Diltiazem comp. 30mg ou 60mg
    • Dose diária: 80 a 240 mg
    • Frequência: 1 a 2 vezes ao dia.

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Anti-tireoidiano

Primeira linha:

  • Metimazol 5mg ou 10mg
    • Dose inicial de 10 a 30 mg (tireotoxicose leve a moderada) ou 40 a 60 mg (grave), em dose única diária.
    • A maioria dos pacientes alcança o eutireoidismo após 6 a 8 semanas de tratamento.
      • Na fase do eutireoidismo, a dose pode ser reduzida gradativamente, sendo mantido entre 5 e 10 mg por dia.
Segunda linha:
  • Por que?
    • Devido aos efeitos hepatotóxicos do PTU e à redução da eficácia da terapia com iodo em possível terapia no futuro, a utilização dessa droga como primeira opção terapêutica deve ser restrita aos casos de hipertireoidismo grave, crise tireotóxica e no primeiro trimestre da gestação.
  • Propiltiouracil (PTU) 100mg
    • Dose inicial de 50 a 100mg por dia.
    • A maioria dos pacientes alcança o eutireoidismo após 6 a 8 semanas de tratamento.
      • Na fase do eutireoidismo, a dose pode ser mantida entre 50 e 100 mg por dia.

Possíveis efeitos colaterais

Efeitos colaterais leves (1 a 5% dos casos)

  • Rash cutâneo, prurido, urticária ou artralgia.
  • O que fazer? anti-histamínico para lesões cutâneas e/ou substituição da droga anti-tireoidiana
Efeitos colaterais graves (1% dos casos)
  • Poliartrite grave, agranulocitose e, mais raramente, anemia aplástica, trombocitopenia, hepatite tóxica (PTU), vasculites, síndrome lúpus-like, hipoprotrombinemia (PTU) e hipoglicemia (metimazol).
  • A agranulocitose é o mais frequente dos efeitos colaterais graves, ocorrendo em 0,5% dos casos.
  • O que fazer? medicamento deve ser suspenso imediatamente e não deve ser reintroduzido

Sinal de alerta:

  • Se o paciente apresentar febre, odinofagia ou lesões na mucosa oral:
    • Avaliar diagnóstico de agranulocitose, e se confirmado o diagnóstico, o paciente deve ser hospitalizado para uso de antibioticoterapia de amplo espectro e fator estimulador de colônia de granulócito (1 a 5 μg/kg/dia, por via subcutânea)

Seguimento

Quais exames avaliar?

  • O monitoramento da função tireoidiana deve ser feito com medida de T4L e T3 total
  • O TSH pode permanecer suprimido por meses após o início do tratamento e não deve ser utilizado para monitorização na fase inicial

Seguimento no início do tratamento:

  • Avaliar exames em 4 a 6 semanas após início do tratamento
    • E após, em intervalos de 4 a 8 semanas até que o eutireoidismo seja alcançado com a menor dose do medicamento
    • Após alcançado o eutireoidismo, a avaliação clínica e laboratorial pode ser realizada a cada 2 a 3 meses
Seguimento após 12 a 24 meses de tratamento com eutireoidismo:
  • Se Doença de Graves, o anti-tireoidiano deve ser descontinuado, pois a taxa de remissão varia de 30% a 50%
  • Por outro lado, pacientes com doença de longa duração, bócio volumoso e níveis elevados de T3 (> 500 ng/dL) têm maior probabilidade de recidiva

Seguimento após descontinuação do tratamento:

  • Como a maioria das recidivas ocorre nos primeiros meses após a suspensão do anti-tireoidiano, é recomendado que a função tireoidiana seja monitorada mensalmente nos primeiros 6 meses
  • E após, a cada 3 meses durante o primeiro ano de remissão. E então o paciente deve ser monitorado anualmente por tempo indeterminado

E durante a gestação?

Propiltiouracil (PTU)

  • É a droga de escolha no primeiro trimestre da gestação.

Metimazol

  • Seu uso está associado à aplasia cútis congênita, sendo contraindicado no primeiro trimestre gestacional.

E durante o aleitamento?

O aleitamento é permitido às mulheres em uso de anti-tireoidianos.

Entretanto, deverão utilizar a mínima dose possível da droga;

  • PTU: 300 mg/dia (no máximo)
  • Metimazol: 20-30 mg/dia
  • As crianças deverão ser acompanhadas com os testes de função tireoidiana.

Referências

Consenso brasileiro para o diagnóstico e tratamento do hipertireoidismo: recomendações do Departamento de Tireoide da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia. Arq Bras Endocrinol Metab. 2013;57/3

Autoria e Curadoria

As informações contidas nesta página são de autoria da Equipe Editorial Médica do GPMED, composta por médicos especialistas de diversas áreas. Todo o conteúdo é estruturado rigorosamente com base em fontes bibliográficas de alto impacto e nas diretrizes oficiais vigentes, seguindo os preceitos da Medicina Baseada em Evidências. Nosso compromisso é oferecer ao médico uma base de consulta técnica, confiável e chancelada por profissionais experientes, garantindo máxima segurança no suporte à decisão clínica.