Mioma uterino
CID-10: D25
Definição
- Mioma uterino é um nódulo benigno composto por células musculares lisas do miométrio, que se desenvolve no útero. Mulheres na fase reprodutiva são as mais afetadas, embora o motivo ainda não esteja totalmente claro.
- Classificados de acordo com sua localização, sendo mais comuns nas regiões corporais do útero, embora, também, possam ocorrer na região cervical.
- Intramurais: desenvolvem-se dentro da parede uterina e podem ser grandes o suficiente para distorcer a cavidade uterina e a superfície serosa;
- Submucosos: derivam de células miometriais localizadas imediatamente abaixo do endométrio e frequentemente crescem para a cavidade uterina;
- Subserosos: originam-se na superfície serosa do útero e podem ter uma base ampla ou pedunculada e ser intraligamentares;
- Cervicais: localizados na cérvice uterina.
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Sintomas clínicos
A maioria são assintomáticos, mas podem ter sangramento uterino anormal (SUA) com anemia, dor durante a menstruação (dismenorreia) e dor pélvica, bem como sintomas urinários e gastrointestinais.
Alterações menstruais:
Menorragia: sangramento menstrual intenso, prolongado e muitas vezes irregular. Pode levar à anemia por deficiência de ferro devido à perda excessiva de sangue.
Hipermenorreia: sangramento excessivo que ultrapassa o volume normal, podendo causar fadiga, fraqueza e outros sintomas relacionados à anemia.
Dor ou pressão na pelve:
Pode ocorrer dependendo da localização, tamanho e formato do mioma. A sensação de peso ou pressão na região pélvica é comum, especialmente em casos de miomas maiores.
Sintomas obstrutivos:
Urgência miccional: sensação de necessidade urgente de urinar, devido à compressão da bexiga pelo mioma.
Dificuldade para esvaziar a bexiga ou intestino: dependendo da localização, o mioma pode comprimir esses órgãos, causando desconforto ou dificuldades.
Disfunção reprodutiva: pode afetar a implantação da placenta, levando a complicações na gravidez.
Sangramento no terceiro trimestre: alterações no padrão de sangramento durante a gestação.
Trabalho de parto disfuncional: dificuldades no início ou progresso do parto.
Apresentação pélvica: posição anormal do bebê devido ao espaço reduzido na pelve.
Parto pré-termo: parto antes do tempo devido a complicações causadas pelo mioma.
Retenção de placenta: dificuldade na expulsão da placenta após o parto.
Ruptura prematura das membranas: rompimento precoce das membranas amnióticas.
Abortamento: risco aumentado de aborto espontâneo.
Parto cesáreo: muitas vezes necessário devido às complicações causadas pelo mioma.
Dor aguda (raramente):
Pode ocorrer devido à degeneração (quando o mioma sofre necrose por falta de irrigação sanguínea) ou torção do pedúnculo do mioma.
Sintomas associados incluem:
Febre
Sensibilidade abdominal
Leucocitose (aumento de leucócitos no sangue)
Sinais de irritação peritoneal, como dor difusa na região abdominal.
Diagnóstico
- O diagnóstico de miomas uterinos é usualmente baseado no achado de um útero aumentado, móvel e com contornos irregulares ao exame bimanual ou um achado ultrassonográfico, por vezes casual.
- Sintomas de sangramento uterino anormal (SUA) ou detecção de uma massa ou nódulo durante o exame físico do abdômen inferior ou exame vaginal.
- A confirmação do diagnóstico é obtida por meio de exames de imagem, com a USG sendo o método de escolha. Além da USG, a RM e a histeroscopia podem oferecer informações adicionais.
- Analisar aspectos quanto: tamanho, volume uterino, quantidade e localização (submucoso, intramural e subseroso).
Tratamento de pacientes sintomáticas
Individualizar cada caso, levando em consideração a idade da paciente, o desejo de gestação, os sintomas provocados, o tamanho e a localização dos miomas.
Sintomas relativos ao Sangramento Uterino Anormal (SUA):
Ver manejo no tema Sangramento Uterino Anormal.
Se houver dor pélvica:
Sempre investigar diagnósticos diferenciais, pois raramente os miomas geram esse sintoma.
Doença inflamatória pélvica;
Dismenorreia;
Torção / ruptura de cisto ovariano;
Endometrite pós- parto/ aborto;
Endometriose;
Aderência pélvica;
Outras causas não pélvicas.
Se houver infertilidade:
Sempre investigar causas diferenciais, pois a infertilidade é incomum nos casos de mioma:
Anovulação;
Endometriose;
Aderência pélvica.
Miomas localizados em submucosa, intramurais com componente intracavitário podem justificar infertilidade.
Tratamento cirúrgico.
Anticoncepcionais orais:
Combinados: Orais, Transdérmicos ou Anel vaginal.
Anticoncepcionais orais combinados (AOCs):
Levonorgestrel + etinilestradiol (Ciclo 21®) comp. 0,15 + 0,03mg
Tomar 1 cp ao dia por 21 dias, pausa de 7 dias, e retorno no 8º dia.
Iniciar uso no primeiro dia do ciclo.
Desogestrel + etinilestradiol (Femina®) comp. 0,15 + 0,02mg
Tomar 1 cp ao dia por 21 dias, pausa de 7 dias, e retorno no 8º dia.
Iniciar uso no primeiro dia do ciclo.
Gestodeno + etinilestradiol (Siblima®) comp. 60 + 15mcg (microgramas)
Tomar 1 cp ao dia por 24 dias, pausa de 4 dias, e retorno no 5º dia.
Iniciar uso no primeiro dia do ciclo.
Não são uma opção terapêutica para reduzir o tamanho dos miomas ou tratar diretamente essa condição, eles podem ser prescritos para aliviar os sintomas de SUA associados aos miomas.
Progestágenos:
Noretisterona pílula 0,35mg
Tomar 1 cp ao dia, sempre na mesma hora, contínuo (não deve ser interrompida durante a menstruação).
Iniciar uso no primeiro dia do ciclo.
Observação: pode ser usada até o 6º mês pós-parto.
Acetato de medroxiprogesterona (Depo®Provera®) inj. 150mg/1mL
Aplicar 1 amp IM, no 1º dia do ciclo menstrual, e em seguida de 3 em 3 meses.
Se o período entre as injeções for maior do que 13 semanas (91 dias), deve certificar-se que a paciente não esteja grávida antes da administração da próxima injeção.
Dispositivo intrauterino (DIU) contendo levonorgestrel:
Levonorgestrel 52mg com liberação 20mcg/dia
Colocação do SIU-LNG, a cada 5 anos.
Análogos do hormônio liberador das gonadotrofinas (GnRH):
Esse método deve ser avaliado e prescrito somente pelo especialista.
Acetato de Leuprolida 3,75 ou 11,25 mg
Aplicar IM, mensal 3,75 mg ou trimestral 11,25 mg.
Goserelina 3,6 ou 10,8 mg
Aplicar SC, mensal 3,6 mg ou trimestral 10,8 mg.
Não devem ser utilizados por mais de seis meses.
AINEs
Ibuprofeno comp. 600 ou 800mg
Tomar 1 cp, VO, de 8/8 horas, por 3 a 5 dias, OU
Ácido mefenâmico comp. 500mg
Tomar 1cp, VO, de 8/8 horas, por 3 a 5 dias, OU
Naproxeno comp. 500mg
Tomar 1cp, VO, de 12/12 horas, por 3 a 5 dias, OU
Diclofenaco comp. 50 mg
Tomar 1cp, VO, de 8 /8 horas, por 3 a 5 dias.
Utilizados no tratamento do sangramento vaginal excessivo e dismenorreia.
Cirurgia:
Histerectomia:
Indicado em: presença de sintomas; falha no tratamento clínico associado a sangramento uterino anormal, com prole constituída ou sem desejo de gestação.
Miomectomia:
Indicado em: miomas submucosos, mulher com desejo de manter fertilidade e o útero.
Embolização:
Indicado em: tratamento de diversos problemas hemorrágicos em ginecologia e obstetrícia, sendo também uma opção conservadora para pacientes com miomas sintomáticos que têm contraindicações ou não desejam se submeter aos riscos cirúrgicos.
Tratamento de pacientes assintomáticas
- Deve-se tranquilizar a paciente, enfatizando a benignidade do mioma.
- Não são necessárias outras ultrassonografias.
- Deve-se manter exame ginecológico de rotina, exceto se miomas muito volumosos ou que provoquem compressão ureteral.
- Orientar quanto aos possíveis sintomas e se esses presentes procurar por atendimento.
Referências
- Pardinet. al. MIOMAS UTERINOS: UMA REVISÃO INTEGRATIVA ACERCA DAS OPÇÕES DE MANEJO CLÍNICO E CIRÚRGICO. Brazilian Journal of Implantology and Health Sciences Volume 5, (2023).
- Corleta HE, et al. Tratamento atual dos miomas. Revista Brasileira de Ginecologia e Obstetrícia [online]. 2007, v. 29, n. 6 pp. 324-328.
- Protocolo Clínico e Diretrizes Terapêuticas do Leiomioma de Útero.MINISTÉRIO DA SAÚDE SECRETARIA DE ATENÇÃO À SAÚDE, 2017.


