Colelitíase
Considerações gerais
A presença de cálculos na vesícula biliar pode ser assintomática ou sintomática.
Sintomas típicos (cólica biliar):
Desconforto intenso pode ser constante que incomoda no quadrante superior direito, epigástrio ou área subesternal que pode irradiar para as costas (escápula direita); podendo estar associada a diaforese, náuseas e vômitos. Pode ser desencadeada por refeições gordurosas, no qual a dor surge no pós prandial com duração em torno de 30 min.
Sintomas atípicos:
Eructações, plenitude após as refeições/saciedade precoce, regurgitação, distensão/distensão abdominal, queimação epigástrica ou retroesternal, náuseas ou vômitos sozinhos, dor no peito, dor abdominal inespecífica.
Pacientes com sintomas atípicos sem cólica biliar associada devem ser avaliados para diagnósticos alternativos, mesmo que os cálculos biliares sejam demonstrados em exames de imagem.
Exames laboratoriais:
É esperado que os exames laboratoriais sejam normais.
Caso sujam alterações como leucocitose, aumento de enzimas hepáticas ou pancreáticas, deve-se levantar a suspeita do desenvolvimento de uma complicação.
Complicações da colelitíase:
Colecistite aguda, coledocolitíase, pancreatite biliar, colangite aguda, íleo paralítico biliar, síndrome de Mirizzi e câncer de vesícula biliar.
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Sintomáticos
Colecistectomia eletiva:
- A colecistectomia videolaparoscópica (preferência) ou aberta é indicada para os casos de colelitíase sintomática.
Pacientes não candidatos a cirurgia:
- Considerar terapia oral de dissolução de ácidos biliares.
- Devem ter todas as seguintes características:
- Tamanho pequeno da pedra (<1 cm);
- Calcificação mínima de cálculos e alta concentração de colesterol;
- Sintomas leves de doença de cálculo biliar não complicada (cólica biliar);
- Ducto cístico patente;
- Boa função de concentração da mucosa da vesícula biliar.
- Ácido ursodesoxicólico (Ursacol®) comp. 50mg ou 150mg ou 300mg
- Dose: 5 a 10 mg/kg/dia (máx 600-1.200mg/dia), divididos em 2 a 3x ao dia.
- Monitoramento: ultrassom abdominal a cada 6 a 12 meses para avaliar a resposta ao tratamento de dissolução.
- Manter por pelo menos 6 meses após a ultrassonografia demonstrar a depuração dos cálculos biliares.
- O tratamento não deve superar 2 anos de duração.
Controle dos sintomas:
- Ir para Manejo da dor
- Ir para Náuseas e vômitos
AINEs via oral
Ibuprofeno 200mg ou 300mg ou 400mg ou 600mg
Tomar 1 cp de 6/6h (max 3,2g por dia), OU
Diclofenaco 50mg
Tomar 1 cp de 8/8h (max 150mg por dia), OU
Cetoprofeno 50mg ou 100mg ou 150mg
Tomar 1 cp de 12/12h (max 300mg por dia), OU
Naproxeno comp. 250mg ou 500mg
Tomar 1 cp de 12/12h (max 1 a 1,5g por dia), OU
Nimesulida 100mg
Tomar 1 cp de 12/12h (max 400mg/dia).
AINEs parenteral
Diclofenaco inj. 75mg/3ml
Aplicar 1 amp (75mg), IM (max 75mg por dia), OU
Cetoprofeno inj. 100mg/2ml
Aplicar 1 amp (100mg) IM (max de 300mg por dia), OU
Cetoprofeno pó inj. 100mg
Aplicar 1 amp + 100 ml de SF0,9%, IV (max 300mg por dia), OU
Tenoxicam 20mg/2ml ou 40mg/2ml
Aplicar 1 amp (20mg), IV ou IM (max 40mg por dia).
Antieméticos via oral
Bromoprida (Plamet®) comp. 10mg
Tomar 1 cp (10 mg) de 8/8h, se náuseas ou vômitos (max 60mg/dia), OU
Metoclopramida (Plasil®) comp. 10mg
Tomar 1 cp (10 mg) de 8/8h, se náuseas ou vômitos (max 30mg/dia), OU
Ondansetrona (Vonau®) comp. 4mg ou 8mg
Tomar 1 cp (4 mg) de 8/8h ou 1 cp (8mg) de 12/12h, se náuseas ou vômitos (max 24mg/dia)
Antieméticos parenteral
Bromoprida (Plamet®) inj. 10mg/2ml
Aplicar 1 amp (10mg) + 100ml SF0,9% IV de 8/8h, S/N (max 30mg/dia).
Aplicar 1 amp (10mg) IM, de até 8/8h, S/N (max 30 mg/dia), OU
Metoclopramida (Plasil®) inj. 10mg/2ml
Aplicar 1 amp (10mg) + 100ml SF0,9% IV de 8/8h, S/N (max 30mg/dia).
Aplicar 1 amp (10mg) IM, de até 8/8h, S/N (max 30 mg/dia), OU
Ondansetrona (Nausedron®) inj. 4mg/2ml ou 8mg/4ml
Aplicar 1 amp + 100ml SF0,9% IV de 8/8h ou 12/12h (max 24mg/dia).
Aplicar 1 amp IM, em até 8-12h, S/N (max 24mg/dia), OU
Dimenidrinato + Piridoxina inj. (Dramin® B6 DL) 30+50mg/10mL
Aplicar 1 amp + 10ml SF0,9% IV bolus lento (5 min) ou diluído em 100 mL SF0,9%, de até 6/6h (max 300 mg/dia).
Aplicar 1 amp IM, em até 4-6h, S/N (max 300 mg/dia).
Nos casos de cólica biliar típica, mas sem cálculos biliares na ultrassonografia, o ultrassom transabdominal deve ser repetido em algumas semanas para confirmação.
Assintomáticos
A colecistectomia deve ser indicada para paciente com colelitíase assintomática apenas em casos selecionados:
Risco aumentado de câncer de vesícula biliar:
Adenomas / pólipos da vesícula biliar.
Cálculos biliares grandes (maiores que 3 cm).
Vesícula biliar em porcelana.
Drenagem ductal pancreática anômala (ducto pancreático drena para o ducto biliar comum).
Distúrbios hemolíticos:
Doença falciforme e esferocitose hereditária.
Pacientes com colelitíase assintomática e que não apresentam os critérios acima:
Podem receber conduta expectante, sem realização de colecistectomia.
Os pacientes devem ser instruídos quanto aos possíveis sintomas e a buscar atendimento caso estes surjam.
Colelitíase complicada
Nos casos em que há piora clínica e/ou presença de sinais e sintomas que sugerem quadro infeccioso, deve-se suspeitar e investigar as possíveis complicações:
Coledocolitíase, pancreatite biliar, colangite aguda, íleo paralítico biliar, síndrome de Mirizzi e câncer de vesícula biliar.
Sendo a Colecistite calculosa aguda uma das principais e mais comuns.
Referências
Johnson CD. ABC do trato gastrointestinal superior. Dor abdominal superior: Vesícula biliar. BMJ 2001; 323:1170.
Warttig S, Ward S, Rogers G, Grupo de Desenvolvimento de Diretrizes. Diagnóstico e tratamento da doença do cálculo biliar: resumo das orientações do NICE. BMJ 2014; 349:g6241.
YOO, K.-S. Management of Gallstone. The Korean Journal of Gastroenterology, v. 71, n. 5, p. 253, 2018.
COSTANZO, M. L. et al. Acute Cholecystitis from Biliary Lithiasis: Diagnosis, Management and Treatment. Antibiotics, v. 12, n. 3, p. 482, 28 fev. 2023.
Naufel Junior CR, Coelho GA, Peixoto IL, Araújo KWCS. Manejo da colelitíase e da colecistite aguda. In: Sociedade Brasileira de Clínica Médica; Lopes AC, José FF, Vendrame LS, organizadores. PROTERAPÊUTICA Programa de Atualização em Terapêutica: Ciclo 10. Porto Alegre: Artmed Panamericana; 2022. p. 71–100.


