Insuficiência venosa crônica (IVC)

Classificação CEAP

Sinais clínicos [C]

  • C0: Sem sinais visíveis ou palpáveis de doença venosa
  • C1: Telangiectasias e/ou veias reticulares
  • C2: Veias varicosas
  • C3: Veias varicosas mais Edema
  • C4a: Hiperpigmentação ou eczema
  • C4b: Lipodermatoesclerose ou atrofia branca
  • C5: Úlcera venosa cicatrizada
  • C6: Úlcera ativa

Etiologia [E]

  • Ec: Congênita
  • Ep: Primária
  • Es: Adquirida ou secundária (Pós trombótica)
  • En: Sem causa definida

Anatomia [A]

  • As: Veias superficiais
  • Ad: Veias profundas
  • Ap: Perfurantes
  • An: Localização não definida

Fisiopatologia [P]

  • Pr: Refluxo
  • Po: Obstrução
  • Pr,o: Refluxo e obstrução
  • Pn: Sem fisiopatologia identificada

Medidas gerais

Elevação dos membros inferiores

  • A elevação dos pés ao nível do coração por 30 minutos três ou quatro vezes ao dia melhora a microcirculação cutânea e reduz o edema em pacientes com doença venosa crônica.

Exercícios

  • Caminhada diária e exercícios de flexão do tornozelo na posição sentada são estratégias simples e seguras no manejo da doença venosa crônica.

Cuidados com a pele

  • O cuidado da pele inclui a limpeza e o uso de emolientes e/ou preparações de barreira para ajudar a manter a barreira cutânea intacta. A prevenção do ressecamento, fissuras e prurido são importantes para evitar o desenvolvimento de úlceras.

Solicitar exames complementares

  • Solicitar US doppler venoso superficial e profundo de membros inferiores.
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Medicações venoativas

Quando indicar?

  • Na presença de sintomas e edema dos membros inferiores na IVC.

Hidrosmina (Vênula®) comp. 200mg

  • Tomar 1 cp de 12/12h ou 8/8h.

Extrato de Semente de Castanha da Índia comp. 300mg (50mg escina)

  • Tomar 1 cp de 12/12h.

Diosmina + Hesperidina (Daflon®, Diosmin®) comp. 450+50mg ou 900+100mg

  • Tomar 1 cp (450+50mg) de 12/12h.
  • Tomar 1 cp (900+100mg) uma vez ao dia.

Extrato seco de Melilotus officinalis (Vecasten®) comp. 26,7mg

  • Tomar 1 cp uma vez ao dia ou de 12/12h.

Compressão

Quando não indicar?

  • Suspeita de outras condições associadas, como: Doença Arterial Obstrutiva Periférica, TVP, celulite/erisipela, tecido necrótico, Insuficiência Cardíaca.

Tipos de meias elásticas:

  • Tamanho:
    • ¾ ou curta: abaixo do joelho
    • ⅞ ou longa: meia-coxa e meia-calça
  • Grau de compressão:
    • Baixa: 15-20 mmHg (para viagens longas, profilaxia TVP)
    • Média: 20-30 mmHg (varizes sintomáticas)
    • Alta: 30-40 mmHg (IVC grave)
  • Normalmente é utilizado a meia ¾ de compressão média, sendo orientado a colocação pela manhã, e retirada antes de deitar.

Observações:

  • A elastocompressão como terapia isolada de longa duração em pacientes sem úlcera, apenas sintomáticos incorre em descontinuação do tratamento em cerca de 30% em dois anos e 50% em três anos.
  • Grupos específicos podem ter dificuldade em colocar ou tirar as meias, como no caso de idosos, portadores de alguma sequela neurológica, gestantes e obesos.

Úlcera venosa

Utilizar curativos associados a compressão (sempre que possível) no tratamento das úlceras venosas.

Avaliar sinais de infecção associada. Se presentes, considerar antibioticoterapia.

  • Esquema:
    • Monoterapia: uma das opções abaixo.
    • Associação: clindamicina + ciprofloxacino.
  • Clindamicina comp. 300mg
    • Tomar 1 cp (300mg) de 6/6h, por 7 a 10 dias.
  • Ciprofloxacino comp. 500mg
    • Tomar 1 cp (500mg) de 12/12h, por 7 a 10 dias.

Intervenção

  • Apesar da terapia de compressão e curativos serem recomendados como tratamento inicial, é recomendado a utilização de métodos de intervenção na doença venosa para o minimizar as recidivas das úlceras crônicas.
  • Escleroterapia química pode ser associada a métodos físicos para o tratamento da doença venosa CEAP C1.
  • Safenectomia ou termoablação como primeira opção no tratamento das safenas insuficientes nos CEAP C2 (sintomático) e C3 a 6.
  • Escleroterapia com espuma pode ser considerado como tratamento alternativo ao tratamento cirúrgico ou por termoablação das safenas insuficientes (CEAP C2-6).
  • Não é recomendado tratar invasivamente o refluxo de veias safenas, se não houver associação com sintomas de doença venosa no CEAP C1 e 2.

Referências

  • Diretriz brasileira de doença venosa crônica da Sociedade Brasileira de Angiologia e de Cirurgia Vascular. Kikuchi et al. J Vasc Bras. 2023.
  • Sociedade Brasileira de Angiologia e de Cirurgia Vascular. Insuficiência Venosa Crônica: Diagnóstico e Tratamento. Projeto Diretrizes SBACV, 2015.
  • Nicolaides A, Kakkos S, Baekgaard N, et al. Management of chronic venous disorders of the lower limbs. Guidelines According to Scientific Evidence. Part I. Int Angiol 2018; 37:181.

Autoria e Curadoria

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