Hipovitaminose D em adultos

Grupos de risco

  • Os principais grupos de risco para hipovitaminose D são:
    • Idosos – acima de 60 anos;
    • Indivíduos que não se expõem ao sol ou que tenham contraindicação à exposição solar; 
    • Indivíduos com fraturas ou quedas recorrentes;
    • Gestantes e lactantes;
    • Osteoporose (primária e secundária);
    • Doenças osteometabólicas, tais como raquitismo, osteomalácia, hiperparatireoidismo;
    • Doença Renal Crônica;
    • Síndromes de má-absorção, como após cirurgia bariátrica e doença inflamatória intestinal; 
    • Medicações que possam interferir com a formação e degradação da vitamina D, tais como: terapia antirretroviral, glicocorticoides e anticonvulsivantes.
    • Outras condições que afetam os níveis de vitamina D: maior pigmentação da pele, obesidade, institucionalizado ou internação hospitalar.

Valores ideais

Segundo a Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia, os valores ideais da 25(OH)D para a população devem ser estratificados de acordo com a idade e as características clínicas individuais.

  • População saudável (até 60 anos): 
    • Acima de 20 ng/mL (risco de toxicidade e hipercalcemia se acima de 100 ng/mL).
  • Grupos de risco
    • Entre 30 e 60 ng/mL (risco de toxicidade e hipercalcemia se acima de 100 ng/mL).
    • Os grupos de risco incluem: idosos, gestantes, lactantes, pacientes com raquitismo/osteomalácia, osteoporose, pacientes com história de quedas e fraturas, causas secundárias de osteoporose (doenças e medicações), hiperparatiroidismo, doenças inflamatórias, doenças autoimunes, doença renal crônica e síndromes de máabsorção (clínicas ou pós-cirúrgicas).

Classificação e triagem

Classificação dos níveis de vitamina D (1 ng/mL = 2,5 nmol/L):

  • Endocrine Society Clinical Practice Guideline
    • Deficiência: <20 ng/ml de 25(OH)D
    • Insuficiência: 21-29 ng/ml de 25(OH)D
    • Suficiência: 30-100 ng/ml de 25(OH)D
    • Risco de toxicidade: >100 ng/ml de 25(OH)D
  • Global Consensus on Prevention and Management of Nutritional Rickets
    • Deficiência: <12 ng/ml de 25(OH)D
    • Insuficiência: 12-20 ng/ml de 25(OH)D
    • Suficiência: >20 ng/ml de 25(OH)D
    • Risco de toxicidade: >100 ng/ml de 25(OH)D


Quando solicitar a dosagem da 25(OH)D?

  • A triagem para avaliação da suficiência de vitamina D deve ser reservada a indivíduos pertencentes a grupos de risco. 
  • Não existem evidências para solicitação do nível sérico de 25(OH)D para a população adulta sem comorbidades, portanto, a triagem populacional indiscriminada não está indicada.

Tratamento

  • Considerações:
    • A administração diária de vitamina D tem se mostrado a abordagem mais eficaz para otimizar os níveis séricos. 
    • Esquemas com intervalos mais espaçados, como a cada quatro semanas ou semanal, têm sido considerados como alternativa viável em contextos de baixa adesão ao uso diário. 
    • O colecalciferol (vitamina D3), por via oral, permanece como a forma de escolha para suplementação na prática clínica. Outras formas, como o calcifediol, calcitriol, alfacalcidol, bem como a via parenteral, são indicadas apenas em situações muito específicas, nas quais há necessidade individualizada de manejo.


  • <12 ng/mL (< 30 nmol/L):

    • Dose recomendada: 3.500-7.000 UI por dia OU 25.000-50.000 UI por semana.

    • Colecalciferol comp. (Addera D3®) 1.000 ou 5.000 ou 7.000 ou 10.000 ou 50.000 UI

      • Tomar 1 cp de 7.000 UI uma vez ao dia, durante 6 a 8 semanas.

      • Após, tomar 1 cp (de 1.000 UI) uma vez por dia, como dose de manutenção (~800-1.000 U/dia). Repetir exames em 3 meses.

    • Colecalciferol gotas (Addera D3®) 400 U/gota (10.000 U /1 ml /25 gotas)

      • Tomar de 9 a 17 gotas uma vez ao dia, durante 6 a 8 semanas.

      • Após, tomar 2 gotas, uma vez ao dia, como dose de manutenção (800 U/dia). Repetir exames em 3 meses.


  • 12 a 20 ng/mL (30 a 50 nmol/L):

    • Dose recomendada: 800-1.000 UI por dia OU 7.000 UI por semana.

    • Colecalciferol comp. (Addera D3®) 1.000 ou 5.000 ou 7.000 ou 10.000 ou 50.000 UI

      • Tomar 1 cp de 1.000 UI uma vez ao dia, e repetir exames em 3 meses.

    • Colecalciferol gotas (Addera D3®) 400 U/gota (10.000 U /1 ml /25 gotas)

      • Tomar 2 a 3 gotas (800 a 1.000 UI) uma vez ao dia, e repetir exames em 3 meses.


  • ≥ 20 a 30 ng/mL (50 a 75 nmol/L):

    • Dose recomendada (manutenção): 600 a 800 UI por dia OU 4.200-5.600 UI por semana.

      • Algumas referências descartam a necessidade de reposição nesta faixa.
    • Colecalciferol comp. (Addera D3®) 1.000 ou 5.000 ou 7.000 ou 10.000 ou 50.000 UI

      • Tomar 1 cp (de 5.000 UI) uma vez na semana, como dose de manutenção (~800 U/dia).

      • As apresentações em comprimidos normalmente contém no mínimo 1.000 UI, portanto, ultrapassaria a dose preconizada de manutenção pelas diretrizes (600 a 800 UI /dia) se administrado em doses diárias.

    • Colecalciferol gotas (Addera D3®) 400 U/gota (10.000 U /1 ml /25 gotas)

      • Tomar 2 gotas (800 UI) uma vez ao dia, como dose de manutenção (800 U/dia).


  • Indivíduos com má absorção:

    • Pode-se optar por doses mais altas de Colecalciferol (D3) - 10.000 a 50.000 UI por dia.

    • Outra opção seria optar por formulações com melhor absorção, como; Calcidiol ou Ergocalciferol.

 

  • Pode-se repetir a avaliação dos níveis séricos em 3 meses:

    • Considerar suspensão ou manutenção da terapia a depender da causa e dos fatores predisponentes.

Outras formulações

  • Considerações:
    • O colecalciferol (vitamina D3), por via oral, permanece como a forma de escolha para suplementação na prática clínica. Outras formas, como o calcifediol, calcitriol, alfacalcidol, bem como a via parenteral, são indicadas apenas em situações muito específicas, nas quais há necessidade individualizada de manejo.

  • Ergocalciferol comp. 400 ou 2.000 UI

    • Tomar 1 cp uma vez ao dia (não utilizar doses semanais).

    • Considerações: o ergocalciferol (vitamina D2) apresenta meia-vida inferior à D3. Portanto, a posologia deva ser preferencialmente diária. Além disso, alguns métodos laboratoriais que dosam 25(OH)D reconhecem apenas a 25(OH)D3, o que pode trazer problemas no controle dos níveis plasmáticos quando se faz a suplementação com vitamina D2. Portanto, embora a suplementação e o tratamento possam ser feitos com ambos os metabólitos da vitamina D, deve-se dar preferência para a vitamina D3 pelas vantagens sobre a manutenção de concentrações mais estáveis.


  • Calcitriol comp. (Ostriol®) 0,25mcg

    • A dose recomendada é de 0,25 mcg duas vezes ao dia (os níveis de cálcio e creatinina sérica devem ser determinados periodicamente a cada 4 semanas).

    • Considerações: o uso de calcitriol deve ficar reservado para situações especiais, como na insuficiência renal crônica, nos raquitismos dependentes de vitamina D tipo 1 e tipo 2 e nos raquitismos hipofosfatêmicos, ou em casos de má-absorção extrema. O uso de calcitriol pressupõe um controle muito mais rigoroso da calcemia e da calciúria, pois hipercalcemia pode ocorrer com frequência.

Referências

  • Andrea Giustina, et al. Consensus Statement on Vitamin D Status Assessment and Supplementation: Whys, Whens, and Hows. Endocrine Reviews, 2024, Vol. 45, No. 5.

  • Controversies in Vitamin D: Summary Statement From an International Conference. J Clin Endocrinol Metab. 2019

  • Recomendações da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia (SBEM) para o diagnóstico e tratamento da hipovitaminose D. Arq Bras Endocrinol Metab. 2014.

  • Posicionamento Oficial da Sociedade Brasileira de Patologia Clínica/ Medicina Laboratorial e da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia. Intervalos de Referência da Vitamina D – 25(OH)D.

Autoria e Curadoria

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