Fibromialgia no Adulto
CID-10: M79.7
Definição
A fibromialgia (FM) é uma condição marcada por dor musculoesquelética crônica e generalizada, frequentemente associada a fadiga, distúrbios do sono, sintomas cognitivos e hipersensibilidade a estímulos externos.
Cujo a duração é superior a três meses, mas sem indícios de inflamação nas áreas afetadas.
Afeta principalmente mulheres entre 30 e 60 anos e pode impactar significativamente a qualidade de vida.
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Quadro clínico
Dor musculoesquelética difusa e crônica, envolvendo o esqueleto axial e periférico
Difícil localizar a dor, mas geralmente em locais peri-articulares
Caráter da dor pode ser variável (queimação, pontada ou peso)
Agravamento da dor pelo frio, ansiedade e depressão
Distúrbios de sono
Fadiga persistente e sono não reparador.
Alterações cognitivas (dificuldade de concentração e memória).
Hiperalgesia e alodinia.
Sintomas associados: Depressão, ansiedade, síndrome do intestino irritável.
Diagnóstico
O diagnóstico (FM) é clínico, com anamnese e exame físico bem detalhados, somados a exames laboratoriais para exclusão de outras patologias que cursam com sintomas parecidos.
Baseado nos critérios do American College of Rheumatology (ACR 2016):
Dor generalizada por pelo menos 3 meses (escore WPI ≥ 7 e SS ≥ 5, ou WPI entre 4-6 e SS ≥ 9).
Fadiga, distúrbios do sono e sintomas cognitivos.
Ausência de outra condição que explique os sintomas.
Exames laboratoriais (para excluir diagnósticos diferenciais):
VHS e PCR (excluir processos inflamatórios).
TSH e T4 livre (excluir hipotireoidismo).
Hemograma e perfil bioquímico (anemia, doenças metabólicas).
Esses marcadores precisam estar normais
Tratamento não farmacológico
Exercícios físicos musculoesqueléticos pelo menos duas vezes por semana.
Exercícios aeróbicos moderadamente intensos 2 a 3 vezes por semana.
Higiene do sono.
Terapia cognitivo-comportamental.
Mindfulness e técnicas de relaxamento.
Acupuntura e fisioterapia multimodal.
Tratamento farmacológico
Esquema de 1º linha:
Analgésico E/OU ciclobenzaprina E/OU amitriptilina
A escolha dependerá de fatores individuais como: comorbidade e tipos de sintomas predominantes (dor, sono).
Se dor refratária, considerar associação de tramadol.
Dipirona comp. 500mg
Tomar 1 comp VO de 6/6h, se dor (máx 4g por dia).
Paracetamol comp. 500mg ou 750mg
Tomar 1 comp VO de 6/6h (máx 4g por dia).
Tramadol comp. 50 mg
Tomar 1 cp VO de até 12/12h,se dor (máx 400 mg/dia).
Obs: risco de dependência se usado em altas doses.
Ciclobenzaprina comp. 5mg ou 10 mg
Tomar 1 cp VO à noite (máx 40-60 mg/dia).
Amitriptilina comp. 10 mg ou 25 mg
Dose diária inicial: 25 a 50 mg ao deitar.
Dose diária máxima: 150 mg (75 mg de 12/12h).
Iniciar com doses mais baixas e aumentar conforme necessidade.
Cautela em paciente com arritmia cardíaca, devido prolongamento do intervalo QT.
Casos refratários
Esquema para casos refratários:
Indicação:
Casos refratários ao tratamento de primeira linha ou sintomas mais intensos ou pacientes com sintomas predominantes de depressão / fadiga.
Esquema:
Analgésico + Ciclobenzaprina + Modulador central da dor.
É possível associar classes diferentes dos moduladores centrais da dor, embora esta associações aumente o risco de eventos adversos (p. ex. síndrome serotoninérgica), devendo monitorar cuidadosamente os pacientes.
Se dor refratária, considerar associação de tramadol.
Analgésico:
Dipirona comp. 500mg
Tomar 1 comp VO de 6/6h, se dor (máx 4g por dia).
Paracetamol comp. 500mg ou 750mg
Tomar 1 comp VO de 6/6h (máx 4g por dia).
Modulador central da dor (tricíclicos):
Amitriptilina comp. 10mg ou 25mg ou 50mg
Dose diária inicial: 25 a 50 mg ao deitar.
Dose diária máxima: 150 mg (75 mg de 12/12h)
Iniciar com doses mais baixas e aumentar conforme necessidade.
Cautela em paciente com arritmia cardíaca, devido prolongamento do intervalo QT.
Nortriptilina comp. 10mg ou 25mg ou 50mg ou 75mg
Dose diária inicial: 25 mg ao deitar
Dose diária máxima: 100-150 mg (acima de 100mg deve monitorar níveis plasmáticos)
Iniciar com doses mais baixas e aumentar conforme necessidade.
Cautela em paciente com arritmia cardíaca, devido prolongamento do intervalo QT.
Modulador central da dor (anticonvulsivantes):
Pregabalina comp. 25 mg ou 75 mg
Tomar 1 cp VO à noite ( máx 600 mg/dia).
Pode-se também fracionar a dose duas vezes ao dia, com aumento progressivo a cada semana, até dose máxima de 300mg 2 vezes ao dia.
Gabapentina comp. 300 mg
Tomar 1 cp VO à noite ( máx 3600 mg/dia).
Pode-se também progredir a dose na seguinte forma ate atingir resposta terapêutica:
Iniciar com 300mg, 1 vez/dia no 1º dia, 300mg 2 vezes/dia no 2º dia e 300mg 3 vezes/dia no 3º dia; a dose pode ser aumentada em 3 doses igualmente divididas.
Modulador central da dor (ISRS):
Fluoxetina comp. 20 mg
Tomar 1 cp VO pela manhã (máx 80 mg/dia).
Paroxetina comp. 20 mg
Tomar 1 cp VO pela manhã ( máx 60 mg/dia).
Fluvoxamina comp. 50 mg ou 100mg
Tomar 1 cp VO a noite.
Modulador central da dor (IRSN - duais):
Duloxetina comp. 30 mg ou 60 mg
Tomar 1 comp dia VO pela manhã (máx 120 mg/dia).
Em pacientes ainda refratários, podem-se utilizar 60 mg VO de 12/12 horas.
Aumentar a dose conforme resposta do paciente.
Venlafaxina comp. 37,5 mg ou 75 mg
Tomar 1 cp VO pela manhã.
Aumentar até 75 mg/dia conforme a ausência de melhora dos sintomas;
Desvenlafaxina comp.. 50 mg ou 100 mg
Tomar 1 cp VO pela manhã.
Aumentar até 200 mg/dia conforme a ausência de melhora dos sintomas;
Se dor refratária:
Tramadol comp. 50 mg
Tomar 1 cp VO de até 6/6h,se dor (máx 400 mg/dia).
Obs: risco de dependência se usado em altas doses.
Referências
- BVS APS Atenção Primária à Saúde. Quais são as opções farmacológicas para tratamento de fibromialgia?. 8 agosto 2018.
- Roberto Ezequiel Heymann UNIFESP, Ambulatório de Fibromialgia. Consenso brasileiro do tratamento da fibromialgia. Fevereiro 2010.
- Sociedade Brasileira de Reumatologia Fibromialgia: o que é, como diagnosticar e como acompanhar? 29 de novembro de 2024.
- Guilherme Leví Tres. Como é feito o tratamento da fibromialgia?.04/09/2020.


