Coqueluche na criança

CID-10: A37

Informações gerais

  • A coqueluche é uma infecção respiratória, transmissível é causada pela bactéria Bordetella Pertussis.

  • Sua principal característica são as crises de tosse seca.

  • A coqueluche é transmitida principalmente por gotículas eliminadas ao tossir, espirrar ou falar.

    • Embora menos comum, também pode ocorrer por contato com objetos recentemente contaminados.

  • O período de incubação varia de 4 a 21 dias, com média entre 5 e 10 dias, podendo, em casos raros, chegar a 42 dias.

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Sintomas

  • A coqueluche evolui em três fases:

    • Fase catarral (inicial): Inicia com sintomas leves semelhantes aos de um resfriado, como febre baixa, mal-estar, coriza e tosse seca, que piora progressivamente.

    • Fase paroxística: A tosse torna-se intensa, em crises que podem causar vômitos, dificuldade para respirar, mudança de cor no rosto (vermelhidão ou cianose) e som agudo na inspiração. Pode durar de 2 a 6 semanas.

    • Fase de convalescença: A tosse diminui, mas pode persistir por semanas ou meses, com risco de agravamento temporário em caso de novas infecções respiratórias.

 

  • Atenção especial

    • Lactentes com menos de 6 meses estão mais vulneráveis a formas graves, podendo ter apneia, convulsões e desidratação, exigindo cuidados hospitalares.

    • Pessoas com doenças pré-existentes (como asma ou imunodeficiência) podem ter agravamento do quadro e devem ser monitoradas de forma rigorosa.

Profilaxia (vacinação)

  • Esquema vacinal recomendado:

    • Crianças

      • Pentavalente (DTP-HB-Hib): protege contra difteria, tétano, coqueluche, hepatite B e Haemophilus influenzae tipo b.

      • Doses aos 2, 4 e 6 meses de idade.

      • DTP (Tríplice bacteriana): reforços aos 15 meses e 4 anos.

    • Gestantes

      • Vacina dTpa (tríplice bacteriana acelular do tipo adulto): aplicada a partir da 20ª semana de gestação, em todas as gestações, para proteger o recém-nascido por meio de anticorpos transferidos via placenta.

    • Profissionais de saúde e contatos domiciliares de bebês menores de 1 ano

      • Recomendação de reforço com dTpa para reduzir o risco de transmissão.

Diagnóstico

  • O diagnóstico da coqueluche pode ser desafiador nas fases iniciais, já que os sintomas são semelhantes aos de resfriados e outras infecções respiratórias, como febre baixa, mal-estar e tosse seca.

 

  • A confirmação da doença exige exames laboratoriais específicos. Os principais são:

    • Cultura da nasofaringe: método tradicional que permite o isolamento da Bordetella pertussis.

    • PCR em tempo real: exame mais sensível e rápido, que detecta o material genético da bactéria.

    • Exames complementares: hemograma (pode mostrar leucocitose com linfocitose) e radiografia de tórax (útil em casos com complicações respiratórias).

      • A coleta da secreção nasal deve ser feita com técnica adequada, preferencialmente antes do início do uso de antibióticos ou até no máximo três dias após o início do tratamento, para garantir maior chance de detectar o agente causador.

 

  • O diagnóstico diferencial deve considerar outras infecções respiratórias agudas, como:

    • Traqueobronquites

    • Bronquiolites

    • Laringites

    • Adenoviroses

 

  • Além disso, outras bactérias e vírus podem causar sintomas semelhantes aos da coqueluche (síndrome coqueluchoide), como:

    • Bordetella parapertussis

    • Mycoplasma pneumoniae

    • Chlamydia trachomatis

    • Chlamydophila pneumoniae

    • Adenovírus (tipos 1, 2, 3 e 5)

Esquema terapêutico

O tratamento da coqueluche envolve a administração de antibioticoterapia, devendo ser considerado o seguinte esquema:

  • Antibiótico de 1° escolha: Azitromicina 

  • Antibiótico de 2° escolha: Claritromicina

  • Antibiótico de 3° escolha: Eritromicina 

  • Antibiótico de 4° escolha: Sulfametoxazol+Trimetoprim (normalmente indicado se houver intolerância a macrolídeo)

1° linha - Azitromicina

  • Menores de 6 meses

    • Azitromicina sol. oral 200 mg/5 mL

      • Dose 10 mg/kg/dia (0,25 mL/kg/dia), VO uma vez ao dia, por 5 dias (máx 500 mg/ dose ou 12,5 mL/dose).

      • Dica prática: Peso ÷ 4 = mL a cada 24h.

 

  • Maiores de 6 meses 

    • Azitromicina sol. oral 200 mg/5 ml

      • 1° dia: 10 mg/kg/dia (0,25 mL/kg/dia) VO uma vez ao dia (máx 500 mg/dose).

      • 2° ao 5° dia: 5 mg/kg/dia VO uma vez ao dia, por mais 4 dias (máx 250mg/dose ou 6,25 mL/dose).

2° linha - Claritomicina

  • Menores de 1 mês de idade

    • Não é recomendada.

 

  • 1 a 23 meses 

    • Menores de 8 kg Claritromicina sol. oral 250 mg/5mL (50 mg/mL)

      • Dose 7,5 mg/kg (0,15 mL/kg/dose),  VO 12/12h, por 7 dias.

    • Maiores de 8 kg Claritromicina sol. oral 250 mg/5mL (50 mg/mL)

      • Dose 62,5 mg (1,25 mL), VO de 12/12h por 7 dias (máx 500 mg/dose).

 

  • 2 a 6 anos 

    • Claritromicina sol. oral 250 mg/5mL (50 mg/mL) 

      • Dose 125 mg (2,5 mL), VO de 12/12h  por 7 dias (máx 500 mg/dose).

 

  • 7 a 9 anos 

    • Claritromicina sol. oral 250 mg/5mL (50 mg/mL)

      • Dose 187,5 mg (3,75 mL), VO de 12/12h por 7 dias  máx (500 mg/ dose).

 

  • Maiores ou iguais 10 anos  

    • Claritromicina sol. oral 250 mg/5mL (50 mg/mL)

      • Dose 250 mg (5 mL), VO de 12/12 h por 7 dias máx (500 mg/ dose ou 10 mL/dose).

3° linha - Eritromicina

  • Menores de 1 mês de idade

    • Não é recomendado, devido à associação com Estenose Hipertrófica de Piloro.

 

  • 1 a 23 meses 

    • Eritromicina sol. oral 250 mg/5mL (50 mg/mL)

      • Dose 125 mg (2,5 mL), VO de 6/6h de 7 a 14 dias 

 

  • 2 a 8 anos 

    • Eritromicina sol. oral 250 mg/5mL (50 mg/mL)

      • Dose 250 mg (5 mL), VO de 6/6h de 7 a 14 dias 

 

  • Maiores 8 anos 

    • Eritromicina sol. oral 250 mg/5mL (50 mg/mL)

      • Dose 250 - 500mg (5 a 10 mL), VO de 6/6hs de 7 a 14 dias

4° linha - Sulfametoxazol+Trimetoprim

  • Menores de 2 meses de idade:

    • Contraindicado.

 

  • ≥ 6 semanas a 5 meses: 

    • Sulfametoxazol+trimetoprim sol. oral 200+40mg/5mL ou 400+80mg/5mL

      • Dose: SMZ 100mg e TMP 20mg 12/12hs por 7 dias.

 

  • ≥  6 meses a 5 anos:

    • Sulfametoxazol+trimetoprim sol. oral 200+40mg/5mL ou 400+80mg/5mL

      • Dose: SMZ 200mg e TMP 40mg 12/12hs por 7 dias.

 

  • ≥  6 a 12 anos:

    • Sulfametoxazol+trimetoprim sol. oral 200+40mg/5mL ou 400+80mg/5mL

      • Dose: SMZ 400mg e TMP 80mg 12/12hs por 7 dias.

Referências

  • Brasil. Ministério da Saúde. Coqueluche [Internet]. Brasília: Ministério da Saúde; [atualizado em 2024].

  • Brasil. Ministério da Saúde. Secretaria de Vigilância em Saúde e Ambiente. Departamento de Ações Estratégicas de Epidemiologia e Vigilância em Saúde e Ambiente.Guia de vigilância em saúde : volume 1 [recurso eletrônico] / Ministério da Saúde, Secretaria de Vigilância em Saúde e Ambiente, Departamento de Ações Estratégicas de Epidemiologia e Vigilância em Saúde e Ambiente. – 6. ed. rev. – Brasília : Ministério da Saúde, 2024.

  • Paraná. Secretaria de Estado da Saúde. Tratamento da Coqueluche [Internet]. Curitiba: SESA-PR; 2020.

  • São Paulo. Vigilância epidemiológica de São Paulo: Coqueluche.

Autoria e Curadoria

As informações contidas nesta página são de autoria da Equipe Editorial Médica do GPMED, composta por médicos especialistas de diversas áreas. Todo o conteúdo é estruturado rigorosamente com base em fontes bibliográficas de alto impacto e nas diretrizes oficiais vigentes, seguindo os preceitos da Medicina Baseada em Evidências. Nosso compromisso é oferecer ao médico uma base de consulta técnica, confiável e chancelada por profissionais experientes, garantindo máxima segurança no suporte à decisão clínica.