Crupe viral na criança

CID-10: J05

Informações gerais

  • Doença infecciosa aguda do trato respiratório superior podendo gerar laringite a laringotraqueobronquite, que afeta crianças de 6 meses a 3 anos de idade.
  • Patógenos: vírus parainfluenza, rinovírus, vírus sincicial respiratório e adenovírus, Sars-cOv-2, influenza.

Seja plus e torne seu dia mais
prático e seguro!
Acesse ao conteudo completo

Quadro clínico e diagnóstico

  • Quadro clínico:
    • Rinorreia clara, faringite, tosse leve e febre baixa.
    • Após 12 a 48 horas iniciam-se os sintomas de obstrução de vias aéreas superiores, com tosse 'metálica', estridor inspiratório e rouquidão. 
    • Os sinais de inflamação com progressão dos sinais de insuficiência respiratória (estridor, taquipneia e desconforto respiratório) e aumento da temperatura corpórea. 
    • Os sintomas geralmente se resolvem em 3 a 7 dias, a tosse pode persistir até uma semana.

  • Diagnóstico:
    • Confirmação diagnóstica é clínica com a presença dos seguintes sintomas: 
      • Tosse estridulosa, acompanhada ou não de rouquidão, estridor inspiratório, dispneia, salivação e guinchos inspiratórios.
    • Indicações de exames: na suspeita de complicações e diagnósticos diferenciais como epiglotite e aspiração de corpo estranho:
      • Raio x de pescoço e broncoscopia.
    • Diagnóstico diferencial 
      • Traqueite bacteriana (ir para crupe bacteriano)
      • Abscesos retrofaríngeos, parafaríngeos, peritrosilares
      • Epiglotite
      • Aspiração ou ingestão de corpo estranho
      • Reação alérgica aguda ( ir para anafilaxia)

  • Escore de risco:
    • Leve: tosse estridulosa, sem estridor inspiratório em repouso, sem ou leve tiragem intercostal/ supraesternal.
    • Moderada: estridor em repouso, pouca ou nenhuma agitação.
    • Grave: estridor expiratório, agitação e confusão mental.
    • Ameaça à vida: estridores pouco audíveis, letargia, rebaixamento do nível de consciência e cianose.

Manejo inicial

  • Avaliar a aparência geral e estratificação do escore de risco.
  • MOV: sinais vitais, oximetria de pulso, estabilidade das vias aéreas e estado mental.
  • Colher história sobre o início, a duração e a progressão dos sintomas: 
    • Início súbito dos sintomas
    • Sintomas de progressão rápida (ou seja, sintomas de obstrução das vias aéreas superiores após menos de 12 horas de doença) 
    • Episódios anteriores de Crupe
    • Anormalidade subjacente das vias aéreas superiores, condições médicas que predispõem à insuficiência respiratória (p. ex., distúrbios neuromusculares).

Crupe leve / moderada

Esquema de tratamento:

  • Corticoterapia VO, inalatório, IM ou IV.

  • Iniciar com apenas uma das opções abaixo.

  • Se ausência de melhora ou piora do quadro manejar como Crupe grave (tópico abaixo).


Medicamentos:

  • Ir para Calculadora de doses pediátricas, secção corticoides

  • Dexametasona inj. 2 mg/mL e 4 mg/mL

    • Dose 0,6 mg/kg, IM ou IV, dose única.( Máx. 10 mg/dia).

  • Dexametasona xp.0,1 mg/mL

    • Dose 0,6 mL/kg/dia VO, dose única.

  • Dexametasona comp. 4 mg

    • Dose 0,6 mg/kg, diluir em água ou líquidos adocicados, VO.( Máx 10.mg/dia)

  • Prednisona comp. 5mg ou 20mg ou 40mg

    • Dar 1 a 2 mg/kg VO por dia, preferencialmente pela manhã (Máx 60mg/dia), por 3 dias.

  • Prednisolona xp.1 mg/mL e 3mg/ ml 

    • Dose 1-2 mg/kg/dia, VO, pela manhã por 3 dias.(max 20 mL/dia ou  60 mg/dia).

    • Obs: 1 mg/kg de prednisolona é equivalente a 1 mg/kg de prednisona.

  • Budesonida inalatória flaconete 0,25 mg/ml 

    • Dose 2 mg (8ml), inalatória via nebulizador, dose única. 

Crupe grave

Esquema de tratamento:

  • dexametasona IM ou IV + adrenalina inalatória.

  • Se a ausência de melhora ou piora do quadro manejar como Crupe que ameaça à vida.


Medicamentos:

  • Dexametasona inj. 10 mg/2,5mL

    • Dose 0,6 mg/kg, IM ou IV, dose única.( Máx. 10 mg/dia).

  • Hidrocortisona pó inj. 100mg

    • Diluir 1 amp + 5 mL AD

    • Aplicar 0,13 a 0,25 mL/kg/dose (max 5 mL/dose) IV bolus

    • Dose: 2,5 a 5 mg/kg/dose (max 100 mg/dose)

  • Hidrocortisona pó inj. 500mg

    • Diluir 1 amp + 5 mL AD

    • Aplicar 0,03 a 0,05 mL/kg (max 1 mL/dose) IV bolus

    • Dose: 2,5 a 5 mg/kg/dose (max 100 mg/dose)

    • Obs:8 mg/kg de hidrocortisona é equivalente é 2 mg/kg de prednisona

  • L-epinefrina sol. inj. 1mg/mL   

    • Dose de 0,5 mL/kg/dose (máximo 5 mL) na concentração de 1 mg/mL, administrada em via nebulizador ao longo de 15 minutos.

  • Epinefrina racêmica sol. inj. 1mg/mL  

    • Dose de 0,5 mL/kg, diluída em 3mL com solução salina normal, administrada em via nebulizador ao longo de 15 minutos. 

    • Podendo ser repetida até duas vezes por hora,  a cada 15 a 20 minutos.( Máx 5 ml/dose.)

    • A administração de três ou mais doses dentro de um período de duas a três horas deve levar ao início de um monitoramento cardíaco rigoroso.

Crupe ameaça à vida

Esquema de tratamento:

  • (dexametasona OU hidrocortisona) IM ou IV + adrenalina inalatória

  • Internação em UTI

  • Oxigênio (se sat < 92%)

  • VNI ou IOT


Medicamentos:

  • Dexametasona inj. 10 mg/2,5mL

    • Dose 0,6 mg/kg, IM ou IV, dose única.( Máx. 10 mg/dia).

  • Hidrocortisona pó inj. 100mg

    • Diluir 1 amp + 5 mL AD

    • Aplicar 0,13 a 0,25 mL/kg/dose (max 5 mL/dose) IV bolus

    • Dose: 2,5 a 5 mg/kg/dose (max 100 mg/dose)

  • Hidrocortisona pó inj. 500mg

    • Diluir 1 amp + 5 mL AD

    • Aplicar 0,03 a 0,05 mL/kg (max 1 mL/dose) IV bolus

    • Dose: 2,5 a 5 mg/kg/dose (max 100 mg/dose)

    • Obs: 8 mg/kg de hidrocortisona é equivalente é 2 mg/kg de prednisona

  • L-epinefrina sol. inj. 1mg/mL   

    • Dose de 0,5 mL/kg/dose (máximo 5 mL) na concentração de 1 mg/mL, administrada em via nebulizador ao longo de 15 minutos.

  • Epinefrina racêmica sol. inj. 1mg/mL  

    • Dose de 0,5 mL/kg, diluída em 3mL com solução salina normal, administrada em via nebulizador ao longo de 15 minutos. 

    • Podendo ser repetida até duas vezes por hora,  a cada 15 a 20 minutos.( Máx 5 ml/dose.)

    • A administração de três ou mais doses dentro de um período de duas a três horas deve levar ao início de um monitoramento cardíaco rigoroso.

    • A administração de três ou mais doses dentro de um período de duas a três horas deve levar ao início de um monitoramento cardíaco rigoroso.

Critérios de internação

Hospitalar

  • Laringite moderada com pequena resposta ou que não respondeu às medidas iniciais.

  • Laringite grave com melhora parcial após medidas iniciais.

  • Laringite grave com melhora parcial após 4 horas de observação no pronto socorro. 


UTI

  • Laringite grave sem resposta às medidas iniciais

  • Laringite grave que retornou ao estado anterior após conduta inicial e/ ou 2 horas de observação no pronto socorro

  • Desconforto respiratório grave: uso de musculatura acessória, rebaixamento do nível de consciência e hipoxemia.

Critérios de alta

  • Ausência de desconforto respiratório e hipoxemia
  • Sem estridor em repouso
  • Cor normal
  • Nível normal de consciência 
  • Capacidade demonstrada de tolerar líquidos por via oral
  • Os cuidadores compreendem as indicações para o retorno aos cuidados e poderão retornar se necessário

Referências

  • Departamento de Emergências. Sociedade Brasileira de Pediatria. Crupe viral e bacteriana, 2017.
  • Ferrari, M. E. M., Nogueira, R. A., Pacheco, N. M., de Oliveira, J. M. M., Leal, V. V. S. B., Jaegge, N. A. R., Guerra, D. R. da S. B., Barcelos, M. G. R., Boniolo, R. F., Boniolo, V. F., de Albuquerque, E. L. da S., da Silva , T. C., Silveira , M., Ferreira , A. C. M., & Mosquini, J. da C. E. (2024). Atualizações sobre laringotraqueobronquite na infância: uma revisão bibliográfica. Brazilian Journal of Implantology and Health Sciences, 6(9), 3400–3415.
  • Moreira, G. I., Santos, M. P., Carneiro, L. M., & Assunção, J. V. X. (2024). CRUPE VIRAL EM PEDIATRIA: ETIOLOGIA, DIAGNÓSTICO, TRATAMENTO E PREVENÇÃO. Revista Ibero-Americana De Humanidades, Ciências E Educação, 10(9), 3612–3620.
  • Dupin, L. L., Vieira, L. V., Alvim, L. R., & Salgado, A. L. C. (2024). SÍNDROME DE CROUPE: O MANEJO NA EMERGÊNCIA. Revista Ibero-Americana De Humanidades, Ciências E Educação, 10(8), 4097–4101.

Autoria e Curadoria

As informações contidas nesta página são de autoria da Equipe Editorial Médica do GPMED, composta por médicos especialistas de diversas áreas. Todo o conteúdo é estruturado rigorosamente com base em fontes bibliográficas de alto impacto e nas diretrizes oficiais vigentes, seguindo os preceitos da Medicina Baseada em Evidências. Nosso compromisso é oferecer ao médico uma base de consulta técnica, confiável e chancelada por profissionais experientes, garantindo máxima segurança no suporte à decisão clínica.