Impetigo na criança

CID-10 L01

Definição

  • Infecção que afeta a camada superficial da pele, altamente contagiosa, sendo causada principalmente pelas bactérias Staphylococcus aureus (S. aureus) e Streptococcus pyogenes, além de ocasionalmente envolver bactérias anaeróbicas.
  • Essa condição é mais comum em crianças de 2 a 5 anos, mas pode ocorrer em indivíduos de todas as idades.
Seja plus e torne seu dia mais
prático e seguro!
Acesse ao conteudo completo

Manifestação

  • Impetigo bolhoso

    • Vesículas e bolhas desenvolvem-se em pele normal, sem eritema ao redor.

    • As lesões localizam-se no tronco, face, mãos, áreas intertriginosas, tornozelo ou dorso dos pés, coxas e nádegas. O conteúdo seroso ou sero-pustulento desseca-se, resultando em crosta amarelada que é característica do impetigo. Quando não tratada tem tendência à disseminação.

    • A lesão inicial muitas vezes é referida como se fosse uma bolha de queimadura de cigarro.


  • Impetigo não bolhoso ou crostoso 

    • Inicia-se com lesões eritematosas 

    • Vesículas e pústulas que se rompem rapidamente formando áreas erosadas com as típicas crostas de coloração amarelada.

    • Localizam-se preferencialmente na face, braços, pernas, nádegas e comum a presença de lesões satélites que ocorrem por auto-inoculação.

    • As lesões de impetigo duram dias ou semanas. Quando não tratadas podem envolver a derme o que constitui o ectima, com ulceração extensa e crosta hemorrágica.

Diagnóstico

  • O diagnóstico é primordialmente clínico, fundamentado na anamnese e no exame físico. 

  • Entretanto, a realização de culturas microbiológicas da secreção para a identificação do agente etiológico pode ser indicada em casos de suspeita de infecção por Staphylococcus aureus resistente à meticilina (MRSA) ou na ocorrência de surtos epidemiológicos.

Tratamento não farmacológico

  • Realizar a limpeza da lesão para retirar as crostas.
  • Lavar as mãos frequentemente, especialmente após tocar as lesões.
  • Manter as unhas limpas e curtas.
  • Embora os antissépticos não sejam recomendados para tratar o impetigo, podem ser utilizados para prevenir novas ocorrências.
  • O uso excessivo de antissépticos pode alterar a flora bacteriana, levando ao aumento de bactérias resistentes.
  • Em casos de recorrência, é importante considerar a realização de culturas e/ou a descolonização do paciente e de pessoas próximas.

Tratamento tópico

Orientações gerais:

  • A utilização de antibióticos tópicos pode ser feita isoladamente ou em combinação com antibióticos sistêmicos.

  • Os antibióticos tópicos oferecem a vantagem de alta concentração no local da infecção, com absorção sistêmica reduzida.

  • No entanto, sua eficácia é limitada na erradicação de patógenos do trato respiratório, o que os torna adequados apenas para tratar lesões isoladas ou de pequena extensão em casos de impetigo não-bolhoso.

  • Os antibióticos tópicos recomendados para o tratamento do impetigo incluem mupirocina, ácido fusídico e retapamulina.

  • A bacitracina não é mais indicada devido à sua eficácia limitada e à alta incidência de reações alérgicas.

  • A aplicação deve ser feita na área afetada de 2 a 3 vezes ao dia, por um período de 7 a 10 dias, até a completa resolução das lesões.


Antibiótico tópico:

  • 1⁰ escolha 

    • Mupirocina pomada 2%

      • Aplicar 3x/dia, por 7 a 10 dias.

      • Uso acima de 2 meses.

  • 2⁰ escolha 

    • Ácido fusídico creme 2%

      • Aplicar 2 a 3x/dia, por 7 a 10 dias.

      • A faixa etária de uso não é especificada pela bula do profissional.

  • 3⁰ escolha 

    • Retapamulina pomada 1%

      • Aplicar 2x/dia por 5 dias.

      • Uso acima de 9 meses.

Tratamento sistêmico

Orientações gerais:

  • O tratamento sistêmico é recomendado para pacientes que apresentam lesões extensas, afetando mais de 2% da superfície corporal ou envolvendo dois ou mais segmentos do corpo. 

  • Também é indicado para crianças com menos de 2 anos, pacientes com suspeita ou confirmação de infecção por MRSA, e nos casos de impetigo bolhoso.

  • Dica: Ir para calculadora de antibióticos em pediatria.


Em infecções em áreas sem MRSA: 

  • Esquema:

    • Cefalexina OU Amoxicilina- clavulanato.

    • Duração do tratamento de 7 a 10 dias.

  • Cefalexina xp 250mg/5mL

    • Dar 0,25 a 0,5 mL/kg (max 10 mL), a cada 6 h

    • Dose: 50 mg/kg/dia

    • Regra prática: peso/4 = mL a cada 6 h (nessa regra, considera-se a dose de 50 mg/kg/dia)

  • Cefalexina xp 500mg/5mL

    • Dar 0,13 a 0,25 mL/kg (max 5 mL), a cada 6 h

    • Dose: 50 a 100 mg/kg/dia

    • Regra prática: peso / 8 = mL a cada 6 h (nessa regra, considera-se a dose de 50 mg/kg/dia)

  • Amox + clav xp 125+31,25mg/5mL

    • Dar 0,66 a 1,2 mL/kg (max 20 mL), a cada 8 h

    • Dose: 50 a 90 mg/kg/dia

    • Regra prática: peso / 1,5 = mL a cada 8 h (nessa regra, considera-se a dose de 50 mg/kg/dia)

  • Amox + clav xp 250+62,5mg/5mL

    • Dar 0,33 a 0,60 mL/kg (max 10 mL), a cada 8 h

    • Dose: 50 a 90 mg/kg/dia

    • Regra prática: peso / 3 = mL a cada 8 h (nessa regra, considera-se a dose de 50 mg/kg/dia)

  • Amox + clav xp 200+28,5mg/5mL

    • Dar 0,42 a 0,75 mL/kg (max 10 mL), a cada 8 h

    • Dose: 50 a 90 mg/kg/dia

  • Amox + clav xp 400+57mg/5mL

    • Dar 0,31 a 0,56 mL/kg (max 10 mL), a cada 12 h

    • Dose: 50 a 90 mg/kg/dia


Em infecções em áreas com MRSA:

  • Esquema:

    • Clindamicina OU Trimetoprim/Sulfametoxazol OU Doxiciclina.

    • Duração do tratamento de 7 a 10 dias.

  • Clindamicina comp. 300mg

    • Dar 10-25 mg/kg/dia.

    • Dar 1 cp a cada 6h.

    • Dose máxima: 400 mg/dose

  • Doxiciclina comp. 100mg

    • < 45 kg: Dar 2 mg/kg/dia, a cada 12 h.

    • > 45 kg:Dar 100mg, a cada 12 h.

    • OBS: > 8 anos.

  • Sulfametoxazol+trimetoprim xp. 200+40mg/5mL

    • Dar 0,5 mL/kg (max 20 mL) VO a cada 12 h

    • Dose: 40 mg/kg/dia, de sulfametox.

    • Regra prática: Peso / 2 = mL a cada 12 h

  • Sulfametoxazol+trimetoprim xp. 400+80mg/5mL

    • Dar 0,25 mL/kg (max 10 mL) VO a cada 12 h

    • Dose: 40 mg/kg/dia, de sulfametox.

    • Regra prática: Peso / 4 = mL a cada 12 h


Alternativas para pacientes com hipersensibilidade à penicilina: 

  • Esquema: 

    • Eritromicina OU Clindamicina OU Azitromicina.

    • Duração do tratamento de 7 a 10 dias.

  • Eritromicina sol. oral 250mg/5mL ou 125mg/5/mL

    • Dar 40mg/kg/dia,  a cada 6 horas, (máx 2 g/dia).

  • Claritromicina: suspensão oral 125mg/5ml ou 250/5ml 

    • Tomar 15 mg/kg/dia, dividido em 12/12 horas, VO, 7-10 dias

    • Dose máx 500mg/dia

    • Regra prática: peso / 6,5 = mL a cada 12 h

  • Azitromicina: suspensão oral 100mg/5ml ou 200mg/5ml 

    • Tomar 10 mg/kg/dia; 24/24 horas, VO, 3-5 dias

    • Dose máx 500mg/dia

    • Regra prática: peso / 4 = mL a cada 24 h

  • Clindamicina comp. 300mg

    • Tomar 10-25 mg/kg/dia, dividido em 6/6 horas.

    • Dose máxima: 400 mg/dose


Observação:

  • Em casos de recorrência: considerar a realização de culturas e/ ou a descolonização do paciente e dos contatos.

Referências

  • Infecções Bacterianas Superficiais Cutâneas. Departamentos Científicos de Dermatologia e Infectologia (2019-2021). Sociedade Brasileira de Pediatria. 2022.
  • Sociedade Brasileira de Pediatria. Antimicrobianos na Prática Clínica Pediátrica. Guia Prático para Manejo no Ambulatório na Emergência e Enfermarias, 2002.

Autoria e Curadoria

As informações contidas nesta página são de autoria da Equipe Editorial Médica do GPMED, composta por médicos especialistas de diversas áreas. Todo o conteúdo é estruturado rigorosamente com base em fontes bibliográficas de alto impacto e nas diretrizes oficiais vigentes, seguindo os preceitos da Medicina Baseada em Evidências. Nosso compromisso é oferecer ao médico uma base de consulta técnica, confiável e chancelada por profissionais experientes, garantindo máxima segurança no suporte à decisão clínica.