Filariose linfática (elefantíase)

CID 10 - B74

Etiologia

  • Filariose Linfática ou Elefantíase é uma doença parasitária crônica, de incapacidades permanentes ou de longo prazo. 

  • Acarretada pelo nematoide Wuchereria Bancrofti e transmitida pela picada do mosquito Culex quiquefasciatus (pernilongo ou muriçoca) infectado com larvas do parasita.

Seja plus e torne seu dia mais
prático e seguro!
Acesse ao conteudo completo

Manifestações clínicas

  • Gerais:

    • Edemas de membros, seios e bolsa escrotal, que podem levar a pessoa à incapacidade.

  • Aguda:

    • Episódios recorrentes de febre com inflamação dolorosa e aumento de volume dos linfonodos e dos ductos linfáticos; acometimento do aparelho genital.

    • Em pacientes do sexo masculino, é comum haver orquiepididimite (inflamação do testículo e do epidídimo) ou funiculite (inflamação do cordão espermático).

    • Os ductos linfáticos afetados apresentam-se dilatados e com paredes espessas.

    • Essas “crises agudas” duram poucos dias.

  • Crônica:

    • Episódios repetidos de inflamação que podem acarretar uma obstrução progressiva dos ductos linfáticos, com acúmulo de líquido nos tecidos intersticiais e consequente linfedema, um problema que afeta com maior frequência os braços e as pernas.

    • O aumento da fibrose e da esclerose dos tecidos subcutâneos pode acelerar a progressão do linfedema para a elefantíase (espessamento e endurecimento da prega cutânea, formação de nódulos na epiderme e alterações na pigmentação), que está associada ao aumento exagerado dos membros e à incapacidade.

    • Em pacientes do sexo masculino, a obstrução dos vasos linfáticos espermáticos causa acúmulo de líquido no escroto (hidrocele).

Diagnóstico

  • Exames Laboratoriais

    • Pesquisa de microfilárias no sangue periférico (preferencialmente colhido à noite).

    • Testes imunocromatográficos rápidos para detecção de antígeno circulante de Wuchereria bancrofti.

    • PCR (diagnóstico molecular em áreas endêmicas).

    • Ultrassonografia: “Sinal da dança das filárias” nos vasos linfáticos.

Manejo preventivo

  • Esquema: 

    • Três medicamentos (IDA):

      • Ivermectina + Dietilcarbamazina (DEC) + Albendazol.

    • Dois medicamentos:

      • Dietilcarbamazina (DEC) +  Albendazol.


  • Ivermectina comp. 6 mg

    • 200 μg/kg (0,2 mg/kg), dose única.

  • Dietilcarbamazina (DЕС ) comp. 50 mg

    • 6 mg/kg, por 12 dias.

  • Albendazol comp. 400mg ou sol. oral 200mg/5mL

    • 400 mg, dose única anual.


  • Orientações:

    • As duas associações são administradas uma vez por ano. A associação tripla (IDA) reduz o número de microfilárias no sangue muito mais rapidamente e por mais tempo que a dupla. 

    • Quando se usa a associação tripla, são necessárias duas rodadas anuais para interromper a transmissão; já a associação dupla requer pelo menos cinco rodadas anuais de tratamento.

    • A interrupção da transmissão pode ser acelerada com a aplicação adicional de medidas de controle dos mosquitos vetores.

Manejo individual

Manejo da doença ativa individual, na presença de microfilárias e/ou vermes adultos.


  • Esquema de tratamento conforme uma das seguintes opções:

    • Dietilcarbamazina (DЕС)
    • Ivermectina + Albendazol dose única
    • Ivermectina + DEC
    • Albendazol por 21 dias
    • Doxiciclina

  • Dietilcarbamazina (DЕС) comp. 50 mg

    • Dose de 6 mg/kg por 12 dias.

  • Ivermectina comp. 6 mg

    • Dose de 200 mcg/kg (0,2 mg/kg), em dose única. 

  • Albendazol comp. 400mg ou sol. oral 200mg/5mL

    • Em associação com ivermectina: 400 mg, em dose única.

    • Em monoterapia: 200 mg duas vezes ao dia por 21 dias.

  • Doxiciclina comp. 100mg

    • Dose de 200 mg/dia, VO por seis semanas.

    • Terapia antifilária alternativa de primeira linha para adultos não grávidas e crianças de >8 anos de idade com filariose linfática.


  • Se presença concomitante de Oncocercose:

    • Não deve-se usar DEC.

    • Usar Ivermectina em dose única, a cada 6 ou 12 meses, e esperar aproximadamente um mês entre a administração de ivermectina e o início do tratamento com DΕС.

    • Uma alternativa é utilizar Doxiciclina (200 mg por dia durante seis semanas) + Ivermectina (200 mcg/kg).


  • Se presença de Loíase:

    • DEС na dose mais alta, 8 a 10 mg/kg/dia, por 21 dias.

    • Pode ser realizado um pré tratamento com Ivermectina se alta carga de filárias (20.000).

    • Alternativa a DEC, são: Doxiciclina ou Albendazol.

Doença crônica

Manejo da doença crônica ou portador de morbidade filarial.


  • Manifestações: 

    • Linfedema; edema linfático de bolsa escrotal e pênis, linfoescroto e hidrocele; quilúria (ocorrência de urina de aspecto leitoso).


  • Manejo dos casos de portadores de linfedema

    • Nem todos os casos são reversíveis.

    • Ações para prevenir ou reduzir complicações:

      • Elevação do membro afetado, durante o dia, a cada 2h o paciente deve ficar por 30 min. com os membros acima do nível do tórax; quando o paciente estiver deitado, sugere-se colocar um calço de aproximadamente 5 cm nos pés da cama;

      • Manter a higiene pessoal com ênfase no membro afetado: lavar as áreas afetadas duas vezes ao dia, usar cremes antibacterianos em pequenas escoriações, manter as unhas limpas e usar sapatos

      • Exercícios físicos da parte afetada: elevação dos calcanhares, movimentar as pontas dos pés, movimentos circulares com as pontas dos pés;

      • Adequação de calçados e uso de meias elásticas/ ataduras;

      • Orientar dieta hipossódica e evitar dieta gordurosa ou muito rica em carboidratos.

Referências

  • Brasil. Ministério da Saúde. Secretaria de Vigilância em Saúde. Departamento de Vigilância Epidemiológica. Guia de vigilância epidemiológica e eliminação da filariose linfática / Ministério da Saúde, Secretaria de Vigilância em Saúde, Departamento de Vigilância Epidemiológica. – Brasília : Ministério da Saúde, 2009. 80 p. : il. – (Série A. Normas e Manuais Técnicos).ISBN 978-85-334-1571-3

  • Sankari T, Subramanian S, Hoti SL, et al. Resposta heterogênea de pessoas infectadas por Wuchereria bancrofti à dietilcarbamazina (DEC) e suas implicações para o Programa Global para Eliminar a Filariose Linfática (GPELF). Parasitol Res 2021; 120:311.

  • Organização Mundial da Saúde. Diretriz para regimes alternativos de administração de medicamentos em massa para eliminar a filariose lifática, 2017.

Autoria e Curadoria

As informações contidas nesta página são de autoria da Equipe Editorial Médica do GPMED, composta por médicos especialistas de diversas áreas. Todo o conteúdo é estruturado rigorosamente com base em fontes bibliográficas de alto impacto e nas diretrizes oficiais vigentes, seguindo os preceitos da Medicina Baseada em Evidências. Nosso compromisso é oferecer ao médico uma base de consulta técnica, confiável e chancelada por profissionais experientes, garantindo máxima segurança no suporte à decisão clínica.