Rastreio de Câncer de Mama
Avaliação clínica
Anamnese :- Nódulo de mama geralmente indolor, duro e irregular;
- Saída de secreção pelo mamilo unilateral e espontânea: transparente, rosada ou avermelhada;
- Coloração avermelhada da pele da mama;
- Edema cutâneo semelhante à casca de laranja, retração cutânea;
- Dor ou inversão no mamilo, descamação ou ulceração do mamilo;
- Linfonodos palpáveis axilares, supra e infraclaviculares.
- Inspeção estática: tórax desnudo e com os braços relaxados ao longo do corpo ou levantados sobre a cabeça.
- Alterações na simetria das mamas e do complexo aréolo-papilar;
- Alterações no contorno da mama: Abaulamentos ou retrações de pele;
- Ulcerações cutâneas ou do complexo areolopapilar.
- Inspeção dinâmica: paciente coloque as mãos no quadril e após eleve os braços, contraindo uma mão contra a outra, atrás da nuca.
- Verifique se há aparecimento de retrações e ou abaulamentos.
- Palpação: paciente sentada com os braços atrás da nuca e, após, deitada com os braços elevados.
- Com a paciente sentada, palpe as cadeias linfáticas supraclaviculares e axilares (o braço homolateral relaxado e o antebraço repousando sobre o antebraço homolateral do examinador).
- Com a paciente deitada, examine cada área aplicando três níveis de pressão: leve, média e profunda. Realizar movimentos circulares com as polpas digitais do 2º, 3º e 4º dedos da mão.
- Se mulher mastectomizada, deve-se palpar a parede do tórax, a pele e a cicatriz cirúrgica
- Avaliação da descarga papilar: A saída da secreção pode ser provocada pela compressão digital de um nódulo ou área de espessamento.
- Aplique compressão unidigital suave sobre a região areolar, em sentido radial, contornando a papila.
- Na descrição informar se é uni ou bilateral, uni ou multiductal, espontânea ou provocada pela compressão de algum ponto específico, coloração e relação com algum nódulo ou espessamento palpável.
- Se presença de descarga papilar bilateral leitosa (alteração benigna) deve-se solicitar exames de prolactina e TSH.
- Nódulo palpável endurecido, imóvel, fixo ao tecido subjacente, sem margens definidas
- Linfonodos axilares aumentados, densos e confluentes
- Descarga papilar sanguínea, serossanguínea ou cristalina “água de rocha”; espontânea, em mulher com idade superior a 50 anos
- Alteração unilateral recente do mamilo, como retração ou distorção
- Alteração unilateral na pele da mama, como edema cutâneo semelhante à “casca de laranja”, retração cutânea ou eczema que não responde a tratamentos tópicos.
Fatores de risco
Idade > 50 anos;
A idade é o fator de risco mais importante para desenvolver câncer de mama (quanto maior a idade, maior o risco), associada à fatores genéticos, endócrinos e comportamentais.
História familiar (câncer de mama ou ovário em parentes de primeiro grau; casos de câncer de mama antes dos 50 anos; caso de câncer de mama e ovário em um mesmo familiar; câncer de mama bilateral; caso de câncer de mama em homem);
Etnia (pacientes com ascendência judaica Ashkenazi tem maior frequência de mutações nos genes BRCA1/BRCA2);
Menarca precoce (antes dos 12 anos);
Menopausa tardia (após os 55 anos);
Idade da primeira gestação a termo acima dos 30 anos;
Nuliparidade;
Exposição à radiação torácica;
Terapia de reposição hormonal na pós menopausa por tempo prolongado (> 5 anos);
Sobrepeso, obesidade e inatividade física;
Ingestão de álcool.
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Critérios de alto risco
Mulheres e homens com mutação ou parentes de 1° grau (materno ou paterno) com mutação comprovada dos genes BRCA 1/BRCA 2 (HBOC), ou com síndromes genéticas como Li-Fraumeni, Cowden e outras.
Mulheres com história de:
Familiar de primeiro grau (mãe, irmã ou filha) com CA de mama em idade < 50 anos; ou
Familiar de primeiro grau com diagnóstico de câncer de mama bilateral; ou
Familiar de primeiro grau com de CA de ovário, em qualquer faixa etária; ou
Familiar homem com diagnóstico de câncer de mama, independentemente da idade.
Mulheres com história pessoal de câncer de mama invasor ou hiperplasia ductal ou lobular atípica, atipia epitelial plana ou carcinoma ductal in situ;
Mulheres com história de radiação torácica (radioterapia supradiafragmática prévia) antes dos 30 anos.
Mamografia
Indicação de rastreio Febrasgo e Sociedade Brasileira de Mastologia.
Mulheres acima dos 40 anos, anualmente.
Indicação de rastreio Ministério da Saúde
Mulheres entre 50 e 69 anos, a cada 2 anos.
Outras indicações
Abaixo dos 40 anos, a mamografia pode ser indicada para mulheres com suspeita de síndromes hereditárias ou para complementar o diagnóstico, em caso de nódulos palpáveis e se o médico determinar esta necessidade.
Em homens não existe rastreamento para câncer de mama, por ser uma doença rara. Mas, a mamografia é recomendada quando o paciente apresenta queixa como nódulo na mama, secreção ou inchaço próximo do mamilo e dor unilateral.
Resultados
Os resultados do exame mamográfico são classificados de acordo com o Breast Imaging Reporting and Data System (BI‐RADS®) e divididos em categorias de 0 a 6 (ver "avaliação BI-RADS®" abaixo)
Ultrassonografia
A ultrassonografia mamária pode ser considerada como método adicional à mamografia em mulheres jovens com elevado risco de câncer de mama e mulheres com alta densidade mamária.
Deve ser utilizada como exame adicional à mamografia quando:
BI-RADS® = 0 (inconclusivo);
Contraindicação à mamografia (pacientes que não possam ser expostas à radiação);
Mulheres com alta densidade mamária;
Substituta da ressonância magnética (quando as mulheres não puderem realizá-la por qualquer motivo).
Como método diagnóstico, na presença de sinais e sintomas do câncer de mama, está indicada para:
Diagnóstico diferencial entre lesão sólida e lesão cística, nos nódulos detectados no exame físico e/ou na mamografia
Avaliação de lesão palpável sem expressão na mamografia
Avaliação de lesão palpável nas pacientes jovens, abaixo de 30 anos
Na doença inflamatória e no abscesso
Na orientação de procedimentos de drenagem de coleções inflamatórias ou císticas e no seu controle evolutivo
Nas alterações da mama no ciclo gravídico puerperal
Na avaliação de linfonodos alterados no exame físico
Os achados são classificados de acordo com a categoria de avaliação BI-RADS®e condutas preconizadas, na mesma linha da mamografia.
Resultados
- Cistos (classificado na sessão de casos especiais no BI-RADS®: categorias 2, 3 ou 4)
- Achados com características provavelmente benignas (BI-RADS® categoria 3)
- Achados com características suspeitas (BI-RADS® categoria 4)
- Achados com características altamente suspeitas (BI-RADS® categoria 5)
Avaliação BI-RADS®

Ressonância magnética
Não é indicada como exame de rastreio.
Indicação como exame diagnóstico:
Situações não conclusivas: Quando exame clínico, mamografia e/ou ultrassonografia são inconclusivos
Carcinoma oculto: Situação em que a primeira manifestação do câncer de mama é o comprometimento neoplásico do linfonodo axilar
Suspeita de recidiva: em mulheres tratadas por câncer de mama não elegíveis para mamografia ou ultrassonografia.
Complicações de implantes mamários: Suspeita de deslocamento, ruptura ou coleção
Análise histopatológica
É o exame que fornece o diagnóstico definitivo
Biópsia percutânea: Punção aspirativa por agulha fina (PAAF): Principal indicação para avaliação do linfonodo axilar e na diferenciação de lesões ovóides, normalmente classificadas como BI-RADS® 3.
Biópsia cirúrgica: Indicada quando a biópsia percutânea é inviável (questões técnicas) ou quando persiste a suspeita de malignidade, mesmo com core biópsia já realizada (laudo anatomopatológico indeterminada/suspeito, adequabilidade da amostra insatisfatória, laudo benigno com exame de imagem BI-RADS® 5).
Referências
Adaptado de Manual Operacional da Rede Nacional de Câncer Familial, INCA, 2009;
Ashton-Prolla et al., BMC Cancer, 2009 e Migowski et al., Cad Saude Publica, 2018.
MIGOWSKI A, SILVA GAE, DIAS MBK, DIZ MDPE, SANT’ANA DR, NADANOVSKY P. Guidelines for early detection of breast cancer in Brazil. II – New national recommendations, main evidence, and controversies. Cad Saude Publica. 2018 Jun.
https://linhasdecuidado.saude.gov.br/portal/cancer-de-mama/unidade-de-atencao-primaria/rastreamento-diagnostico/#pills-rastreamento-diagnostico
BREAST CANCER ASSOCIATION CONSORTIUM et al. Breast Cancer Risk Genes - Association Analysis in More than 113,000 Women. The New England Journal of Medicine, Boston, v. 384, n. 5, p. 428-439, Feb 2021.
Brasil. Ministério da Saúde. Protocolos da Atenção Básica : Saúde das Mulheres / Ministério da Saúde, Instituto Sírio-Libanês de Ensino e Pesquisa – Brasília : Ministério Da Saúde, 2016.


