Hidradenite supurativa no adulto

CID-10: L73.2

Aspectos gerais

  • Doença inflamatória crônica e recorrente dos folículos pilosos;

  • Causa multifatorial:

    • Fatores intrínsecos: predisposição genética, alteração hormonal, hipertensão, dislipidemias ou resposta inflamatória sistêmica exacerbada;

    • Fatores extrínsecos: obesidade, tabagismo, diabetes, atrito mecânico e o uso de alguns medicamentos como lítio, anticoncepcionais e isotretinoína.

  • Manifesta geralmente após a puberdade, durante a segunda ou terceira décadas de vida dos pacientes;

  • Maior frequência em mulheres:

    • Acometendo principalmente as regiões axilar, da virilha, mamária e infra-mamária.

  • Nos homens:

    • Afeta com maior frequência as regiões glútea, perianal, nuca e retroauricular.

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Diagnóstico

  • Lesões características, em locais específicos e a recorrência de surtos definidos como fases de formação de nódulos intervaladas por um período de melhora.


  • O diagnóstico é baseado em 3 características:

    • História de lesões recorrentes dolorosas ou supurativas mais de 2 vezes em 6 meses; 

    • Localização anatômica típica: axila, virilha, região perineal e perianal, nádegas, dobras infra- e intermamárias;

    • Lesões típicas: nódulos (inflamatório ou não, único ou múltiplos, doloroso ou profundos), tratos sinusais (inflamatórios ou não), abscessos, comedões e/ou cicatrizes (atróficas, em malha, vermelha, hipertrófica ou linear). 


  • Diagnóstico diferencial

    • Erupções cutâneas ocasionadas pela doença de Crohn;

    • Acne;

    • Doença pilonidal interglútea;

    • Piodermite, furúnculos, carbúnculos e abscessos;

    • Granuloma inguinal (donovanose);

    • Actinomicose;

    • Linfogranuloma Venéreo;

    • Doença da arranhadura do gato;

    • Tuberculose cutânea;

    • Esteatocistoma múltiplo;

    • Metástase.

Estágios de Hurley

  • Estágio I: Abscesso único, ou múltiplos, porém sem fístulas ou cicatrizes.

  • Estágio II: Abscesso recorrente único, ou múltiplos, separados, com formação de fístulas e cicatrizes.

  • Estágio III: Múltiplas fístulas interconectados e abscessos envolvendo ao menos uma área anatômica completa.

Manejo geral

  • Medidas de suporte, controle da dor, tratamento cirúrgico e medicamentoso, para os quais deve ser considerada a gravidade do quadro e a sintomatologia dos pacientes.

  • Espera-se que o tratamento adequado contribua para a redução da frequência de novas lesões, controle da supuração, prevenção da progressão da doença, minimização da formação de cicatrizes, melhora dos sintomas e da qualidade de vida dos pacientes com esta doença.

Tratamento não medicamentoso

  • Higienização local:

    • Realizada de forma suave com sabonetes neutros e, em caso de odor fétido, uso de antisséptico.

    • Deve ser realizada apenas com as mãos (sem panos ou esponjas) para evitar mais atrito e irritação no local da lesão.


  • Redução de traumas:

    • Redução do calor, umidade, suor e atrito.

    • Recomenda-se o uso de roupas soltas e ventiladas. Materiais sintéticos e justos devem ser evitados.


  • Controle do peso e abandono do fumo.


  • Realização de curativos:

    • Curativos absorventes, que não irritem o local da lesão, com o intuito de diminuir o desconforto causado pelo exsudato das lesões supurativas, mantendo a superfície seca e livre de odores. 

    • A incisão e drenagem é recomendada para pacientes que apresentam abscessos flutuantes com quadro importante de dor.

Tratamento medicamentoso

O tratamento pode incluir a administração de antibioticoterapia tópica, sistêmica e/ ou biológico anti-fator de necrose tumoral (anti-TNF).

Terapia tópica:

  • Indicado uso em Hurley I ou lesões superficiais nos casos de agudização.

  • Fosfato de Clindamicina 1% gel

    • Uso tópico, 2 vezes ao dia, por até o período máximo de 03 meses. 

    • Não deve ser utilizado por mulheres grávidas ou durante a amamentação.


Terapia sistêmica:

  • Indicadas em caso de falha à terapia tópica no estágio de Hurley I ou para os estágios Hurley II e III.

  • Passo 1:

    • Cloridrato de Tetraciclina cáps. 500mg 

      • Tomar 1 cp de 12/12h, por até 12 semanas.

      • Contraindicado: mulheres grávidas, mulheres que desejam engravidar e durante a lactação, pois trata-se de um medicamento teratogênico. Também é contraindicado o seu uso concomitante com contraceptivos orais e penicilina. 

  • Passo 2:

    • Esquema: Clindamicina + Rifampicina, por 10 semanas.

    • Clindamicina comp. 300 mg 

      • Tomar 1 cp de 12/12h, por 10 semanas.

    • Rifampicina cáps. 300mg

      • Tomar 1 cp de 12/12h, por 10 semanas.

    • Pode repetir o ciclo se persistência da atividade da doença por mais 10 semanas.

  • Passo 3 (Medicamento anti-TNF):

    • Encaminhar para o dermatologista.

    • Adalimumabe  sol. inj. 20 mg/0,2 mL ou 40 mg/0,4 mL ou 80 mg/0,8 mL

      • Inicialmente 160 mg (quatro injeções subcutâneas de 40 mg aplicadas em um dia ou divididos em duas injeções de 40mg por dois dias consecutivos); 

      • Seguidos por 80 mg (duas injeções de 40mg) no dia 15 (duas semanas depois);

      • E uma injeção de 40 mg uma vez por semana a partir do dia 29 (duas semanas depois da segunda aplicação). 

      • Duração do tratamento: 12 semanas.

    • Caso após 12 semanas de tratamento não houver resposta terapêutica (avaliada pelo índice HiSCR), a continuação da terapia deve ser avaliada.

Controle da dor

  • Ir para Manejo da Dor.


  • Analgésicos simples

    • Dipirona comp. 500mg ou 1g

      • Tomar 1 cp de 6/6h (max 4g por dia)

  • Paracetamol comp. 500mg ou 750mg

    • Tomar 1 cp de 6/6h (max 4g por dia)


  • AINEs não-seletivos da COX-2

    • Ibuprofeno comp. 200mg ou 300mg ou 400mg ou 600mg

      • Tomar 1 cp de 6/6h (max 3,2g por dia)

  • Diclofenaco comp. 50mg

    • Tomar 1 cp de 8/8h (max 150mg por dia)

  • Cetoprofeno comp. 50mg ou 100mg ou 150mg

    • Tomar 1 cp de 12/12h (max 300mg por dia)

  • Naproxeno comp. 250mg ou 500mg

    • Tomar 1 cp de 12/12h (max 1 a 1,5g por dia)

  • Naproxeno comp. revest. 275mg ou 550mg

    • Tomar 1 cp de 12/12 h (max 1 a 1,5g por dia)

Tratamento cirúrgico

  • Indicação:

  • Fístulas (sobretudo fístulas complexas ou fístulas refratárias à terapêutica médica);

  • Cicatrizes tipo acordeão ou outras (particularmente se impacto funcional);

  • Bridas contrácteis cicatriciais;

  • Mutilação anatómica ou funcional;

  • Suspeita de neoplasia;

  • Inflamação refratária à terapêutica medicamentosa.

Referências

  • Brasil. Ministério da Saúde. Secretaria de Ciência, Tecnologia, Inovação e Insumos Estratégicos em Saúde. Departamento de Gestão e Incorporação de Tecnologias e Inovação em Saúde. Protocolo Clínico e Diretrizes Terapêuticas da hidradenite supurativa [recurso eletrônico] / Ministério da Saúde, Secretaria de Ciência, Tecnologia, Inovação e Insumos Estratégicos em Saúde, Departamento de Gestão e Incorporação de Tecnologias e Inovação em Saúde. – Brasília : Ministério da Saúde, 2020.
  • Cabete J, et al. Recomendações na abordagem do doente com hidradenite supurativa, Acta Med Port 2023 Feb;36(2):133-139

Autoria e Curadoria

As informações contidas nesta página são de autoria da Equipe Editorial Médica do GPMED, composta por médicos especialistas de diversas áreas. Todo o conteúdo é estruturado rigorosamente com base em fontes bibliográficas de alto impacto e nas diretrizes oficiais vigentes, seguindo os preceitos da Medicina Baseada em Evidências. Nosso compromisso é oferecer ao médico uma base de consulta técnica, confiável e chancelada por profissionais experientes, garantindo máxima segurança no suporte à decisão clínica.