Acne no Adulto e Adolescente

CID-10: L70.9

Introdução

  • Definição

    • Doença inflamatória crônica da unidade pilossebácea, caracterizada pela formação de comedões, pápulas, pústulas, nódulos ou cistos, decorrente de alterações na queratinização folicular, produção sebácea, colonização bacteriana e resposta inflamatória local.

    • Acomete principalmente adolescentes, porém pode persistir ou iniciar-se na vida adulta, especialmente em mulheres.

  • Fisiopatologia

    • A acne é uma doença multifatorial, envolvendo quatro mecanismos principais:

      • Hiperqueratinização folicular → obstrução do folículo pilossebáceo

      • Aumento da produção de sebo mediado por andrógenos

      • Proliferação de Cutibacterium acnes

      • Resposta inflamatória imunomediada

    • Outros fatores associados:

      • Alterações qualitativas do sebo

      • Ativação do sistema imune inato

      • Influência hormonal e genética.

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Epidemiologia e Fatores de Risco

  • Epidemiologia [2]

    • Acomete até 85% da população ao longo da vida.

    • Pico de incidência ocorre na adolescência após a puberdade.

    • Em adultos, é mais comum em mulheres, especialmente após os 20 anos.

    • Em homens, tende a apresentar maior gravidade.

    • Pode causar impacto significativo na qualidade de vida, autoestima e saúde mental, sendo frequentemente associada à ansiedade e depressão.

  • Fatores de risco

    • Puberdade

    • História familiar

    • Estados de hiperandrogenismo

    • Síndrome dos ovários policísticos

    • Obesidade ou resistência à insulina

    • Dieta com alto índice glicêmico ou rica em laticínios

    • Estresse

    • Hiperidrose

    • Uso de máscaras faciais prolongado (“maskne”)

    • Medicamentos

  • Medicamentos associados

    • Corticoides

    • Testosterona / anabolizantes

    • Lítio

    • Anticonvulsivantes

    • Isoniazida

Avaliação Pré-tratamento

  • Acne pediátrica: refere-se a lesões sugestivas de acne em crianças de 1 a 7 anos, apresentação rara, na qual deve ser encaminhado para endocrinologista para descartar outras doenças. 

  • Avaliação pré-tratamento:

    • Tipos de lesões de acne:

      • Comedões : Cravos 

      • Pápulas: Lesões sólidas avermelhadas 

      • Pústulas: Lesões com pus 

      • Nódulos inflamatórios: Inflamações profundas que podem causar cicatriz 

      • Cistos:Lesões grandes, inflamadas e dolorosas.

    • Gravidade da lesão: 

      • distribuição e grau de envolvimento da pele;

      • Presença de complicações

      • hiperpigmentação pós inflamatória, 

      • eritema pós inflamatório,

      • cicatrizes,

      • sofrimento psicológico;

    • Fatores contribuintes potenciais:  

      • Produtos de cuidados com a pele comedogênicos.

      • Medicamentos indutores de acne.

      • Sinais ou sintomas de distúrbios endócrinos.

      • Estresse 

      • Exposição excessiva ao sol

Tipos de Acne

  • Grau 0: ausência de lesões;

  • Grau I: Acne subclínica ou Comedônica; 

    • Comedões poros ou foliculos capilares abertos (pontos negros) ou fechados (pontos brancos).

  • Grau II: Acne leve ou Pápulo-pustulosa;

    • Comedões, pápulas vermelhas e inflamadas, e pústulas. 

  • Grau III: Acne moderada ou Nódulo-cística;

    • Lesões mais profundas, inflamadas e dolorosas.

  • Grau IV: Acne severa ou Conglobata;

    • Nódulos, abscessos e cistos purulentos com inflamação.  

  • Grau V: Acne extremamente severa ou Fulminans;

    • Infecção abrupta acompanhada de sintomas como febre, leucocitose e artralgia.

  • Observação: A diretriz americana não inclui o grau V, considerando o acne fulminans como parte do grau IV.

Abordagem da Acne

Esquema de tratamento conforme o grau:

  • Acne leve (grau 0 a 2):

    • Grau 0 e I: Retinoide tópico ou Ácido azelaico ou ácido salicílico, e Sabonete esfoliante de enxofre.

    • Grau II: Retinoide tópico e Peróxido de benzoíla por 3 a 6 meses, após período de transição para monoterapia com retinoide. Se melhora insatisfatória considerar: Antibiótico tópico com retinoide tópico ou ácido azelaico.  

  • Acne moderada e grave:

    • Grau III: Retinoide tópico, Peróxido de benzoíla, antibioticoterapia sistêmica e tópicos, hormônios e / ou Espironolactona por 3 meses.

    • Grau IV: Medidas anteriores, se falha dessas, Isotretinoína oral.

    • Grau V: Medida anteriores e Corticoide sistêmico.  

  • Terapia de manutenção:

    • Retinoide tópico e /ou Peróxido de benzoíla. 

Esquema de tratamento conforme o quadro clínico:

  • Hiperproliferação folicular e descamação anormal:

    • Retinol tópicos 

    • Isotretinoína oral

    • Ácido azelaico

    • Ácido salicílico

  • Aumento da produção de sebo:

    • Isotretinoína oral

    • Anticoncepcionais orais

    • Espironolactona

  • Proliferação de Curtobacterium acnes:

    • Peroxido de benzoila

    • Antibióticos tópicos e orais

    • Ácido azelaico

  • Inflamação

    • Isotretinoína oral

    • Ácido azelaico

    • Retinoides tópicos

    • Dapsona tópica

    • Tetraciclinas orais.

Cuidados com a Pele

  • Uso de sabonete com ácido salicílico

  • Hidratante a depender da pele

  • Filtro solar para pele oleosa

  • Remover maquiagens

  • Uso de ácido a depender da pele

Tratamento Tópico

  • Peróxido de benzoíla isolado:

    • Peróxido de benzoíla Gel 2,5 a 10%

      • Aplicar uma a duas vezes ao dia.

      • Terapêutica de acne vulgar.

      • Não usar em associação com adapaleno.

  • Composições com peróxido de benzoíla:

    • Peróxido de benzoíla (2,5 ou 3,75 ou 5%)  + Clindamicina (1% ou 1,2%) tópicos

      • Aplicar uma vez ao dia.

    • Peróxido de benzoíla 5%+ Eritromicina 3%tópicos

      • Aplicar duas vezes ao dia.

    • Peróxido de benzoíla 2,5%+ Adapaleno (0,1 o 0,3%) tópicos

      • Aplicar uma vez ao dia.

    • Peróxido de benzoíla 3% + Tretinoina 0,1% tópicos

      • Aplicar uma vez ao dia.

    • Peróxido de benzoíla 3,1% + Clindamicina 1,2% + Adapaleno 0,15% tópicos

      • Aplicar uma vez ao dia.

  • Retinoides:

    • Terapêutica para acne inflamatória ou severa ou manutenção de tratamento.

    • Tretinoína Creme  0,025%, 0,0375%, 0,05% 0,1% ou Gel 0,01% e  0,025 ou Loção 0,05%

      • Aplicar uma vez ao dia na hora de dormir, lavar o rosto pela manhã para remoção.

    • Adapaleno Creme 0,1% ou Gel 0,1 e 0,3% ou Loção 0,1%

      • Aplicar uma vez ao dia na hora de dormir, lavar o rosto pela manhã para remoção.

  • Antibióticos tópicos:

    • Clindamicina Gel 1%

      •   Aplicar uma a duas vezes ao dia.

    • Eritromicina Gel 2%

      • Aplicar uma a duas vezes ao dia.

    • Dapsona Gel 5% e 7,5%

      • Aplicar duas vezes ao dia (gel 5%) ou uma vez ao dia (gel 7,5%).

    • Minociclina espuma 4% 

      • Aplicar uma vez ao dia.

    • Clindamicina 1,2 % + Tretinoína 0,025% tópicos

      • Aplicar uma vez ao dia na hora de dormir.

  • Ácidos:

    • Ácido azeláico creme 20% ou gel  5% ou espuma 15 %

      • Aplicar de uma a duas vezes ao dia.

      • Usado em associação com clindamicina, peroxido de benzoila ou alfa-hidroxiácidos.

      • A concentração máxima é de 20%.

    • Ácido salicílico gel ou espumas 0,5 a 2%

      • Aplicar de uma a três vezes ao dia.

    • Ácido glicólico 5-15%

      • Pode ser associado ao ácido salicílico. 

Tratamento Sistêmico

Antibióticos orais:

  • Considerações:

    • Duração do tratamento de 3 a 4 meses.

    • Deve- se associar com peróxido de benzoína tópico ou retinoide tópico.

  • Tetraciclinas comp. 500mg

    • Tomar 1 cp, VO, de duas vezes ao dia, por 3 a 6 semanas.

    • Após esse período reduzir para 250 mg com retirada lenta.

  • Doxiciclina comp. 50 e 100mg

    • Tomar 1cp (50mg) duas vezes ao dia ou 1 cp (100mg) uma vez ao dia. 

    • Contraindicado em: crianças e grávidas.  

  • Eritromicina comp. 500mg

    • Tomar duas vezes ao dia.

    • Antibiótico de escolha para < 12 anos e grávidas 

  • Azitromicina comp. 500mg

    • Tomar 1cp ao dia por 3 dias e repetir com 30 e 60 dias.

  • Minociclina comp. 50 e 100mg

    • Tomar duas vezes ao dia por 3 a 6 semanas com redução gradual.

    • Contraindicado em: crianças e grávidas.  

  • Clindamicina comp. 300mg

    • Tomar 1 cp via oral duas vezes ao dia.

  • Eritromicina comp. 500mg 

    • Tomar 1 cp via oral duas vezes ao dia.

Terapêutica Hormonal:

  • Anticoncepcional oral combinado:

    • Desogestrel + etinilestradiol (Femina®) comp. 0,15 + 0,02mg

      • Tomar 1 cp ao dia por 21 dias, pausa de 7 dias, e retorno no 8º dia.

      • Iniciar uso no primeiro dia do ciclo.

    • Gestodeno + etinilestradiol (Siblima®) comp. 60 + 15mcg (microgramas)

      • Tomar 1 cp ao dia por 24 dias, pausa de 4 dias, e retorno no 5º dia.

      • Iniciar uso no primeiro dia do ciclo.

Antagonista de aldosterona:

  • Espironolactona comp. 50 a 100mg

    • Tomar 1 cp uma (100mg) ou duas vezes ao dia.

    • Contraindicado em grávidas.  


Retinoide sistemico:

  • Isotretinoína (Roacutan®) comp. 10mg e 20 mg

    • Dose inicial: 0,5 mg /kg/dia durante o primeiro mês e depois aumentar para 1mg/kg/dia, dividida em duas a três tomadas ao dia, após as refeições. 

    • Dose total: 120 -150 mg/kg ao longo de 20 semanas.

    • Duração: 6 a 8 meses.

    • Dosar no início e após 6 semanas de tratamento: hemograma completo, perfil lipídico e TGO/TGP.

    • Medicação teratogênica, portanto, deve-se fazer uso de métodos anticoncepcionais e testes de gravidez antes, durante e 5 semanas após o término do tratamento. 

Corticoide sistêmico:

  • Prednisona comp. 20 mg

    • Dose: 0,5 a 1 mg/kg/dia, por 2 a 4 semanas, após esse período reduzir a dose gradativamente do corticoide até sua interrupção em 8 semanas. 

Prevenção

  • Higiene Adequada: Use produtos de limpeza específicos para pele com acne ou oleosa, evitando a limpeza excessiva que pode irritar a pele.

  • Cosméticos: Evite produtos que aumentam a oleosidade.

  • Genética: A acne é influenciada geneticamente e não está diretamente ligada à dieta.

  • Dieta: Não há necessidade de restrições alimentares para tratar ou prevenir a acne.

  • Exposição Solar: Embora a luz solar possa proporcionar uma melhora temporária, a exposição excessiva pode agravar a condição. A exposição deve ser feita de forma segura e controlada.

Referências

[1] BAGATIN, E.; COSTA, C. S.; ROCHA, M. A. D. et al. Brazilian Society of Dermatology consensus on the use of oral isotretinoin in dermatology. Anais Brasileiros de Dermatologia, 2020. Disponível em: https://www.scielo.br. Acesso em: 7 mar. 2026.

[2] GODÍNEZ-CHAPARRO, J. A.; CRUZ, H. V. Acne en el recién nacido. Boletín Médico del Hospital Infantil de México, 2021. Disponível em: https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov. Acesso em: 7 mar. 2026.

[3] GUTIÉRREZ-MERÉ, R.; TAJES, I.; DIÉGUEZ, P. et al. Acne Fulminans: a narrative review. Actas Dermo-Sifiliográficas, 2023. Disponível em: https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov. Acesso em: 7 mar. 2026.

[4] HARPER, J. C. Acne vulgaris: what's new in our 40th year. Journal of the American Academy of Dermatology, 2020. Disponível em: https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov. Acesso em: 7 mar. 2026.

[5] HAZARIKA, N. Acne vulgaris: new evidence in pathogenesis and future modalities of treatment. Journal of Dermatological Treatment, 2021. Disponível em: https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov. Acesso em: 7 mar. 2026.

[6] HENG, A. H. S.; CHEW, F. T. Systematic review of the epidemiology of acne vulgaris. Scientific Reports, 2020. Disponível em: https://www.nature.com/articles/s41598-020-62715-3. Acesso em: 7 mar. 2026.

[7] KUTLU, Ö.; KARADAĞ, A. S.; WOLLINA, U. Adult acne versus adolescent acne: a narrative review with a focus on epidemiology to treatment. Anais Brasileiros de Dermatologia, 2023. Disponível em: https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/36253244. Acesso em: 7 mar. 2026.

[8] MOHSIN, N.; HERNANDEZ, L. E.; MARTIN, M. R. et al. Acne treatment review and future perspectives. Dermatologic Therapy, 2022. Disponível em: https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov. Acesso em: 7 mar. 2026.

[9] Rocha M, Barnes F, Calderón J, Fierro‐Arias L, Gomez CE, Munoz C, et al. Acne treatment challenges – Recommendations of Latin American expert consensus. An Bras Dermatol. 2024;99:414–24.

[10] Reynolds RV, Yeung H, Cheng CE, et al. Diretrizes de cuidados para o tratamento da acne vulgar. J Am Acad Dermatol 2024; 9:10006.e.1.

[11] Sociedade Brasileira de Dermatologia. Acne. Disponível em: https://www.sbd.org.br/doencas/acne/.

[12] ZAENGLEIN, A. L. et al. Guidelines of care for the management of acne vulgaris. Journal of the American Academy of Dermatology, 2016. Disponível em: https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/26897386. Acesso em: 7 mar. 2026.

Autoria e Curadoria

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