Gravidez ectópica

CID-10:O00

Aspectos gerais

  • Define-se gravidez ectópica quando a implantação e o desenvolvimento do blastocisto ocorrem fora da sede normal,ou seja, da cavidade corporal do útero.
  • Locais acometidos: Tubas uterinas, ovários, cavidade peritoneal cervical.
  • 95% dos casos acontecem nas Tubas Uterinas (principalmente porção de ampola).
  • Pacientes com histórico de gravidez ectópica prévia possuem 6 a 8x maior risco de nova ectópica.
  • A hipótese diagnóstica de gravidez ectópica deve ser considerada para qualquer mulher em idade reprodutiva, com dor abdominal ou pélvica e irregularidade menstrual.
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Fatores de risco

  • Doença Inflamatória Pélvica (DIP) prévia 
  • Tabagismo 
  • Procedimentos Tubários prévios 
  • Gravidez ectópica prévia 
  • A maioria dos casos não tem fator de risco identificável

Quadro clínico

  • Sintomas:

    • Caracteriza-se por dor abdominal ou pélvica, localizada, de intensidade variável com sangramento vaginal intermitente de pequeno volume em uma mulher com amenorreia.

    • Manifestações clínicas dependem de sua integridade e variam do quadro assintomático ao choque hemorrágico. 

  • Exame clínico:

    • Pode ser normal. 

    • Nos casos mais avançados de gravidez ectópica íntegra, os sinais vitais do paciente são normais e o exame abdominal mostra dor à palpação profunda e descompressão brusca negativa.

    • Na gravidez ectópica rota:

      • Podem estar presentes sinais como palidez, taquicardia, hipotensão arterial, agitação, torpor e choque.

      • O exame abdominal mostra dor importante à palpação e o sinal de Blumberg é positivo, indicando irritação do peritônio parietal por sangue. Pode-se observar descompressão brusca positiva e distensão no abdômen da paciente. 

      • A dor abdominal se torna intensa, difusa e pode se associar a sinais e sintomas de hipovolemia/choque. Dor no ombro é uma queixa importante e significa irritação do diafragma por sangue proveniente da gravidez ectópica rota (sinal de Laffont).

  • Exame especular:

    • Avaliar a quantidade de sangramento (quando presente). 

    • O toque vaginal mostra útero de volume próximo ao normal, colo uterino fechado e os anexos podem ser dolorosos à palpação (sinal de Proust ou grito de Douglas).

Exames laboratoriais

  • Teste de gravidez: deve-se analisar, quando positivo, a avaliação quantitativa.

    • A concentração de β-HCG sérica de 1.500 mUI/ml é discriminatória, acima da qual o saco gestacional intra uterino deve ser visto pela ultrassonografia transvaginal.

    • Se considerarmos a ultrassonografia transabdominal, a concentração sérica discriminatória de β-HCG é de 6.000 mUI/ml. 

    • Quando os valores obtidos forem maiores ou iguais aos citados e o saco gestacional não for visualizado na cavidade endometrial, a pelve deve ser explorada à procura de gravidez ectópica por exames de imagem.

    • Na gravidez ectópica, a concentração de β-HCG sérica é inferior a de uma gestação tópica de mesma idade gestacional e não sofre duplicação de seu valor em 1,5 dias, como ocorre na gestação normal.


  • Hemograma, coagulograma, tipo sanguíneo e triagem de anticorpos;


  • Ultrassonografia transvaginal: 

    • Diagnosticar a ausência de gestação intrauterina. 

    • O endométrio pode estar espessado (decidualizado) e pode haver líquido na cavidade endometrial (“pseudo saco gestacional”), simulando gestação tópica. 

      • Na gravidez ectópica íntegra, pode-se observar imagem parauterina semelhante a saco gestacional (anel tubário).

      • Nos casos em que houve ruptura da gestação, pode-se visibilizar imagem anexial complexa correspondente a hematoma, hematossalpinge  e/ou área rota tamponada por alças intestinais ou epíplon, além de liquido livre em cavidade peritoneal.


  • Laparoscopia:

    • Método utilizado se houver forte suspeita de gravidez ectópica e se os métodos de imagem não forem suficientes para o diagnóstico definitivo.

Tratamento clínico

  • O tratamento dependerá da integridade da gravidez ectópica, do local e tamanho da gestação, do estado hemodinâmico da paciente,  de seu desejo reprodutivo e da experiência do médico.


  • Tratamento clínico da gravidez ectópica tubária: 

    • É possível quando a paciente é pouco sintomática, a dosagem de β-HCG for inferior a 2.500 mUI/ml e a gravidez ectópica está íntegra e com diâmetro máximo de 4,0 cm.

    • O metotrexato é a droga de escolha para esse tipo de tratamento, na dose única de 50mg/m2 de superfície corporal pela via intramuscular.

    • Nessas condições, a conduta é expectante com a paciente hospitalizada e com dosagens de β-HCG da seguinte forma:

      • A primeira avaliação após 24 horas da administração do metotrexato: se houver queda do β-HCG programar alta da paciente com novas dosagens semanais até sua negativação;

      • Se não houver queda dos níveis de β-HCG, nova aplicação de metotrexato (na mesma dose) deve ser administrada e o β-HCG deve ser avaliado após três dias. Com títulos decrescentes, deve-se considerar alta para a paciente e programar seguimento semanal com β-HCG. 

      • Títulos persistentes ou crescentes requerem reavaliação do caso. Ocasionalmente, uma segunda dose da droga é necessária.


  • Em pacientes que demonstram piora da dor, queda do hematócrito ou sinais e sintomas de hipovolemia, deve-se suspeitar de gravidez ectópica rota e serem avaliados quanto a necessidade de intervenção cirúrgica.

Tratamento cirúrgico

  • Indicações:

    • Pacientes com gravidez ectópica íntegra que não preenchem os critérios para tratamento clínico ou que apresentam falha neste.

    • Pacientes com gravidez ectópica rota ou com raros tipos de gravidez ectópica (ovariana, cervical, abdominal ou intersticial).

    • Paciente com quadros graves com instabilidade hemodinâmica, após as medidas iniciais de suporte de vida.


  • As modalidades disponíveis são:

    • Salpingostomia linear: indicada somente em casos de trompa contralateral comprometida, com intenção de preservar a fertilidade; após o procedimento deve-se fazer a dosagem seriada semanal de β-HCG.

    • Salpingectomia: remoção de toda a trompa afetada.

    • Histerectomia: a retirada do útero fica reservada para situações de gravidez ectópica intersticial e cervical, quando não há sucesso com tratamentos alternativos. 

    • Ooforectomia: a remoção do ovário está indicada nos casos de gravidez ectópica ovariana.

Referências

  • Couto E, Hase EA. Sangramento na gravidez. São Paulo: Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia (FEBRASGO); 2021. cap. 3; p. 12-46. (Série, Orientações e Recomendações FEBRASGO, no.4/Comissão Nacional Especializada em Tromboembolismo Venoso e Hemorragia na Mulher).
  • Doubilet PM, Benson CB: Further evidence against the reliability of the human chorionic gonadotropin discriminatory level. J Ultrasound Med 30 (12):1637–1642, 2011. doi:10.7863/jum.2011.30.12.1637
  • Tratado de Ginecologia FEBRASGO / editores Cesar Eduardo Fernandes, Marcos Felipe Silva de Sá; coordenação Agnaldo Lopes da Silva Filho...[et al]. – 1. ed. – Rio de Janeiro: Elsevier, 2019.

Autoria e Curadoria

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