Tinnitus (zumbido no ouvido) no adulto

CID-10: H93.1

Aspectos gerais

  • Trata-se de um quadro de ilusão auditiva, sensação sonora não relacionada com uma fonte externa de estimulação.  

  • Classificação: 

    • Subjetivo: percebido apenas pelo paciente.

    • Objetivo: identificado também pelo examinador.

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Avaliação

  • Avaliar presença dos seguintes achados:

    • Zumbido pulsátil;

    • Zumbido unilateral;

    • Perda auditiva repentina;

    • Dor de ouvido ou facial;

    • Anormalidades neurológicas focais (paralisia facial);

    • Tontura.


  • Se houver presença de algum dos achados acima:

    • Referenciar ao otorrino dentro de 1 a 2 semanas;

    • Se suspeita de lesão vascular intracraniana: Realizar exames de imagem (ressonância magnética com contraste, angiotomografia e angiografia intervencionista).


  • Se não houver nenhum dos achados acima:

    • Histórico e exame físico focados para identificar causas secundárias tratáveis: ototoxicidade medicamentosa, infecção, disfunção da tuba auditiva, doença do ouvido médio e obstrução de cerúmen.

      • Causa potencial identificada: tratar a causa. se persistente continuar investigação.  

      • Nenhuma causa identificada: tratar como tinnitus persistente.

Terapia não medicamentosa

  • Medidas inespecíficas:

    • Evitar substâncias estimulantes do SNC, como cafeína, álcool e tabaco.

    • Toda e qualquer medicação que o paciente tomar que possa ter causado o tinnitus deve ser avaliada quanto a sua necessidade e, se possível, suspensa.

    • A exposição a ambientes ruidosos deve ser extremamente controlada.


  • Terapias comportamentais:

    • Tinnitus Retraining Therapy:

      • Indicada nos casos refratários ao tratamento clínico ou cirúrgico, nos casos idiopáticos. 

    • Terapia cognitiva comportamental.

    • Programas de biofeedback e redução de estresse.

Terapia medicamentosa

  • Considerações:

    • Preferencial em monoterapia com uma das opções abaixo.

    • Duração do tratamento de 30 a 60 dias.

    • Se falha terapêutica, deve-se trocar medicação. 

    • Em caso de melhora, prolongar por mais 30 dias com diminuição da dose, se possível, retirar ou manter a menor dose possível. Em caso de piora, retornar a dose inicial. 


  • Extrato de Ginkgo Biloba comp. 40 mg ou 80 mg ou 120 mg

    • Dose 80 a 120 mg, VO, duas vezes ao dia, por 8 a 12 semanas.

    • Dose máxima: 240 mg. 

  • Carbamazepina comp. 200 mg ou 400 mg

    • Dose 50 mg VO por 8 noites, após 100mg por 8 noites e após 200mg por 14 noites.

    • Dose máxima: 1600 mg ao dia 

  • Nortriptilina comp. 10 mg ou 25 mg ou  50 mg ou 75 mg.

    • Iniciar com doses baixas e aumentar gradativamente a cada 4 a 8 dias.

    • Dose usual para tratamento: 100mg ao dia.  

    • Dose máxima: 150mg ao dia

  • Gabapentina caps. 300 mg ou 400 mg.

    • Iniciar com doses baixas e aumentar gradativamente a cada 4 a 8 dias.

    • Dose 300 mg, VO, três vezes ao dia. 

    • Dose máxima: 3600 mg ao dia

  • Clonazepam comp. 0,25 ou 0,5 ou 2,0 mg

    • Iniciar com doses baixas e aumentar gradativamente a cada 4 a 8 dias.

    • Dose inicial e 0,5 a 2,0 mg/ dia, até 4 mg ao dia.

    • Dose máxima: 20 mg ao dia.

  • Alprazolam comp. 0,25 mg ou 0,5mg ou 1 mg ou 2 mg

    • Iniciar com doses baixas e aumentar gradativamente a cada 4 a 8 dias.

    • Dose 0,25 mg ou 0,5 mg à noite. Fazer desmame monitorizar a dependência.

    • Dose máxima: 10 mg ao dia

  • Paroxetina comp. 10 mg ou  15 mg ou  20 mg ou 25 mg ou 30mg ou 40 mg.

    • Iniciar com doses baixas e aumentar gradativamente a cada 4 a 8 dias.

    • Dose: iniciar com 10mg, podendo aumentar gradativamente de 10 mg. 

    • Dose máxima: 50 mg ao dia. 

  • Vitaminas (Zinco) e complexos minerais (complexo B)

    • Ácido pangâmico 100 mg + Piridoxina 300 mg + Sulfato de zinco quelado 80 mg

      • Tomar 1 cp , VO, de duas vezes ao dia por 30 dias.

  • Pentoxifilina comp. 400mg ou 600 mg

    • Tomar 1 cp (400 mg), VO, três vezes ao dia; ou, 1 cp (600 mg), VO duas vezes ao dia.

    • Mais indicado para pacientes com doença vascular periférica e sinais de insuficiência vertebrobasilar.

    • Dose máxima: 1200 mg ao dia.

  • Cinarizina comp. 25 mg ou 75 mg

    • Tomar 1cp , VO, três vezes ao dia.

    • Dose máxima: 75 mg ao dia.

  • Flunarizina comp. 10mg

    • Tomar 1cp, VO, uma vez ao dia, à noite.

    • Dose máxima: 20mg ao dia

  • Betaistina comp. 8 mg ou  16 mg ou  24 mg

    • Tomar 1 cp (8-16 mg),  VO três vezes ao dia; ou, 1 cp ( 24 mg) VO, uma a duas vezes ao dia;

    • Dose máxima: 48 mg ao dia

Tinnitus devido mioclonia

  • Considerações:

    • Preferencial em monoterapia com uma das opções abaixo.


  • Relaxantes musculares:

    • Cloridrato de Ciclobenzaprina comp. 5mg ou 10 mg

      • Iniciar com doses baixas e aumentar conforme necessidade.

      • Tomar 1 cp, dose usual 20-40 mg/dia, VO, divididos em 2-4 tomadas;

      • Dose máxima: 60mg ao dia.

    • Baclofeno comp. 10mg

      • Iniciar com doses baixas e aumentar conforme necessidade.

      • Tomar 1 cp VO, até três vezes ao dia. Pode acrescentar 5-10 mg por semana até atingir melhora clínica ou dose de 45-60 mg/dia). Uso contínuo.

      • Dose máxima: 120 mg ao dia ( em pacientes internados).


  • Ansiolíticos: 

    • Observação:

      • Iniciar com doses baixas e aumentar gradativamente conforme a necessidade.

      • O tratamento deve ter duração de 30 a 60 dias ou, se necessário, contínuo na menor dose possível. 

      • Redução da dose gradualmente com monitorização da dependência.

    • Diazepam comp. 5 mg ou 10 mg

      • Dose inicial 5-10 mg VO em duas a quatro tomadas.

      • Dose máxima: 20 mg ao dia

    • Clonazepam comp. 0,25 ou 0,5 ou 2,0 mg

      • Dose inicial e 0,5 a 2,0 mg/ dia, até 4 mg ao dia.

      • Dose máxima: 20 mg ao dia.

    • Alprazolam comp. 0,25 mg ou  0,5mg ou  1 mg ou  2 mg

      • Dose 0,25 mg ou 0,5 mg à noite. 

      • Dose máxima: 10 mg ao dia


  • Anticonvulsivantes: 

    • Carbamazepina comp. 200 mg ou  400 mg

      • Dose 50 mg VO por 8 noites, após 100mg por 8 noites e após 200mg por 14 noites.

      • Dose máxima: 1600 mg ao dia

Persistente vs episódico

  • Pergunta 1: O zumbido é de curta duração (< 6 meses) e/ou infrequente e episódico?
    • Sim: observação com reavaliação a cada 4 a 6 meses.
    • Não: vá para pergunta 2.
  • Pergunta 2: Há perda auditiva no histórico e/ou exame?
    • Não: observação com reavaliação a cada 4 a 6 meses.
    • Sim: vá para pergunta 3.
  • Pergunta 3: o paciente tem menos de 45 anos e não tem perda auditiva prévia?
    • Sim: encaminhar para avaliação por otorrino.
    • Não: vá para pergunta 4.
  • Pergunta 4: há perda simétrica (teste auditivo com audiometria)?
    • Sim: Zumbido pode ser por presbiacusia (perda auditiva neurossensorial com o envelhecimento); ou outra perda auditiva adquirida de alta frequência; ou devido à perda auditiva coclear.

Referências

  • Vinagre LM, Guariento ME. Tratamento clínico de zumbido primário em adultos e idosos: revisão sistemática. Rev Soc Bras Clin Med. 2018 out-dez;16(4):249-54.

  • Bauer CA. Tinnitus. N Engl J Med 2018; 378:1224.

  • Ahmad N, Seidman M. Zumbido no idoso: epidemiologia, fisiopatologia e opções de tratamento. Envelhecimento de Drogas 2004; 21:297.

  • Agência de Pesquisa e Qualidade em Saúde. Avaliação e tratamento do zumbido: eficácia comparativa. 2013.

Autoria e Curadoria

As informações contidas nesta página são de autoria da Equipe Editorial Médica do GPMED, composta por médicos especialistas de diversas áreas. Todo o conteúdo é estruturado rigorosamente com base em fontes bibliográficas de alto impacto e nas diretrizes oficiais vigentes, seguindo os preceitos da Medicina Baseada em Evidências. Nosso compromisso é oferecer ao médico uma base de consulta técnica, confiável e chancelada por profissionais experientes, garantindo máxima segurança no suporte à decisão clínica.