Hipovitaminose D em pediatria
Considerações
Fontes de vitamina D:
- Síntese cutânea após exposição solar (90%)
- Fontes alimentares (10%) - alimentos ricos em vitamina D incluem salmão, sardinha, cavala, arenque e fígado.
Fatores que podem diminurir os níveis de vitamina D:
- O uso de protetor solar (fator de proteção > 30) pode reduzir a síntese da vitamina D em até 90%, se usado de maneira adequada (> 2 mg/cm2). No entanto, como a maioria das pessoas utilizam em menor quantidade, o efeito negativo na síntese cutânea da vitamina D também é reduzido
- Residir em latitudes além de 35-40º (diminui a quantidade de raios UVB que chegam até a terra)
- Ter pele escura (a melanina absorve os fótons de UVB)
- Usar roupas que cubram quase todo o corpo
- Passar a maior parte do tempo em ambientes fechados
- Poluição atmosférica
- Altitude
- Tempo predominantemente nublado
Diagnóstico e triagem
Classificação dos níveis de vitamina D em crianças e adolescentes (1 ng/mL = 2,5 nmol/L):
- American
Academy of Pediatrics
- Deficiência: <15 ng/ml de 25(OH)D
- Insuficiência: 16-20 ng/ml de 25(OH)D
- Suficiência: 21-100 ng/ml de 25(OH)D
- Risco de toxicidade: >150 ng/ml de 25(OH)D
- Endocrine Society Clinical Practice Guideline
- Deficiência: <20 ng/ml de 25(OH)D
- Insuficiência: 21-29 ng/ml de 25(OH)D
- Suficiência: 30-100 ng/ml de 25(OH)D
- Risco de toxicidade: >100 ng/ml de 25(OH)D
- Global Consensus on Prevention and Management of Nutritional Rickets
- Deficiência: <12 ng/ml de 25(OH)D
- Insuficiência: 12-20 ng/ml de 25(OH)D
- Suficiência: >20 ng/ml de 25(OH)D
- Risco de toxicidade: >100 ng/ml de 25(OH)D
Quando realizar a triagem para hipovitaminose D? (dosagem da 25(OH)vitamina D)
- A triagem para avaliação da suficiência de vitamina D deve ser reservada a indivíduos pertencentes a grupos de risco.
- De acordo com as principais diretrizes nacionais e internacionais, não há indicação para rastreamento universal da hipovitaminose D.
- Entre as condições que justificam a investigação estão:
- Exposição solar inadequada
- Prematuridade
- Distúrbios que cursam com má absorção intestinal
- Doenças hepáticas ou renais crônicas
- Uso prolongado de medicamentos que interferem no metabolismo da vitamina D
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Exposição solar
- Considerando os potenciais danos cutâneos induzidos pela radiação ultravioleta, como o fotoenvelhecimento e o aumento do risco de neoplasias cutâneas, não se reconhece um nível de exposição solar que possa ser considerado seguro.
- A exposição direta ao sol sem fotoproteção não é recomendada por entidades como a Sociedade Brasileira de Pediatria e a Sociedade Brasileira de Dermatologia. Em situações em que a reposição de vitamina D se fizer necessária, deve-se priorizar fontes dietéticas ou o uso de suplementação oral, conforme indicação clínica.
Fontes alimentares
- As fontes dietéticas de vitamina D, por si só, não são suficientes para atender às demandas fisiológicas do organismo. Embora o leite materno seja o alimento ideal para recém-nascidos e lactentes, suas concentrações de vitamina D são limitadas, mesmo quando a mãe apresenta níveis adequados da vitamina.
- Alimentos naturalmente ricos em vitamina D — como peixes gordurosos (salmão, sardinha, cavala, arenque) e fígado — não são consumidos com regularidade pela maioria da população brasileira, o que contribui para a dificuldade em alcançar a ingestão recomendada por meio da alimentação.
Prevenção
- Considerações:
- A prevenção da hipovitaminose D, em pediatria, tem início ainda na gestação, durante os cuidados de pré-natal, continuando após o nascimento.
- Iniciar na 1º semana de vida, para todos os recém-nascidos, independente de seu modo de alimentação.
- Recomendações de doses para prevenção da hipovitaminose D segundo a SBP (2024):
-
- < 1 ano: 400 UI/dia
- 1 a 18 anos: 600 UI/dia
-
- Crianças com fatores de risco: 1200 - 1800 UI/dia (ajustar dose de acordo com cada condição)
- Fatores de risco:
- Dieta estritamente vegetariana
- Obesidade
- Hepatopatia / nefropatia crônica
- Má absorção intestinal (p. ex., doença celíaca, doença inflamatória intestinal, fibrose cística, cirurgia bariátrica)
- Medicamentos (p.ex., anticonvulsivantes corticoides, cetoconazol, rifampicina)
- Fatores de risco:
- Crianças com fatores de risco: 1200 - 1800 UI/dia (ajustar dose de acordo com cada condição)
- Medicamentos:
- < 1 ano: 2 gotas por dia.
- 1 a 18 anos: 3 gotas por dia.
- Com fator de risco: 6 a 9 gotas por dia.
- Colecalciferol gotas (DoseD®) 200 U/gota
- Colecalciferol gotas (Addera D3®) 132 U/gota (3.300 U /1 ml /25 gotas)
- < 1 ano: 3 gotas por dia.
- 1 a 18 anos: 4 a 5 gotas por dia.
- Com fator de risco: 9 a 13 gotas por dia.
- Colecalciferol gotas (Addera D3®) 400 U/gota (10.000 U /1 ml /25 gotas)
- < 1 ano: 1 gotas por dia.
- 1 a 18 anos: a dose recomendada é de 600 UI/dia, não sendo possível atingir com essa apresentação.
- Com fator de risco: 3 a 4 gotas por dia.
- Colecalciferol comp. mastigável (Doranguitos®) 200U (sabor morango)
- < 1 ano: 2 cp por dia.
- 1 a 18 anos: 3 cp por dia.
- Com fator de risco: 6 a 9 cp por dia.
- Colecalciferol cápsulas (Doss®) 1.000U
- < 1 ano: não indicado.
- 1 a 18 anos: não indicado.
- Com fator de risco: 1 a 2 cap por dia.
Tratamento
Considerações:
- É indicado para todos os pacientes com deficiência da vitamina, sejam eles sintomáticos ou não.
- O tratamento deve ser feito com a reposição de colecalciferol que é um metabólito mais
ativo do que o ergocalciferol ou vitamina D2.
- Existem formulações de colecalciferol em associação com outros compostos (p. ex. cálcio, multivitamínicos), e isso deve ser levado em consideração na prescrição (preferir prescrever colecalciferol isolado para tratamento da hipovitaminose D pura).
- Alguns produtos podem conter vestígios de compostos alergênicos (p. ex. trigo, centeia, cevada, aveia, amendoim, nozes, castanhas, macadâmias, pistache, crustáceos, peixes e ovos).
Aspectos sobre a adminstração:
- Apresentação: disponível em cápsulas, comprimidos e solução gotas.
- Via de
administração: A via oral é a primeira escolha. A via parenteral é indicada na impossibilidade
da via oral (p. ex., má absorção intestinal grave).
- Frequência: O uso diário é a primeira escolha (o uso semanal é indicado se houver baixa adesão).
- Refeição: Ingerir a qualquer hora do dia, independente da refeição
- Armazenamento: Conservar em temperatura ambiente, protegido da luz e umidade.
Dica prática:
- Para cada 100 UI
de vitamina D suplementada obtém-se um aumento de 0,7-1,0 ng/mL nos níveis séricos da
vitamina D.
- Observação: esta regra não é necessariamente reprodutível para todos os casos, devendo-se individualizar o tratamento se necessário.
Medicações:
- Colecalciferol gotas (Addera D3®) 400 U/gota (10.000 U /1 ml /25 gotas)
- Suplementar o suficiente para atingir níveis séricos de suficiência da 25(OH)vitamina D (> 21-30 ng/mL).
- Para cada 100 UI de vitamina D suplementada obtém-se um aumento de 0,7-1,0 ng/mL nos níveis séricos da vitamina D.
- Colecalciferol comp. mastigável (Doranguitos®) 200U (sabor morango)
- Suplementar o suficiente para atingir níveis séricos de suficiência da 25(OH)vitamina D (> 21-30 ng/mL).
- Para cada 100 UI de vitamina D suplementada obtém-se um aumento de 0,7-1,0 ng/mL nos níveis séricos da vitamina D.
- Colecalciferol cápsulas (Doss®) 1.000U ou 2.000UI ou 7.000UI
- Suplementar o suficiente para atingir níveis séricos de suficiência da 25(OH)vitamina D (> 21-30 ng/mL).
- Para cada 100 UI de vitamina D suplementada obtém-se um aumento de 0,7-1,0 ng/mL nos níveis séricos da vitamina D.
Referências
- Sociedade Brasileira de Pediatria. Hipovitaminose D em pediatria:
diagnóstico, tratamento e prevenção
– Atualização – Nº 181, 04 de Novembro de 2024.
- Boletim da Sociedade de Pediatria de São Paulo. Suplementação de nutrientes. Out 2019.


