Colecistite calculosa aguda

CID-10: K81
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Informações gerais

  • Inflamação da vesícula biliar, ocorre devido principalmente à complicação da doença do cálculo biliar.
  • Colecistite aguda:
    • Síndrome de dor no quadrante superior direito, febre e leucocitose associada à inflamação da vesícula biliar.
  • Colecistite crônica:
    • Infiltração de células inflamatórias crônicas da vesícula biliar vista na histopatologia.
  • Quadro clínico geral:
    • Caracterizado pela associação da dor com febre, anorexia, náusea e  vômito, além da presença do sinal de Murphy.
  • Achados laboratoriais:
    • Leucocitose com desvio para a esquerda, elevações leves nas aminotransferases séricas de amilase, juntamente com hiperbilirrubinemia e icterícia.
  • Elevação das concentrações séricas de bilirrubina total e fosfatase alcalina não é comum na colecistite aguda não complicada, uma vez que a obstrução é limitada à vesícula biliar; se presentes, devem levantar preocupações sobre obstrução biliar e condições como colangite, coledocolitíase ou síndrome de Mirizzi (cálculo biliar impactado no ducto cístico distal).

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Diagnóstico

  • Suspeita: paciente que apresente dor no quadrante superior direito ou epigástrica, febre e leucocitose. Podendo ter o sinal de Murphy positivo ao exame físico.

  • Diagnóstico: requer a demonstração de espessamento ou edema da parede da vesícula biliar, sinal de Murphy ultrassonográfico ou falha no enchimento da vesícula biliar durante a colecintilografia.

  • Deve-se excluir possíveis diagnósticos diferenciais:

    • Cólica biliar: dor no quadrante superior direito dura pelo menos 30 minutos, estabilizando-se dentro de uma hora, sintomas constitucionais estão ausentes e estudos laboratoriais são normais.

    • Colangite aguda:  dor no quadrante superior direito, febre e leucocitose; com evidência de colestase nos exames laboratoriais e dilatação biliar nos exames de imagem; 

    • Síndrome de Fitz-Hugh Curtis: mulheres com doença inflamatória pélvica aguda, a perihepatite pode causar dor abdominal no quadrante superior direito, porém o líquido pericolecístico em imagem pode ser confundido com colecistite aguda, mas a cintilografia com ácido iminodiacético hepático é negativa.

Manejo geral

  • Internação hospitalar e jejum.

  • Hidratação venosa e correção de distúrbios eletrolíticos.

  • Controle da dor.

  • Início de antibióticos de amplo espectro (após a coleta de hemoculturas).

  • Colecistectomia.

Antibioticoterapia

As doses descritas abaixo consideram um paciente com função renal normal. Em caso de alteração da função renal, consulte a nossa calculadora de correção de dose para função renal.


Adquirida na comunidade de baixo a moderado risco:

  • Quando?

    • Quadro clínico leve a moderado, na ausência de risco para bactéria resistente e ausência de risco de falha no tratamento.

  • Esquema:

  • Opção 1: monoterapia com piperacilina-tazobactam.

  • Opção 2: metronidazol + (cefazolina OU cefuroxima OU ceftriaxona OU cefotaxima OU ciprofloxacino OU levofloxacino).

  • Piperacilina-tazobactam pó inj. 4+0,5g

    • Aplicar 1 amp + 150 mL SF0,9%, IV a cada 6h

  • Cefazolina pó inj. 1 g

    • Aplicar 2 amp (2g) + 100ml SF0,9%, IV a  cada 8h.

  • Cefuroxima pó inj. 750mg

    • Diluir 2 amp + 100 mL SF0,9%, IV a cada 8h.

  • Ceftriaxona pó inj. 500mg ou 1g 

    • Aplicar 2g + 40ml SF0,9%, IV em 30 min, a cada 24h.

  • Cefotaxima pó inj. 500mg ou 1g

    • Aplicar 2g + 40 a 100ml SF0,9%, IV em 20-50 min, a cada 8h.

  • Ciprofloxacino comp. 500mg

    • Tomar 1 cp a cada 12h.

  • Ciprofloxacino inj. 400mg/200ml

    • Aplicar 1 bolsa (de 400mg) IV a cada 12h,

  • Levofloxacino inj. 500mg/100mL ou 750mg/150mL

    • Aplicar 1 bolsa (750mg) IV em 60-90 min, a cada 24h.

  • Levofloxacino 250mg ou 500mg ou 750mg

    • Tomar 1 cp (de 500mg), a cada 24h.

  • Metronidazol 500mg/100ml

    • Aplicar 1 bolsa (500mg), IV a cada 8h.

  • Metronidazol comp 250 ou 400mg

    • Tomar 1 cp (de 400mg) a cada 8h.


Adquirida na comunidade de alto risco:

  • Quando?

    • Quadro clínico grave ou risco de bactéria resistente ou risco de desfechos desfavoráveis.

  • Esquema:

  • Opção 1: monoterapia com piperacilina-tazobactam OU imipenem OU meropenem.

  • Opção 2: metronidazol + (cefepime OU ceftazidima).

  • Piperacilina-tazobactam pó inj. 4+0,5g

    • Aplicar 1 amp + 150 mL SF0,9%, IV a cada 6h.

  • Imipenem pó inj. 500mg

    • Aplicar 1 amp + 100ml SF0,9% IV a cada 6h.

  • Meropenem pó inj 500mg ou 1g

    • Aplicar 1 amp (1g) + 100ml SF0,9% IV 30min, a cada 8h.

  • Cefepime pó inj. 1g ou 2g

    • Aplicar 1 amp (de 2g) + 100ml SF0,9% IV a cada 8h.

  • Ceftazidima pó inj. 1g

    • Aplicar 2 amp + 50ml SF0,9%, IV em 30 min, a cada 8h.

  • Metronidazol inj. 500mg/100ml

    • Aplicar 1 bolsa (500mg), IV a cada 8h.

  • Metronidazol comp 250 ou 400mg

    • Tomar 1 cp (de 400mg), IV a cada 8h.


Associada à assistência à saúde:

  • Quando?

    • Quadro clínico grave ou risco de bactéria resistente ou risco de desfechos desfavoráveis.

  • Esquema:

  • Opção 1: monoterapia com piperacilina-tazobactam OU imipenem OU meropenem.

  • Opção 2: metronidazol + (cefepime OU ceftazidima) + *(ampicilina OU vancomicina).

  • Observação:

    • *A ampicilina ou vancomicina são indicadas para cobertura enterocócica em casos de infecção pós-operatória, uso prévio de antibióticos que selecionam enterococcus, imunossupressão, valvopatia cardíaca ou materiais intravasculares protéticos.

  • Piperacilina-tazobactam pó inj. 4+0,5g

    • Aplicar 1 amp + 150 mL SF0,9%, IV a cada 6h.

  • Imipenem pó inj. 500mg

    • Aplicar 1 amp + 100ml SF0,9% IV a cada 6h.

  • Meropenem pó inj 500mg ou 1g

    • Aplicar 1 amp (1g) + 100ml SF0,9% IV 30min, a cada 8h.

  • Cefepime pó inj. 1g ou 2g

    • Aplicar 1 amp (de 2g) + 100ml SF0,9% IV a cada 8h

  • Ceftazidima pó inj. 1g

    • Aplicar 2 amp + 50ml SF0,9%, IV em 30 min, a cada 8h

  • Metronidazol 500mg/100ml

    • Aplicar 1 bolsa (500mg), IV, de 8/8h

  • Metronidazol comp 250 ou 400mg

    • Tomar 1 cp (de 400mg) de 8/8h

  • Ampicilina pó inj. 250mg ou 500mg ou 1g

    • Aplicar 2 amp (de 1g) + 100ml SF0,9%, IV a cada 4 horas.

  • Vancomicina pó inj. 500mg ou 1g

    • Dose: 30mg/kg/dia, dividido a cada 8-12h (max 60mg/kg/dia e max 2g/dose)

    • Exemplo 70 kg:

      • Aplicar 2 amp (de 500mg) + 250mL SF0,9%, IV a cada 12h.


Considerações:

  • Após a obtenção dos resultados das culturas, a antibioticoterapia deve ser guiada conforme a suscetibilidade apresentada.

  • A duração da antibioticoterapia deve ser individualizada e analisada de acordo com a resposta e estabilidade clínica do paciente, devendo ser prolongada por, pelo menos, mais 4 a 5 dias após o controle da infecção.

Colecistectomia de emergência

A colecistectomia de emergência está indicada nos seguinte casos:

  • Gangrena/necrose da vesícula biliar.
  • Perfuração.
  • Colecistite enfisematosa.

Observação:

  • Sintomas e sinais progressivos, como febre alta, instabilidade hemodinâmica ou dor intratável, indicam progressão da doença e a possibilidade de haver gangrena, perfuração da vesícula biliar e/ou sepse.

Casos especiais

Pacientes candidatos a cirurgia porém sem condições para cirurgia:

  • Deve-se considerar tratamento inicial não operatório em vez de colecistectomia imediata.
  • Antibióticos para todos os pacientes.
  • Drenagem da vesícula biliar, quando indicado:
    • Pacientes sépticos devem ser submetidos a drenagem urgente da vesícula biliar.
    • Pacientes que não respondem a antibioticoterapia por 1-3 dias.
  • Após a resolução da colecistite, o risco cirúrgico do paciente deve ser reavaliado e, se possível, devem ser submetido à colecistectomia eletiva.

Referências

  • Okamoto K, Suzuki K, Takada T, et al., Diretrizes de Tóquio 2018: fluxograma para o manejo da colecistite aguda. J Hepatobiliar Pancreat Sci 2018; 25:55.

  • Gallaher JR, Charles A. Colecistite aguda: uma revisão. JAMA 2022; 327:965.

Autoria e Curadoria

As informações contidas nesta página são de autoria da Equipe Editorial Médica do GPMED, composta por médicos especialistas de diversas áreas. Todo o conteúdo é estruturado rigorosamente com base em fontes bibliográficas de alto impacto e nas diretrizes oficiais vigentes, seguindo os preceitos da Medicina Baseada em Evidências. Nosso compromisso é oferecer ao médico uma base de consulta técnica, confiável e chancelada por profissionais experientes, garantindo máxima segurança no suporte à decisão clínica.