Diarreia persistente e crônica na criança

CID 10: K59

Informações gerais

  • Diarreia Persistente: quando a diarreia aguda se estende por 14 dias ou mais. Pode provocar desnutrição e desidratação. Pacientes que evoluem para diarreia persistente constituem um grupo com alto risco de complicações e elevada letalidade.
  • Diarreia Crônica: Síndrome na qual ocorre diarreia por um período superior a 30 dias ou três ou mais episódios de diarreia nos últimos 60 dias.

Seja plus e torne seu dia mais
prático e seguro!
Acesse ao conteudo completo

Etiologia

  • Causas infecciosas:

    • Infecções bacterianas (Salmonella, Shigella, Yersinia, Campylobacter).

    • Parasitoses intestinais (Giardia lamblia, Entamoeba histolytica).

    • Infecções virais (Rotavírus, Norovírus).

  • Causas não infecciosas

    • Alergias alimentares: Alergia à proteína do leite de vaca (APLV), intolerância à lactose.

    • Doenças inflamatórias: Doença de Crohn, retocolite ulcerativa.

    • Supercrescimento bacteriano do intestino delgado (SIBO).

    • Síndrome do Intestino Irritável pós-infecciosa (SII-PI).

Diagnóstico

  • Exames laboratoriais

    • Hemograma e Ferritina: Avalia anemia ferropriva e perda sanguínea oculta.

    • Albumina e Proteínas Totais: Diagnóstico de enteropatia perdedora de proteína.

    • Leucócitos fecais e calprotectina fecal: Sugestivos de inflamação intestinal.

    • Pesquisa de parasitas e cultura de fezes: Identifica infecções bacterianas e parasitárias.

  • Sinais de alerta

    • Perda de peso significativa (>5% do peso corporal).

    • Sangue vivo ou oculto nas fezes.

    • Febre persistente (>7 dias).

    • Vômitos biliosos ou hematêmese.

    • Sinais de desidratação grave.

Diarreia persistente

  • Fatores relacionados:

    • Atuação ou persistência do agente infeccioso (bactéria, vírus ou parasita);

    • Desequilíbrio da microbiota normal;

    • Perda da atividade da lactase – Intolerância à lactose primária ou secundária;

    • Fatores do hospedeiro (deficiência de micronutrientes ou vitaminas, imunodeficiência);

    • Aumento da permeabilidade da mucosa por alergia alimentar;

    •  Supercrescimento bacteriano (ocorre quando há colonização do intestino delgado por bactérias da microbiota colônica);

    • Síndrome do Intestino Irritável pós infecciosa.


  • Diagnóstico:

    • Avaliação nutricional e antropométrica;

    • Exames a serem realizados após 14° dia de evolução: 

      • Hemograma e Ferritina (avaliar anemia, perda de sangue, baixa ingesta), 

      • Proteína total e frações (Albumina como marcador de desnutrição, enteropatia perdedora de proteína e relação albumina/globulina que quando aumentada sugere APLV)

      • Eletrólitos (avaliar perda eletrolítica),

      • Ph fecal (se diminuído sugere má digestão de carboidratos, 

      • Pesquisa de leucócitos fecais (se aumentado sugere doença infecciosa/inflamatória);

      • Pesquisa do agente enteropatogênico nas fezes: Coprocultura, PPF;

      • Gordura fecal (se aumentado sugere má absorção intestinal)

    •  Reavaliar em 1 semana.


  • Manejo:

    • Prevenção de desidratação por meio de aumento da oferta hídrica e de soro de reidratação oral;

    • Manutenção de aleitamento materno;

    • Realimentação com dieta adequada para idade;

    • Redução de leite na dieta ou dieta com baixo teor de lactose pode beneficiar pacientes que evoluem com intolerância à lactose secundária;

      • Se a criança está em aleitamento, a lactante (mãe) deve reduzir a ingesta de leite e seus derivados.

    • Suplementação de zinco

  • Sulfato de Zinco xp. 17,6 mg/mL (4 mg/mL de zinco elementar)

    • <6 meses: dar 2,5 mL (10 mg de zinco elementar) ao dia, no intervalo entre as refeições, durante 10 a 14 dias.

    • > 6 meses: dar 5 mL (20 mg de zinco elementar) ao dia, no intervalo entre as refeições, durante 10 a 14 dias.

  • Sulfato de Zinco comp. para suspensão 54 mg (20 mg de zinco elementar)

    • <6 meses: meio comp (10 mg de zinco elementar) ao dia, durante 10 a 14 dias.

    • > 6 meses: 1 comp (20 mg de zinco elementar) ao dia, durante 10 a 14 dias.

    • Dispersão / diluição:

      • O comprimido pode ser disperso em SRO ou água, em uma colher. Crianças maiores podem mastigar ou engolir os comprimidos com água, ou ainda dissolver em ½ copo d’água (100 mL), agitar com o auxílio de uma colher e tomar.

  •  Probióticos: 

    • Enterogermina plus®: 

      • Dar 1 flaconete, uma vez ao dia , VO por  5 a 7 dias

    •  Floratil®

      • Dar 1 sachê, uma vez ao dia,  VO por  5 a 7 dias

  •  Antibióticos e antiparasitários se confirmado diagnóstico.

    • Indicações: 

      • Disenteria bacteriana (Shigella), giardíase ou amebíase.

    • Giardíase ou Amebíase:

      • Esquema: Metronidazol em monoterapia.

      • Metronidazol xp. 40 mg/mL

        • Dar 0,41 mL/kg, a cada 8h, por 5 dias.

        • Dose: 15 mg/kg/dia

    • Shigella resistente:

      • Esquema: Azitromicina OU Ciprofloxacino

      • Azitromicina xp 200mg/5mL 

        • Dar 0,25 mL/kg (max 12,5 mL), a cada 24 h, por 5 dias.

        • Dose: 10 mg/kg/dia 

        • Regra prática: peso / 4 = mL a cada 24 h

      • Ciprofloxacino comp. 250 e 500 mg;

        • Dar 20 mg/kg/dose VO dose única (dose máxima: 1.000 mg) ou 15 mg/kg/dose VO de 12/12 horas, por 3 dias.

        • Dose máxima: 500 mg;

Diarreia crônica

  • Principais etiologias:

    •  Doenças genéticas (Fibrose cística, alactasia congênita, galactosemia, etc.);

    •  Alergias alimentares: APLV;

    •  Doenças imuno/inflamatórias: Doença celíaca, enteropatia auto-imune;

    •  Doença inflamatória intestinal (DII);

    •  Desvio da microbiota normal: enteropatia ambiental, supercrescimento bacteriano, colite pseudomembranosa;

    •  Dismotilidades GI: Síndrome do cólon irritável;

    •  Imunodeficiências: Def. IgA, agamaglobulinemia, AIDS;

    •  Miscelânea: Efeitos de medicamentos, insuficiência pancreática exócrina, hepatopatias colestáticas, radiação, distúrbios psiquiátricos, Síndrome do intestino curto, enteropatia perdedora de proteína.


  • Sinais de alarme:

    •  Desnutrição;

    • Perda de peso em curto tempo ou diminuição da velocidade de crescimento;

    • Sangue nas fezes;

    •  Evacuação noturna ou em situação inapropriada;

    •  Anemia;

    •  Edema;

    •  Necessidade de internação frequente;

    •  Situação socioeconômica gravemente comprometida


  • Diagnóstico:

    •  História clínica detalhada. 

    •  Exames a serem realizados após 14° dia de evolução: 

      • Hemograma e Ferritina (avaliar anemia, perda de sangue, baixa ingesta), 

      • Proteína total e frações (Albumina como marcador de desnutrição, enteropatia perdedora de proteína e relação albumina/globulina que quando aumentada sugere APLV) 

      • Eletrólitos (avaliar perda eletrolítica),

      • Ph fecal (se diminuído sugere má digestão de carboidratos, 

      • Pesquisa de leucócitos fecais (se aumentado sugere doença infecciosa/inflamatória);

      • Pesquisa do agente enteropatogênico nas fezes: Coprocultura, PPF; 

      • Gordura fecal (se aumentado sugere má absorção intestinal)


  • Tratamento:

    • Tratamento específico para cada doença.

    • Manejar também: desnutrição, mudanças na dieta, probióticos, suplementar de micronutrientes e vitamina

      • Vitamina  A, Zinco, ácido fólico, cobre e selênio.

Referências

  • PROTOCOLO DE MANEJO E ACESSO À GASTROENTEROLOGIA PEDIÁTRICA. Protocolo singularizado para o Município de Jundiaí –2021 Versão I.

  • Thiagarajah JR, Kamin DS, Acra S, et al. Avanços na avaliação da diarreia crônica em bebês. Gastrenterologia 2018; 154:2045.

  • Fichário HJ. Causas da diarreia crônica. N Engl J Med 2006; 355:236.

  • Rei CK, Glass R, Bresee JS, et al. Manejo da gastroenterite aguda em crianças: reidratação oral, manutenção e terapia nutricional. MMWR Recomm Rep 2003; 52:1.

Autoria e Curadoria

As informações contidas nesta página são de autoria da Equipe Editorial Médica do GPMED, composta por médicos especialistas de diversas áreas. Todo o conteúdo é estruturado rigorosamente com base em fontes bibliográficas de alto impacto e nas diretrizes oficiais vigentes, seguindo os preceitos da Medicina Baseada em Evidências. Nosso compromisso é oferecer ao médico uma base de consulta técnica, confiável e chancelada por profissionais experientes, garantindo máxima segurança no suporte à decisão clínica.