Cisto de Bartholin

CID-10: N750

Informações gerais

  • Definição:

    • Caracteriza pela obstrução não infecciosa do ducto distal, resultando no acúmulo de secreções e aumento da glândula, que está localizada posterolateralmente ao óstio da vagina.

    • Abscesso de bartholin é infecção polimicrobiana do fluido do cisto.

  • Diagnóstico:

    • Pelo exame físico e clínica; pode-se investigar ISTs através da secreção drenada posteriormente cultura deste material.

  • Observação:

    • Ao manejar pacientes acima de 40 anos, recomenda-se realizar biópsia para descartar malignidades.

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Quadro clínico

  • Pode ser assintomático ou sintomático.

  • Em casos sintomáticos, pode apresentar-se como:

    • Massa com protusão medial no aspecto inferior dos grandes lábios, no introito posterior.

    • Febre, secreção vaginal, dor vulvar intensa, ruptura espontânea, eritema e induração vulvar, pressão ou preenchimento vulvar, desconforto ou dor de intensidade variada ao caminhar ou sentar, dispareunia.

  • Observação:

    • Em pacientes acima de 40 anos, considerar biópsia se houver suspeita de malignidade.

Cistos pequenos e assintomáticos

  • Não é necessário nenhuma intervenção cirúrgica ou medicamentosa, somente aconselhar fazer banhos de assento ou compressas quentes para ajudar na drenagem.

  • Banhos de assento mornos por 15-20 minutos, 3x/dia, podem auxiliar na drenagem espontânea.

Cistos sintomáticos

  • Necessitam de intervenção cirúrgica, com intuito de criar novo óstio ductal para permitir drenagem contínua. 

  • Os possíveis procedimentos cirúrgicos são:

    • Marsupialização: 

      • Anestesia com bloqueio local o do nervo pudendo, pequena incisão elíptica de 1,5 a 3 cm sobre o abscesso, permitindo drenagem da secreção da glândula. Após drenagem a cápsula do cisto é suturada com bordas evertidas do cisto fixadas para exterior com pontos absorvíveis interrompidos. Irrigar cavidade com soro fisiológico;

    • Drenagem com cateter: 

      • Um pequeno cateter de balão pode ser inserido, inflado e deixado no interior do cisto por 4 a 6 semanas;

    • Excisão cirúrgica da glândula: 

      • Forma eletiva, ausência de infecção e utilizada após falha de outras técnicas.

  • Observação:

    • Internação hospitalar é indicada em casos de sepse ou celulite extensa.

Abscessos

  • Abscessos pequenos: 

    • Usar curativos quentes ou umedecidos ou banhos de assento regulares para drenagem espontânea ou evolução de um estágio adequado para incisão e drenagem.

    • Após a realização da drenagem é recomendado a utilização de antibióticos de amplo espectro associado ou não com Metronidazol, e analgesia (antibioticoterapia descrita no tópico abaixo).


  • Caso ocorra a ruptura espontânea:

    • O tratamento deve-se ser conservador com antibioticoterapia de amplo espectro associado ou não com Metronidazol, e analgesia (antibioticoterapia descrita no tópico abaixo).


  • Se a causa do abscesso tiver sido uma IST:

    • Esquema: 

      • Doxiciclina + (Amoxicilina-clavulanato OU Metronidazol) por 7 dias. 

    • Doxiciclina comp. 100mg

      • Tomar 1 cp VO, a cada 12h, por 7 dias.

    • Metronidazol comp. 500mg

      • Tomar 1 cp de 8/8h, por 7 dias.

    • Amoxicilina+Clavulanato comp. 500+125mg ou 875+125mg

      • Tomar 1 cp (de 500mg) a cada 8h, por 7 dias.

      • Tomar 1 cp (de 875mg) a cada 12h, por 7 dias.


  • Considera internação hospitalar para administração de antibióticos intravenosos se paciente com diabetes mellitus mal controlado ou imunocomprometido.

Antibioticoterapia

  • Indicação: 

    • Em casos de infecção grave, imunossupressão ou suspeita de ISTs.


  • Esquemas:

    • Se suspeita de ISTs:

      • Doxiciclina + (Amoxicilina-clavulanato OU Metronidazol) por 7 dias. 

    • Demais casos:

      • Monoterapia com uma das opções seguintes, associando ou não o Metronidazol.

      • Selecionar antibiótico conforme gravidade do quadro e características individuais do paciente.


  • Antibióticos:

    • Sulfametoxazol+trimetoprima comp. 400+80mg ou 800+160mg

      • Tomar 2 cp (400+80) ou 1 cp (800+160) a cada 12h, por 7 dias

    • Amoxicilina+Clavulanato comp. 500+125mg ou 875+125mg

      • Tomar 1 cp (de 500mg) a cada 8h, por 7 dias.

      • Tomar 1 cp (de 875mg) a cada 12h, por 7 dias.

    • Amoxicilina+Clavulanato pó inj. 500+100mg ou 1g+200mg

      • Diluir 1 amp (de 1g) ou 2 amp (de 500mg) + 100mL SF0,9% IV em 30min, a cada 8h.

      • Indicado para quadro graves em ambiente de internação hospitalar.

    • Clindamicina comp. 300mg

      • Tomar 1 cp a cada 6h, por 7 dias.

    • Clindamicina inj. 300mg/2mL ou 600mg/4mL ou 900mg/6mL

      • Aplicar 2 amp (de 300mg) + 100mL SF0,9%, IV a cada 6h, OU

      • Aplicar 1 amp (de 900mg) + 100mL SF0,9%, IV a cada 8h.

      • Indicado para quadro graves em ambiente de internação hospitalar.

    • Doxiciclina comp. 100mg

      • Tomar 1 cp VO, a cada 12 h, por 7 dias.

      • Associado com Metronidazol.


  • Possível associação com ATBs descrito acima:

    • Metronidazol comp. 500mg

      • Tomar 1 cp de 8/8h, por 7 dias.

Referências

  • Pires, L. R. E., de Souza, H. F. J., Justi, L. F. de S., Bellolio, J. I. A., Gonçalves, A. P., de Oliveira, G., Horbach, K. M. A., & Servino, P. C. S. S. (2023). Cisto de Bartholin, uma revisão bibliográfica. Brazilian Journal of Development, 9(3), 11116–11126. https://doi.org/10.34117/bjdv9n3-147 

  • Linhares ALD, Rêgo LP. RO.MED-GIN-MEAC.005 – V1 - Massas Da Glândula De Bartholin. EBSERH.

  • Menegoci JC, Neto LFS,Lian T, Wey JC. CONDUTAS NAS URGÊNCIAS EM GINECOLOGIA - PARTE 3. URGÊNCIAS POR INFECÇÕES. ev.Fac.Ciênc.Méd.Sorocaba,v. 9,n.4,p.24-25, 2007.

Autoria e Curadoria

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