Disfunção erétil

CID-10: F52

Conceitos gerais

  • Disfunção erétil é uma alteração no desempenho sexual causada por fatores biológicos, psicológicos e sociais, podendo afetar o desejo, excitação, orgasmo ou resposta sexual. 

  • A disfunção sexual é comumente em homens e mulheres, mas frequentemente subdiagnosticada, sendo a disfunção erétil um dos principais tipos de disfunção sexual em homens.

  • Seu manejo exige abordagem centrada no paciente, avaliação ampla e postura acolhedora por parte do profissional.

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Diagnóstico

  • Dividida em duas categorias: 

    • Psicogênica

    • Orgânica 

 

  • Além da anamnese e do exame clínico, alguns exames adicionais podem ser requisitados para investigar a origem da disfunção erétil.

    • Glicemia de jejum e hemoglobina glicada

    • Hemograma completo

    • Avaliação da função renal

    • Avaliação da função hepática

    • Avaliação da função da tireoide;

    • Perfil lipídico;

    • Dosagem de testosterona total sérica; 

      • Caso esteja baixa, deve-se solicitar a dosagem de prolactina.

Estratificação de risco

 

  • Pacientes com baixo risco cardiovascular:

    • Podem iniciar ou retomar a atividade sexual com segurança.

    • Estão aptos a iniciar tratamento para disfunção erétil com medicamentos, se necessário.

 

  • Pacientes com risco cardiovascular intermediário:

    • Devem ser avaliados quanto à capacidade funcional antes do início do tratamento.

    • Estão aptos ao uso de medicação se conseguirem:

      • Subir dois lances de escada em até 10 segundos, ou

      • Caminhar 1,5 km em terreno plano em até 20 minutos.

 

  • Pacientes com alto risco cardiovascular ou limitação física importante:

    • Devem receber tratamento adequado da condição cardíaca antes de iniciar medicamentos para disfunção erétil ou retomar a vida sexual.

Inibidores da fosfodiesterase

O tratamento medicamentoso envolve a prescrição de inibidores da fosfodiesterase tipo 5 (iPDE5), e pode ser realizado com uma das seguintes opções descritas abaixo (monoterapia), na ausência de contraindicações.

Esses medicamentos facilitam a ereção, mas não a induzem de forma espontânea. Portanto, é essencial orientar o paciente quanto à necessidade de estímulo sexual para que o efeito seja eficaz.

 

Inibidores da fosfodiesterase tipo 5 (iPDE5):

  • Tadalafila comp.  2,5 mg, 5 mg, 10 mg e 20 mg.

    • Opção 1: tratamento somente sob demanda.

      • Tomar 1 cp VO de 20 mg apenas se for ter relação sexual no dia. 

    • Opção 2: tratamento de manutenção + dose de ataque

      • Dose de manutenção diária: tomar 1 cp VO de 5mg todos os dias independente de refeições no mesmo horário.

      • Dose de ataque: tomar 1 cp VO de 20 mg apenas se for ter relação sexual no dia, cerca de 30 minutos antes da relação. 

    • Observações:

      • Dose máxima: 20 mg/dose e 100 mg/dia

      • Início de ação: 30 minutos

      • Duração de ação: 2 horas

 

  • Sildenafila comp. 25, 50 e 100 mg

    • Tomar um cp VO 50 mg ou (25 mg em idosos ou uso de alfabloqueadores), ingerir 1 hora antes da relação.

      • Uso sob demanda, 1x/dia, máx 100mg /dia.

      • Alimentos gordurosos podem atrasar o efeito

    • Observações:

      • Dose máxima: 100 mg/dia

      • Início de ação: 1 hora

      • Duração de ação: 3 a 5 horas

 

  • Vardenafila comp 5, 10 e 20 mg

    • Tomar um cp com 10 mg (5 mg em idosos ou uso de alfabloqueadores),ingerir 30 minutos antes da relação.

      • Máximo 1x/dia, 20 mg

      • Alimentos gordurosos também afetam a absorção.

    • Observações:

      • Dose máxima: 20 mg/dia

      • Início de ação: 30 minutos

      • Duração de ação: 4 a 5 horas

 

  • Lodenafila comp 80mg

    • Tomar 1cp  VO, cerca de 1 hora antes da relação sexual;

      • Máximo 1x/dia, 80 mg

    • Observações:

      • Dose máxima: 80 mg/dia

      • Início de ação: 1 horas

      • Duração de ação: 4 a 5 horas

Contraindicação aos iPDE5

  • O uso de  de inibidores da fosfodiesterase tipo 5 (iPDE5) no tratamento da disfunção erétil deve ser evitado nas seguintes situações:

    • Hipersensibilidade conhecida a qualquer componente da fórmula do medicamento.

    • Uso concomitante de nitratos, seja de forma contínua ou eventual (P. ex.: Nitroglicerina, Mononitrato de isossorbida, Dinitrato de isossorbida).

      • A combinação de iPDE-5 e nitratos pode causar queda grave da pressão arterial e representam risco significativo ao paciente.

Opções adicionais

Se os iPDE5 forem ineficazes, é possível a utilização dos seguintes dispositivos, sob prescrição e indicação do médico especialista (urologista):

  • Ereção a vácuo

  • Injeções penianas com agentes vasodilatadores ou alprostadil intrauretral.

 

Dispositivos de ereção assistida por vácuo

  • Utilizam a pressão do vácuo para estimular o aumento do fluxo arterial e anéis oclusivos para limitar a saída venosa dos corpos cavernosos penianos.

  • Podem ser usados com inibidores orais de PDE5.

  • Os dispositivos de ereção a vácuo só devem ser aplicados por no máximo 30 minutos.

 

Tratamento injetável

  • Indicações de injeção intracavernosa:

    • Pacientes com falha ou contraindicação à terapia com iF15.

    • Pacientes com preferência pessoal.

    • Homens com lesão medular ou pós - prostatectomia radical.

  • Pode-se considerar uma das opções a seguir:

    • Monoterapia: Alprostadil pó inj. 10 mcg ou 20 mcg

      • A injeção intracavernosa deve ser realizada sob condições estéreis. O local da injeção é geralmente ao longo da porção dorso-lateral do terço proximal do pênis. Veias visíveis devem ser evitadas. Deve-se alternar o lado do pênis que é injetado e variar o local da injeção. O local da injeção deve sempre ser limpo com algodão e álcool.Injete 10 a 20 minutos antes do sexo, as ereções podem durar mais de uma hora.

      • Após a inserção do medicamento na uretra, o pênis é massageado por até um minuto para garantir uma distribuição igual nos corpos cavernosos.

      • A injeção pode ser repetida até 3 vezes por semana, com intervalo de 24 horas entre cada injeção

      • Considerar suspender se fibrose peniana e suspeita da doença de peyronie.

    • Terapia combinada: Associação de Alprostadil + (Fentolamina e/ ou Papaverina)

      • A injeção pode ser repetida até 3 vezes por semana, com intervalo de 24 horas entre cada injeção.

      • Considerar suspender se fibrose peniana e suspeita da doença de peyronie

  • Contraindicações:

    • Predisposição ao priapismo

    • Anemia falciforme

    • Coagulopatias

    • Fibrose peniana

    • Doença de Peyronie

Tratamento cirúrgico

  • Indicações de implante de prótese peniana:

    • Pacientes com falha na terapia farmacológica oral ou injetável.  

    • Em casos de rejeição a tratamento

    • Casos graves de disfunção 

    • Sequelas de cirurgias ou traumas

    • Sequelas de diabetes

Referências

  • TelessaúdeRS-UFRGS. Como abordar paciente com disfunção erétil na Atenção Primária? [Internet]. Porto Alegre: Universidade Federal do Rio Grande do Sul; 2022.

  • Secretaria de Estado de Saúde do Distrito Federal. Protocolo clínico de terapia oral para tratamento da disfunção erétil [Internet]. Brasília (DF): SES-DF; 2023.

  • Nunes KP, Labazi H, Webb RC. New insights into hypertension-associated erectile dysfunction. Curr Opin Nephrol Hypertens. 2012.

Autoria e Curadoria

As informações contidas nesta página são de autoria da Equipe Editorial Médica do GPMED, composta por médicos especialistas de diversas áreas. Todo o conteúdo é estruturado rigorosamente com base em fontes bibliográficas de alto impacto e nas diretrizes oficiais vigentes, seguindo os preceitos da Medicina Baseada em Evidências. Nosso compromisso é oferecer ao médico uma base de consulta técnica, confiável e chancelada por profissionais experientes, garantindo máxima segurança no suporte à decisão clínica.