Tuberculose (TB) no adulto
CID-10: A15
Aspectos gerais
- Definição:
- Doença infecciosa e transmissível, que afeta principalmente os pulmões, embora possa ocorrer de forma extrapulmonar.
- Agente etiológico:
- Bactéria: Mycobacterium tuberculosis, também conhecida como bacilo de Koch.
- Transmissão:
- Ocorre por vias respiratórias, através de aerossóis.
- Grupos de risco:
- Pessoas que vivem em situação de rua;
- Pessoas privadas de liberdade;
- População indígena.
- Imunossuprimidos (HIV, uso de imunobiológicos)
- Diabéticos
- Desnutridos
- Profissionais de saúde
- Prevenção:
- A vacina BCG (bacilo Calmette-Guérin);
- A vacina deve ser ministrada às crianças ao nascer, ou, no máximo, até os quatro anos, 11 meses e 29 dias.
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Quadro clínico
Pulmonar:
Sintomas: tosse persistente (3 semanas ou mais ) seca ou produtiva, febre vespertina, sudorese noturna e emagrecimento.
Extrapulmonar:
Sintomas: Sinais e sintomas dependentes dos órgãos ou sistemas acometidos. Sua ocorrência aumenta em pacientes coinfectados pelo HIV, especialmente entre aqueles com imunocomprometimento grave.
Apresentações mais comuns:
- TB pleural:Ocorre mais em jovens e cursa com dor torácica do tipo pleurítica. A tríade astenia, emagrecimento e anorexia, e febre com tosse seca.
- Empiema pleural tuberculoso: É consequência da ruptura de uma cavidade tuberculosa para o espaço pleural e, por isso, além de líquido no espaço pleural, muitas vezes ocorre também pneumotórax secundário à fístula broncopleural.
- TB ganglionar periférica: É a forma mais frequente em pessoas vivendo com HIV (PVHIV) e em crianças. Cursa com aumento subagudo, indolor e assimétrico das cadeias ganglionares cervicais anterior e posterior, além da supraclavicular. Em PVHIV, o acometimento ganglionar tende a ser bilateral, associado com maior comprometimento do estado geral.
- TB meningoencefálica:
- Subaguda: Cursa com cefaleia holocraniana, irritabilidade, alterações de comportamento, sonolência, anorexia, vômitos e dor abdominal associados à febre, fotofobia e rigidez de nuca por tempo superior a duas semanas. Eventualmente, apresenta sinais focais relacionados a síndromes isquêmicas locais ou ao envolvimento de pares cranianos, podendo-se evidenciar sinais de hipertensão intracraniana.
- Crônica: O paciente evolui várias semanas (duração superior a quatro semanas) com cefaleia, até que o acometimento de pares cranianos.
- TB pericárdica: Os principais sintomas são dor torácica, tosse seca e dispneia. Pode haver febre, emagrecimento, astenia, tontura, edema de membros inferiores, dor no hipocôndrio direito e aumento do volume abdominal.
- TB óssea: É mais comum em crianças. Atinge mais a coluna vertebral (coluna torácica baixa e a lombar) e as articulações coxofemoral e do joelho, embora possa ocorrer em outros locais. Seu quadro clínico apresenta-se com a tríade dor lombar, dor à palpação local e sudorese noturna.
Diagnóstico
Realizado através do quadro clínico + exames laboratoriais.
Diagnóstico Clínico
Tuberculose pulmonar;
Tuberculose extrapulmonar.
Diagnóstico Bacteriológico
Exame microscópico direto – baciloscopia direta;
Teste rápido molecular para tuberculose (TRM-TB);
Cultura para micobactéria, identificação e teste de sensibilidade.
Diagnóstico por Imagem
Radiografia de tórax;
Tomografia computadorizada de tórax.
Diagnóstico Histopatológico
Nas formas extrapulmonares.
Outros Métodos Diagnósticos
Adenosina deaminase (ADA);
Outras técnicas biomoleculares.
PPD, IGRA (para infecção latente).
Esquemas de tratamento
Esquemas de tratamento e local de manejo:
Caso novo e Retratamento:
Esquema: Esquema Básico para adultos e para crianças (≥ 10 anos).
Local de manejo: Atenção Primária.
Tuberculose meningoencefálica e osteoarticular:
Esquema: Esquema Básico para TB meningoencefálica e osteoarticular.
Local de manejo: Hospital e, posteriormente, Atenção Secundária.
Fases:
Intensiva/ataque: Objetivo de reduzir rapidamente a população bacilar e a eliminação dos bacilos com resistência natural a algum medicamento.
Manutenção: Objetivo de eliminar os bacilos latentes ou persistentes e a redução da possibilidade de recidiva da doença.
Definições:
Caso novo ou virgem de tratamento (VT): paciente nunca submetido ao tratamento antiTB ou realização de tratamento por menos de 30 dias.
Retratamento: paciente que já fez o tratamento antiTB por mais de 30 dias e que necessite de novo tratamento após abandono ou por recidiva (após a cura ou tratamento completo).
Medicamentos utilizados:
R – Rifampicina;
H – Isoniazida;
Z – Pirazinamina;
E – Etambutol.
Caso novo e retratamento
Esquema Básico para o tratamento da TB em adultos e crianças (≥ 10 anos de idade)
Esquema:
Fase intensiva: RHZE por 2 meses.
Fase de manutenção: RH por 4 meses.
Fase intensiva:
Rifampicina+Isoniazida+Pirazinamida+Etambutol comp. 150+75+400+275 mg (apresentação combinada).
20 a 35 Kg - 2 comprimidos, uma vez ao dia, por 2 meses.
36 a 50 Kg - 3 comprimidos, uma vez ao dia, por 2 meses.
51 a 70 Kg - 4 comprimidos, uma vez ao dia, por 2 meses.
Acima de 70 Kg - 5 comprimidos, uma vez ao dia, por 2 meses.
Fase de manutenção:
Rifampicina+Isoniazida comp. 150+75mg ou 300+150mg
20 a 35 Kg - 1 comp 300/150 mg ou 2 comp 150/75 mg, uma vez ao dia, por 4 meses.
36 a 50 Kg - 1 comp 300/150 mg + 1 comp de 150/75 mg ou 3 comp 150/75 mg, , uma vez ao dia, por 4 meses.
51 a 70 Kg - 2 comp 300/150 mg ou 4 comp 150/75 mg, uma vez ao dia, por 4 meses.
Acima de 70 Kg - 2 comp 300/150 mg + 1 comp de 150/75 mg ou 5 comp 150/75 mg, , uma vez ao dia, por 4 meses.
Meningoencefálica e osteoarticular
Esquema Básico para o tratamento da TB meningoencefálica e osteoarticular em adultos e crianças (≥ 10 anos de idade)
Esquema:
Fase intensiva: RHZE por 2 meses.
Fase de manutenção: RH por 10 meses.
Local de manejo: Hospital e, posteriormente, Atenção Secundária.
Fase intensiva:
Rifampicina+Isoniazida+Pirazinamida+Etambutol comp. 150+75+400+275 mg (apresentação combinada).
20 a 35 Kg - 2 comprimidos, uma vez ao dia, por 2 meses.
36 a 50 Kg - 3 comprimidos, uma vez ao dia, por 2 meses.
51 a 70 Kg - 4 comprimidos, uma vez ao dia, por 2 meses.
Acima de 70 Kg - 5 comprimidos, uma vez ao dia, por 2 meses.
Fase de manutenção:
Rifampicina+Isoniazida comp. 150+75mg ou 300+150mg
20 a 35 Kg - 1 comp 300/150 mg ou 2 comp 150/75 mg, uma vez ao dia, por 10 meses.
36 a 50 Kg - 1 comp 300/150 mg + 1 comp de 150/75 mg ou 3 comp 150/75 mg, , uma vez ao dia, por 10 meses.
51 a 70 Kg - 2 comp 300/150 mg ou 4 comp 150/75 mg, uma vez ao dia, por 10 meses.
Acima de 70 Kg - 2 comp 300/150 mg + 1 comp de 150/75 mg ou 5 comp 150/75 mg, , uma vez ao dia, por 10 meses.
Monitorização e prevenção
Avaliação mensal clínica e laboratorial
Baciloscopia mensal nos casos de TB pulmonar;
Baciloscopia positiva ao longo do tratamento ou que positivam após negativação devem ser avaliados quanto à adesão, falência e/ou resistência;
Controle radiológico pode ser realizado após o segundo mês de tratamento, para acompanhar a regressão ou ampliação das lesões iniciais;
Glicemia, função hepática e renal.
Acompanhamento de efeitos adversos
Hepatotoxicidade TGO / TGP ≥ 5 x LSN (sem sintomas) OU TGO / TGP ≥ 3 x LSN (com sintomas, incluindo icterícia);
Trombocitopenia, leucopenia, eosinofilia, anemia hemolítica, agranulocitose, vasculite;
Exantema ou hipersensibilidade de moderada a grave;
Psicose, crise convulsiva, encefalopatia tóxica ou coma;
Neurite óptica, Nefrite intersticial;
Intolerância digestiva (náusea, vômito, epigastralgia);
Suor/urina de cor avermelhada;
- Prurido e exantema leve; dor articular; neuropatia periférica; cefaleia, febre;
- Alterações de comportamento(euforia, insônia, depressão leve, ansiedade, sonolência).
Referências
- Brasil. Ministério da Saúde. Secretaria de Vigilância em Saúde. Departamento de Vigilância das Doenças Transmissíveis. Manual de Recomendações para o Controle da Tuberculose no Brasil / Ministério da Saúde, Secretaria de Vigilância em Saúde, Departamento de Vigilância das Doenças Transmissíveis. – Brasília: Ministério da Saúde, 2019.
- Manual de recomendações para o controle da tuberculose no Brasil – Ministério da Saúde, 2022.
- Universidade Federal do Rio Grande do Sul. Programa de Pós-Graduação em Epidemiologia. TelessaúdeRS (TelessaúdeRS-UFRGS). Como iniciar tratamento de tuberculose (TB) pulmonar na APS? Porto Alegre: TelessaúdeRS-UFRGS; 25 nov. 2022.


