Insônia / distúrbio do sono no adulto

CID-10: G47

Informações gerais

  • Definição

    • Distúrbio caracterizado como uma percepção pessoal de sono insuficiente, que envolve dificuldades para adormecer ou permanecer dormindo, acordar mais cedo do que o desejado e ter um sono que não proporciona descanso. Essa condição afeta o desempenho nas atividades sociais e profissionais durante o dia.

  • Classificação

    • Insônia aguda: duração inferior a 4 semanas;

    • Insónia crónica: episódios que ocorrem pelo menos 3 vezes por semana por 3 meses ou mais;

    • Insónia episódica: episódios ocasionais com remissões.

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Sintomas

  • Sintomas noturnos 

    • Dificuldade para iniciar o sono.

    • Dificuldade para manter o sono.

    • Despertar precoce (acordar antes do horário desejado).

  • Sintomas Diurnos

    • Fadiga e diminuição de energia.

    • Dificuldades de atenção, concentração e memória.

    • Alterações de humor, como irritabilidade.

  • Consequências da Insônia:

    • Impacto negativo na qualidade de vida.

    • Aumento do absenteísmo e diminuição da produtividade.

    • Maior risco de acidentes.

    • Predisposição a transtornos mentais, cardiovasculares e metabólicos.

Diagnóstico

  • O diagnóstico é clínico, baseado na história detalhada do sono e na exclusão de causas orgânicas ou psiquiátricas. Instrumentos auxiliares incluem:

    • Diário do sono

    • Índice de Qualidade do Sono de Pittsburgh (PSQI)

    • Escala de Sonolência de Epworth

  • A dificuldade em dormir ocorre, ao menos, três vezes por semana.

  • A condição se mantém por um período mínimo de três meses.

  • A dificuldade em dormir acontece mesmo quando há oportunidade adequada para o sono.

  • O distúrbio do sono resulta em comprometimento significativo nas atividades diárias do paciente.

Diagnóstico diferencial

  • Na presença de sonolência diurna excessiva e/ou comportamentos bizarros durante o sono, considerar outros possíveis diagnósticos diferenciais, como:

    • Síndrome da apneia do sono: roncos e apneia.

    • Parassônia: pesadelos, terrores noturnos, sonambulismo.

    • Narcolepsia: cataplexia, ataques repetidos e irreversíveis do sono.

Tratamento não farmacológico

Em todas as abordagens terapêuticas destinadas a tratar distúrbios do sono devem incluir a TCC e medidas de higiene do sono.


  • Terapia Cognitivo-Comportamental (TCC):

    • Abrange diversas estratégias voltadas para identificar e modificar pensamentos, crenças e atitudes disfuncionais que contribuem para a insônia. 

    • O objetivo é substituí-los por comportamentos e pensamentos mais saudáveis.

    • Geralmente, a TCC consiste em um programa de quatro a oito sessões, utilizando uma abordagem multifacetada que inclui técnicas como controle de estímulos, restrição do sono, relaxamento, terapia cognitiva e intenção paradoxal.


  • Medidas de Higiene do Sono

    • Estabelecer horários regulares para dormir e acordar

    • Evitar cochilar

    • Evitar telas e luz azul antes de dormir

    • Evitar nicotina

    • Reduzir cafeína e álcool no final do dia

    • Manter ambiente escuro, silencioso e confortável

    • Evite grande refeição perto da hora de dormir

Esquema terapêutico

O esquema de tratamento da insônia pode levar em consideração o tempo de sintomas e a presença de comorbidades associadas.


Duração menor que 1 mês:

  • Avaliar fatores precipitantes: evento estressor, novos fármacos e/ou hábitos de sono.

  • Higiene do sono e /ou TCC 

  • Ponderar associar benzodiazepínico até 4 semanas.


Duração maior que 1 mês:

  • Insônia com perturbação do ritmo circadiano do sono:

    • Higiene do sono e /ou TCC

    • Ponderar associar melatonina

    • Ponderar associar benzodiazepínico de semi-vida curta.

  • Insônia associada a depressão e/ou ansiedade:

    • Higiene do sono e /ou TCC

    • Tratamento da patologia comorbida.

    • Ponderar associação de antidepressivo sedativo (preferível) ou benzodiazepínico até 4 semanas.

  • Insônia associada a epilepsia:

    • Higiene do sono e /ou TCC

    • Associação com benzodiazepínico até 4 semanas.

  • Insônia sem associação de comorbidades:

    • Higiene do sono e /ou TCC

    • Ponderar associar benzodiazepínico até 4 semanas.


Insônia de início do sono:

  •  Primeira linha: 

    • Benzodiazepínico

  • Alternativas em caso de contraindicação aos benzodiazepínicos:

    • Ramelteon OU Melatonina OU Dora (daridorexante).

    • Contraindicações: idade avançada, disfunção cognitiva ou vício em opioides.

  • Alternativas que não causam sedação residual pela manhã:

    • Zolpidem OU Ramelteon OU melatonina


Insônia de manutenção:

  • Primeira linha: 

    • Benzodiazepínico

  • Alternativas: 

    • DORAs, liberação prolongada de zolpidem, eszopiclona, zopiclona.


Considerações sobre os benzodiazepínicos:

  • Os  benzodiazepínicos devem ser reservados para o tratamento da insônia quando os sintomas assumem caráter patológico.

  • Não devem ser usadas regularmente para insônias leves a moderadas. Além disso, não é recomendado usar mais de um benzodiazepínico ou medicamento similar ao mesmo tempo.

Tratamento farmacológicos

  • Na escolha do medicamento, devem ser considerados vários fatores, incluindo:

    • Tipo e intensidade dos sintomas apresentados pelo paciente.

    • Objetivos do tratamento.

    • Resposta a tratamentos prévios.

    • Preferências do paciente.

    • Comorbilidades.


  • Hormônio indolaminérgico:

    • Melatonina cáps  5mg

      • Tomar 1 cp à noite 1h antes de deitar no escuro.

      • Dose máx 10 mg/dia.

    • Ramelteon comp 8mg

      • Tomar 1 cp à noite 30 minutos antes de deitar.

      • Dose máx 8 mg/dia.


  • Antidepressivos sedativos:

    • Amitriptilina comp. 10mg ou 25mg ou 75mg

      • Dose diária inicial: 25 a 50 mg ao deitar.

      • Dose diária máxima: 150 mg (75 mg de 12/12h)

    • Nortriptilina comp. 10mg ou 25mg ou 50mg ou 75mg

      • Dose diária inicial: 25 mg ao deitar

      • Dose diária máxima: 100-150 mg (acima de 100mg deve monitorar níveis plasmáticos)

    • Trazodona comp. 50 mg e 100mg

      • Dose diária inicial: 25 a 100 mg ao deitar.

      • Dose diária máxima: 400 mg/dia.

    • Gabapentina comp. 300mg e 400mg

      • Tomar 1 cp via oral à noite.

      • Dose máxima: 3600 mg/dia.

    • Mirtazapina comp. 15 mg, 30 mg e 45 mg

      • Dose diária inicial: 7,5 a 30 mg ao deitar.

      • Dose diária máxima: 45 mg/dia.


  • Agonista dos receptores das benzodiazepinas:

    • Zolpidem comp. 5 mg ou 10 mg

      • Dose: 5 a 10 mg uma vez ao dia, antes de dormir 

      • Dose máxima 10mg/dia.

    • Eszopiclona comp. 1mg, 2mg e 3 mg

      • Dose diária inicial: 1 a 3 mg ao deitar.

      • Dose diária máxima: 3 mg/dia

    • Zopiclona comp. 7,5 mg

      • Dose diária inicial: 7,5 mg, tomar ao deitar.

      • Dose diária máxima: 7,5 mg/dia


  • Benzodiazepínicos de Curta Duração:

    • Considerações:

      • Não devem ser usados de rotina e sendo reservados para quando os sintomas assumem caráter patológico.

      • São mais indicados para pacientes com dificuldade em adormecer (iniciar o sono).

    • Alprazolam comp. 0,25, 0,5, 1 e 2 mg

      • Dose inicial: 0,5 - 3 mg/dia. Tomar 1cp antes de dormir 

      • Dose máx: 10 mg/dia

    • Triazolam comp. 0,125 - 0,25 mg

      • Tomar 1cp antes de dormir 

      • Dose máx 0,5 mg

    • Midazolam comp. 7,5  e 15 mg

      • Tomar 1cp antes de dormir 

      • Dose máx 20 mg


  • Benzodiazepínicos de Longa Duração:

    • Considerações:

      • Não devem ser usados de rotina e sendo reservados para quando os sintomas assumem caráter patológico.

      • São mais indicados para para problemas em manter o sono (quando o sono já foi iniciado, mas não se sustenta).

    • Lorazepam comp. 1mg e 2mg

      • Tomar 1cp vo antes de deitar

      • Dose máx: 2 mg/dia

    • Bromazepam comp. de 3 e 6 mg e solução de 25mg/ml

      • Tomar um cp antes de dormir 

      • Dose máx 36 mg

    • Diazepam comp. de 5 e 10 mg 

      • Tomar um cp antes de dormir 

      • Dose máx 20 mg ao dia.

    • Clonazepam comp.sublinguais de 0,25 mg, comp orais de 0,5 e 2 mg e solução de 2,5 mg/mL 

      • Tomar um cp antes de dormir 

      • Dose máx 20 mg ao dia. 

    • Estazolam comp. 2mg

      • Tomar 1 cp Vo a noite.

      • Dose máxima: 2 mg/dia

    • Flurazepam comp.15mg e 30 mg

      • Tomar 1 cp via oral antes de dormir

      • Dose máx: 30 mg/dia


  • Antagonista h1 histamínico

    • Doxepina 3mg a 10 mg

      • Dose diária inicial: 1 a 6 mg, tomar 30 minutos antes de deitar.

      • Dose diária máxima: 

    • Difenidramina comp.50mg

      •  Tomar 1 cp via oral 20 minutos antes de deitar

      • Dose máx: 50 mg/dia.


  • Antagonista duplo do receptor de orexina (DORA)

    • Lemborexant comp. 5mg e 10 mg

      • Dose diária inicial: 5 a 10 mg ao deitar.

      • Dose diária máxima: 10mg/dia

    • Suvorexant comp. 10 mg e 20 mg

      • Dose diária inicial: 10 a 20 mg ao deitar.

      • Dose diária máxima: 20mg/dia

    • Daridorexant comp. 25 mg e 50 mg

      • Dose diária inicial: 25  a 50 mg ao deitar.

      • Dose diária máxima: 50mg/dia

Referências

  • Associação Brasileira do Sono, Associação Brasileira de Medicina  do sono,Associação Brasileira de Odontologia do sono,Consenso de Diagnóstico e Tratamento da Insônia em Adultos 2023
  • Sociedade de medicina da família e comunidade Tratamento da Insônia em Atenção Primária à Saúde, Rio de Janeiro, 2016 Jan-Dez; 
  • AVALIAÇÃO E MANEJO DA INSÔNIA. TelessaúdeRS-UFRGS (2018).
  • Tratado de Medicina de Família e Comunidade: Princípios, Formação e Prática. Porto Alegre: ARTMED, 2019. ISBN 9788536327631.
  • AMERICAN PSYCHIATRIC ASSOCIATION. Manual diagnóstico e estatístico de transtornos mentais: DSM-5-TR. 5. ed. rev. Porto Alegre: Artmed, 2023.

Autoria e Curadoria

As informações contidas nesta página são de autoria da Equipe Editorial Médica do GPMED, composta por médicos especialistas de diversas áreas. Todo o conteúdo é estruturado rigorosamente com base em fontes bibliográficas de alto impacto e nas diretrizes oficiais vigentes, seguindo os preceitos da Medicina Baseada em Evidências. Nosso compromisso é oferecer ao médico uma base de consulta técnica, confiável e chancelada por profissionais experientes, garantindo máxima segurança no suporte à decisão clínica.