Artrite Reumatoide no Adulto

CID-10: M069

Definição

  • A artrite reumatoide (AR) é uma enfermidade inflamatória sistêmica, autoimune e de caráter crônico, que afeta predominantemente as articulações sinoviais. 

  • Embora a etiologia exata seja desconhecida, sabe-se que fatores genéticos (como HLA-DR4) e ambientais (ex.: tabagismo) desempenham papel importante na sua patogênese.

  • Apresenta maior prevalência no sexo feminino, com uma razão de aproximadamente 2:1 em relação aos homens, e seu início costuma ocorrer entre a terceira e quarta décadas de vida, com aumento progressivo da incidência conforme o avanço da idade.

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Sintomas

  • Quadro clínico Articular:

    • Poliartrite simétrica de pequenas articulações (punhos, interfalângicas proximais e metacarpofalângicas).

    • Rigidez matinal > 1 hora.

    • Dor, edema, calor e rubor articular.

    • Envolvimento com comprometimento axial:

      • Coluna cervical: ocorre em estágios avançados.

      • Coluna torácica ou lombar: raro.

 

  • Sintomas sistêmicos e funcionais

    • Rigidez articular matinal com duração prolongada

    • Fadiga persistente, febre, perda ponderal, mal-estar.

    • Progressão da doença leva à destruição da cartilagem e estruturas articulares

 

  • Consequências funcionais

    • Limitação das atividades de vida diária e profissional

    • Perda da função articular e qualidade de vida prejudicada

 

  • Deformidades articulares típicas

    • Pescoço de cisne: hiperextensão da interfalangeana proximal e flexão da distal

    • Botoeira: flexão da interfalangeana proximal com hiperextensão da distal

    • Desvio ulnar: desvio dos dedos em direção ao cúbito

    • Hálux valgo: desvio lateral do hálux (joanete).

 

  • Nódulos reumatoides subcutâneos (frequentes em pacientes com fator reumatoide positivo).

 

  • Pode haver manifestações extra-articulares: 

    • Pulmonares (pleurite, nódulos, fibrose), cardíacas, oculares (esclerite), hematológicas (anemia) e neurológicas.

Diagnóstico

  • Conforme os critérios estabelecidos pelo Colégio Americano de Reumatologia, o diagnóstico de artrite reumatoide é considerado quando pelo menos quatro dos seguintes sinais estão presentes por um período mínimo de seis semanas:

    • Rigidez matinal nas articulações com duração superior a uma hora;

    • Inflamação em três ou mais grupos articulares;

    • Comprometimento das articulações das mãos, incluindo punhos, interfalângicas proximais e metacarpofalângicas;

    • Padrão de envolvimento articular simétrico (como nos dois punhos simultaneamente);

    • Presença de nódulos subcutâneos típicos da doença;

    • Detecção do fator reumatoide em exames laboratoriais;

      • Sorologia (fator reumatoide e anti-CCP).

      • Reagentes de fase aguda (PCR, VHS).

    • Evidência radiográfica de erosões ósseas ou osteopenia localizada, especialmente nas mãos e punhos.

      • A presença de erosões em radiografias de mãos e punhos corrobora o diagnóstico em fases avançadas.

 

  • A identificação precoce da doença e o início imediato do tratamento são essenciais para conter a progressão da inflamação, preservar a função articular e permitir que o paciente retome suas atividades cotidianas com a maior brevidade possível.

Tratamento não medicamentoso

  • Educação do paciente e familiares

  • Terapia ocupacional e fisioterapia

  • Exercícios físicos leves (resistência e aeróbicos) 

    • Exercícios resistidos são seguros e contribuem para o ganho de força muscular e mobilidade.

    • Atividades aeróbicas promovem benefícios modestos na dor, capacidade funcional e bem-estar em pacientes com doença controlada.

  • Apoio psicossocial e intervenções psicológicas.

    • Intervenções psicológicas auxiliam no curto prazo, especialmente ao estimular a adesão ao tratamento e reduzir sintomas de ansiedade e depressão.

Esquema de tratamento

O manejo farmacológico da AR envolve diferentes classes de medicamentos, utilizados de forma escalonada conforme a atividade da doença:

 

  • Anti-inflamatórios não esteroidais (AINEs)

    • Utilizados para alívio sintomático da dor e inflamação, mas não alteram a progressão da doença.

 

  • Glicocorticóides

    • Empregados como terapia adjuvante de curto prazo, auxiliam no controle da inflamação até que os medicamentos modificadores façam efeito.

      • Dose inicial: prednisona 5 a 20 mg/dia, dependendo da gravidade da inflamação articular e da dose mínima necessária para obter o controle inicial. 

      • A maioria dos pacientes pode ser adequadamente controlada com 5 a 10 mg/dia durante o início dos medicamentos modificadores da doença..

 

  • Medicamentos Modificadores do Curso da Doença (MMCDs ou DMARDs)

    • Sintéticos convencionais (como metotrexato): primeira linha de tratamento, com impacto na progressão da doença.

      • Metotrexato é o medicamento principal no tratamento de artrite reumatoide, seu uso é contraindicado apenas em casos de alergia ou baixa tolerância.

      • Dose sugerida: uma única dose semanal, geralmente por via oral. A dose inicial ideal e o esquema para o escalonamento da dose são incertos.

      • Dose inicial: entre 7,5 e 15 mg uma vez por semana para a maioria dos pacientes, dependendo do grau de atividade da doença, do tamanho e da idade do paciente, da presença de comorbidades e da função renal. 

      • Exemplos:

        • Ex. 1: Paciente de 70 anos pesando 55 kg com doença moderadamente ativa:

          • Dose inicial sugerida: 7,5 mg uma vez por semana.

        • Ex. 2: Paciente saudável de 30 anos pesando 80 kg com doença altamente ativa:

          • Dose inicial sugerida: 15 mg uma vez por semana.

    • Biológicos e sintéticos alvo-específicos:

      • Indicados em casos refratários ou com resposta insuficiente aos MMCDs convencionais.

 

  • Imunossupressores

    • Utilizados em situações específicas, visando controlar a resposta autoimune.

 

  • Cirurgia (em casos avançados ou refratários).

Medicamentos

  • AINEs não-seletivos da COX-2

    • Ibuprofeno 200mg ou 300mg ou 400mg ou 600mg

      • Tomar 1 cp de 6/6h (max 3,2g por dia)

    • Diclofenaco 50mg

      • Tomar 1 cp de 8/8h (max 150mg por dia)

    • Cetoprofeno 50mg ou 100mg ou 150mg

      • Tomar 1 cp de 12/12h (max 300mg por dia)

    • Naproxeno comp. 250mg ou 500mg

      • Tomar 1 cp de 12/12h (max 1 a 1,5g por dia)

    • Naproxeno comp. revest. 275mg ou 550mg

      • Tomar 1 cp de 12/12 h (max 1 a 1,5g por dia)

 

  • AINEs seletivos da COX-2

    • Celecoxib 100mg ou 200mg

      • Tomar 1 cp de 12/12h (max 400mg por dia)

    • Etoricoxibe 60mg ou 90mg

      • Tomar 1 cp uma vez ao dia (max 90mg por dia)

    • Etodolaco 300mg ou 400mg ou 500mg

      • Tomar 1 cp (de 300mg) de 8/8h (max 1g por dia)

    • Nimesulida 100mg

      • Tomar 1 cp de 12/12h (máx. 400mg/dia)

 

  • Glicocorticóides  

    • Prednisona comp. 5mg ou 20mg ou 40mg 

      • Dose: 0,25 mg/kg por dia.

      • Uso deve ser por curto prazo analisado individualmente para o controle das dores e inflamação até que as drogas modificadoras da doença atinjam seu alvo terapêutico. 

      • A dose deve ser reduzida gradualmente. 

 

  • Drogas modificadoras da doença  

    • Devem ser considerados e prescritos pelo especialista (reumatologista).

    • Metotrexato comp. 2,5 ou 10 mg

      • Dose: 12,5 a 15 mg uma vez por semana a vida inteira;

      • A dose pode ser aumentada de 2,5 a 5 mg/semana a cada 4 a 12 semanas, se necessário, com base na resposta clínica do paciente. 

      • Dose máx 25 mg por semana 

      • Reposição de ácido fólico (5 mg) ou ácido folínico uma vez por semana (monitorar níveis séricos de ácido fólico para ajuste de dose).

    • Leflunomida comp. 20 mg 

      • Tomar um cp VO uma vez  ao dia.

    • Hidroxicloroquina  comp.400 mg

      • Tomar um cp VO uma vez  ao dia.

    • Sulfassalazina comp.500 mg

      • Tomar 1 cp VO a cada 12 horas por 1 semana, após este período tomar 2 cps VO a cada 12 horas.

 

  • Imunossupressores Anti TNF

    • Devem ser considerados e prescritos pelo especialista (reumatologista).

    • Adalimumabe.inj. 40 mg

      • Subcutâneo a cada 14 dias 

    • Etanercept inj. 50 mg

      •  Subcutâneo uma vez por semana 

    • Golimumabe inj. 50 mg

      •   Subcutâneo a cada 4 semanas 

 

  • Anti il 6 

    • Devem ser considerados e prescritos pelo especialista (reumatologista).

    • Tocilizumabe inj. 80 mg/ 4 mL

      • Dose de 8 mg/kg EV a cada 4 semanas (máx 800 mg) 

 

  • Agonista de ctla4 (inibidor da  ativação dos linfócitos t)

    • Devem ser considerados e prescritos pelo especialista (reumatologista).

    • Abatacept inj. 125 mg / mL

      • Dose 1x por semana uma vez ao mês 

 

  • Anti cd20 (depletor de linfócitos B)

    • Devem ser considerados e prescritos pelo especialista (reumatologista).

    • Rituximabe sol. inf. 100 mg/10 mL

      • Dose de 1g ev d0 e d14 e após cada 6 meses 

 

  • Inibidores de jak 

    • Devem ser considerados e prescritos pelo especialista (reumatologista).

    • Tofacitinibe comp. 5 mg 

      • Tomar 1 cp VO a cada 12 horas 

    • Upadacitinibe comp. 15 mg 

      • Tomar 1 cp  VO  uma vez ao dia.

Encaminhamento ao especialista

  • Todo paciente com suspeita de AR deve ser encaminhado precocemente ao reumatologista para definição de diagnóstico e início do tratamento com Medicamentos Modificadores do Curso da Doença (MMCDs ou DMARDs). 

  • Casos com falha terapêutica, contraindicações a DMARDs convencionais ou com manifestações extra-articulares graves requerem acompanhamento contínuo por equipe especializada.

Referências

  • SOCIEDADE BRASILEIRA DE REUMATOLOGIA (SBR). Artrite reumatoide: diretrizes da SBR para diagnóstico e tratamento. São Paulo, 2017.

  • SMOLEN, J. S. et al. EULAR recommendations for the management of rheumatoid arthritis with synthetic and biological disease-modifying antirheumatic drugs: 2022. Annals of the Rheumatic Diseases, v. 82, n. 1, p. 3-18, 2023.

  • AMERICAN COLLEGE OF RHEUMATOLOGY (ACR). ACR Guidelines for the treatment of Rheumatoid Arthritis – 2021.

Autoria e Curadoria

As informações contidas nesta página são de autoria da Equipe Editorial Médica do GPMED, composta por médicos especialistas de diversas áreas. Todo o conteúdo é estruturado rigorosamente com base em fontes bibliográficas de alto impacto e nas diretrizes oficiais vigentes, seguindo os preceitos da Medicina Baseada em Evidências. Nosso compromisso é oferecer ao médico uma base de consulta técnica, confiável e chancelada por profissionais experientes, garantindo máxima segurança no suporte à decisão clínica.