Febre Maculosa

Escolha do antimicrobiano

  • Considera-se que a Doxiciclina seja o antimicrobiano de escolha para o tratamento de todos os casos suspeitos de Febre Maculosa, independentemente da faixa etária, do tempo de evolução da doença e do perfil de gravidade. O Cloranfenicol, por ter eficácia considerada inferior à observada em relação à Doxiciclina para o tratamento de infecções por R. rickettsii, figura como segunda opção, podendo vir a ser utilizado nas situações em que não seja possível o uso da Doxiciclina.

  • E se for gestante?

    • Embora não existam resultados definitivos de estudos que assegurem a segurança de uso durante a gravidez da doxiciclina para o feto e a gestante, nos Estados Unidos o CDC indicam a possibilidade de uso da doxiciclina, desde que avaliados, individualmente, caso a caso, os riscos e os benefícios. 

    • No Brasil, o cloranfenicol vem sendo mais comumente utilizado para o tratamento de gestantes com suspeita de febre maculosa.

  • E se for criança?

    • O uso da doxiciclina como droga de escolha para o tratamento de pacientes pediátricos, independentemente da faixa etária, com suspeita de infecção pela R. rickettsii é amplamente recomendado pela The American Academy of Pediatrics, pelos Centers for Disease Control and Prevention (CDC) e, mais recentemente, desde 2014, pelo Ministério da Saúde do Brasil.

Tratamento

Primeira linha:
  • Adultos:
    • Doxiciclina comp. revestido 100 mg 
      • 1 cp de 12/12 horas, até 3 dias após desaparecimento da febre e melhora clínica.
  • Crianças (< 45 kg):
    • Doxiciclina comp. solúvel 100 mg 
      • 2,2 mg/kg de 12/12 horas, até 3 dias após desaparecimento da febre e melhora clínica.

Segunda linha:

  • Adultos:
    • Cloranfenicol comp. 250 mg ou 500 mg 
      • 500 mg de 6/6 horas, até 3 dias após desaparecimento da febre e melhora clínica.
    • Cloranfenicol pó inj. 1.000 mg (casos graves)
      • 1g IV bolus lento de 6/6 horas, até recuperação da consciência e melhora clínica. 
      • Após, transicionar para via oral 500mg de 6/6h por mais 7 dias ou até 3 dias após desaparecimento da febre (o que for mais longo)
  • Crianças (< 45 kg):
    • Cloranfenicol comp. 250 mg ou 500 mg 
      • 12,5 a 25 mg/kg de 6/6 horas, até 3 dias após desaparecimento da febre e melhora clínica (50 a 100 mg/kg/dia - máx 2g/dia).
    • Cloranfenicol pó inj. 1.000 mg (casos graves)
      • 12,5 a 25 mg/kg de 6/6 horas, até recuperação da consciência e melhora clínica (50 a 100 mg/kg/dia - máx 2g/dia).
      • Após, transicionar para via oral 12,5 a 25 mg/kg de 6/6 horas por mais 7 dias ou até 3 dias após desaparecimento da febre (o que for mais longo).
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Etiologia e diagnóstico

Etiologia e vetores:

  • A febre maculosa brasileira, causada pela Rickettsia rickettsii é a doença transmitida por carrapatos de maior importância no Brasil, sendo endêmica na Região Sudeste, onde as taxas de letalidade passam de 50%.

  • As únicas doenças transmitidas por carrapatos com ocorrência confirmada de casos humanos no Brasil são as riquetsioses causadas pela Rickettsia rickettsii e pela Rickettsia parkeri cepa Mata Atlântica. 

  • Na Região Sudeste do Brasil a R. rickettsii é o agente etiológico e o vetor associado é o carrapato Amblyomma sculptum (previamente conhecido como Amblyomma cajennense ou “carrapato estrela”). 

  • Animais domésticos e silvestres, como cavalos e capivaras, mantêm as populações de carrapatos na natureza. Além disso, as capivaras têm papel crucial como hospedeiros amplificadores naturais da R. rickettsii.

Perfis ecoepidemiológicos:
  • Febre maculosa brasileira predominante na Região Sudeste do Brasil

    • Maioria dos casos (>70%) tem sido notifcada em adultos do sexo masculino, estando fortemente relacionado a atividades ocupacionais em áreas habitadas por capivaras (exemplo:margens de rios e lagos).

  •  Febre maculosa brasileira predominante na região metropolitana de São Paulo

    • Áreas urbanas que tem divisa com fragmentos de Mata Atlântica 

    • Cães e gatos com acesso livre aos fragmentos de Mata Atlântica são parasitados, com o subsequente risco de parasitismo para os humanos

  • Febre maculosa produzida por R. parkeri

    • Ocorre predominante em áreas de Mata Atlântica nas Regiões Sul, Sudeste e Nordeste

    • Nesse perfil, os humanos têm risco de entrar em contato com o vetor por atividades em áreas preservadas de Mata Atlântica ou no domicílio/peridomicílio pela convivência com cães que têm acesso livre a áreas de Mata Atlântica

Quadro clínico:
  • Considera-se que o período de incubação na Febre Maculosa Brasileira varia de 2 a 14 dias após a inoculação da R. rickettsii pelo carrapato infectado. Após esse período, indivíduos infectados geralmente apresentam como manifestação clínica inicial febre, habitualmente elevada e de início súbito, associada a cefaleia holocraniana de forte intensidade, mialgia generalizada, artralgia, prostração, náusea e vômitos.

  • O exantema surge após o 3º dia de evolução, sendo mais comumente observado a partir do 5º dia após o início dos sintomas. A apresentação típica do exantema é de padrão maculopapular, não pruriginoso, com lesões variando entre 1 e 5 mm, acometendo inicialmente as extremidades (punhos e tornozelos, palmas das mãos e planta dos pés). Com a progressão da doença se observa a disseminação centrípeta do exantema, passando então a acometer braços e pernas e, posteriormente, tronco e face.

  • Em alguns pacientes o exantema pode se apresentar com distribuição atípica e menos intenso, podendo inclusive estar ausente em alguns casos, sobretudo naqueles que apresentem formas fulminantes da doença, em que a evolução para óbito se dá até o 6º dia após o início dos sintomas. Importante mencionar que em pacientes da raça negra o exantema pode eventualmente não ser visualizado no exame clínico.

  • Nos quadros mais avançados, comumente após o 5º dia do início dos sintomas, são comuns insuficiência renal oligúrica, insuficiência respiratória, manifestações neurológicas, hemorragias (epistaxe, gengivorragia, hematúria, enterorragia, hemoptise e em SNC), icterícia, arritmias cardíacas e choque.

Referências

  • Febre maculosa : aspectos epidemiológicos, clínicos e ambientais / Ministério da Saúde, Secretaria de Vigilância em Saúde, Departamento de Imunização e Doenças Transmissíveis. – Brasília : Ministério da Saúde, 2022.

Autoria e Curadoria

As informações contidas nesta página são de autoria da Equipe Editorial Médica do GPMED, composta por médicos especialistas de diversas áreas. Todo o conteúdo é estruturado rigorosamente com base em fontes bibliográficas de alto impacto e nas diretrizes oficiais vigentes, seguindo os preceitos da Medicina Baseada em Evidências. Nosso compromisso é oferecer ao médico uma base de consulta técnica, confiável e chancelada por profissionais experientes, garantindo máxima segurança no suporte à decisão clínica.