Pneumonia bacteriana não complicada na criança
CID 10: J18
Definição
Infecção aguda do parênquima pulmonar em um paciente que adquiriu a infecção na comunidade (não foi hospitalizada no último mês).
Agente etiológicos mais comuns de pneumonia na criança:
Não bacteriana: Vírus sincicial respiratório.
Bacteriana: S. pneumoniae, H. influenzae e S. aureus.
Diagnóstico é clínico:
Febre de início agudo, taquipneia e tosse, podendo haver diminuição do apetite e agitação.
Podendo ter como pródromo quadro prévio de infecção viral de vias aéreas superiores com febre baixa e rinorreia.
Crianças maiores podem ainda relatar dor torácica tipo pleurítica ou rigidez de nuca.
Exames de imagem e laboratoriais são reservados a complicações ou não melhora após antibioticoterapia dentro de 48 a 72 horas ou piora do quadro.
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Sinais de gravidade
Saturação de oxigênio < 92%;
Abolição do murmúrio vesicular, com possibilidade ou confirmação com radiográfica de complicações como derrame pleural e empiema;
Desnutrição grave;
Sonolência;
Rebaixamento de nível de consciência;
Recusa alimentar.
Crianças< 2 meses de idade com tosse, dificuldade respiratória e frequência respiratória elevada ( > 60 irpm), com ou sem tiragem subcostal, devem ser consideradas como pneumonia grave e internadas a nível hospitalar.
Exames complementares
Indicações de exames laboratoriais:
Crianças com doença grave e aspecto toxêmico:
Realizar hemograma, eletrólitos, marcadores inflamatórios, teste de função hepática/ renal e hemocultura.
Indicações de exames de imagem:
Doença de evolução prolongada ou recorrente apesar do tratamento;
Suspeita de aspiração de corpo estranho ou malformações congênitas;
Crianças menores de cinco anos com febre, leucocitose sem causa aparente.
Crianças que não apresentam boa evolução dentro de 48 a 72 horas do tratamento ou com piora do quadro clínico.
Esquema de tratamento
Cuidados gerais
Os cuidados de suporte incluem a garantia de antipirese adequada, analgesia, suporte respiratório e hidratação.
Para crianças com dessaturação (SpO2 < 92%): oxigenoterapia sob cânulas nasais, dispositivo de alto fluxo ou máscara facial.
Local de manejo:
> 2 meses de idade E ausência de sinais de gravidade E capaz de ingerir fluidos / ATB via oral:
Tratamento ambulatorial, em domicílio, com antibiótico (ATB) via oral.
< 2 meses de idade OU presença de sinais de gravidade OU incapaz de ingerir fluidos / ATB via oral:
Internação hospitalar, com ATB intravenoso.
Quais antibióticos (ATB) selecionar?
Crianças > 2 meses selecionadas para tratamento ambulatorial via oral:
Primeira linha de tratamento empírico: amoxicilina ou clindamicina ou eritromicina ou claritromicina ou azitromicina ou cefuroxima.
Crianças > 2 meses selecionadas para tratamento hospitalar via intravenosa:
Ceftriaxona.
Lactantes < 2 meses:
Opção 1: Gentamicina + (Penicilina cristalina OU Ampicilina OU Amoxicilina-clavulanato OU Cefuroxima)
Opção 2: Ampicilina + (Aminoglicosídeo OU Cefalosporina de 3ª geração)
Situações especiais:
Suspeita de infecção pelo M. pneumoniae ou C. pneumonia:
Acrescentar o macrolídeo (Azitromicina ou Claritromicina) à amoxicilina ou substituí-la por ele.
Menores de 2 meses com presença de conjuntivite, suspeitar de C. trachomatis:
Eritromicina.
Crianças de áreas com resistência à penicilina:
Ampicilina ou Penicilina Cristalina
Crianças com quadros graves sem imunização completa ou portadoras de HIV:
Ceftriaxona ou Cefotaxima
- Pneumonia atípicas:
- Azitromicina ou Claritromicina
E em caso de falha terapêutica com o primeiro ATB?
Definição de falha terapêutica: ausência de sinais de melhora após 48 a 72 horas de tratamento.
Se a criança estiver em tratamento ambulatorial, e sem sinais de gravidade, pode-se considerar a troca por outro ATB
Caso a criança melhore com a troca de ATB, o novo deve-se manter até completar 7 dias.
Caso haja piora ou o quadro se manter inalterado, avaliar indicação de internação hospitalar.
A associação de amoxicilina com inibidores de beta-lactamase (clavulanato ou sulbactam), ou Cefuroxima, podem ser utilizadas como segunda opção de tratamento por via oral, após a falha com o primeiro ATB.
- Nas situações de falha terapêutica em que tem possibilidade de infecção por pneumococo ou S.aureus resistente à penicilina, orienta-se substituir o ATB por Clindamicina ou Linezolida.
Antibióticos
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Penicilinas
Sol. oral 250mg/5mL
Dar 0,3 a 0,6 mL/kg (max 10 mL), a cada 8h, por 5 a 10 dias.
Dose: 50 a 90 mg/kg/dia.
Regra prática: peso / 3 = mL a cada 8 h (nessa regra, considera-se a dose de 50 mg/kg/dia).
Sol. oral 400mg/5mL
Dar 0,2 a 0,4 mL/kg (max 6,3 mL), a cada 8h, por 5 a 10 dias.
Dose: 50 a 90 mg/kg/dia.
Sol. oral 500mg/5mL
Dar 0,3 a 0,5 mL/kg (max 5 mL), a cada 12h, por 5 a 10 dias.
Dose: 50 a 90 mg/kg/dia.
Sol. oral 125+31,25mg/5mL
Dar 0,7 a 1,2 mL/kg (max 20 mL), a cada 8h, por 5 a 10 dias.
Dose: 50 a 90 mg/kg/dia
Regra prática: peso / 1,5 = mL a cada 8 h (nessa regra, considera-se a dose de 50 mg/kg/dia)
Sol. oral 200+28,5mg/5mL
Dar 0,4 a 0,8 mL/kg (max 12,5 mL), a cada 8h, por 5 a 10 dias.
Dose: 50 a 90 mg/kg/dia
Sol. oral 250+62,5mg/5mL
Dar 0,3 a 0,6 mL/kg (max 10 mL), a cada 8h, por 5 a 10 dias.
Dose: 50 a 90 mg/kg/dia
Regra prática: peso / 3 = mL a cada 8h (nessa regra, considera-se a dose de 50 mg/kg/dia)
Sol. oral 400+57mg/5mL
Dar 0,3 a 0,5 mL/kg (max 10 mL), a cada 12h, por 5 a 10 dias.
Dose: 50 a 90 mg/kg/dia
Ampicilina comp. 500mg
Dose 50mg/kg/dose de 6 em 6 horas, ou, 200 mg/Kg/dia, VO. Máxima de 12 g/dia
Tomar 1 cp a cada 6h, longe das refeições, 30 a 60 min antes das refeições.
Ampicilina pó inj. 250mg ou 500mg ou 1g
Dose 50mg/kg/dose de 6 em 6 horas, ou, 200 mg/Kg/dia, IV. Máxima de 12 g/dia
Aplicar 1 amp (de 500mg) + 100ml SF0,9%, IV a cada 6h
Penicilina cristalina pó inj. 1 e 5 milhões UI
Dose 150.000 - 200.000UI/kg/dia, IV, dose dividida de 6 em 6 horas. (MAX 24 milhões de unidades/dia)
Diluir 1 amp + 100 mL SF0,9%, IV 30-60 min, a cada 6-24h
Cefalosporinas
Cefuroxima sol. oral 250mg/5mL
Dar 0,3 mL/kg (max 10 mL), a cada 12 h
Dose: 30 mg/kg/dia
Regra prática: peso / 3,3 = mL a cada 12 h
Pó inj. 500mg
Reconst. 1 amp p/ cada 5 mL AD
Dose: 100 mg/kg/dia
Aplicar 0,5 mL/kg (max 10 mL) + 35 a 100 mL SF0,9% IV em 30 min, a cada 12 h, OU
Aplicar 1 mL/kg (max 10-20 mL) + 35 a 100 mL SF0,9% IV em 30 min, a cada 24 h
Pó inj. 1g
Diluir 1 amp para cada 10 mL de AD
Dose: 100 mg/kg/dia
Aplicar 0,5 mL/kg (max 10 mL) + 35 a 100 mL SF0,9% IV em 30 min, a cada 12 h, OU
Aplicar 1 mL/kg (max 10-20 mL) + 35 a 100 mL SF0,9% IV em 30 min, a cada 24 h
Macrolídeos
Azitromicina sol. oral 200mg/5mL
Dar 0,25 mL/kg (max 12,5 mL), a cada 24 h, por 5 dias.
Dose: 10 mg/kg/dia
Regra prática: peso / 4 = mL a cada 24 h
Claritromicina xp 250mg/5mL
Dar 0,15 mL/kg (max 10 mL), a cada 12 h , por 5 a 10 dias.
Dose: 15 mg/kg/dia
Regra prática: peso / 6,5 = mL a cada 12 h
Eritromicina comp. 500mg
Dose 20 mg/kg/dia, VO, dose dividida de 6 em 6 horas, máximo de 2g/dia, por 5 a 10 dias.
Lincosamidas
Clindamicina comp. 300mg
Dose 30 a 40 mg/kg por dia em 3 ou 4 doses divididas (máx. 2,7 g/dia)
Tomar 1 cp a cada 6h, por 7 dias.
Clindamicina inj. 300mg/2mL ou 600mg/4mL ou 900mg/6mL
dose 30 a 40 mg/kg por dia em 3 ou 4 doses divididas (máx. 2,7 g/dia)
Aplicar 2 amp (de 300mg) + 100mL SF0,9%, IV a cada 6h, OU
Aplicar 1 amp (de 900mg) + 100mL SF0,9%, IV a cada 8h
Aminoglicosídeos
Gentamicina inj. 40mg/1mL ou 80mg/2mL
Dose 7,5 mg/kd/dia, IV, dose dividida de 12 em 12 horas
Diluir volume desejado em 50 a 200 mL SF0,9%
Oxazolidinonas
Linezolida inj. 600mg/300mL
Idade <12 anos: 10 mg/kg a cada 8 horas (MAX 600 mg/dose)
Idade ≥12 anos: 600 mg a cada 12 horas
Aplicar 1 bolsa, IV em 30 a 120 min, a cada 12h.
Sintomáticos
Analgésico e antipirético:
Gotas 500mg/1mL/20gotas
Dar 0,6 a 1 gota/kg (max 40 gotas), a cada 6 h se dor ou febre
Dose: 15 a 25 mg/kg/dose
Obs: > 3 meses de idade
Sol. oral 50mg/1mL
Dar 0,3 a 0,5 mL/kg (max 20 mL), a cada 6 h se dor ou febre
Dose: 15 a 25 mg/kg/dose
Obs: > 3 meses de idade
Sol. injetável 1g/2mL ou 500mg/1mL
<= 8 kg: 0,1 a 0,2 mL IM, a cada 6h se necessário
9-15 kg: 0,2 a 0,5 mL IV ou IM, a cada 6h se necessário
16-23 kg: 0,3 a 0,8 mL IV ou IM, a cada 6h se necessário
24-30 kg: 0,4 a 1,0 mL IV ou IM, a cada 6h se necessário
31-45 kg: 0,5 a 1,5 mL IV ou IM, a cada 6h se necessário
46-53 kg: 0,8 a 1,5 mL IV ou IM, a cada 6h se necessário
>= 54 kg: 2 mL IV ou IM, a cada 6h se necessário
Observação: Para menores de 1 ano deve-se utilizar via oral (VO) ou intramuscular (IM), sendo a via intravenosa (IV) reservada para maiores de 1 ano.
Gotas 200mg/1mL/15gotas
Dar 1 gota/kg (max 35 gotas), a cada 6 h
Dose: 10 a 15 mg/kg/dose (max 75 mg/kg/dia ou 4g/dia)
Sol. oral 32mg/1mL
Dar 0,31 a 0,46 mL/kg (max 31 mL), a cada 6 h
Dose: 10 a 15 mg/kg/dose (max 75 mg/kg/dia ou 4g/dia)
Sol. oral 100mg/1mL
Dar 0,1 a 0,15 mL/kg (max 10 mL), a cada 6 h
Dose: 10 a 15 mg/kg/dose (max 75 mg/kg/dia ou 4g/dia
AINEs
Gotas 100mg/1mL/10gotas
Dar 1 gota/kg (max 20 gotas), a cada 8-6 h
Max de 20 gotas/dose (200mg) e 80 gotas/dia (800mg)
Dose: 5 a 10 mg/kg/dose (max 800mg/dia)
Observação:
Para maiores de 6 meses
Utilizar AINEs pelo menor tempo e na menor dose efetiva possível
Gotas 50mg/1mL/10gotas
Dar 1 a 2 gotas/kg (max 40 gotas), a cada 8-6 h
Max de 40 gotas/dose (200mg) e 160 gotas/dia (800mg)
Dose: 5 a 10 mg/kg/dose (max 800mg/dia)
Observação:
Para maiores de 6 meses
Utilizar AINEs pelo menor tempo e na menor dose efetiva possível
Sol. oral 30mg/mL
Dar 0,16 a 0,33 mL/kg (max 7 mL), a cada 8-6 h
Max de 7 mL/dose (210mg) e 28 mL/dia (840mg)
Dose: 5 a 10 mg/kg/dose (max 840 mg/dia)
Observação:
Para maiores de 6 meses
Utilizar AINEs pelo menor tempo e na menor dose efetiva possível
IM sol. injetável 30mg/1mL
Aplicar 0,03 mL/kg (max 1 mL) IM
Dose: 1 mg/kg/dose (max 2 mg/kg/dia ou 60 mg/dia)
Observação:
Para maiores de 2 anos
Utilizar AINEs pelo menor tempo e na menor dose efetiva possível
IV sol. injetável 30mg/1mL
Aplicar 0,017 a 0,033 mL/kg (max 1 mL) IV bolus (> 15 seg)
Dose: 0,5 a 1 mg/kg/dose (max 2 mg/kg/dia ou 60 mg/dia)
Observação:
Para maiores de 2 anos
Utilizar AINEs pelo menor tempo e na menor dose efetiva possível
Indicações de internação hospitalar
As indicações de internação hospitalar incluem:
Hipoxemia (saturação de oxigênio < 92% em ar ambiente);
Desidratação ou incapacidade de manter a hidratação ou alimentação por via oral;
Desconforto respiratório moderado a grave: FR > 70 irpm para < 12 meses e > 50 irpm para crianças maiores;
Dificuldade em respirar (gemência, batimento de asas nasais, retrações ou apneia);
Aparência tóxica;
Doenças subjacentes ( doenças cardiopulmonar, síndromes genéticas, distúrbios neurológicos);
Complicações do quadro clínico (derrame pleural, empiema, pneumonia necrotizante e abscesso).
Falha da terapia ambulatorial (piora ou ausência de resposta em 48 a 72 horas).
Observação:
Além dos sinais de alarme citados acima, também é indicado internação hospitalar casos de crianças que sejam incapazes de aceitar fluidos ou antibióticos por via oral e/ou apresentam sinais de septicemia ou pneumonia complicada. Nesses casos, recomenda-se antibióticos por via intravenosa.
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Diagnósticos diferenciais
- Asma
- Bronquiolite aguda
- Pneumonia
- Aspiração de corpo estranho
- Tuberculose
- Рոеսmоnia bacteriana atípica
- Pneumonia aspirativa
- Fibrose cística
Referências
SBP. Pneumonia adquirida na Comunidade na Infância. N 3 de julho de 2018.
SBP. Abordagem Diagnóstica e Terapêutica das Pneumonias Adquiridas na Comunidade Não Complicadas. N 08, 23 de fevereiro de 2022.
- Prestes LM, Castro MAUL, Souza GAB, Barros LGB, Scotta MC, Pinto LA. Manejo de pneumonia e derrame pleural em crianças . J Bras Pneumol. 2023;49(6):e20230370.


