Colelitíase

CID-10: K80
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Considerações gerais

  • A presença de cálculos na vesícula biliar pode ser assintomática ou sintomática.

  • Sintomas típicos (cólica biliar): 

    • Desconforto intenso pode ser constante que incomoda no quadrante superior direito, epigástrio ou área subesternal que pode irradiar para as costas (escápula direita); podendo estar associada a diaforese, náuseas e vômitos. Pode ser desencadeada por refeições gordurosas, no qual a dor surge no pós prandial com duração em torno de 30 min.

  • Sintomas atípicos:

    • Eructações, plenitude após as refeições/saciedade precoce, regurgitação, distensão/distensão abdominal, queimação epigástrica ou retroesternal, náuseas ou vômitos sozinhos, dor no peito, dor abdominal inespecífica.

    • Pacientes com sintomas atípicos sem cólica biliar associada devem ser avaliados para diagnósticos alternativos, mesmo que os cálculos biliares sejam demonstrados em exames de imagem.

  • Exames laboratoriais:

    • É esperado que os exames laboratoriais sejam normais.

    • Caso sujam alterações como leucocitose, aumento de enzimas hepáticas ou pancreáticas, deve-se levantar a suspeita do desenvolvimento de uma complicação.

  • Complicações da colelitíase:

    • Colecistite aguda, coledocolitíase, pancreatite biliar, colangite aguda, íleo paralítico biliar, síndrome de Mirizzi e câncer de vesícula biliar.

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Sintomáticos

Colecistectomia eletiva:

  • A colecistectomia videolaparoscópica (preferência) ou aberta é indicada para os casos de colelitíase sintomática.

Pacientes não candidatos a cirurgia:

  • Considerar terapia oral de dissolução de ácidos biliares.
  • Devem ter todas as seguintes características:
    • Tamanho pequeno da pedra (<1 cm);
    • Calcificação mínima de cálculos e alta concentração de colesterol;
    • Sintomas leves de doença de cálculo biliar não complicada (cólica biliar);
    • Ducto cístico patente;
    • Boa função de concentração da mucosa da vesícula biliar.
  • Ácido ursodesoxicólico (Ursacol®) comp. 50mg ou 150mg ou 300mg
    • Dose: 5 a 10 mg/kg/dia (máx 600-1.200mg/dia), divididos em 2 a 3x ao dia.
    • Monitoramento: ultrassom abdominal a cada 6 a 12 meses para avaliar a resposta ao tratamento de dissolução.
    • Manter por pelo menos 6 meses após a ultrassonografia demonstrar a depuração dos cálculos biliares.
    • O tratamento não deve superar 2 anos de duração.

Controle dos sintomas:


AINEs via oral

  • Ibuprofeno 200mg ou 300mg ou 400mg ou 600mg

    • Tomar 1 cp de 6/6h (max 3,2g por dia), OU

  • Diclofenaco 50mg

    • Tomar 1 cp de 8/8h (max 150mg por dia), OU

  • Cetoprofeno 50mg ou 100mg ou 150mg

    • Tomar 1 cp de 12/12h (max 300mg por dia), OU

  • Naproxeno comp. 250mg ou 500mg

    • Tomar 1 cp de 12/12h (max 1 a 1,5g por dia), OU

  • Nimesulida 100mg

    • Tomar 1 cp de 12/12h (max 400mg/dia).


AINEs parenteral

  • Diclofenaco inj. 75mg/3ml

    • Aplicar 1 amp (75mg), IM (max 75mg por dia), OU

  • Cetoprofeno inj. 100mg/2ml

    • Aplicar 1 amp (100mg) IM (max de 300mg por dia), OU

  • Cetoprofeno pó inj. 100mg

    • Aplicar 1 amp + 100 ml de SF0,9%, IV (max 300mg por dia), OU

  • Tenoxicam 20mg/2ml ou 40mg/2ml

    • Aplicar 1 amp (20mg), IV ou IM (max 40mg por dia).


Antieméticos via oral

  • Bromoprida (Plamet®) comp. 10mg

    • Tomar 1 cp (10 mg) de 8/8h, se náuseas ou vômitos (max 60mg/dia), OU

  • Metoclopramida (Plasil®) comp. 10mg

    • Tomar 1 cp (10 mg) de 8/8h, se náuseas ou vômitos (max 30mg/dia), OU

  • Ondansetrona (Vonau®) comp. 4mg ou 8mg

    • Tomar 1 cp (4 mg) de 8/8h ou 1 cp (8mg) de 12/12h, se náuseas ou vômitos (max 24mg/dia)


Antieméticos parenteral

  • Bromoprida (Plamet®) inj. 10mg/2ml

    • Aplicar 1 amp (10mg) + 100ml SF0,9% IV de 8/8h, S/N (max 30mg/dia).

    • Aplicar 1 amp (10mg) IM, de até 8/8h, S/N (max 30 mg/dia), OU

  • Metoclopramida (Plasil®) inj. 10mg/2ml

    • Aplicar 1 amp (10mg) + 100ml SF0,9% IV de 8/8h, S/N (max 30mg/dia).

    • Aplicar 1 amp (10mg) IM, de até 8/8h, S/N (max 30 mg/dia), OU

  • Ondansetrona (Nausedron®) inj. 4mg/2ml ou 8mg/4ml

    • Aplicar 1 amp + 100ml SF0,9% IV de 8/8h ou 12/12h (max 24mg/dia).

    • Aplicar 1 amp IM, em até 8-12h, S/N (max 24mg/dia), OU

  • Dimenidrinato + Piridoxina inj. (Dramin® B6 DL) 30+50mg/10mL

    • Aplicar 1 amp + 10ml SF0,9% IV bolus lento (5 min) ou diluído em 100 mL SF0,9%, de até 6/6h (max 300 mg/dia).

    • Aplicar 1 amp IM, em até 4-6h, S/N (max 300 mg/dia).

Observação:
  • Nos casos de cólica biliar típica, mas sem cálculos biliares na ultrassonografia, o ultrassom transabdominal deve ser repetido em algumas semanas para confirmação.

Assintomáticos

A colecistectomia deve ser indicada para paciente com colelitíase assintomática apenas em casos selecionados:

  • Risco aumentado de câncer de vesícula biliar:

    • Adenomas / pólipos da vesícula biliar.

    • Cálculos biliares grandes (maiores que 3 cm).

    • Vesícula biliar em porcelana.

    • Drenagem ductal pancreática anômala (ducto pancreático drena para o ducto biliar comum).

  • Distúrbios hemolíticos:

    • Doença falciforme e esferocitose hereditária.


Pacientes com colelitíase assintomática e que não apresentam os critérios acima:

  • Podem receber conduta expectante, sem realização de colecistectomia.

  • Os pacientes devem ser instruídos quanto aos possíveis sintomas e a buscar atendimento caso estes surjam.

Colelitíase complicada

Nos casos em que há piora clínica e/ou presença de sinais e sintomas que sugerem quadro infeccioso, deve-se suspeitar e investigar as possíveis complicações:

  • Coledocolitíase, pancreatite biliar, colangite aguda, íleo paralítico biliar, síndrome de Mirizzi e câncer de vesícula biliar.

  • Sendo a Colecistite calculosa aguda uma das principais e mais comuns.

Referências

  • Johnson CD. ABC do trato gastrointestinal superior. Dor abdominal superior: Vesícula biliar. BMJ 2001; 323:1170. 

  • Warttig S, Ward S, Rogers G, Grupo de Desenvolvimento de Diretrizes. Diagnóstico e tratamento da doença do cálculo biliar: resumo das orientações do NICE. BMJ 2014; 349:g6241.

  • YOO, K.-S. Management of Gallstone. The Korean Journal of Gastroenterology, v. 71, n. 5, p. 253, 2018. 

  • COSTANZO, M. L. et al. Acute Cholecystitis from Biliary Lithiasis: Diagnosis, Management and Treatment. Antibiotics, v. 12, n. 3, p. 482, 28 fev. 2023. 

  • Naufel Junior CR, Coelho GA, Peixoto IL, Araújo KWCS. Manejo da colelitíase e da colecistite aguda. In: Sociedade Brasileira de Clínica Médica; Lopes AC, José FF, Vendrame LS, organizadores. PROTERAPÊUTICA Programa de Atualização em Terapêutica: Ciclo 10. Porto Alegre: Artmed Panamericana; 2022. p. 71–100.

Autoria e Curadoria

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