Colecistite acalculosa aguda

CID-10: K81
Outros temas:

Informações gerais

  • A colecistite acalculosa aguda resulta da estase e isquemia da vesícula biliar, que causam uma resposta inflamatória local na parede da vesícula biliar, mesmo na ausência de litíase.

  • Quadro clínico:

    • Pode variar de acordo com a gravidade da doença e condições subjacentes.

    • Febre sem foco aparente, massa palpável no quadrante superior direito e raramente icterícia.

  • Quando suspeitar?

    • Pacientes gravemente enfermos com sepse sem fonte clara ou icterícia, e em pacientes com icterícia pós-operatória.

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Abordagem geral

  • Internação hospitalar e jejum.

  • Hidratação venosa e correção de distúrbios eletrolíticos.

  • Controle da dor.

  • Início de antibióticos de amplo espectro (após a coleta de hemoculturas).

  • Colecistectomia ou drenagem da vesícula biliar.

Antibioticoterapia

As doses descritas abaixo consideram um paciente com função renal normal. Em caso de alteração da função renal, consulte a nossa calculadora de correção de dose para função renal.


Adquirida na comunidade de baixo a moderado risco:

  • Quando?

    • Quadro clínico leve a moderado, na ausência de risco para bactéria resistente e ausência de risco de falha no tratamento.

  • Esquema:

  • Opção 1: monoterapia com piperacilina-tazobactam.

  • Opção 2: metronidazol + (cefazolina OU cefuroxima OU ceftriaxona OU cefotaxima OU ciprofloxacino OU levofloxacino).

  • Piperacilina-tazobactam pó inj. 4+0,5g

    • Aplicar 1 amp + 150 mL SF0,9%, IV a cada 6h

  • Cefazolina pó inj. 1 g

    • Aplicar 2 amp (2g) + 100ml SF0,9%, IV a  cada 8h.

  • Cefuroxima pó inj. 750mg

    • Diluir 2 amp + 100 mL SF0,9%, IV a cada 8h.

  • Ceftriaxona pó inj. 500mg ou 1g 

    • Aplicar 2g + 40ml SF0,9%, IV em 30 min, a cada 24h.

  • Cefotaxima pó inj. 500mg ou 1g

    • Aplicar 2g + 40 a 100ml SF0,9%, IV em 20-50 min, a cada 8h.

  • Ciprofloxacino comp. 500mg

    • Tomar 1 cp a cada 12h.

  • Ciprofloxacino inj. 400mg/200ml

    • Aplicar 1 bolsa (de 400mg) IV a cada 12h,

  • Levofloxacino inj. 500mg/100mL ou 750mg/150mL

    • Aplicar 1 bolsa (750mg) IV em 60-90 min, a cada 24h.

  • Levofloxacino 250mg ou 500mg ou 750mg

    • Tomar 1 cp (de 500mg), a cada 24h.

  • Metronidazol 500mg/100ml

    • Aplicar 1 bolsa (500mg), IV a cada 8h.

  • Metronidazol comp 250 ou 400mg

    • Tomar 1 cp (de 400mg) a cada 8h.


Adquirida na comunidade de alto risco:

  • Quando?

    • Quadro clínico grave ou risco de bactéria resistente ou risco de desfechos desfavoráveis.

  • Esquema:

  • Opção 1: monoterapia com piperacilina-tazobactam OU imipenem OU meropenem.

  • Opção 2: metronidazol + (cefepime OU ceftazidima).

  • Piperacilina-tazobactam pó inj. 4+0,5g

    • Aplicar 1 amp + 150 mL SF0,9%, IV a cada 6h.

  • Imipenem pó inj. 500mg

    • Aplicar 1 amp + 100ml SF0,9% IV a cada 6h.

  • Meropenem pó inj 500mg ou 1g

    • Aplicar 1 amp (1g) + 100ml SF0,9% IV 30min, a cada 8h.

  • Cefepime pó inj. 1g ou 2g

    • Aplicar 1 amp (de 2g) + 100ml SF0,9% IV a cada 8h.

  • Ceftazidima pó inj. 1g

    • Aplicar 2 amp + 50ml SF0,9%, IV em 30 min, a cada 8h.

  • Metronidazol inj. 500mg/100ml

    • Aplicar 1 bolsa (500mg), IV a cada 8h.

  • Metronidazol comp 250 ou 400mg

    • Tomar 1 cp (de 400mg), IV a cada 8h.


Associada à assistência à saúde:

  • Quando?

    • Quadro clínico grave ou risco de bactéria resistente ou risco de desfechos desfavoráveis.

  • Esquema:

  • Opção 1: monoterapia com piperacilina-tazobactam OU imipenem OU meropenem.

  • Opção 2: metronidazol + (cefepime OU ceftazidima) + *(ampicilina OU vancomicina).

  • Observação:

    • *A ampicilina ou vancomicina são indicadas para cobertura enterocócica em casos de infecção pós-operatória, uso prévio de antibióticos que selecionam enterococcus, imunossupressão, valvopatia cardíaca ou materiais intravasculares protéticos.

  • Piperacilina-tazobactam pó inj. 4+0,5g

    • Aplicar 1 amp + 150 mL SF0,9%, IV a cada 6h.

  • Imipenem pó inj. 500mg

    • Aplicar 1 amp + 100ml SF0,9% IV a cada 6h.

  • Meropenem pó inj 500mg ou 1g

    • Aplicar 1 amp (1g) + 100ml SF0,9% IV 30min, a cada 8h.

  • Cefepime pó inj. 1g ou 2g

    • Aplicar 1 amp (de 2g) + 100ml SF0,9% IV a cada 8h

  • Ceftazidima pó inj. 1g

    • Aplicar 2 amp + 50ml SF0,9%, IV em 30 min, a cada 8h

  • Metronidazol 500mg/100ml

    • Aplicar 1 bolsa (500mg), IV, de 8/8h

  • Metronidazol comp 250 ou 400mg

    • Tomar 1 cp (de 400mg) de 8/8h

  • Ampicilina pó inj. 250mg ou 500mg ou 1g

    • Aplicar 2 amp (de 1g) + 100ml SF0,9%, IV a cada 4 horas.

  • Vancomicina pó inj. 500mg ou 1g

    • Dose: 30mg/kg/dia, dividido a cada 8-12h (max 60mg/kg/dia e max 2g/dose)

    • Exemplo 70 kg:

      • Aplicar 2 amp (de 500mg) + 250mL SF0,9%, IV a cada 12h.


Considerações:

  • Após a obtenção dos resultados das culturas, a antibioticoterapia deve ser guiada conforme a suscetibilidade apresentada.

  • A duração da antibioticoterapia deve ser individualizada e analisada de acordo com a resposta e estabilidade clínica do paciente, devendo ser prolongada por, pelo menos, mais 4 a 5 dias após o controle da infecção.

Intervenção

Colecistectomia ou drenagem da vesícula biliar?

  • Depende do estado geral do paciente, do estágio da doença e da experiência local disponível:

  • Pacientes com uma das indicações para uma colecistectomia de emergência só podem ser tratados com colecistectomia:

    • Necrose da vesícula biliar

    • Colecistite enfisematosa

    • Perfuração da vesícula biliar

  • Pacientes sem indicação de colecistectomia de emergência, gravemente enfermos, com múltiplas comorbidades ou inelegíveis para anestesia geral devem ser tratados com drenagem da vesícula biliar. 

  • Pacientes sem indicação de colecistectomia de emergência que são de baixo risco cirúrgico e anestésico podem ser tratados com colecistectomia ou drenagem da vesícula biliar. 

  • Caso haja falha na melhora clínica após a drenagem (febre e sinais de sepse persistentes), a colecistectomia é necessária.

Referências

  • Solomkin JS, Mazuski JE, Bradley JS, et al. Diagnóstico e manejo da infecção intra-abdominal complicada em adultos e crianças: diretrizes da Surgical Infection Society e da Infectious Diseases Society of America. Clin Infect Dis 2010; 50:133.
  • Okamoto K, Suzuki K, Takada T, et al., Diretrizes de Tóquio 2018: fluxograma para o manejo da colecistite aguda. J Hepatobiliar Pancreat Sci 2018; 25:55.

Autoria e Curadoria

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