Fissura anal

CID-10: K60

Definição e classificação

  • Definição:

    • Lesão longitudinal ou ulcerada no canal anal distal (linha pectínea até borda anal).


  • Classificação

    • Aguda:

      • Causa: 

        • Trauma decorrente de evacuações endurecidas.

      • Lesão superficial com processo inflamatório ao redor.

      • Duração <  6 semanas.

    • Crônica: 

      • Resistente ao tratamento higiênico - dietéticas;

      • Duração > 6 semanas.

Seja plus e torne seu dia mais
prático e seguro!
Acesse ao conteudo completo

Quadro clínico

  • Dor durante e após evacuações;

  • Cursa com pequena quantidade de sangramento (nas fezes ou no papel higiênico);

  • Prurido anal.

  • Apresentação clínica de acordo com a classificação:

    • Aguda: 

      • Lesão superficial com processo inflamatório ao redor, está associada à hipertonia esfincteriana. 

    • Crônica:

      • Úlcera: Bem definida; Bordas irregulares; Base endurecida; Fibrosa.

Diagnóstico

  • Realização de anamnese direcionada + exame físico.

  • Diagnóstico diferencial

    • Atenção às apresentações atípicas:

      • Indolor

      • Localização;

      • Multiplicidade;

      • Ausência de hipertonia esfincteriana.

    • Fissuras resistentes ao tratamento:

      • Investigação mais aprofundada:

        • Exames endoscópicos;

        • Biópsia da lesão;

        • Sorologias para ISTs.

    • Outros diagnósticos:

      • Doença de Crohn;

      • Retocolite ulcerativa;

      • Abscessos anorretais:

      • Tuberculose;

      • HIV;

      • ISTs (Chlamydia, gonorréia e sífilis);

      • Carcinoma de borda anal.

Tratamento fissura aguda

  • Esquema: 

    • Terapia combinada de:

      • Analgésicos orais;

      • Anestésicos tópicos;

      • Banho de assento com água morna;

      • Modificações dietéticas e do estilo de vida.


  • Analgésicos orais:

    • Dipirona 500mg ou 1g

      • Tomar 1 cp de 6/6h (max 4g por dia)

    • Paracetamol 500mg ou 750mg

      • Tomar 1 cp de 6/6h (max 4g por dia)


  • Anestésicos tópicos:

    • Dibucaína 1% pomada retal

      • Aplicar no local até quatro vezes por dia, sob demanda;

    • Pramoxina 1% espuma retal

      • Aplicar no local até cinco vezes por dia,  sob demanda;

    • Lidocaína 1% pomada

      • Aplicar no local até 4 vezes por dia, sob demanda;

    • Cinchocaí­na + policresuleno  10 mg + 50 mg/g pomada

      • Aplicar na borda anal 2-3vezes ao dia, por 2-3 semanas;


  • Banhos de assento

    • Realizar banho de assento durante 10-15 minutos com água morna, 2-3x/dia e após as evacuações.

    • Os banhos de assento são um tratamento tópico para reduzir a inflamação, edema e relaxar os músculos do esfíncter, principalmente em períodos de dor.


  • Manejo da constipação intestinal:

    • Dieta rica em fibras (2-4 colheres de sopa dissolvidos em água, suco ou iogurte):

      • Farelo cru de trigo;

      • Linhaça

      • Aveia

      • Mucilagem.

    • Agentes formadores de bolo fecal:

      • Psyllium 

        • Tomar 1 envelope diluído em 1 copo de água ao dia;

      • Metilcelulose 

        • Tomar 1 colher de sopa 3x/dia;

      • Policarbófila cálcica 500mg

        • Tomar 1-2 cps de 12/12 horas.

    • Laxativos osmóticos:

      • Leite de magnésio: 

        • Tomar 2-4 colheres de sopas, divididas em 2 - 3 tomadas diárias, longe das refeições; 

      • Óleo mineral

        • Tomar 1 colher de sopa 3 vezes ao dia.

      • Lactulose xarope 667 mg/mL 

        • Tomar 15 - 30 ml ao dia, pela manhã ou à noite;

      • PEG (macrogol) 4000 sol. 0,5g/mL

        • Tomar 1 - 2 sachês diluídos em 1 copo de água  ao dia.

      • Muvinlax®

        • Tomar 1 - 2 sachês diluídos em 1 copo de água  ao dia.


  • Modificação dietética:

    • Ingerir de 20 a 30 g de fibras insolúveis por dia e beber bastante água (1,5 a 2 litros por dia).

    • Alimentação recomendada:

      • Frutas:maçã, damasco, banana, uvas, mamão, laranja, pêssego, pêra, abacaxi, mapeia, uva passa, tomate e morangos; 

      • Cozido: feijão, brócolis, couve, repolho, couve flor, cenouras, ervilhas, abóbora, batata doce e abobrinha.

      • Hortaliças: pepino, alface, cogumelos, cebola, espinafre, ervilha, lentilhas.


  • Modificação de estilo de vida:

    • Abster-se de esforço ou demora (por exemplo, leitura) no banheiro.

    • Praticar exercícios físicos regularmente.

    • Se possível, os pacientes devem evitar medicações que possam causar constipação ou diarreia.

Tratamento fissura crônica

  • Tratamento clínico por relaxantes do esfíncter anal

    • Esquema: 

      • Primeira linha: Bloqueadores de canal de cálcio.

      • Segunda linha: Nitratos tópicos.

      • Caso não responsivos às medidas acima: Toxina botulínica.

    • Bloqueadores de canal de cálcio:

      • Nifedipina gel 0,2% a 0,3%

        • Aplicado 2-4 vezes ao dia, por 8 semanas, sobre a fissura e canal anal.

        • Eficácia superior em relação ao gliceril trinitrato.

      •  Diltiazem gel 2% 

        • Aplicado 3 vezes ao dia, por 8 semanas, sobre a fissura e canal anal.

    • Nitratos tópicos:

      • Dinitrato de isossorbida pomada 1%

        • Aplicar 2 vezes ao dia por 8 semanas (intra-anal).

      • Gliceril trinitrato pomada 0,4% 

        •  Aplique 1 polegada de pomada intra-analmente a cada 12 horas por até 3 semanas.

    • Toxina botulínica:

      • Injeção no esfíncter anal;

      • Duração de 3 meses;

      • Eficácia superior a pomada  nitrato tópico. 


  • Tratamento cirúrgico

    • Indicado para fissura anal crônica e falha do tratamento clínico e/ou condição anal cirúrgica associada.

Referências

  • Sociedade Brasileira de Coloproctologia. Colégio Brasileiro de Cirurgiões. Araújo SEA, Oliveira Jr O, Moreira JPT, Salles RRV. 5 de março de 2008.

  • Bula do profissional de saúde. Nitroglicerina. Encube Ethicals, Inc. 10/2024.

  • TELESSAÚDERS, Núcleo de Telessaúde da Universidade Federal do Rio Grande do Sul [Internet]. Teleconsultoria. Porto Alegre: TelessaúdeRS-UFRGS, 2018.

Autoria e Curadoria

As informações contidas nesta página são de autoria da Equipe Editorial Médica do GPMED, composta por médicos especialistas de diversas áreas. Todo o conteúdo é estruturado rigorosamente com base em fontes bibliográficas de alto impacto e nas diretrizes oficiais vigentes, seguindo os preceitos da Medicina Baseada em Evidências. Nosso compromisso é oferecer ao médico uma base de consulta técnica, confiável e chancelada por profissionais experientes, garantindo máxima segurança no suporte à decisão clínica.