Toxoplasmose gestacional

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Espiramicina

Espiramicina comp. 500 mg

  • Tomar 2 cp,a cada 8 h, VO em jejum (3g/dia).


Considerações:

  • Se a infecção fetal for confirmada, e estiver com mais de 16 semanas de gestação, substituir para esquema tríplice.

  • Atinge altas concentrações no tecido placentário, mas não cruza a placenta, e tem como objetivo reduzir o risco de infecção fetal. 

  • Bem tolerada, porém podem ocorrer efeitos adversos, como: náuseas, vômitos, diarreia e reações cutâneas. 

  • Monitorização laboratorial não é necessária.

Esquema tríplice

 

Esquema:

  • Pirimetamina + Sulfadiazina + Ácido Folínico

Pirimetamina comp. 25 mg

  • Tomar 2 cp (50 mg) VO 1x/dia.
  • Observação: alguns protocolos mais antigos orientam 2 cp VO a cada 12 h nos dois primeiros dias, a partir do terceiro dia 2 cp VO 1x/dia.

Sulfadiazina comp. 500 mg

  • Tomar 2 cp, VO a cada 8 h ou 3 comprimidos a cada 12h. 

Ácido Folínico comp. 15 mg

  • Tomar 1 cp VO 1x/dia, durante o uso de pirimetamina (suspender 1 semana após a suspensão da pirimetamina).

 

Quando considerar infecção fetal?

  • PCR positivo na amniocentese OU,

  • Alterações sugestivas na ultrassonografia obstétrica (microcefalia, hidrocefalia, calcificações cerebrais, catarata, hepatomegalia) OU,

  • Quando a gestante for diagnosticada com infecção aguda por toxoplasmose no terceiro trimestre.

Como conduzir?

  • Quando houver achados compatíveis com infecção fetal:

    • O esquema tríplice deve ser mantido por toda a gestação, sem necessidade de suspender sulfadiazina 1 mês antes do parto.

  • Nas situações em que for descartada infecção fetal: 

    • Considerar retornar o esquema com espiramicina, que deve ser mantido até o parto.

Considerações:
  • O ácido fólico não deve substituir o ácido folínico.

  • Cruzam a barreira placentária e atingem altas concentrações nos tecidos fetais e, pelo risco de teratogênese, não devem ser prescritas no primeiro trimestre gestacional.

  • A pirimetamina é um antagonista do ácido fólico, podendo provocar supressão medular com anemia, leucopenia e trombocitopenia. 

  • O esquema tríplice também é bem tolerado, mas podem ocorrer náuseas, vômitos, dor abdominal, anorexia e sensação de boca amarga. Esses sintomas não impedem o tratamento. 

  • Reações cutâneas como exantemas papulares, vesiculares e bolhosos podem ocorrem em 2 a 3% dos casos, mas é muito raro o desenvolvimento da Síndrome de Stevens-Johnson.

  • A sulfadiazina pode provocar hemólise na presença de deficiência de G6PD.

  • Monitorização laboratorial de gestantes em uso de esquema tríplice é realizada por meio de hemograma com plaquetas, quinzenalmente.

 

Esquemas alternativos

Até 16 semanas:

  • Nenhuma opção disponível de medicação alternativa a espiramicina nesse período.


Após 16 semanas:

  • Opção 1:

    • Esquema: Sulfametoxazol-trimetoprima + Espiramicina

    • Sulfametoxazol-trimetoprima comp. 400+80mg ou 800+160mg

      • Tomar 2 cp (400+80) ou 1 cp (800+160) de 12/12h

    • Espiramicina comp. 500 mg

      • Tomar 2 cp,a cada 8 h, VO em jejum (3g/dia).

  • Opção 2:

    • Esquema: Azitromicina + Pirimetamina + Ácido Folínico

    • Azitromicina comp. 500mg

      • Tomar meio cp, uma vez ao dia.

    • Pirimetamina comp. 25 mg

      • Tomar 2 cp, uma vez ao dia.

    • Ácido Folínico comp. 15 mg

      • Tomar 1 cp, uma vez ao dia, durante o uso de pirimetamina (suspender 1 semana após a suspensão da pirimetamina).

Prevenção

Alimentos de origem animal e vegetal

  • Aquecer cortes inteiros de carne de porco, cordeiro, vitela ou vaca a pelo menos 65,6°C, com 3 minutos de repouso após o cozimento; carne moída e carne de caça selvagem a 71,1º C e aves a 73,9º C.

  • O cozimento de micro-ondas não é confiável para matar o protozoário nem inativar o oocisto.

  • Congelar carne a uma temperatura interna de -12º C.

  • Evitar a contaminação cruzada para outros alimentos lavando as mãos completamente após o manuseio de carnes cruas ou frutos do mar, assim como as tábuas de corte, pratos, bancadas e utensílios.

  • Frutos do mar, incluindo mariscos, devem ser bem cozidos.

  • Evite comer qualquer carne crua ou mal passada e carne crua curada;

  • Evite beber leite não pasteurizado e produtos lácteos feitos com leite não pasteurizado.

  • Lavar bem as frutas e legumes corretamente e com água adequadamente tratada antes de comê-las, antes mesmo de descascar;

  • Limpar as superfícies de cozimento e os utensílios após contato com frutas ou legumes não lavados;

  • A lavagem adequada de verduras, frutas e legumes inclui a escovação dos alimentos.

Meio ambiente

  • Cobrir as caixas de areia das crianças quando não estiverem jogando para evitar que os gatos as utilizem;

  • Não alimente gatos com carne crua ou mal passada;

  • Mude a caixa de areia dos gatos de estimação diariamente;

  • Mulheres grávidas e indivíduos com baixa imunidade devem evitar manusear as caixas de areia;

  • Ao trocar a areia ou realizar jardinagem, usar, quando possível, máscaras no rosto e luvas, além de lavar bem as mãos com sabão;

  • A indústria de carne deve empregar boas práticas de produção, como manter gatos e roedores fora das áreas de produção de alimentos e usar fontes de água com qualidade e adequadamente tratadas para os animais;

  • A indústria agrícola deve empregar boas práticas de produção para reduzir ou prevenir a contaminação.

Água

  • Consumo de água tratada: uma das principais formas de prevenção da doença é consumir água que tenha recebido o tratamento adequado. Por isso, é essencial dar preferência ao consumo de água 100% potável;

  • Fervura da água: quando não há garantia do tratamento adequado da água para consumo e limpeza de alimentos, é indicado o uso de filtros ou a fervura, por 5 minutos, como tratamento adicional, principalmente em situações de surto;

  • Limpeza de caixas de água: é importante realizar periodicamente a limpeza de reservatórios e caixa d’águas para a manutenção da potabilidade da água, assim como se deve manter a caixa-d’água bem vedada para minimizar os riscos de contaminação.

Referências

  • TeleCondutas: toxoplasmose gestacional e congênita [recurso eletrônico] / Universidade Federal do Rio Grande
    do Sul. Faculdade de Medicina. TelessaúdeRS. – 4. ed. – Porto Alegre: UFRGS, 2025.
  • Secretaria de Estado da Saúde - GOVERNO DE SANTA CATARINA. MANUAL TÉCNICO DE ORIENTAÇÕES SOBRE O MANEJO DA TOXOPLASMOSE. 2025.
  • Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia (FEBRASGO). Toxoplasmose e gravidez. São Paulo: FEBRASGO; 2021. (Protocolo FEBRASGO-Obstetrícia, n. 23/Comissão. Nacional Especializada em Medicina Fetal).

  • Manual técnico de orientações sobre o manejo da toxoplasmose. Governo de Santa Catarina, Secretaria de Estado da Saúde. 2022.

  • Ministério da Saúde (Brasil), Secretaria de Atenção Primária à Saúde, Departamento de Ações Programáticas, Departamento de Ações Programáticas. Manual de gestação de alto risco [Internet]. Brasília, DF: Ministério da Saúde; 2022.

  • Dunay IR, Gajurel K, Dhakal R, et al. Tratamento da Toxoplasmose: Perspectiva Ministério da Saúde (Brasil), Secretaria de Atenção Primária à Saúde, Departamento de Saúde Materno Infantil, Coordenação-Geral de Saúde Perinatal e Aleitamento Materno. 

  • Diretriz nacional para a conduta clínica, diagnóstico e tratamento da Toxoplasmose Adquirida na Gestação e Toxoplasmose Congênita. [Internet]. Brasília, DF: Ministério da Saúde; 2022.

  • Mandelbrot L. Congenital toxoplasmosis: What is the evidence for chemoprophylaxis to prevent fetal infection? Prenatal Diagnosis. dezembro de 2020.

  • Paquet C, Yudin MH. No. 285-Toxoplasmosis in Pregnancy: Prevention, Screening, and Treatment. Journal of Obstetrics and Gynaecology Canada. agosto de 2018.

 

Autoria e Curadoria

As informações contidas nesta página são de autoria da Equipe Editorial Médica do GPMED, composta por médicos especialistas de diversas áreas. Todo o conteúdo é estruturado rigorosamente com base em fontes bibliográficas de alto impacto e nas diretrizes oficiais vigentes, seguindo os preceitos da Medicina Baseada em Evidências. Nosso compromisso é oferecer ao médico uma base de consulta técnica, confiável e chancelada por profissionais experientes, garantindo máxima segurança no suporte à decisão clínica.