Mastite puerperal

CID 10: N61

Informações gerais

  • Infecção do tecido mamário que ocorre durante o período da amamentação.

  • Quadro clínico:

    • Dor, edema, hiperemia, aumento de calor local.

    • É possível evoluir para abscesso em região mamária, podendo ter associado a repercussão sistêmica (febre, calafrios e sepse).

  • Abscesso mamário:

    • Processo infeccioso agudo decorrente da mastite, com formação de lojas (únicas ou múltiplas), e que pode evoluir para necrose do tecido mamário, havendo dor intensa, ponto de flutuação à palpação, prostração, febre e queda do estado geral.

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Orientações e aleitamento

  • O esvaziamento eficaz e correto da mama é uma das medidas mais importantes no tratamento.

    • O aleitamento deve ser mantido, não havendo indicação de suspensão, mesmo em casos de abscesso.

    • A paciente deve ser encorajada a amamentar mais frequentemente, começando pela mama afetada e sempre realizar ordenha (manual ou com bomba) caso permaneça leite nas mamas, mantendo-as sempre esvaziadas.

  • Aplicar compressas (controverso):

    • Compressas frias: podem auxiliar no alívio da dor.

    • Compressas mornas: podem auxiliar no momento da ordenha, mas a Sociedade Brasileira de Mastologia contraindica o seu uso.

  • Alternativa às compressas frias, conforme recomendação do portal da Sociedade Brasileira de Mastologia:

    • Compressas de folhas de repolho verde

      • Passo 1: Lavar e secar algumas folhas de repolho verde. 

      • Passo 2: Colocar cada folha dentro de um saquinho plástico, levar ao congelador e retirar após 30 minutos (tempo necessário para congelamento). 

      • Passo 3: Retirar do saquinho e colocar uma folha sobre cada mama cortando a área do mamilo para que o mesmo fique exposto.

  • Uso de sutiã de suporte adequado.

  • Repouso e hidratação oral.

Antibioticoterapia ambulatorial

O uso de antibióticos será necessário caso a dor se agrave ou dure mais de 12 a 24 horas associada a hiperemia e sintomas sistêmicos.


Mastite simples:

  • Esquema:

    • Monoterapia com uma das opções abaixo.

    • Duração de 7 a 14 dias.

  • Cefadroxila comp. 500mg

    • Tomar 1 cp, VO, a cada 12 horas, por 7-14 dias.

  • Cefuroxima comp. 250 ou 500mg

    • Tomar 1 cp, VO, a cada 12 horas, por 7-14 dias.

  • Cefaclor comp. 250 ou 500mg

    • Tomar 1 cp, VO, a cada 8 horas, por 7-14 dias.

  • Cefalexina comp. 500mg 

    • Tomar 1 cp, VO, a cada 6 horas, por 7-14 dias.

  • Clindamicina comp. 300 mg  

    • Tomar 1 a 2 cp, VO, a cada 6 horas, por 7-14 dias.


Infecções por MRSA (S. aureus meticilina resistente):

  • Clindamicina comp. 600 mg 

    • Tomar 1 cp, VO, a cada 6 horas, por 7-14 dias.


Quando há suspeita de anaeróbio:

  • Metronidazol comp. 400mg

    • Tomar 1 cp, VO, a cada 8 horas, por 7-14 dias.

Antibioticoterapia hospitalar

Indicada para casos graves e/ou que necessitam de drenagem cirúrgica.


Casos moderados a graves e/ou necessidade de drenagem:

  • Esquema

    • Monoterapia com uma das opções abaixo.

    • Duração de 7 a 14 dias.

  • Oxacilina inj. 500mg/5ml

    • Aplicar 4 amp (de 500mg) + 100ml SF0,9%, IV, de 4/4h

  • Cefazolina pó inj. 1 g

    • Aplicar 2 amp (de1g) + 100ml SF0,9%,IV a cada 8 horas.

  • Clindamicina 300mg/2ml,

    • Aplicar 2 amp (600mg) + 100ml SF0,9%, IV, a cada 6 horas

    • Após 72 horas, alta com cefalexina 1 g a cada 6 horas, ou, amoxicilina com clavulanato 500+125mg de 8/8 horas por 10 dias.


Quando há suspeita de anaeróbio, associar:

  • Metronidazol inj. 500mg/100ml

    • Aplicar 1 bolsa (500mg) IV, de 8/8 horas, por 3 dias.

    • Após 72 horas, considerar:

      • Transição para via oral, com o seguinte esquema:

        • (Cefalexina OU Amoxicilina-clavulanato) + Clindamicina

      • Cefalexina comp. 500mg

        • Tomar 2 cp, VO, a cada 6 horas, por 7-14 dias

      • Amoxicilina +  clavulanato comp. 500+25mg 

        • Tomar 1 cp, VO, a cada 8 horas, por 7-14 dias.

      • Clindamicina comp. 300 mg  

        • Tomar 1 cp, VO, a cada 6 horas, por 10 dias.


Casos recidivantes: 

  • Vancomicina pó inj. 500mg ou 1g

    • Dose: 30mg/kg/dia, 12/12 ou 8/8h (max 60mg/kg/dia e max 2g/dose)

    • Ex. 70kg: 

      • Aplicar 2 amp (de 500mg) + 250 mL SF0,9% IV, de 12/12h, por 10 dias.


Observação:

  • Caso não haja melhora clínica de 24 a 48 horas, solicitar avaliação do infectologista.

Abscesso mamário

  • Antibioticoterapia conforme descrito nos tópicos acima, de preferência guiada por cultura e antibiograma.

  • Esvaziamento das lojas:

    • <5 cm: punção guiada por ultrassom.

    • >5 cm: drenagem cirúrgica e remoção de áreas necróticas, com dreno por 24 horas.

  • Se possível, o aleitamento deve ser mantido, embora algumas referências considerem que o aleitamento materno pode ser suspenso provisoriamente na mama afetada, com esvaziamento por ordenha manual, mecânica ou elétrica.

Mastite crônica (fístula láctea)

  • É uma complicação tardia que se instala meses após episódio de mastite ou abscesso.

  • O tratamento consiste na ressecção completa do sistema ductal afetado com cirurgia reparadora, além de uso de antibióticos no pré e pós operatório. 

  • Manejo geral:

    • Compressa fria local

    • Elevação das mamas

    • Ordenha manual a cada 3 horas

    • Realizar ultrassonografia

    • Drenagem cirúrgica diante de flutuação ou presença de coleção à ultrassonografia

    • Enviar o material para cultura e antibiograma. 

Sintomáticos

  • Ir para Manejo da dor.

  • Analgésicos simples (permitidos no aleitamento):

    • Dipirona 500mg ou 1g

      • Tomar 1 cp de 6/6h (max 4g por dia)

    • Paracetamol 500mg ou 750mg

      • Tomar 1 cp de 6/6h (max 4g por dia)

  • AINEs (permitidos no aleitamento - uso criterioso):

    • Ibuprofeno 200mg ou 300mg ou 400mg ou 600mg

      • Tomar 1 cp de 6/6h (max 3,2g por dia)

    • Diclofenaco 50mg

      • Tomar 1 cp de 8/8h (max 150mg por dia)

    • Cetoprofeno 50mg ou 100mg ou 150mg

      • Tomar 1 cp de 12/12h (max 300mg por dia)

    • Naproxeno comp. 250mg ou 500mg

      • Tomar 1 cp de 12/12h (max 1 a 1,5g por dia).

    • Naproxeno comp. revest. 275mg ou 550mg

      • Tomar 1 cp de 12/12 h (max 1 a 1,5g).

Referências

  • Mitchell K B, et al. Protocolo Clínico #36 ABM: O Espectro da Mastite, Revisado 2022.

  • Santos B A, et al. TRANSTORNOS DE LACTAÇÃO: MANEJOS CLÍNICOS NO TRATAMENTO DA MASTITE PUÉRPERAL Ciências da Saúde, Volume 27 - Edição 127/OUT 2023 / 08/11/2023.

  • Universidade Federal do Triângulo Mineiro, Hospital de Clínicas. Manejo da paciente com mastite puerperal. 2023.

  • Portal da Sociedade Brasileira de Mastologia, Regional São Paulo. Tratamento Mastite Lactacional. Atualização em 22/03/2021.

Autoria e Curadoria

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