Pitiríase versicolor (pano branco)

Considerações

  • Etiologia

    • Infecção fúngica superficial, no qual os organismos causadores estão no gênero Malassezia (anteriormente conhecido como Pityrosporum).

  • Quadro clínico: 

    • Múltiplas máculas, manchas e placas finas de tinea versicolor podem ser hipopigmentadas, hiperpigmentadas ou levemente eritematosas.

    • As lesões individuais são tipicamente pequenas (por exemplo, <15 mm) e ovais ou redondas, mas frequentemente coalescem em manchas maiores ou placas finas. 

    • Uma descamação fina está frequentemente presente, ficando mais evidente ao se passar a unha na lesão (sinal da unha) ou realizar estiramento da pele lesional (sinal de Zileri).

    • Comumente encontrada no tronco superior e membros superiores proximais e menos frequentemente na face e áreas intertriginosas. Por outro lado, quando a tinha versicolor ocorre em crianças, o envolvimento facial é comum.

    • Pode ter leve prurido, além disso pode persistir por anos sem tratamento, e em climas temperados pode repetir durante os meses quentes do ano, podendo ter resolução espontânea.

Esquema de tratamento

  • A primeira linha é o tratamento tópico.

  • A terapia oral é geralmente reservada para cenários em que a aplicação adequada de terapia tópica não é viável

    • Por exemplo, doença extensa ou incapacidade do paciente de administrar tratamento tópico, e para doença refratária ou recorrente. 

  • O tratamento oral não é usualmente utilizado em crianças.

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Tratamento tópico

  • Esquema:

    • Antifúngicos azólicos tópicos OU terbinafina tópica OU sulfeto de selênio

  • Cetoconazol xampu 2%

    • Aplicar nas áreas afetadas e lavar após 5 minutos, por 3 dias consecutivos. 

  • Cetoconazol creme 2%

    • Aplicar nas áreas afetadas e adjacentes 1 vez ao dia, por 2 semanas.

  • Terbinafina creme 1%

    • Fazer 1 a 2 aplicações ao dia por 1 a 4 semanas.

  • Sulfeto de selênio xampu 2,25% ou 2,5% 

    • Aplicar na área afetada 1 vez ao dia durante 1 semana. 

    • O xampu ou loção é enxaguado após 10 minutos.

Tratamento via oral

  • O antifúngico oral é indicado em doença refratária, doença extensa ou incapacidade do paciente em administrar o tratamento tópico.  

  • A terapia antifúngica oral não é a primeira escolha para a maioria dos pacientes devido ao maior risco de interações medicamentosas e efeitos adversos sistêmicos em comparação com a terapia tópica.

  • Esquema:

    • fluconazol OU itraconazol

    • Não é recomendado o uso de cetoconazol oral para o tratamento da pitiríase versicolor devido ao risco de hepatotoxicidade e insuficiência adrenal, além de possíveis interações medicamentosas.

  • Fluconazol comp. 150mg

    • Tomar 2 cp uma vez por semana durante 2 semanas

  • Itraconazol comp. 100mg

    • Tomar 2 cp uma vez ao dia, por 5 dias. 

    • Alguns autores utilizam um ciclo de tratamento de 7 dias em caso de doença extensa.

Prevenção

  • Usada em pacientes que tenham múltiplas recorrências por ano, particularmente durante as estações quentes. No entanto, os dados sobre terapia profilática são limitados. 

  • Terapia tópica (primeira escolha):

    • Sulfeto de selênio xampu 2,25%

      • Aplicar em todo o corpo por 10 minutos uma vez por mês.

    • Cetoconazol xampu 2% 

      • Aplicar em todo o corpo por 10 minutos uma vez por mês.

  • Terapia oral:

    • A terapia profilática antifúngica oral é uma abordagem alternativa para pacientes nos quais a terapia tópica não é eficaz ou viável. 

    • Itraconazol comp. 100mg

      • Tomar 2 cp (200 mg) duas vezes ao dia, uma vez ao mês.

Observações

  • A hiperpigmentação e a hipopigmentação geralmente persistem por semanas a alguns meses após o tratamento bem-sucedido.
  • Encaminhar para dermatologia os pacientes com pitiríase versicolor se:
    • Quadro extenso em pacientes imunocomprometidos (por medicamentos, HIV, outras imunodeficiências); ou
    • Refratária ao tratamento clínico otimizado.

Referências

  • Framil VM de S, Melhem MSC, Szeszs MW, Zaitz C. Novos aspectos na evolução clínica da pitiríase versicolor. An Bras Dermatol [Internet]. 2011.
  • GOLDSTEIN, B. G.; GOLDSTEIN, A. O. Tinea versicolor (Pityriasis versicolor). Waltham (MA): UpToDate, 2023.
  • DUNCAN, B. B. et al. Medicina Ambulatorial: condutas de atenção primária baseadas em evidências. 4. ed. Porto Alegre: Artmed, 2013.
  • BVS Atenção Primária em Saúde. Qual o tratamento de pitiríase versicolor? Núcleo de Telessaúde Rio Grande do Sul | 2 julho 2019.

Autoria e Curadoria

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