Sangramento da primeira metade da gestação
CID-10: O20
Outros temas:
Aspectos gerais
O sangramento vaginal no primeiro trimestre da gravidez acomete 20%-40% das mulheres, podendo apresentar diversas características: leve ou intenso, intermitente ou constante, indolor ou doloroso.
Principais causas do aborto, a gravidez ectópica, o sangramento por lesões cervicais ou vaginais, a infecção uterina e a doença trofoblástica.
O sangramento de implantação, pequeno e que ocorre de 10 a 14 dias depois da fertilização do óvulo, é o diagnóstico de exclusão.
Casos mais graves, quando a gestante apresenta sangramento intenso com instabilidade hemodinâmica, deve-se pensar em gravidez ectópica rota com grande hemorragia ou aborto incompleto com “choque cervical” (oriundo da presença de fragmentos placentários no canal cervical desencadeando reflexo parassimpático com bradicardia e hipotensão) ou hemorragia maciça devido ao quadro de abortamento.
prático e seguro!
História e exame físico geral
São fatores importantes na história clínica ao avaliar uma gestante com sangramento vaginal:
Antecedentes menstruais
Realização de ultrassonografia precoce para a correta determinação da idade gestacional, presença de coágulos, quantidade da perda sanguínea, saída de fragmentos placentários,
Queixa de dor intensa
Lipotimia
Sangramento maior do que o fluxo menstrual habitual é associado a maior risco de perda gestacional.
No exame físico:
Analisar se existe instabilidade hemodinâmica
O exame abdominal revela áreas de sensibilidade, rigidez ou distensão
A presença de dor em linha média do abdome é consistente com cólicas uterinas da perda gestacional, enquanto a dor localizada em região de fossa ilíaca sugere gravidez ectópica
Exame especular
Toque bimanual
São determinados o tamanho uterino
A dilatação cervical e qualquer sensibilidade pélvica apresentada pela gestante.
Na gravidez ectópica, a mulher pode relatar dor à mobilização anexial e sensibilidade abdominal, além de ser possível.
Em alguns casos pode ser possível a ausculta dos batimentos cardíacos fetais com dispositivo portátil.
Exames gerais
- Beta Hcg, quantitativo e qualitativo.
- Pesquisa para fator RH -.
- Ultrassonografia.
- Exames gerais como hemograma, e outros de acordo com critério de cada caso.
Aborto
Ir para o tema completo sobre Aborto.
Aborto é a interrupção da gravidez que ocorre antes de 22 semanas completas de gestação, com feto pesando menos de 500 gramas ou medindo menos de 25 cm de comprimento cabeça-nádega, conforme definido pelos principais órgãos de saúde nacionais e internacionais (OMS, Febrasgo, Ministério da Saúde e CID‑11).
O aborto é a causa mais frequente de sangramento no 1º trimestre, sendo a pricinpal causa a cromossopatias.
Classificação:
Aborto precoce menos de 12 semanas
Aborto tardio 13-22 semanas
Gravidez ectópica
Ir para o tema completo sobre Gravidez ectópica.
Definição:
Define-se gravidez ectópica quando a implantação e o desenvolvimento do blastocisto ocorrem fora da sede normal, ou seja, da cavidade corporal do útero.
Locais acometidos:
Tubas uterinas, ovários, cavidade peritoneal cervical
95% dos casos acontecem nas Tubas Uterinas (principalmente porção de ampola).
A ocorrência de Gravidez Ectópica prévia aumenta em 6 a 8x o risco de nova ectópica.
Doença trofoblástica
Ir para o tema completo sobre Doença Trofoblástica.
A doença trofoblástica gestacional (DTG):
Definida como uma anomalia proliferativa que acomete células que compõem o tecido trofoblástico placentário, ainda que seus diferentes estágios histológicos difiram na propensão e regressão, invasão e recorrência.
Mola hidatiforme completa:
Há hiperplasia difusa do trofoblasto, todas as vilosidades estão alteradas e exibem dilatação hidrópica repleta de fluido. Não há desenvolvimento de feto ou anexos e o risco de progressão para formas malignas é de 20%.
Mola hidatiforme parcial:
Há hiperplasia focal do trofoblasto, com edema focal e fibrose do estroma. Neste caso, existe feto geralmente malformado (cariótipo triplóide) e o risco de progressão para formas malignas é de 5%.
Mola invasora:
Forma persistente da mola hidatiforme.
Coriocarcinoma:
Forma maligna de DTG, com grande potencial para metástase, mesmo na ausência de doença em útero ou pelve.
Referências
- Couto E, Hase EA. Sangramento na gravidez. São Paulo: Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia (FEBRASGO); 2021. cap. 3; p. 12-46. (Série, Orientações e Recomendações FEBRASGO, no.4/Comissão Nacional Especializada em Tromboembolismo Venoso e Hemorragia na Mulher).
- Doubilet PM, Benson CB: Further evidence against the reliability of the human chorionic gonadotropin discriminatory level. J Ultrasound Med 30 (12):1637–1642, 2011. doi:10.7863/jum.2011.30.12.1637.
- Tratado de Ginecologia FEBRASGO / editores Cesar Eduardo Fernandes, Marcos Felipe Silva de Sá; coordenação Agnaldo Lopes da Silva Filho...[et al]. – 1. ed. – Rio de Janeiro: Elsevier, 2019.


