Onicomicose na criança
CID-10: L60
Informações gerais
Infecção ungueal causada por dermatófitos, leveduras e fungos.
Classificadas clinicamente em onicomicose:
Subungueal distal: forma mais comum, afeta a parte distal da unha.
Superficial branca: placas brancas na superfície da unha.
Proximal subungueal: mais comum em imunossuprimidos.
Distrófica total: unha completamente comprometida.
prático e seguro!
Quadro clínico
Espessamento, endurecimento e a perda de brilho das unhas;
Presença de estrias nas unhas (riscos);
Alteração da cor de início distal (coloração amarelada, amarronzada ou acinzentada);
Dor à manipulação e inflamação do tecido que fica ao redor da unha (paroníquia), podendo ou não ter infecção ou colonização por bactérias;
Abaixo da unha também se pode perceber um material poroso e amarelado no leito ungueal.
É comum existir associada à onicomicose, a tinea dos pés.
Indicação de tratamento
História de celulite da extremidade inferior, especialmente se repetida, que apresentam unha do pé ipsilateral onicomicose;
Paciente com diabetes e onicomicose das unhas dos pés que apresentam fatores de risco adicionais para celulite (ou seja, celulite prévia, insuficiência venosa, edema);
Presença de desconforto ou dor associada a unhas infectadas;
Imunossuprimidos;
Razões estéticas.
Esquema de tratamento
- O tratamento pode envolver as seguintes opções de manejo:
- Terapia tópica (incluindo avulsão da lâmina ungueal afetada)
- Terapia sistêmica
- Terapia combinada.
- Outras: terapia com laser, fotodinâmica e cirurgia
- Nas crianças:
- Terbinafina e o Itraconazol são a 1ª linha.
- Fluconazol é a 2ª linha, caso se opte pelo tratamento oral.
- Terapia tópica:
- Indicada para casos sem envolvimento da matriz ungueal ou contraindicação ao tratamento sistêmico.
- Amorolfina 5% esmalte ou Ciclopirox 8% esmalte ou Tioconazol solução 28%
- Terapia Sistêmica:
- Indicada para onicomicose envolvendo a matriz ungueal.
- Griseofulvina ou Terbinafina ou Itraconazol ou Fluconazol
- Testes de função hepática devem ser monitorados em pacientes com doença hepática preexistente e em todos os pacientes que recebem tratamento por mais de um mês.
- Terapia Combinada:
- Indicada para casos resistentes, hiperceratose >2 mm e onicomicose distrófica total.
- (Itraconazol ou Fluconazol) + Terbinafina; ou ;Avulsão química / mecânica + tratamento tópico/ sistêmico.
- A associação deve priorizar medicamentos com mecanismos de ação diferentes.
Medicamentos
As opções medicamentosas para tratamento incluem as seguintes (a escolha deve ser feita considerando o esquema de tratamento descrito no tópico acima):
Terbinafina comp. 250 mg
Tomar dose conforme peso, via oral, uma vez ao dia, por 6 semanas (mãos) ou 12 semanas (pés).
10 - 20 kg : 62,5 mg por dia;
20 - 40 kg: 125 mg por dia;
acima de 40 kg: 250 mg por dia.
Itraconazol comp. 100mg, 200mg
Dose de 5 mg/kg, VO, uma vez ao dia, por 7 dias ao mês.
Repetir o ciclo por 2 meses para onicomicose nas unhas das mãos e por 3 meses para onicomicose nas unhas dos pés;
Menos de 20 kg – 5 mg/kg por dia
20 a 40 kg – 100 mg por dia
40 a 50 kg – 200 mg por dia
Mais de 50 kg – 200 mg duas vezes ao dia
Fluconazol comp. 150 mg
Dose: 3-6 mg/kg (máximo 150 mg), VO, uma vez por semana
Duração de 12 semanas para onicomicose nas unhas das mãos e por 26 semanas para onicomicose nas unhas dos pés;
Griseofulvina comp. 500mg
Dose de 10 mg/kg/dia, via oral, uma vez ao dia, até a cura, geralmente de 4 a 6 meses.
Amorolfina esmalte 5%
Aplicar em unhas limpas e lixadas duas vezes por semana por 2 semanas.
Ciclopirox esmalte 8%
Aplicar em unhas limpas e lixadas , o uso pode ser diário ou 3 vezes por semana por 2 semanas ou até o desaparecimento dos sintomas.
Medicamento indicado para crianças > 6 anos;
Tioconazol sol. 28%
Aplicar em unhas limpas e lixadas duas vezes por dia por 10 dias.
Ureia sol. 20-40%
Aplicar na unha acometida uma vez ao dia, podendo ocluir por 2-3 semanas;
Ácido salicílico creme 5-10%
Aplicar na unha acometida uma vez ao dia, podendo ocluir por 2-3 semanas.
Alívio dos sintomas
Unhas grossas e distróficas: remoção de detritos ungueais hiperqueratóticos pode ajudar a melhorar esses sintomas.
Pacientes com unhas muito grossas e distróficas, é recomendado o seguinte regime noturno:
Aplique uma camada protetora generosa de vaselina na pele periungueal
Aplique uma camada espessa de creme ou pomada tópica de ureia a 40% na unha
Oclua a unha com um curativo ou fita adesiva e deixe agir durante a noite
Lave a ureia tópica com água e sabão pela manhã
Repita este procedimento todas as noites até que a unha amoleça e possa ser facilmente cortada ou desbridada
A reaplicação de ureia tópica sem oclusão conforme a necessidade pode ser usada para manter a melhora. O tratamento sem oclusão também costuma ser suficiente para reduzir a hiperqueratose ungueal em pacientes com espessamento ungueal menos grave.
Medidas comportamentais
As medidas comportamentais podem ajudar a reduzir o risco de recorrência, e incluem:
Inspeção regular dos pés em busca de sinais de tinea pedis
Evitar cortar cutículas
Manter os pés frescos e secos (ou seja, trocar meias e sapatos se ficarem úmidos com a transpiração)
Usar sapatos em áreas públicas (por exemplo, chuveiros públicos, academias)
Evitar equipamentos de manicure de unhas compartilhados e não esterilizados
Referências
Braga dos santos, J., & Crepaldi Duarte, F. . (2019). Onicomicoses: Identificação dos principais patógenos e manejo clínico. REVISTA IBERO-AMERICANA DE PODOLOGIA, 1(2), 81 - 87.
Revista SPDV 77(3) 2019; Novos avanços no tratamento da onicomicose; C. Galhardas, C. Rosado, A. Lencastre.
Ruiz LRB, Chiacchio ND. SBD.Manual de conduta nas onicomicoses Diagnóstico e tratamento.
Lahfa M, Bulai-Livideanu C, Baran R, et al. Eficácia, segurança e tolerabilidade de uma técnica de avulsão otimizada com pomada de onyster® (pomada de uréia a 40% com curativo plástico) em comparação com pomada de bifonazol-uréia para remoção da unha clinicamente infectada na onicomicose ungueal: um estudo randomizado controlado cego por avaliador. Dermatologia 2013; 226:5.
GUSSO, Gustavo; LOPES, José MC, DIAS, Lêda C, organizadores. Tratado de Medicina de Família e Comunidade: Princípios, Formação e Prática. Porto Alegre: ARTMED, 2019, 2388 p.


