Toxoplasmose em adultos

Considerações

  • Etiologia:

    • Protozoário parasita intracelular, Toxoplasma gondii.

  • Transmissão:

    • Ingestão de oocistos infecciosos do ambiente

    • Ingestão de cistos teciduais em carne de um animal infectado ou de frutas ou vegetais contaminados

    • Transmissão vertical de uma mãe infectada para seu feto

    • Transmissão através de um transplante de órgão de um doador infectado

  • Quadro clínico:

    • Pessoas imunocompetentes com infecção primária são geralmente assintomáticas. 

    • Em alguns hospedeiros imunocompetentes, a infecção por T. gondii pode se apresentar como uma infecção sistêmica aguda, apresentando sintomas constitucionais.

  • Testes sorológicos:

    • Anticorpos IgM: utilizado como diagnóstico de toxoplasmose recente, e serve para considerar o risco de transmissão para o feto. 

      • Embora os anticorpos da classe IgM signifique doença recente, em alguns casos eles podem permanecer elevados por até um ano. Nesses casos pode-se utilizar a pesquisa de IgA anti-Toxoplasma, que costuma normalizar dentro de 6 meses após a infecção.

    • Anticorpos IgG: aumentam após duas semanas de doença, e geralmente ficam positivos por toda a vida. O aumento de 4 vezes no título de IgG pode significar reativação de doença em pacientes imunocomprometidos.

Esquemas de tratamento

Esquemas gerais de tratamento da toxoplasmose em adultos imunocompetentes e não gestantes, com:

  • Sintomas leves ou assintomático

    • Conservador: a maioria dos adultos imunocompetentes e mulheres não grávidas não requer tratamento específico, em vista do caráter autolimitado da doença.

  • Sintomas graves e/ou prolongados (semanas)

    • Esquema 1

      • Pirimetamina + Sulfadiazina + Ácido folínico

      • Duração: 4 semanas.

    • Esquema 2

      • Pirimetamina + Clindamicina + Ácido folínico

      • Duração: 4 semanas.

    • Esquema 3

      • Pirimetamina + Atovaquona + Ácido folínico

      • Duração: 4 semanas.

    • Esquema 4

      • Pirimetamina + Azitromicina + Ácido folínico

      • Duração: 4 semanas.

    • Alternativas 

      • Alternativa à pirimetamina: sulfametoxazol-trimetoprima

      • Alternativa ao sulfametoxazol: atovaquona isolada

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Esquema 1

  • Esquema:

    • Pirimetamina + Sulfadiazina + Ácido folínico

    • Duração: 4 semanas.

  • Pirimetamina comp. 25 mg

    • >60 kg: tomar 4 cp (100mg) no 1º dia, e após 2 cp (50mg) ao dia, por 2 a 4 semanas.

    • <60 kg: tomar 4 cp (100mg) no 1º dia, e após 1 cp (25mg) ao dia, por 2 a 4 semanas.

  • Sulfadiazina comp. 500mg 

    • >60 kg: tomar 1 cp, a cada 6h, por 2 a 4 semanas (2 g/dia).

    • <60 kg: tomar 2 cp, a cada 6h, por 2 a 4 semanas (4 g/dia).

  • Ácido folínico comp. 15 mg

    • Tomar 1 cp, uma vez ao dia, por 2 a 4 semanas.

Esquema 2

  • Esquema:

    • Pirimetamina + Clindamicina + Ácido folínico

    • Duração: 4 semanas.

  • Pirimetamina comp. 25 mg

    • >60 kg: tomar 4 cp (100mg) no 1º dia, e após 2 cp (50mg) ao dia, por 2 a 4 semanas.

    • <60 kg: tomar 4 cp (100mg) no 1º dia, e após 1 cp (25mg) ao dia, por 2 a 4 semanas.

  • Clindamicina comp. 300mg

    • Tomar 1 cp, a cada 6 horas, por 2 a 4 semanas.

  • Ácido folínico comp. 15 mg

    • Tomar 1 cp, uma vez ao dia, por 2 a 4 semanas.

Esquema 3

  • Esquema:

    • Pirimetamina + Atovaquona + Ácido folínico

    • Duração: 4 semanas.

  • Pirimetamina comp. 25 mg

    • >60 kg: tomar 4 cp (100mg) no 1º dia, e após 2 cp (50mg) ao dia, por 2 a 4 semanas.

    • <60 kg: tomar 4 cp (100mg) no 1º dia, e após 1 cp (25mg) ao dia, por 2 a 4 semanas.

  • Atovaquona comp. 750 mg

    • Tomar 1 cp, a cada 6 horas, por 2 a 4 semanas.

  • Ácido folínico comp. 15 mg

    • Tomar 1 cp, uma vez ao dia, por 2 a 4 semanas.

Esquema 4

  • Esquema:

    • Pirimetamina + Azitromicina + Ácido folínico

    • Duração: 4 semanas.

  • Pirimetamina comp. 25 mg

    • >60 kg: tomar 4 cp (100mg) no 1º dia, e após 2 cp (50mg) ao dia, por 2 a 4 semanas.

    • <60 kg: tomar 4 cp (100mg) no 1º dia, e após 1 cp (25mg) ao dia, por 2 a 4 semanas.

  • Azitromicina comp. 500 mg

    • Tomar 1 cp, uma vez ao dia, por 2 a 4 semanas.

  • Ácido folínico comp. 15 mg

    • Tomar 1 cp, uma vez ao dia, por 2 a 4 semanas.

Alternativas terapêuticas

Alternativa para substituir a Pirimetamina:

  • Sulfametoxazol-trimetoprima comp. 400+80mg ou 800+160mg

    • Tomar 2 cp (400+80) ou 1 cp (800+160) a cada 12h, por 2 a 4 semanas.

Alternativa para substituir o Sulfametoxazol:

  • Atovaquona comp. 750 mg (isolada)

    • Tomar 1 cp, a cada 6 horas, por 2 a 4 semanas.

  • Se ausência de reação grave, iniciar dessensibilização por sulfa, para posterior retorno de uso do sulfametoxazol-trimetoprima.

Monitoramento de reações adversas

Monitorar com hemograma completo e perfil metabólico após 2 semanas de tratamento.

Efeitos colaterais da pirimetamina:

  • Erupção cutânea, náuseas, e supressão da medula óssea. 

  • Doses maiores de ácido folínico (50 a 100 mg/dia), podem ser administradas para controlar anormalidades hematológicas.

Efeitos colaterais dos agentes contendo sulfa:

  • Erupção cutânea, febre, leucopenia, hepatite, náuseas, vômitos, diarreia, cristalúria e, raramente, reações mais graves, como a síndrome de Stevens-Johnson.

Efeitos colaterais da Clindamicina:

  • Febre, erupção cutânea, e náuseas. A clindamicina também está associada à diarreia relacionada à produção da toxina Clostridium difficile.

Prevenção

Alimentos de origem animal e vegetal

  • Aquecer cortes inteiros de carne de porco, cordeiro, vitela ou vaca a pelo menos 65,6°C, com 3 minutos de repouso após o cozimento; carne moída e carne de caça selvagem a 71,1º C e aves a 73,9º C.

  • O cozimento de micro-ondas não é confiável para matar o protozoário nem inativar o oocisto.

  • Congelar carne a uma temperatura interna de -12º C.

  • Evitar a contaminação cruzada para outros alimentos lavando as mãos completamente após o manuseio de carnes cruas ou frutos do mar, assim como as tábuas de corte, pratos, bancadas e utensílios.

  • Frutos do mar, incluindo mariscos, devem ser bem cozidos.

  • Evite comer qualquer carne crua ou mal passada e carne crua curada;

  • Evite beber leite não pasteurizado e produtos lácteos feitos com leite não pasteurizado.

  • Lavar bem as frutas e legumes corretamente e com água adequadamente tratada antes de comê-las, antes mesmo de descascar;

  • Limpar as superfícies de cozimento e os utensílios após contato com frutas ou legumes não lavados;

  • A lavagem adequada de verduras, frutas e legumes inclui a escovação dos alimentos.

Meio ambiente

  • Cobrir as caixas de areia das crianças quando não estiverem jogando para evitar que os gatos as utilizem;

  • Não alimente gatos com carne crua ou mal passada;

  • Mude a caixa de areia dos gatos de estimação diariamente;

  • Mulheres grávidas e indivíduos com baixa imunidade devem evitar manusear as caixas de areia;

  • Ao trocar a areia ou realizar jardinagem, usar, quando possível, máscaras no rosto e luvas, além de lavar bem as mãos com sabão;

  • A indústria de carne deve empregar boas práticas de produção, como manter gatos e roedores fora das áreas de produção de alimentos e usar fontes de água com qualidade e adequadamente tratadas para os animais;

  • A indústria agrícola deve empregar boas práticas de produção para reduzir ou prevenir a contaminação.

Água

  • Consumo de água tratada: uma das principais formas de prevenção da doença é consumir água que tenha recebido o tratamento adequado. Por isso, é essencial dar preferência ao consumo de água 100% potável;

  • Fervura da água: quando não há garantia do tratamento adequado da água para consumo e limpeza de alimentos, é indicado o uso de filtros ou a fervura, por 5 minutos, como tratamento adicional, principalmente em situações de surto;

  • Limpeza de caixas de água: é importante realizar periodicamente a limpeza de reservatórios e caixa d’águas para a manutenção da potabilidade da água, assim como se deve manter a caixa-d’água bem vedada para minimizar os riscos de contaminação.

Referências

  • Dunay IR, Gajurel K, Dhakal R, et al. Tratamento da Toxoplasmose: Perspectiva Histórica, Modelos Animais e Prática Clínica Atual. Clin Microbiol Rev 2018; 31.

  • Ben-Harari RR, Goodwin E, Casoy J. Perfil de eventos adversos da terapia baseada em pirimetamina na toxoplasmose: uma revisão sistemática. Drogas R D 2017; 17:523.

  • Manual Técnico de Orientações sobre o manejo da toxoplasmose. Governo de Santa Catarina. Agosto, 2022.

Autoria e Curadoria

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